Posts made in agosto, 2010

O encanto irresistível das pedras preciosas

Não me considero uma “fashion victim”, muito pelo contrário. Gosto de moda pelo prazer de ver nas roupas, e principalmente nos sapatos, estampas e combinações originais, designs surpreendentes, outros tradicionais, arte, enfim. Afinal, de arte eu gosto desde pequenininha. Mas não me preocupo em vestir aquilo que está na moda e sim se aquilo que está à venda se adequa ao meu estilo, ao meu gosto que, como dizia o professor Luís Humberto, da Faculdade de Comunicação da UnB, está sempre sendo moldado pela chegada do “novo”. Eram belas palavras que, no fundo, significavam: uma novidade que a princípio nos parece horrível pode, daqui a alguns meses ou até semanas, nos parecer mais familiar e, portanto, até bonita. Basicamente, vamos nos acostumando com as novidades.

Com certeza por influência da minha mãe, que cultivava um estilo hippie na época em que eu era pequena, sempre gostei (muito) mais das joias de prata do que das de ouro. Ou, se fosse o caso, das de ouro branco do que das de ouro amarelo. De pedras gosto muito desde a minha adolescência, quando comprava brincos grandes e anéis de prata com pedras brasileiras de joalheiros de Pirenópolis, cidade histórica de Goiás próxima a Brasília, e de outros redutos de artesãos. Lembro-me de dizer quando adolescente que minha pedra preferida era o jade e, na juventude, o ônix. Estas preferências se mantiveram, mas a elas foram sendo adicionadas diversas variedades de gemas: granada, água marinha, esmeralda, rubi…

Há alguns anos, comecei a prestar mais atenção às joias mais sofisticadas, mais caras, principalmente as de ouro branco, sempre com com pedras. Gosto das peças cuja referência são estilos clássicos. Meu casamento foi um ponto de partida para este novo mundo. Na hora de alugar as joias para compor o visual assinado pelo estilista Paulo Araújo, que trouxe as rendas- sem brilho, a meu pedido- de Paris, me deparei com um lindo conjunto art-decô original: uma pulseira, uma tiara, um broche de cabelo e um par de lindos, lindos brincos. Tudo em ouro branco e diamantes como era usual nas jóias deste estilo que marcou o fim da década de 1910 e as de 1920/30. Ninguém anda por Nova Iorque ou mesmo pelo centro do Rio de Janeiro sem se deparar com prédios ou arranha-céus com este traçado, caracterizado pelas linhas retas em vários tamanhos e cuja primeira inspiração foi o Movimento Futurista. Quando meus filhos nasceram, alguns anos depois, ganhei um conjunto decô também original e deslumbrante de presente do meu marido.

Antes disto, na pesquisa pela “joia dos sonhos” nas lojas de Brasília, conheci melhor alguns joalheiros de quem passei a gostar. A mais renomada das brasilienses é Carla Amorim, mestre em desenhar joias grandes com uma enorme delicadeza! Depois, apresentada por Karla Paes de Andrade, irmã de minha grande amiga Patrícia, conheci uma das coleções da jovem designer Laura Neves. Laura gosta de pedras brancas e coloridas, transparentes e foscas e tem muita criatividade para esculpir o ouro em torno delas. Para minha sorte, utiliza bastante o ouro branco. Ela ora usa traçados clássicos, ora lança mão dos mais modernos. Tenho um brinco de Laura que é um verdadeiro coringa por causa de sua pedra transparente e do ouro branco, claro.

Letícia Linton

A próxima aposta de Karla junto ao mercado brasiliense já é uma estrela entre as designers de joias do Brasil. As peças da paulista descendente de árabes Letícia Linton já estamparam as capas de edições de diversas revistas brasileiras de moda, de Vogue a Elle e já enfeitaram os pescoços, orelhas e dedos de celebridades nacionais e internacionais como Jada Pinkett Smith, a esposa de Will; Eva Mendes, Mena Suvari, Queen Latifa, Kerry Washington (do filme Destinos Ligados, tema do post Cinema de Luxo, daqui do blog)… Algumas atrizes já desfilaram joias de Letícia até no Tapete Vermelho que leva ao Kodak Theater do Oscar.

A joalheira está sempre viajando ao exterior para participar das principais feiras de joalheria do mundo. No Brasil, suas peças são vendidas ao Jet set paulistano no showroom da designer na Vila Olímpia.  

Letícia é uma apaixonada pelas pedras. “É a energia delas, com suas diferentes lapidações, que norteia tudo o que faço”, diz. Ela forja um estilo próprio a partir de referências clássicas. Sua última coleção, cujas peças serão mostradas por Karla nos dias 24, 25 e 26 de agosto (terça, quarta e quinta-feiras da próxima semana) no Edifício Brasil 21, bloco E, sala 826/827, entre 10 e 18 horas, mantém estas características. Letícia virá a Brasília especialmente para o evento promovido por Karla.

As cores vibrantes do par de brincos que compõe o conjunto abaixo salta aos olhos. O conjunto mescla tanzanita, tsavorita e bris.

A delicadeza de brincos como estes aliada à exuberância Letícia já mostrava em coleções mais antigas que se consagraram. Uma das que mais chama a atenção pela originalidade é  a batizada de franjas, com ouro branco e prazialitas, tsavoritas e cristais. A coleção intitulada flowers mostrava o talento da designer para misturar com harmonia e sem exageros pedras de diferentes tamanhos e cores, formando verdadeiros arranjos orgânicos. O brinco em que as pedras parecem cair como flores em um carramanchão e o broche de pedras longas (na foto abaixo) se destacam.

A linha princess foi outro ponto alto da criação de Letícia pela rara leveza com que a designer paulista consegue aliar muitos diamantes a outras gemas. Quando misturados a pedras maiores e de menor valor e ao ouro amarelo, diamantes podem tornar algumas peças extremamente over e até de mal gosto. Aqui, eles foram colocados em forma de losangos rodeando topázios de dois tipos e tonalidades (London e Sky). A base é o ouro branco. O resultado são peças lindíssimas, de desejo mesmo, com um ar de antigas. Para vê-las, visite o site www.lbldesign.com.br e vá em “coleções”.

Assim como outra joalheira paulista, Carol Kauffmann (que vende na Villa Daslu e na Bergdorf Goodman, em Nova Iorque), Letícia Linton já se inspirou no estilo art-decô para criar algumas de suas joias. Letícia moderniza o estilo mesclando pedras com os já tradicionais diamantes tão característicos do estilo (imagens também no site). O estilo art-decô é o mote  principal das criações de Carol (veja foto do brinco abaixo), em que os brilhantes também têm função fundamental. 

Afinal, como dizia Marilyn Monroe, “diamonds are a girl’s best friend”!

Contato para evento de Letícia Linton em Brasília: Karla Paes de Andrade- (61) 9994-7722

 

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Ótimo filme em cinema de luxo

Pipoca com três opções de azeite: manjericão, alho e pimenta vermelha, e sal com “quatre épices” (quatro especiarias), como diz o orgulhoso e chique atendente, além de guardanapo. Para relaxar, espumante e vinho de boa qualidade em porções individuais. Tudo isto pode ser consumido a preços salgados, mas com tranquilidade em uma mesinha individual instalada à direita de quem for aos novos cinemas de luxo inaugurados no último fim de semana no Kinoplex do Park Shopping. Por R$ 45, assiste-se a filmes selecionados em poltronas de couro enormes, que se reclinam quase permitindo que o espectador se deite e com um apoio completo para os pés. Mesmo na posição “deitada”, sobra espaço para que as outras pessoas (poucas, já que o número de lugares é bem reduzido) passem em frente confortavelmente para ocupar seus lugares. Os comes e bebes são trazidos quando você já está confortavelmente sentado (ou deitado) e o ar condicionado fica em temperatura agradável, nada dos iglús que se vê por aí.  Ficou com vontade de ir ao toalete? Eles são exclusivos destas duas salas de cinema, com decoração moderna e cheiro de limpeza.

E como se a sensação de estar assistindo a um filme no seu próprio hometheater não fosse suficiente, os programadores ainda escolhem a dedo os títulos a serem exibidos nas duas salas: nesta semana, a ficção sobre sonhos A origem, do diretor de Amnésia, prometendo, portanto, ser boa; e Destinos Ligados (Mother and Child, no título original, bastante literal), o mais novo filme do diretor do marcante 10 coisas que se pode dizer só de olhar para ela (1999), o colombiano Rodrigo Garcia. Com saudades de tramas mais profundas desde que a rede de salas da Academia de Tênis fechou as portas após um incêndio em abril passado, optamos pelo último.

 Filme Painel

Robert Altman foi, provavelmente, o inventor do chamado Filme Painel: aquele em que várias histórias sem qualquer relação aparente entre si se desenvolvem paralelamente. Em algum momento dos enredos, é revelado ao espectador que existia ou passará a existir alguma ligação importante entre os personagens dos filmetes que perfazem o filme. Quem não se lembra de Short Cuts, de 1993, o melhor exemplo de um filme painel de Altman? Quentin Tarantino se aventurou pelo “gênero” de forma original em Pulp Fiction e o mexicano Alessandro Gonzáles Iñarritú é um dos maiores seguidores do estilo, que iniciou com o ótimo Amores brutos e continuou, já sem o mesmo efeito surpresa, até chegar a Babel

Não deve ser à toa, então, que Iñarritú é o produtor executivo deste Destinos Ligados, título em português que, aliás, se aplicaria a qualquer dos filmes painel. Inãrritú divide o posto com os outros dois mais importantes nomes da cinematografia mexicana atual: Alfonso Cuarón (de E sua mãe também) e Guillermo Del Toro (de O Labirinto do Fauno). Depois do enorme sucesso de crítica de 10 coisas…, ao longo dos dez anos que separam os dois filmes, curiosamente, Rodrigo Garcia se aventurou pela televisão. Foi atraído pela onda de qualidade que tomou as séries como nunca e dirigiu episódios de algumas das melhores entre as produzidas na última década: de Os Sopranos a A Sete Palmos e, ultimamente, In treatment, da HBO.

Volta agora à película em grande estilo, como roteirista de outro filme painel e também dirigindo um contido e eficaz Samuel L. Jackson, uma Annette Bening capaz de conferir profundidade a toda a amargura de sua personagem e uma Naomi Watts muito bem no papel de uma mulher à primeira vista fria e sarcástica que vai revelando suas outras cores à medida dos novos acontecimentos. Como no painel de mini-histórias de 10 coisas…, Destinos ligados se concentra nas vidas e nos dramas de mulheres. Aqui, elas têm em comum um tema: a maternidade, que acontece sempre de forma dolorosa. Mais a maternidade do que a adoção, que também é comum às três.

A personagem de Annette Bening, talvez a mais forte, tem que viver com o fato de ter tido uma filha na adolescência e tê-la entregado à adoção, sem nunca mais tê-la visto. A de Naomi Watts foi adotada e carrega um grande sentimento de rejeição por nunca ter sido procurada pela mãe biológica. E a da atriz negra Kerry Washington- muito bem no papel, aliás- não consegue ter filhos e parte para a adoção, que também se mostrará difícil. Estas mulheres emocionalmente muito mal resolvidas encontram em seus caminhos pessoas muito generosas e, com exceção da última, materializados nos homens das histórias. O amargor das duas primeiras personagens se mostra forte a ponto de praticamente impedi-las de se entregar a qualquer relacionamento. A cinquentona não aceita ser cortejada, a advogada de trinta e tantos trata os homens como objetos, e há ainda a candidata a entregar seu filho à adoção que coloca mil empecilhos, praticamente torturando a candidata a mãe.

Ao time de primeira linha de intérpretes dos protagonistas, somam-se ainda três ótimos atores: Elpídia Carrillo que brilhou em Um dia sem mexicanos após ser revelada em Pão e Rosas, de Ken Loach; Amy Brenneman (hoje estrela da série Private Practice), que faz uma ponta como uma ginecologista, mais como uma homenagem de Garcia à atriz que teve papel de destaque em seu filme de estreia; e Jimmy Smitts, ator que costuma aparecer mais em filmes de ação ou aventura como Star Wars. Para conferir ainda mais realismo às histórias, o diretor optou por um tratamento visual cru: todos os atores parecem bem mais velhos do que em seus filmes anteriores, sem photoshop, com muitas rugas.

Destinos ligados é um filme sobre a perda, talvez a maior que possa existir. Um filme lento na medida, o que ajuda a lhe conferir densidade. Sobre dramas profundos, mas perfeitamente verossímeis. Quem quer filhos não os tem, quem não os quer, tem. Mostra as peças que o destino pode pregar de forma absolutamente realista, em situações que se vê todos os dias em nossa própria vida. Ainda assim, Garcia consegue transmitir uma mensagem positiva. A de que o destino pode não só separar, mas também ser responsável por grandes e inesperados encontros.

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Viagem ao fundo do mar

Nas duas últimas décadas, estive em diversas praias magníficas em que o mergulho teria revelado um paraíso ainda mais rico se eu tivesse me aventurado alguns metros abaixo com a ajuda de um escafandro, aquele tanque de oxigênio que permite que o ser humano quase se sinta parte do maravilhoso mundo do fundo do mar. Em Fernando de Noronha cheguei a nadar ao lado de um cação- filhote de tubarão- e vi até um camarão em uma piscininha natural de água azul cristalina. Na Ilha Grande (RJ), vi corais de diversas cores, peixes listrados relativamente comuns, mas ainda assim belos e em quantidade, e o mais emocionante: uma estrela do mar viva lá embaixo na areia. Em Abrolhos, na Bahia, uma reserva ecológica alguns quilômetros mar adentro, nos deparamos com peixes que não se encontra na costa, azuis com a cauda amarela, maiores que uma mão aberta.

Mas foi nas águas translúcidas de Cozumel, no México- que guardam a segunda maior barreira de corais do mundo, atrás apenas daquela famosa da Austrália- que aprendi a colocar o ar do ouvido para fora e desci, ainda sem o escafandro, cerca de cinco metros. Os peixes eram enormes, os corais super diversificados, e havia uma folha de cerca de meio metro de uma cor verde-prateada que nascia do fundo do mar. Lá de cima, eu avistava os escafandristas mais embaixo em bando e me lembrava da música de Chico Buarque. Se vi tanta vida contando apenas com meu fôlego e um snorkel, imagine se tivesse autonomia total. Mas em nenhum destes lugares tive coragem de fazer o tal mergulho inicial, o chamado batismo.

Quando era mais jovem, simplesmente o adiava e, depois que me tornei mãe, o medo aumentou e praticamente desisti de vez. Nunca pensei que justamente em uma viagem em família, com meu marido que nem gosta de se aventurar no mar e meu filho de dois anos que prefere a segura areia da praia, iria finalmente fazer meu primeiro mergulho com o assustador ar comprimido substituindo o ar natural. Nosso destino foi a praia de Maragogi, Alagoas, que está se tornando cada vez mais famosa justamente por causa de suas Galés, arrecifes a cerca de 6 quilômetros da costa que formam piscinas naturais de tamanho considerável. Nosso guia, Felipe Carvalho, era uma mistura de apresentador de vídeos de auto-ajuda com vendedor talentoso. Quando não estava dizendo aos visitantes a sorte que eles tinham de estar ali aproveitando aqueles preciosos momentos bem longe do estafante dia a dia, fazia um bom trabalho convencendo pessoas como eu de como mergulhar não tinha nada de perigoso. O mergulho seria a apenas 3 ou 4 metros de profundidade, rápido e com um de seus auxiliares exclusivamente acompanhando cada aventureiro. Bem, eu já havia mergulhado mais fundo do que isso sem oxigênio e o guia particular dava segurança. Não sei como, mas ali, no catamarã que seguia mar adentro, resolvi que faria minha estreia.

 

Com meu filho a salvo de colete no colo do pai, e a água batendo um pouco acima da cintura de meu marido, me senti segura para começar o rápido treinamento. Ele consistia em submergir o rosto respirando com o bocal que traz o oxigênio do tanque. Foi fácil. Aos poucos, fui perdendo o pânico de ter uma vontade súbita de tirar aquela coisa da boca e tentar subir para respirar livremente. Este sempre foi o meu maior medo. Quando me acostumei e me senti pronta, meu guia particular me levou para perto de uma barreira de corais, colocando a mão contra o tanque de oxigênio preso nas minhas costas. Era preciso fazer pressão para que eu submergisse já que, nesta primeira aula, ainda não se aprende como controlar a quantidade de ar, processo que permite que se suba e desça dentro d’água.

 

Primeiro veio aquela sensação de liberdade que eu sempre pensei que teria. Depois a constatação principal: você está fazendo parte daquele outro mundo, o mundo submarino. Provavelmente lembrei-me de por que gostava tanto dos episódios “O Reino das águas claras” do Sítio do Pica-Pau Amarelo e das aventuras do “Homem do fundo do mar”. A autonomia promovida pelo oxigênio confere ao mergulhador tempo para observar tudo com calma. Os peixes passam por você olhando como se mirassem uma outra espécie que habita o mar. Peixes grandes, do mesmo tamanho e, incrivelmente, da mesma espécie dos que vi em Cozumel: do cumprimento de duas mãos uma em frente à outra, em tons degradês que vão de um verde claro metalizado até o azul. Lindos!

 

Nos arrecifes, vários ouriços grandes e corais amarelos, verdes, brancos, avermelhados, cor de coral mesmo. Dentro de uma caverna, peixes pretos pareciam não querer sair dali. No fundo do mar, uma espécie exatamente da cor da areia fugia se confundindo com o chão quando aproximávamos a mão. E para brindar o fim do mergulho, meu guia encontrou um caramujo enorme, do tamanho de uma mão, com seu devido molusco preto dentro, gigante para os padrões terrenos. Nunca tinha visto nada parecido.

Voltamos cerca de vinte minutos depois. Experimentei um misto de sensação de vitória e deleite pela estreia com uma enorme pena por não ter feito parte do universo que se esconde sob as águas de todos aqueles paraísos ecológicos que havia visitado antes. Nada que novas viagens não possam vir a compensar.

Contatos Felipe Cavalcante (instrutor de mergulho):

E-mail: felipecavalcante2@gmail.com

Telefones: (82) 9177-4260 e 8862-7830

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