Posts made in julho, 2010

Investindo em saúde após os 40

A partir dos 40, nosso investimento em saúde começa a aumentar vertiginosamente. Investimento como eufemismo de “gasto”, bem entendido. Não se trata aqui de uma reclamação, longe disto, apenas de uma constatação que fiz hoje quando estava terminando de caminhar pelas quadras da Asa Sul, onde moro em Brasília. É incrível como as idéias ficam mais claras quando a endorfina nos permite relaxar.

O Pilates é bem mais caro do que a natação ou a musculação da juventude. Claro que Pilates pode, e deve, ser feito em qualquer idade (e natação também), mas ele nos parece ainda mais indicado quando as dores nos joelhos, nas costas- no meu caso precisamente na lombar-, nas articulações em geral começam a aparecer. Serve para fortalecer os músculos, com o cuidado do professor e inerente ao próprio método para que isto seja feito paulatinamente, e com precisão, de forma a não prejudicar as regiões lesadas. A respiração especial da prática aumenta a oxigenação das células, permitindo um grande relaxamento.

O pilates é também fortemente recomendado pelo médico reumatologista que constatou que você, muito provavelmente, está sofrendo de fibromialgia, uma doença que antigamente era mal diagnosticada e atribuída a todas as pessoas- acomete mais as mulheres- que percebessem que suas dores estão migrando de uma parte para a outra do corpo. Nesta “condição médica”, as dores costumam vir acompanhadas de algum nível de depressão- que também pode aparecer e desaparecer com o tempo- e de alguma dose de insônia. Mesmo atualmente sendo melhor diagnosticado, o que se reflete em um número menor de casos, há alguns meses, ele foi a atribuído a mim.

 

Não que as dores realmente migrassem. No meu caso, elas vinham se somando, isto sim: primeiro os joelhos, especialmente o esquerdo, que foram vítimas do brinquedo assassino conhecido nas academias de musculação como leg press. (Fujam dele enquanto puderem como o Diabo foge da cruz!) Após a gravidez, vieram as dores na lombar. Então, por causa de um conjunto de injeções de ferro mal prescritas- no músculo e não intravenais como costumam ser- e mal aplicadas por uma das enfermeiras do Hospital Santa Luzia, sobrevieram as dores na parte superior dos glúteos. Como se fossem duas bolotas doloridas. Por fim, carregando meu filho após o seu nascimento dois anos atrás, adquiri uma lesão na articulação do braço direito.

As dores não mudavam de lugar, mas os outros dois sintomas estavam lá, então tive que acreditar no diagnóstico do meu muito bem recomendado médico (Rodrigo Aires), embora ele fosse reticente: o nível da fibromialgia era, provavelmente, mediano. O Pilates não seria a única prescrição, porém. O paciente de fibromialgia deve fazer exercícios aeróbicos com a maior regularidade possível. A endorfina é um senhor remédio para a doença. Logo eu que, desde a natação que fiz a partir dos 3, mas havia parado desde os 16, observei certa distância dos exercícios aeróbicos. A não ser que contem as caminhadas e patinadas ao redor da Lagoa Rodrigo de Freitas que fiz com certa regularidade nos meus cinco anos e meio de Rio de Janeiro.

Passei, então, a tentar aumentar para três por semana o número de caminhadas que já fazia de vez em quando nas quadras cheias de árvores e passarinhos do Plano Piloto. Isto acompanhada do meu eclético I-pod, não seria em nada mal. O problema era a falta de tempo. Afinal, dormir bem e um número adequado de horas também faz parte do tratamento e eu (ainda) preciso trabalhar para viver de manhã e de tarde. De preferência, aliás, levantando-se do computador a cada meia hora para evitar as tais dores.

 

Remédios, médicos, roupas… investimentos

E o que tudo isso tem a ver com gastos? Bem, as dores, a insônia e a depressão precisam de um pouco mais do que caminhadas e Pilates para ir embora. Como no meu caso a depressão tinha sido um pouco mais severa devido a uma grande perda que tive em 2008, foi necessário o “investimento” em psiquiatra e remédios (de tarja vermelha, ainda bem!) mais diretamente voltados para a insônia e a ansiedade, mas que, por tabela, ajudavam a debelar o outro problema. Para as dores, meio Cizax todos os dias durante algum tempo, além de algumas aplicações de cortizona com parcimônia em locais específicos. Por sugestão do meu professor de Pilates, Alexandre Abdala, adicionei a ótima acupuntura. Aliada à quiropraxia- prática que coloca as articulações de volta em seus devidos lugares-, a acupuntura por cerca de um ano me ajudou muito nos momentos mais crônicos de dor.

Veja que somente na categoria médica já se somam psiquiatra,  reumatologista, acupunturista e há ainda a massagista semanal que também ajuda no tratamento. Isto sem falar em dermatologista, ginecologista e cardiologista, que se tornam fundamentais após os 40. Ainda não contei que visitarei este último profissional na próxima segunda-feira porque há cerca de um ano não posso tomar mais de duas taças de vinho sem ficar com taquicardia. E lembre-se que os bons médicos já não atendem mais por convênio e poucos cobram menos de R$ 200 por consulta.   

Minha última cartada dei há poucos dias por indicação do meu acupunturista Carlos Macedo. Como desejava há algum tempo, troquei o remédio alopático para insônia por uma fórmula chinesa que trata ansiedade e é um maravilhoso regulador do sono. Cada vidrinho custa R$ 30 e utiliza-se, no mínimo, um por semana. Mas pago feliz, agradecendo a cada uma das gotinhas que tomo três vezes por dia. Afinal, dormir bem sabendo que seu Sistema Nervoso Central não está sendo tocado pela química alopática, não tem preço. É verdade que a fórmula alcoólica começa a me render dores no estômago que há tempos haviam me abandonado. Mas com alívio e um sentimento de que estou sendo recompensada, já posso informar que todo este complexo de tratamentos está surtindo efeito. Já me sinto bem melhor das dores e da insônia na maior parte do tempo.

 

Em outra frente, esta mais leve e divertida, invisto em algumas roupinhas bonitas, caras, mas apropriadas para minhas caminhadas e meu Pilates. Meninas, os shorts da Adidas são os melhores para modelar o corpo e esconder celulites indesejáveis nos culotes. Já repararam que à medida que o tempo vai passando ficamos um pouco mais vaidosas? Vamos compensando as rugas e outras marcas que já não saem com tanta facilidade com um pouco mais de investimento- ele mais uma vez- em roupas e, para algumas mulheres, eu nem tanto, em cremes e outros tratamentos estéticos. Eles fazem parte do extenso pacote.

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Dolce far niente em Fortaleza

Fortaleza para mim sempre significou trabalho, por incrível que isso possa parecer. Como assessora de uma parlamentar do Ceará, as ocasiões em que viajei para a capital do Estado foram sempre para algum evento relacionado às atividades da senadora (Patrícia Saboya, do PDT) e da última vez para a despedida do senador suplente que a havia substituído por quatro meses durante sua licença-médica. Coincidentemente, em 1993, quando nem sonhava que teria um dia ligação tão estreita com o Ceará, conheci Fortaleza, também a trabalho, cobrindo um encontro de juízes como repórter do Correio Braziliense. Ficamos hospedados na Beira-Mar e praticamente visitamos apenas aquela área e, no fim de semana, o recém inaugurado Beach Park, na época ainda bastante acanhado.      

Há dez dias foi diferente. Eu e meu marido escolhemos Fortaleza por uma razão ligada ainda de alguma forma ao trabalho: queríamos prestigiar o casamento da filha da senadora, Lívia, fruto de seu casamento com Ciro Gomes. Aproveitamos, portanto, para começar pelo Ceará as férias com nosso filho João. Além disso, o casamento prometia ser o evento do ano no Estado em que Ciro já foi o governador e do qual o atual governante é seu irmão, Cid, um dos padrinhos de Lívia. E com certeza o foi: mais de mil convidados da sociedade cearense se espalharam pelos jardins do Iate Clube, cuja localização já seria suficiente para tornar o casamento especial: barquinhos de pescadores e Iates de luxo formaram uma inigualável moldura para o altar localizado bem em frente ao mar. As mesas para o bolo e os doces tomavam o maior dentre os vários toldos armados no gramado. Uma decoração sofisticada e leve ao mesmo tempo. Tudo combinando perfeitamente com um típico casamento ao ar livre, para o qual São Pedro só fez colaborar.

O vestido perfeito de Lívia, bem, não é preciso descrevê-lo, está nas capas das revistas de celebridades desta semana. A saia formada por diversas camadas de tule era tudo o que eu tinha planejado para o meu próprio casamento, há quatro anos, mas que o meu estilista me convenceu a mudar. Teria me engordado mesmo. A senadora, com vestido azul contrastando com a pele morena, estava deslumbrante. A madrasta da noiva, Patrícia Pillar, exibia discretamente uma silhueta magra (bem mais do que na televisão que engorda quatro quilos) em um belo vestido laranja/salmão. Lilibeth Monteiro de Carvalho, ex-mulher de Fernando Collor de Melo e grande amiga da senadora, era uma das mais bem vestidas, com um longo beje de babados. Enfim, foi uma festa linda, os irmãos, o noivo e o pai da noiva cantaram, com direito a uma canja profissional de um dos padrinhos ilustres, ninguém menos que Fagner.

Relaxamento em família

Com todo o burburinho do casamento- eu e minha amiga Patrícia Andrade demoramos dias resolvendo se poderíamos ou não vestir os nossos desejados vestidos curtos em um casamento tão chique- e alguns imbroglios políticos que a cerimônia terminou envolvendo, pensei que fosse demorar dias para relaxar e entrar no clima das férias. Vinha de uma fase em que andava agitadíssima com dificuldades para dormir. Mas ficamos hospedados em uma praia afastada do centro, Porto das Dunas, em um condomínio da rede Alphaville que me remeteu a uma mistura de típicos subúrbios americanos de classe média com cidades futuristas de filmes como o fabuloso “Mon Oncle (Meu tio), de Jacques Tati, dos anos 60. Casas de dois andares bem afastadas umas das outras, com estilo clean/moderno e cores neutras. Cones e seguranças nos largos caminhos garantiam que os carros não ultrapassassem 30 KMs por hora, priorizando a liberdade das crianças. Para se chegar à praia em si, atravessa-se uma ponte sobre um belo Rio. Calma poderia ser o nome deste lugar.

 

Minha prima Suzana (comigo na foto seguinte) e seu marido Ricardo também poderiam compartilhar deste adjetivo. Combinam absolutamente com o condomínio: Suzana, ortodontista, cria os dois filhos super amorosos como se o mundo lá fora não a abalasse, naquela casa ampla de tijolinhos aparentes construída por eles. Até a natação dos meninos é no clube do próprio empreendimento. Ricardo parece não trazer nada de sua rotina corrida de médico para a convivência familiar. Pelo menos foi assim naquela semana maravilhosa. Nós três logo fomos contagiados por aquela atmosfera de tranquilidade a ponto de minha curiosidade pelas fotos do casamento que sairiam nas colunas sociais de domingo ter sido completamente anulada. Logo estava dormindo a noite inteira sem calmantes. As manchetes de “O Povo” e “O Diário do Nordeste” passaram longe daquele paraíso.    

Porto das Dunas é uma das praias mais belas de Fortaleza com sua ampla faixa de areia, seu mar não tão agitado que, na maré baixa, forma deliciosas piscinas naturais que eu adoro aproveitar brincando de Aquamen com Pedro, o filho mais velho de Suzana, de 7 anos. João, de 2, gostou tanto de se refestelar na areia que não fez nenhuma questão de encarar a fria água do mar. Naquela praia com mesas e cadeiras protegidas pela sombra de um grande coqueiral comemos uma gostosa moqueca de frutos do mar acompanhada de caipirinha enquanto João e Gabriela- a mais nova do casal, de 3 anos e meio- brincavam calmamente a nosso lado.

 

João criou coragem para entrar na água no dia seguinte, dedicado aos recantos infantis do Beach Park, logo ali de costas para a mesma praia. Suzana e Ricardo são sócios do parque, atualmente, o mais importante do País. Pedro e Gabriela cresceram, portanto, naquelas piscinas. Se soubesse, João teria inveja porque adorou andar na água na altura de suas perninhas, descendo no escorrega do enorme dragão colorido de uma das piscinas temáticas. A alegria deste menino criado em apartamento foi crescendo a cada dia que ele passava ao ar livre na praia ou na piscina. Eu que sou totalmente apaixonada por parques aquáticos cumpri a promessa de não voltar a me aventurar no “Insano”, um escorrega que, como o nome já prenuncia, se assemelha àqueles brinquedos mais altos do Wet and Wild. Afinal, já havia feito essa insanidade umas dez vezes na vida, o que considero suficiente. Mas tirei minha casquinha do dia dedicado às crianças carregando Pedro e Suzana para descer em um enorme toboágua. Dose suficiente de adrenalina.

 

Aqueles cinco dias em Fortaleza com minha prima a quem, já criança, eu era muito ligada, me fizeram ver o que muita gente já viu e de que eu me havia esquecido há tempos: férias em família podem ser maravilhosas. Principalmente para as crianças, que brincam enquanto conhecem seus primos, mas também para nós adultos. Ajudam a fortalecer os laços e, se os membros da família forem tranqüilos como estes primos, ajudam também a nos acalmar, a nos afastar das preocupações tantas vezes tolas do dia a dia.

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