A Single Man- o belo filme do estilista

A Single Man- o belo filme do estilista

Muito bom o primeiro filme de Tom Ford, A Single Man, que em português recebeu o terrível nome de Direito de Amar, que ficaria melhor em uma novela das 6 da TV Globo ou em um folhetim mexicano. Não resisto à tentação de rotulá-lo de o filme de Tom Ford porque afinal fiquei esperando para ver como seria o longa-metragem de estréia de um estilista que nunca tinha realizado nada em cinema, a não ser que vestir Daniel Craig como 007. Normalmente, os diretores estreantes começam por curta-metragens, como assistentes do diretor principal ou ainda como roteiristas. Só depois de adquirir experiência é que partem para a aventura de dirigir um longa-metragem. Mas o famoso e talentoso estilista americano, que criou sua marca de roupas masculinas em 2006, após anos à frente da Gucci e depois da Yves Saint Laurent, confiou no seu taco. Com a ajuda de um roteirista já da área, resolveu adaptar para as telas uma novela do escritor inglês Christopher Isherwood passada no início dos anos 60. Após alguns anos correndo sem sucesso atrás de um estúdio que topasse produzir o filme, resolveu financiá-lo com seus próprios recursos. Pode-se dizer que foi um bom investimento.

No início, o filme parece estranho, embora esteticamente belo e com uma poesia bem própria. Aos poucos, vamos entrando no clima das lindas imagens coloridas em câmera lenta que dão lugar a outras em tons mais pastéis. A escolha das cores não segue um padrão- flash backs não são necessariamente pastéis, por exemplo. Parece depender mais da mood do diretor. Nada convencional. Fiquei muito feliz ao saber que Colin Firth, mais conhecido pelas comédias e os filmes de época leves, mas sempre muito bom, tenha sido indicado ao Oscar justamente por um papel diferente: o de um professor universitário gay. Na verdade, não tão diferente assim: como em O Diário de Bridget Jones, ele continua fazendo o galã, só que um galã gay e atormentado pela morte repentina de seu companheiro de longa data. Por pouco, Firth não recusou o papel. A resposta negativa a Tom Ford já estava escrita em seu computador quando bateu na porta um homem que ele havia chamado para consertar a geladeira. Foi o tempo necessário para o ator pensar melhor. Quanto ganhou o Bafta (equivalente ao Oscar na Inglaterra) de melhor ator em fevereiro passado, Colin Firth incluiu o “homem da geladeira” em seus agradecimentos. Juliane Moore faz uma participação no filme como a amiga inglesa que tenta ajudar, mas só atrapalha. E modelos que já trabalharam em campanhas das roupas e óculos de Tom Ford ganharam outros papéis no filme.

A Single Man é denso, sem ser pesado. Na medida certa. Tem o bom gosto que se poderia esperar de um homem que cria óculos incríveis e nove entre dez ternos vestidos pelos freqüentadores do tapete vermelho do Oscar e de outras cerimônias hollywoodianas. E uma profundidade que não se esperaria de um homem saído do mundinho da moda.

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17 Comentários

  1. O filme já saiu de cartaz, então vou ter que esperar o DVD. Pela sua descrição e pelo seu bom gosto, acredito que vou gostar muito.

    Engraçado é que o Colin Firth, mesmo com tipo de galã, também fez o papel de um gay em Mamma Mia! Vi outro dia na TV, e, apesar do ótimo elenco, liderado pela Meryl Streep, achei muito água com açúcar. Já Simplesmente Complicado, com a mesma Meryl Streep, ao lado do Alec Baldwin e do Steve Martin, é despretensiosamente divertido.

    Beijão!

    • Obrigada pelo “bom gosto”. Mas talvez nossos gostos prá cinema sejam diferentes, hein? Adorei “Mamma Mia”, me diverti muito! Agora, esse último da Merril Streep não fui ver pq alguém me disse que era bobo demais. Talvez veja em DVD, então. Continuo gostando do Steve Martin até hoje!

      • Bobo por bobo, Mamma Mia é bem mais, em minha modesta opinião. Se você gostou do musical regado a canções do ABBA, acho que não vai se decepcionar com Simplesmente Complicado. E o Steve Martin é realmente muito bom.

  2. Mari, só consegui entrar no seu blog hoje, mas adorei! Já tá nos meus favoritos. Também gostei do filme. Beijo!

  3. Ei Mary. puts adorei o post mas agora vou ficar roendo unhas até chegar o dia pra eu conferir ..
    Mas na boa ,para mim o cara é do ponto de vista estético, um gênio.

    Abraços

  4. Bem legal o texto, Mari. Acho que jamais iria ver esse filme, um pouco por preconceito por ter como diretor um estilista (nada contra os estilistas, mas tendo a achar que o talento deles fica melhor nas passarelas). No entanto, agora que você aprovou, vou correndo ver. Deve valer a pena. beijos, Pati.

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