Posts made in janeiro, 2011

Buenos Aires para Niños-um breve guia

Desde que fiquei grávida em novembro de 2007, eu e meu marido não conseguimos ou não quisemos mais fazer viagens ao exterior sem nosso filho, a não ser por uma escapada de cinco dias para os Lagos Andinos que nos permitimos quando ele tinha oito meses e ainda não entendia exatamente o que estava acontecendo. Agora que ele já reclama a nossa falta, pra mim ficou ainda mais difícil viajar a dois sem ter a sensação de que o estou simplesmente o abandonando. Por outro lado, sentimos que ainda é cedo para fazer viagens longas de avião com João e que ele não aproveitaria tanto quanto daqui a alguns anos uma estada na Europa, por exemplo.

Lendo uma matéria em uma revista Crescer no consultório médico, tive uma ideia capaz de unir o útil ao agradável. Uma mãe de bebê de São Paulo, dona de um blog sobre crianças (www.meuprojetinhodevida.blogspot.com), contava que havia viajado para Buenos Aires com sua filha de um ano e encontrara diversas atividades interessantes para a bebê. A viagem de avião dura apenas duas horas e meia a partir de São Paulo e o clima é afável em boa parte do ano. Contei ao meu marido e resolvemos viajar na semana passada para a capital argentina com João, seu carrinho- já um pouco pequeno para ele mas ainda útil para suas sonecas da tarde-, e uma cadeirinha que colocamos nos táxis pelo menos nos trajetos mais longos como do hotel, em Palermo Hollywood, ao aeroporto Ezeiza, a meia hora do centro. João se divertiu muitíssimo enquanto nós constatávamos que Buenos Aires é uma cidade extremamente acolhedora com as crianças. Abaixo, listo os programas que achamos mais interessantes para se fazer com meninos e meninas ainda na primeira infância, especialmente agora no agradável verão portenho com temperaturas variando entre 25 e 28 graus centígrados.

Zoológicos- Fomos ao zoológico que fica dentro da cidade, um dos poucos assim. Como o de Nova Iorque, localizado no meio do Central Park, o de Buenos Aires é “ubicado” em Parlermo, bem na enorme área de parques da capital argentina. É verdade que poderia estar mais bem conservado, mas este zoo construído em 1874 é muito charmoso com suas jaulas temáticas, em que a arquitetura segue a do País de onde o animal provém. Além dos bichos tradicionais, inclusive os grandes elefante, girafa, rinoceronte e leão, há vários típicos de regiões mais frias que não são encontrados no Brasil como pingüins, focas e urso polar. A leoa branca descansava enquanto seus fofíssimos filhotes passeavam em torno dela. Além das focas, os incansáveis suricates, animaizinhos que andam em bando de um lado para o outro, foram os que mais chamaram a atenção de João. Há ainda um aquário com peixes grandes, filhotes de tubarão e uma charmosa arraia (Av. Sarmiento com Av. Las Heras. www.zoobuenosaires.com.ar).

Indico também o outro zoológico da capital, que fica a meia hora do centro, mesmo sem termos ido por falta de tempo e por achar que poderia ser zoo demais para uma semana. Diversas pessoas disseram que ele tem mais animais e é moderno e bonito.

Dinossauros- Quem for a Buenos Aires até 20 de fevereiro com crianças- ou até sem elas- não deve perder a exposição com diversas réplicas de dinossauros em tamanho real que está no Centro de Convenções Rural, bem ao lado do zoológico de Palermo.

Desde os diversos herbívoros até os grandes e velozes carnívoros estão lá, fazendo barulhos e se mexendo como os animais reais extintos há 65 milhões de anos, provavelmente devido às consequências da queda de um meteoro no Golfo do México. Não faltam o famoso Tiranossauro Rex, aliás, dois se digladiando por um triceratops já abatido e caído no chão. As crianças podem não só vê-los como assistir a um vídeo sobre sua história, andar montados em um deles e tirar fotos com outro. Tudo muito caprichado. Pode-se comprar ingressos na hora sem maiores filas.

Museu de los niños e Shopping Abasto- Com a ajuda de patrocinadores da iniciativa privada, a prefeitura de Buenos Aires criou uma atração inédita para as crianças: um enorme espaço dividido em dois andares que reproduz uma cidade em tamanho reduzido. Há o ônibus, o supermercado com os devidos produtos embalados, uma sala de aula, um posto de saúde, uma emissora de TV e outra de rádio, um edifício em construção da qual as crianças participam, pequenas ruas da cidade com carrinhos e até um avião em que se pode entrar.

Na parte externa fica um parque super colorido feito de ferro e madeira. Tudo super criativo, interativo e educativo (www.museoabasto.org.ar).

No mesmo shopping em que fica o Museu, o Abasto, há uma ótima opção para um dia de chuva: um parquinho de diversões coberto com todas as suas atrações, de pequenos carrinhos e bichos movidos a fichas para os pequenos até uma roda-gigante que perpassa os três andares do shopping. O museu e o parque são programação para um dia inteiro.

Parques de Palermo- Até o século XIX, a região que hoje abriga os parques de Palermo era a fazenda de propriedade do então ditador argentino Juan Manuel Rosas. O maior deles é o Parque Tres de Febrero, muito bonito e agradável para se passear com as crianças.

Vá acompanhando o lago artificial, cheio de patinhos, até encontrar o famoso Rosedal, um grande jardim com rosas de várias cores e espécies, provenientes de vários países.

Pode passar pela singela ponte dos suspiros. Logo após o Rosedal, você verá uma das Árvores do Perdão, onde a filha do presidente Rosas costumava sentar-se com ele para tentar convencê-lo a poupar os condenados à morte. De lá, você pode passar pelo Pátio Andaluz, um recanto feito em azulejos típicos daquela região da Espanha, dado de presente à capital argentina pela prefeitura de Sevilla. Do outro lado do parque está o grande Planetário. Em janeiro, época em que os portenhos deixam a capital em direção às praias, só há duas sessões, a partir de 20 horas. Como o parque é grande, o ideal é levar o carrinho de seu filho. Outro parque ao qual se pode ir a pé a partir do Tres de Febrero é o Jardim Japonês, muito caprichado, com vegetação, pedras e pequenas construções típicas do país oriental. Infelizmente, fecha às 17 horas, cedíssimo para uma época em que a noite não chega antes das 20h.

Lojas infantis- Buenos Aires ficou também ficou conhecida nos últimos anos pelo grande número de designers de roupas que transformou o bairro de Palermo, por exemplo, em um dos mais arrojados da cidade. Quem não gosta que seus filhos fiquem parecendo pequenos adultos e opta por roupinhas coloridas e criativas para eles, não deve deixar de conhecer pelo menos duas lojas. Com suas listras de várias cores e desenhos de bichos e monstros sobrepostos a elas, a Owoko conquistou não só mães e pais portenhos, mas muitos turistas estrangeiros. Tanto que a loja que começou em Palermo Soho e já tem várias lojas em Buenos Aires, abriu recentemente filiais no Rio de Janeiro (Rio Design Leblon e Barra Shopping), em Recife (Boa Viagem) e em Salvador (Shopping Paralela). A conheci por acaso, quando suas cores e desenhos me chamaram a atenção, na outra visita que fiz a Buenos Aires, em 2007. Mesmo com sua chegada ao Brasil, ainda vale conhecer a colorida loja de Palermo, que deu origem à cadeia (Calle El Salvador, 4694. Mais informações em www.owoko.com).

Outra marca interessante, que também capricha nos desenhos e na combinação de cores vivas, é a Zuppa. Suas lojas, com produtos para bebês e crianças maiores, estão espalhadas pela cidade. Uma das mais acessíveis é a da famosa Calle Florida (detalhes em www.zuppachicos.com.ar). Voltando a Palermo Soho, não deixe de dar um pulo na fábrica de bonecos Sopa de Príncipe. Seu filho vai adorar brincar com os bichos feitos de pano e vai ter dificuldades em escolher entre sapos, zebras, vacas, leões, pintinhos, etc, todos super estilizados. O meu terminou ficando com um tamanduá (Calle Thames, 1749, Palermo Soho. www.sopadeprincipe.com.ar). É muito importante lembrar que janeiro é época de liquidações em Buenos Aires, o que faz com que os preços das roupas de adultos e crianças caiam em até 50%.

Programas de adultos que dá pra levar crianças- Com uma criança pequena, já havíamos descartado a possibilidade de ir a restaurantes à noite. Transferimos o programa para o almoço. Há muitos restaurantes interessantes em Buenos Aires e escolhemos alguns deles. Em Palermo Soho, repetimos o Cluny, um lugar super agradável, moderninho, com boa comida, preço razoável e ótimo atendimento (Calle El Salvador, 4618). Nos decepcionamos com o festejado Olsen, um nórdico bonito, mas com um atendimento irregular. Nossa garçonete mal falava conosco e a truta que pedi foi a mais sem graça que já comi. O oposto se pode dizer do Le Sud, um restaurante com ar sofisticado dentro do Hotel Sofitel, no lindo bairro da Recoleta. É um francês com sotaque argentino. O fois gras com manga estava original e o risoto de frutos do mar gostoso. Meu marido também gostou muito de seu Ojo de Bife. O melhor foi o atendimento, de primeiríssima e sem reparar na bagunça feita pelo nosso filho na mesa (Calle Arroyo, 841, Hotel Sofitel). Vale a pena separar um dia para passear a pé pela Recoleta, ver seus prédios neoclássicos super franceses que dão ao bairro um ar parisiense.

A maior parte das calçadas fica coberta pela sombra das árvores, o que torna o passeio agradável para os pequenos também. Reserve uma mesa na janela do Le Sud, para apreciar o movimento da charmosa Calle Arroyo. Procure também a sorveteria Un’altra volta, já próxima ao Cemitério onde está a sepultura de Evita Perón. Ela tem os melhores sorvetes de dulce de leche, uma especialidade argentina. Os diversos tipos de sorvete deste sabor são todos espessos, como se estivéssemos comendo o próprio doce de leite gelado. Outro passeio que pode incluir restaurantes é Puerto Madero. Por sugestão de amigos, apostamos no movimentado Cabaña Las Lilas, especializado em carnes. O couvert que tem até pão de queijo vale a pena, mas a carne me decepcionou. Já comi Bifes de Chorizos mais saborosos em Bariloche e até em Brasília (A.M. de Justo, 516, Puerto Madero. www.laslilas.com). Mas há uma atração ali bem perto que chamou a atenção do meu filho: a Fragata Sarmiento, barco-escola da Armada Argentina de mais de cem anos que fez uma das primeiras visitas ao Pólo Sul no início do Século XX. As crianças podem até dar uma de capitãs do antigo navio, mexendo no timão do agora museu.

Atualmente, há diversos hotéis boutiques nos bairros vizinhos de Palermo Soho (que concentra a maior parte das lojas) e Palermo Hollywood (mais calmo, com alguns restaurantes). Optamos pelo Own Palermo Hollywood, com estilo moderno e super criativo, preço justo, atendimento espetacular- uma das garçonetes fala bem português- e quartos bem grandes. Não está no meio do burburinho de Palermo Soho, mas de sua rua calma até o início do bairro vizinho são apenas duas quadras. E o principal: João foi super bem recebido por todos os funcionários, apesar de a maior parte dos hóspedes ser composta de casais de americanos e europeus em busca de tranquilidade (www.ownhotels.com).

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