“Senna”- mais que a história de um ídolo

“Senna”- mais que a história de um ídolo

Quem ainda gosta ou algum dia já gostou de assistir às corridas de Fórmula 1 não deve deixar de assistir ao filme “Senna”. Àqueles que não conseguirem pegá-lo nos cinemas- já invadidos pelas produções de férias como Harry Potter- recomendo até alugá-lo em DVD. Em vídeo, perderão a sensação de cinema 180º de diversas sequências filmadas de dentro dos carros, mas ficarão com o principal: o conteúdo só digno dos bons documentários.

“Senna” é muito mais que a história do grande ídolo que Ayrton Senna representou para o Brasil num momento de grave crise econômica da história do Brasil, a virada dos anos 80 para os 90. Mostra, sim, sua paixão pelo Kart desde menino; a coragem de entrar jovem na Formula 1, viajando de país em país sem a companhia dos pais; o incentivo emocional e financeiro da família, as namoradas mais famosas- com destaque para Xuxa-; e toda a trajetória que o levou a ser um tri-campeão mundial. Ou seja, tudo aquilo que já conhecíamos sobre ele, mas que por se tratar de uma carreira tão única, não deixa de ser interessante por si só. O que torna o documentário muito bom, no entanto, é justamente aquilo que a maior parte de nós- aqueles que mais assistiam às corridas do que liam cadernos e revistas de esportes- não sabiam em detalhes: os bastidores da Fórmula 1.

O diretor inglês Asif Kapadia teve acesso junto à Fundação Ayrton Senna e a redes de televisão principalmente internacionais a imagens de arquivo não só da vida em família do esportista, mas também dos movimentados e intensos bastidores da indústria da Fórmula 1. O expectador testemunha a crescente rivalidade entre os dois maiores pilotos daquele período, o campeão Alain Prost e seu então desafiante Senna, não só em imagens, mas também por meio de entrevistas dos dois; a indiscutível preferência do presidente francês da FIA (Federação Internacional de Automobilismo) por seu conterrâneo; a revolta de Senna com esta e outras graves ingerências do órgão; e a falta de preocupação dos dirigentes da organização com a segurança dos circuitos, que levou a diversos acidentes também são reprisados no filme.

 

O outro aspecto que contribui para a grandeza de “Senna” é a exploração bem feita da própria personalidade do protagonista. Por meio de diversas entrevistas do próprio Ayrton- quase todas em inglês- e de personagens que o conheciam bem como o comentarista da TV Globo, Reginaldo Leme, o diretor e o roteirista Manish Pandey mostram como Ayrton conseguia ser extremamente competitivo e ao mesmo tempo incrivelmente humilde e simpático. Campeão e visivelmente orgulhoso de seu subdesenvolvido país, Ayrton Senna conquistou a população brasileira como poucos na história do esporte. E se tornou um verdadeiro mito ao morrer com apenas 34 anos. Esta parte trágica também é bem explorada pelo filme em contundentes imagens.

 

O documentário não se propõe a investigar as possíveis razões do acidente na fatídica curva Tamburello que levou à morte de Senna, mas mostra todo o clima de insegurança que antecedeu àquele Grande Prêmio de Ímola do dia 30 de abril de 1994. Há entrevistas com a família e uma especialmente reveladora com o médico que o atendia. 

O olhar estrangeiro sobre o piloto brasileiro terminou sendo benéfico ao filme. É gratificante ouvir de jornalistas estrangeiros as análises elogiosas ao jeito Senna de dirigir: a facilidade com que corria na chuva e a coragem que tinha de se arriscar. Arriscar-se muito além do que seria humanamente seguro, segundo acusa no documentário seu principal detrator.

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14 Comentários

  1. Mari,
    Com certeza irei ver esse documentario. Eu adoraaaava Ayrton. Me lembro tanto dos muitos domingos que acordava pra ver-lo correr. Era muito bom. Toda a familia torcendo e vibrando com suas vitorias. Torcia pra chover e ele deixar todos os outros corredores pra tras, principalmente aquele arrogante do Prost.
    Bons tempos…..
    Sera que a gente vai ver alguem do Brasil com pelo menos metade do talento de Senna algum dia???
    Beijos
    Suza

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