Posts made in março, 2010

Idílica integração natureza- civilização

Passei dez dias do meu verão em um pequeno paraíso. Um condomínio de casinhas na Barra do Una- em São Sebastião, litoral norte de São Paulo – onde a integração natureza/ civilização se dava da maneira mais perfeita. Tenho que começar explicando a quem não conhece que Barra do Una, na definição do namorado de uma amiga minha, médico paulistano, é “uma praia mais primitiva” dentre as que compõem as de São Sebastião, cuja mais famosa e badalada do verão é Maresias. Em frente ao centro de São Sebastião, 50 quilômetros mais a norte, fica a também famosa IlhaBela.

Pois bem, o condomínio – e não vou dizer o nome porque a intenção é disseminar o exemplo e não fazer propaganda do empreendimento- fica entre o mar e uma enorme pedra coberta de vegetação da Mata Atlântica, preservada ao máximo pelos empreendedores. Ao caminhar pela ruazinha de pedras que divide os prédios de dois andares da direita dos da esquerda, vamos nos encantando com flores de diversos tipos e cores, plantadas pelos administradores e pelos próprios moradores. Elas formam uma extensão do paredão de plantas nativas. Entre um prediozinho e outro- construídos em tijolo aparente para conviver em harmonia com o verde- de repente se vê uma água correndo na barra da pedra. E logo uma bica para propiciar a quem passa um mezzo banho para o corpo ou somente para os pés. A água límpida vai desaguar na areia da praia.

À margem do caminho, quem vem de carro lê plaquetas que dizem: “O local é das crianças, velocidade máxima 10 Km”. Já gostei no dia em que cheguei. Quando se passeia a pé, como fiz algumas manhãs enquanto meu bebê de um ano e oito meses tirava sua soneca diária, uma lembrança de que estamos em um condomínio habitando por paulistanos: ao invés dos “bom dia” e “boa tarde” habituais nas caminhadas pelas quadras da minha originária Brasília, olhares um pouco desconfiados. Talvez estranhassem meu visual short e camiseta brancos mais parecido com o das babás locais, em lugar dos vestidinhos típicos das paulistanas de classe média alta e meia idade que encontramos no local.

Voltando ao paraíso, a praia. A praia era acessada andando até o fim do condomínio, porque entre as casinhas e “nosso” condomínio de apartamentos de 70m2 bem divididos, ficavam casas enormes, com gramados invejáveis, esculturas modernas de metal colorido em frente e, invariavelmente, camas elásticas tipo pula-pula que nos faziam ter vontade de invadir para que nosso bebê pudesse usufruir.

O mar começou calmo e convidativo, estendido entre duas rochas e abrigando duas ilhas. Nos dias seguintes, as ondas apareceram em tal proporção que juntando a vegetação, as ilhas e as pedras, o local fazia lembrar o Rio de Janeiro. No acesso ao mar, os moradores deixavam seus chinelos pelo tempo em que estivessem na praia e eram atendidos por um garotão que, após o expediente, virava um surfista entusiasmado. Lula e peixe frito e caipirinhas diversas era o cardápio que vinha direto aos ombrelones exclusivos do condomínio. No fim do dia, uma piscininha envolta pelo verde porque ninguém é de ferro. Como a natureza era autêntica, um dia apareceu uma cobra “que parecia coral” vinda do paredão de pedra. Uma experiência inédita para meu filho que a viu depois de devidamente morta por um funcionário (afinal, preservação ecológica tem limite em um condomínio voltado para as crianças) e prontamente passou a narrar: “minhoca, minhoca”.

Nos aventuramos a conhecer o outro extremo da praia caminhando sem o bebê, já que nesta parte das férias estávamos acompanhados de nossa babá. A caminhada de cerca de 2 km em areia meio fofa foi paga com um lindo encontro de rio e mar que formava uma península de areia cuja beleza já havíamos fotografado de um mirante no dia anterior. O banho num Rio Una  negro e gelado me deu forças para encarar a volta para o condomínio dos sonhos. Nos dias seguintes, saímos para conferir os restaurantes charmosos das praias vizinhas, alguns deles com chefes de cozinha e barmen que, no verão, trocam a abafada São Paulo por esses idílicos e arejados vilarejos. Mas a parte gastronômica eu conto em outro post.

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Rock in Rio- o show a que eu não fui e seu importante legado

O Rock in Rio original está fazendo 25 anos neste verão. E embora eu não tenha ido ao megashow que foi um marco na história dos concertos de rock no Brasil, este aniversário significa muito para mim. Foi nessa época, aos 16 anos, que comecei a gostar de rock prá valer, a ponto de decidir abandonar a idéia de ser bióloga- que havia alimentado desde criança- e decidir ser jornalista. Naquele janeiro de 1985, em vez de ir para o Rio assistir aos shows do Queen, do Scorpions e do Barão Vermelho- os que mais me interessavam-  e até da Blitz e dos Paralamas do Sucesso -, segui para Recife de onde embarcaria para os Estados Unidos numa temporada de intercâmbio. Mais precisamente para Elsie, uma pequena- pequena mesmo, com seus mil habitantes- cidade de Michigan.

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Luxo no Rio de Janeiro e uma comédia de erros

Investir em um fim de semana de luxo no Rio de Janeiro pode valer a pena. Especialmente se o hotel for em Ipanema, o quarto super moderno com vista para o mar, a piscina com uma paisagem de tirar o fôlego com o Morro Dois Irmãos ao fundo, e toda a integração natureza/concreto planejada por um dos arquitetos mais festejados do mundo. No nosso caso, no Hotel Fasano de Philippe Starck, o luxo foi pontuado por uma verdadeira comédia de erros.

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