Idílica integração natureza- civilização

Idílica integração natureza- civilização

Passei dez dias do meu verão em um pequeno paraíso. Um condomínio de casinhas na Barra do Una- em São Sebastião, litoral norte de São Paulo – onde a integração natureza/ civilização se dava da maneira mais perfeita. Tenho que começar explicando a quem não conhece que Barra do Una, na definição do namorado de uma amiga minha, médico paulistano, é “uma praia mais primitiva” dentre as que compõem as de São Sebastião, cuja mais famosa e badalada do verão é Maresias. Em frente ao centro de São Sebastião, 50 quilômetros mais a norte, fica a também famosa IlhaBela.

Pois bem, o condomínio – e não vou dizer o nome porque a intenção é disseminar o exemplo e não fazer propaganda do empreendimento- fica entre o mar e uma enorme pedra coberta de vegetação da Mata Atlântica, preservada ao máximo pelos empreendedores. Ao caminhar pela ruazinha de pedras que divide os prédios de dois andares da direita dos da esquerda, vamos nos encantando com flores de diversos tipos e cores, plantadas pelos administradores e pelos próprios moradores. Elas formam uma extensão do paredão de plantas nativas. Entre um prediozinho e outro- construídos em tijolo aparente para conviver em harmonia com o verde- de repente se vê uma água correndo na barra da pedra. E logo uma bica para propiciar a quem passa um mezzo banho para o corpo ou somente para os pés. A água límpida vai desaguar na areia da praia.

À margem do caminho, quem vem de carro lê plaquetas que dizem: “O local é das crianças, velocidade máxima 10 Km”. Já gostei no dia em que cheguei. Quando se passeia a pé, como fiz algumas manhãs enquanto meu bebê de um ano e oito meses tirava sua soneca diária, uma lembrança de que estamos em um condomínio habitando por paulistanos: ao invés dos “bom dia” e “boa tarde” habituais nas caminhadas pelas quadras da minha originária Brasília, olhares um pouco desconfiados. Talvez estranhassem meu visual short e camiseta brancos mais parecido com o das babás locais, em lugar dos vestidinhos típicos das paulistanas de classe média alta e meia idade que encontramos no local.

Voltando ao paraíso, a praia. A praia era acessada andando até o fim do condomínio, porque entre as casinhas e “nosso” condomínio de apartamentos de 70m2 bem divididos, ficavam casas enormes, com gramados invejáveis, esculturas modernas de metal colorido em frente e, invariavelmente, camas elásticas tipo pula-pula que nos faziam ter vontade de invadir para que nosso bebê pudesse usufruir.

O mar começou calmo e convidativo, estendido entre duas rochas e abrigando duas ilhas. Nos dias seguintes, as ondas apareceram em tal proporção que juntando a vegetação, as ilhas e as pedras, o local fazia lembrar o Rio de Janeiro. No acesso ao mar, os moradores deixavam seus chinelos pelo tempo em que estivessem na praia e eram atendidos por um garotão que, após o expediente, virava um surfista entusiasmado. Lula e peixe frito e caipirinhas diversas era o cardápio que vinha direto aos ombrelones exclusivos do condomínio. No fim do dia, uma piscininha envolta pelo verde porque ninguém é de ferro. Como a natureza era autêntica, um dia apareceu uma cobra “que parecia coral” vinda do paredão de pedra. Uma experiência inédita para meu filho que a viu depois de devidamente morta por um funcionário (afinal, preservação ecológica tem limite em um condomínio voltado para as crianças) e prontamente passou a narrar: “minhoca, minhoca”.

Nos aventuramos a conhecer o outro extremo da praia caminhando sem o bebê, já que nesta parte das férias estávamos acompanhados de nossa babá. A caminhada de cerca de 2 km em areia meio fofa foi paga com um lindo encontro de rio e mar que formava uma península de areia cuja beleza já havíamos fotografado de um mirante no dia anterior. O banho num Rio Una  negro e gelado me deu forças para encarar a volta para o condomínio dos sonhos. Nos dias seguintes, saímos para conferir os restaurantes charmosos das praias vizinhas, alguns deles com chefes de cozinha e barmen que, no verão, trocam a abafada São Paulo por esses idílicos e arejados vilarejos. Mas a parte gastronômica eu conto em outro post.

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22 Comentários

  1. Samirah Araujo Walzberg |

    Mariana, a convite da Suzana entrei no seu Blog e amei ler seus textos! De uma pessoa diversificada e inteligente como voce, so podia esperar ler textos interessantes e bem relatados. Com certeza voltarei a “visita-la”! Seria bom tambem ler sobre a sua experiencia na Europa assim como ouvir um pouco mais da cidade que guardo bem pertinho de mim “Brasilia”.

    Beijos, Samirah.

    • Samirah, que prazer enorme falar com você, ainda mais aqui no blog! Fico muito feliz por você ter gostado dos textos. Faz algum tempo que eu não vou à Europa, fomos na lua de mel em 2006, quem sabe não escrevo algo sobre a viagem aos vinhedos da Borgonha? E Brasília sempre estará aparecendo no meio dos textos. O próximo, a ser postado nesta quinta-feira (1 de abril) fugirá do tema viagens: será uma resenha do último livro do Saramago, “Caim”. Beijos!

  2. Pôxa, que paraíso! Como faz para chegar lá? É fácil?
    Quem sabe incluo SP nos meus próximos roteiros de viagem. Nunca havia pensado nisso.

    • Meu blog tem um problema que pretendo corrigir: não consigo identificar qual das Adrianas quando não aparece o sobrenome. Mas o litoral norte de São Paulo é um paraíso mesmo. É fácil de ir se for dia de semana, nos fims de semana, as estradas são lotadas. Você pega a Imigrantes saindo de São Paulo, depois a Piaçaguera- Guarujá e, antes de chegar ao Guarujá, entra na Rio- Santos, que é linda! Imagino que seja a daquela também linda música do Roberto Carlos: A Estrada de Santos.

  3. Mari,
    sempre achei o litoral norte de São Paulo um dos mais deslumbrantes do Brasil. Mas nunca fui à Barra do Una. Lendo seu texto e vendo as fotos, fiquei com muita vontade de passar umas férias por lá. Narrativa de encher os olhos. Parabéns. beijos, Pati.

    • É, Pati, Barra do Una é muito legal mesmo, mais tranquila. O problema é que tem poucas pousadas, daí nossa sorte de ter recebido o convite prá esse condomínio. Mas vale muito ficar com os meninos em Juquehy, a próxima ao lado, e ir para Barra do Una pro dia e Barra do Sahy à noite! Ótimo lugar prá ir com as crianças!

  4. Mari,

    Já tinha ouvido de viva voz a narrativa das suas férias, mas lê-la no blog é viajar um pouco com você por esse litoral que foi uma descoberta quando me mudei pra SP. Agora imagino que vc saiba qual das Danielas é!!! Brincedeirinha, continue firme nos textos.
    bjs

    • Dani, você sabe do que eu estou falando neste texto! Mais tarde, farei um outro sobre os restaurantes legais e os drinks que rolavam no verão! Tô vendo que você virou uma leitora fiel!

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