Luxo no Rio de Janeiro e uma comédia de erros

Luxo no Rio de Janeiro e uma comédia de erros

Investir em um fim de semana de luxo no Rio de Janeiro pode valer a pena. Especialmente se o hotel for em Ipanema, o quarto super moderno com vista para o mar, a piscina com uma paisagem de tirar o fôlego com o Morro Dois Irmãos ao fundo, e toda a integração natureza/concreto planejada por um dos arquitetos mais festejados do mundo. No nosso caso, no Hotel Fasano de Philippe Starck, o luxo foi pontuado por uma verdadeira comédia de erros.

Chegamos ao hotel uma hora antes do horário de check in, já tardio, previsto para as 15 horas. Resolvemos almoçar na rua Vinícius de Moraes, a algumas quadras, e dar uma caminhada pelas lojas de Ipanema. Quando voltamos pouco depois das 17 horas ao lindo lobby desse Hotel Boutique- um misto de sofisticação com rusticidade, cortinas de seda com balcões de madeira-, tivemos nossa primeira surpresa. “Infelizmente, o quarto ainda não está pronto, senhor. Pedimos desculpas”, disse ao meu marido uma das recepcionistas, devidamente uniformizada por Orcimar Versolato. Inconformada em ver ceifadas duas horas de nossa caríssima diária, respondi: “Nunca vi isso acontecer, nem em hotéis bem mais simples. Gostaríamos de uma compensação, quem sabe um café da manhã”. Um café ao preço de R$ 56 por pessoa talvez fosse capaz de desfazer a péssima primeira impressão do serviço do hotel mais badalado do Rio de Janeiro no momento.

Ainda com a roupa do avião, fomos conduzidos à cobertura, para “esperar mais alguns minutinhos na piscina”. Nos deitamos nas espreguiçadeiras, olhando a piscina que, como nos mais chiques hotéis contemporâneos, parece emendar com o mar. No caso de Ipanema, esse efeito visual fica ainda mais arrojado pela presença das belas Ilhas Cagarras ao fundo. Philippe Starck aproveitou como pôde a beleza natural do Rio no espaço da piscina. À direita, está uma das mais belas vistas do Morro Dois Irmãos, com as praias de Ipanema e Leblon à frente. E atrás, por sobre uma parede com os famosos espelhos em forma de ameba, aparece majestoso ninguém menos que o Cristo Redentor. É como se o turista encontrasse na cobertura de seu hotel um resumo pictórico da Cidade Maravilhosa.

O arroubo da paisagem já quase nos fazia esquecer nosso contratempo, quando finalmente nos chamaram para ir para o quarto. Aos poucos fomos relaxando, bem impressionados com os móveis de designers brasileiros- duas cadeiras de Sérgio Rodrigues na varanda-; a cama virada para o mar, dois espelhos grandes de ameba, claramente inspirados em Gaudí ou na Art-Nouveau em geral, um deles parecendo uma orelha gigante; cortinas de seda esvoaçantes; chuveiro do qual se vê o quarto; tudo à meia luz. O diferencial do estilo Starck já se faz notar no hall do andar, onde uma poltrona de tecido listrado em forma de pêra, com uma bola fazendo papel de banquinho, convida o hóspede a se sentar e não se levantar mais.

Mas o serviço bem intencionado, porém ainda “em treinamento” do hotel insistia em se fazer presente. De repente, no pior momento imaginável, se é que me entendem, alguém bate na porta. Resolvemos não atender. Batem mais uma vez e, sem que tivéssemos a oportunidade de responder, resolvem simplesmente entrar no quarto, ainda por cima se anunciando em inglês. Cheguei a pensar que tivessem dado o cartão de acesso do nosso quarto a um hóspede estrangeiro, mas, no susto, gritei em português mesmo: “Tem gente!”. Não era hóspede algum. Era mesmo um funcionário que, vendo que o cartão de “do not disturb” não estava pendurado na maçaneta, resolveu que deveria simplesmente ir entrando no quarto.

Revoltado e quase incrédulo, meu marido ligou para a recepção relatando o inusitado acontecimento. Foi informado que o funcionário estava tentando levar uma cortesia do hotel para compensar o mal estar da chegada. Quando passamos pela recepção para sair para jantar, a responsável pelo relacionamento com os clientes estava totalmente empenhada em desfazer a péssima imagem que o atendimento do Hotel Fasano nos tinha deixado até o momento. Ao voltarmos do jantar- que para completar, meu marido não conseguiu comer devido a um inesperado enjôo- encontramos o quarto cheio de velas, com uma música indiana tocando na TV de plasma e uma garrafa de Veuve Clicquot num balde de gelo. Nada que pudéssemos aproveitar naquela noite, esgotados que estávamos, mas uma compensação a ser levada em conta.

O dia da forra

O dia seguinte veio para justificar o fim de semana. Uma das razões de ser da ida ao Rio tinha sido o show do Coldplay na Praça da Apoteose. No balcão da recepção, uma ficha em que se lia “Grupo Coldplay- 27 a 1º de março” denunciava a presença da banda inglesa no hotel. Aos poucos, os fãs foram se aglomerando na calçada em frente ao prédio. Havia momentos em que eu me sentia naquele filme da sessão da tarde em que um grupo de fãs dos Beatles passava um dia inteiro em um hotel à procura de John, Paul e companhia, mas eles nunca apareciam. Fomos informados de que um dos membros do Coldplay estaria no restaurante Fasano tomando café. Mas não chegamos a tempo de vê-lo. Também não tínhamos muito tempo a perder com tietagem. Tínhamos uma Veuve Clicquot à nossa espera. Uma amiga carioca, Joana, nos acompanhou à piscina para cumprir a tarefa, após a praia e um rápido almoço.  Daí para a frente, a estada no Fasano foi tudo aquilo que se pode esperar de um Hotel conceitual de alto nível. O champanhe na piscina nos aqueceu perfeitamente para a noite de show que tínhamos pela frente. E o show, apesar da chuva fina e insistente, foi um espetáculo bem à moda dessa importante banda inglesa dos anos 2000: belas baladas com refrões fortes, o vocalista Chris Martin cheio de gás, se jogando como um mamulengo de um lado para o outro, mostrando toda a importância do piano para o rock and roll e exibindo sua voz parecida com a de Bono Vox. E muitos efeitos especiais. Na volta ao hotel, finalmente os fãs tiveram um refresco: Chris estava lá no hall de entrada, com um moleton preto de capuz, resolvendo algum problema na recepção.

No fim das contas, o balanço de nosso fim de semana foi extremamente positivo. O clima sofisticado e ao mesmo tempo leve do restaurante Fasano Al Mare tornou o café da manhã da despedida especial. A princípio parecia um café comum, mas aos poucos fomos percebendo que o queijo cottage derretia na boca, o salame italiano era mais saboroso, o pão com chocolate feito na padaria própria era delicioso e o espumante, mesmo nacional, dava uma ótima mimosa. No fundo do salão, uma grande mesa separada das demais por uma fina cortina de seda estava preparada para receber os músicos do Coldplay e seus acompanhantes. Tratava-se do mesmo cantinho em que Madonna se escondia dos pobres (ricos) mortais em sua estada no Fasano durante o carnaval. Não deu tempo de ver Chris Martin e companhia mais uma vez, tínhamos um avião para pegar, mas ficou o gostinho de que estivemos muito bem acompanhados naquele hotel. O Rio? Bem, o Rio é um luxo mesmo quando visto dos lugares mais simples.


Praia

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33 Comentários

  1. Mari, ainda não tinha visto o seu blog, acredita??!!
    Mas ADOREI!! Queria eu poder ir pro Fasano… As imagens também estão super legais.
    Um beijão.
    Parabéns!!
    Não pare de escrever contando suas aventuras!!!

  2. Mari, ainda não tinha visto o seu blog, acredita??!!
    Mas ADOREI!! Queria eu poder ir pro Fasano… As imagens também estão super legais.
    Um beijão.
    Parabéns!!
    Não pare de escrever e contar suas aventuras!!!

  3. Mari,
    Muito bom. Adorei.
    Vou vir sempre aqui.
    Parabens. Vc eh sempre nota 10

  4. Prima,
    Tá demais o seu blog!!!
    Passarei sempre por aqui pra dar uma olhada nos seus comentários sobre suas trips maravilhosas. Essa do Rio me deixou com água na boca, mesmo com os probleminhas que apareceram. Adoro o Cold play….
    Parabéns!
    Bjs

    • Que bom que meus amigos estão gostando do blog e dos textos! Amor, fiquei até sem graça com os elogios. Maurice, é verdade, você era o fotógrafo e tirou umas cem fotos do Sting naquela coletiva! Precisamos resgatá-las! Cristina, eu e Brasília estamos sempre de braços abertos prá você! Tércio, as suas lembranças são, então, iguais às minhas, sem ter ido ao RR1! Marcelo, puxa vida, tenho que lançar um blog prá você aparecer, e de Londres! Coldplay em Londres deve ter sido demais! Nem sei dizer qual o melhor show que já vi, talvez fique entre os caras do Led Zeppelin, o The Cure e o Sting. U2 tenho trauma, vc sabe. Ricardo, Pati, Márcio, André, Dani (não identifiquei qual delas) e Adriana, obrigada pela leitura e pelos elogios!

  5. Mariana, confirmo o que já havia dito antes mesmo de vir aqui no seu blog. Parabéns pela ótima iniciativa. Acho que nos, leitores, vamos disfrutar
    de textos ótimos.
    Ps: definitivamente tenho que conhecer esse hotel.

  6. Mutawamê Sanchez |

    Maroca. Amei o blog!!! O visual tá mto bonito aliás, está “estupendo”… Qto ao post, meu Deus, tive vontade de quebrar a cara do moço do hotel….. sacanagem, ou melhor que emp fo……. ainda bem que tudo acabou bem.
    bjs e sucesso . Como diriam os meninos.. “Tô ligado no próximo”.

  7. Muito bom! Parabéns!
    Adoro crônicas do cotidiano. Algo Carrie sem as experiências mais picantes, afinal vc é uma mãe de família, hehe!
    Ipanema é mesmo um luxo! Nem faz falta um hotel 5 estrelas! Mas que ajuda, ajuda!

  8. Na qualidade de fã número um, quero dar, de público, os parabéns para “minha escritora favorita”. Ninguém pode imaginar o prazer e a paixão com que Mariana pensa e prepara os textos do blog. São inúmeras anotações em papéizinhos, espalhados por todo canto, fotos variadas e ideias à cabeceira da cama. No final, é gratificante constatar que tudo aquilo virou um texto fluido, com detalhes precisos e bem colocados (afinal, ela é virginiana), e de agradável leitura.

    Bjs,

  9. oi mari
    adorei o texto, sua cara.
    tbm assisti ao Coldplay aqui em Londres no estadio de Wembley. Posso dizer, que junto com U2, foi um dos melhores shows ao qual ja assisti. Na hr do Viva lA Vida foi sensacional, incrivel a performance do Cris.
    Bem, nao a toa, Beyonce, Madonna tem escolhido o Fasano. Parece q ao fim deu tudo certo na sua estadia.
    Mas tbm o seu apto de ipanema nao fica nada a dever, pois eh tao grudadinho aos principais points do leblon e ipanema e do ladinho da praia.
    bjao

  10. Parabéns, Mari, serei leitora.

    bjs

  11. Parabéns amiga, adorei a leitura!
    bjs

  12. Mariana,

    Boa sorte nessa nova empreitada, tudo de bom… showwwwwwwwww!!!

  13. sensacional!! essa e todas as outras.
    aliás, só vc pra fazer isso e assim…
    bjbj
    evandro

  14. E aí, amiga blogueira, tudo bem? Bem-vinda ao clubinho!!! Adorei o blog. Tá lindo de morrer e os textos são maravilhosos, leves, bem no estilo dolce far niente. Parabéns e continue escrevendo. beijos, Pati

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