Posts made in março, 2011

Três grandes filmes com Elizabeth Taylor

Vi apenas trechos de “Quem tem medo de Virginia Woolf” e de “Cleópatra”. Não assisti a “Disque Butterfield 8”, o do meio o épico que fez de Elizabeth Taylor a primeira atriz a ganhar R$1 milhão por uma filme e o primeiro e o último os que deram à estrela dos olhos cor de violeta os dois Oscars que ganhou ao longo dos mais de sessenta anos de carreira (ela começou aos 12 anos).

Foram outros os filmes estrelados por Elizabeth que marcaram a minha vida de cinéfila. O primeiro deles, há mais de vinte anos, foi “Assim Caminha a Humanidade (Giant, no original)”. Peguei a fita de vídeo mais para ver James Dean- era a época em que todas as minhas amigas amantes de cinema estavam descobrindo o mito que, apesar de reconhecidamente ter sido um ótimo ator, só participou de três filmes devido a sua morte precoce. Já havia assistido a “Juventude Transviada” e resolvi continuar a cinematografia. Giant, o filme de 1956 de George Stevens, é uma grande produção que acompanha os dramas dos personagens envolvidos com propriedades de terra no Texas. Elizabeth interpreta a filha de um latifundiário que termina se casando com o também fazendeiro vivido por Rock Hudson. James Dean faz o cowboy que, com o tempo, se torna um grande produtor de petróleo. A trama, que perpassa duas gerações, tirou interpretações marcantes dos três e Elizabeth se tornou grande amiga tanto de Dean quanto de Hudson.

Alguns anos depois, assisti a “Gata em Teto de Zinco Quente”, baseado em uma peça do dramaturgo americano Tennessee Williams. Mais uma vez, fui mais atraída por Paul Newman do que por Elizabeth. Eu sempre o considerei o homem mais bonito do cinema, tendo como rival apenas Gary Cooper. Voltando a “Gata…”, Paul Newman e Elizabeth Taylor receberam ambos indicações ao Oscar pelas interpretações contidas, porém cheias de tensão do casal que briga o tempo todo no auge da crise do casamento.

Já em 2001, como redatora do programa Cineview da Rede Telecine tive a grata tarefa de escrever uma matéria sobre Montgomery Clift, um perfil, para embasar uma série de filmes que o então canal Classic (hoje Telecine Cult) iria exibir com ele. Foi ali que assisti a “Um lugar ao Sol” (“A place in the Sun”, no original)”, também de George Stevens, lançado em 1951, ainda em preto e branco, e com Elizabeth Taylor como par romântico de Monty. Fiquei maravilhada. Aparentemente, tratava-se de mais um filme romântico bem feito e com uma belíssima fotografia. Mas a história revelava surpresas que a tornava incomum e ousada e que fez com que o filme ficasse guardado com carinho em minha memória. “Um lugar ao sol” recebeu oito indicações ao Oscar e foi um dos pontos altos da filmografia de George Stevens e, na minha opinião, também de Liz Taylor e Montgomery Clift.

Clift e Taylor se mostraram dois craques da interpretação no auge da juventude e da beleza. Os dois protagonizaram uma cena de beijo avançadíssima para a década de 50, filmada em primeiro plano como não havia sido feito antes. Os vestidos da personagem rica de Elizabeth ajudaram a ditar a moda das meninas da época. Sem sombra de dúvida um “must see” da carreira de Elizabeth.

Nas minhas pesquisas para o perfil do ator, descobri também que Liz Taylor e Montgomery Clift se tornaram grandes amigos naquela época. Na vida real, Monty era um homossexual atormentado pelo fato de não poder se assumir no ambiente de Hollywood em plenos anos 50. Liz o apoiava e guardava seu segredo, apesar de terem circulado rumores de que ela teria se apaixonado por ele. Foi Elizabeth também quem levou Clift para o hospital depois de encontrá-lo dentro do carro que havia batido em uma árvore depois de o ator sair de uma festa bêbado. A partir dali, Montgomery Clift não teria mais o rosto quase perfeito que marcou o início de sua carreira. O nariz ficou torto. Para Liz, a amizade com Monty, como ele era chamado, pode ter marcado o início de sua sensibilidade para compreender os amigos homossexuais, que continuaria com sua ligação com Rock Hudson.

Generosa, talentosa, exagerada, amante de homens e jóias, tudo isto já foi dito. Quando morre uma estrela da importância que tem Elizabeth Taylor para o cinema, só se pode torcer para que ela esteja se encontrando agora com os amigos que teve em vida: Michael Jackson, Paul Newman (para citar os que se foram recentemente), Marlon Brando, Montgomery Clift, e o grande amor de sua vida, com quem se casou duas vezes, Richard Burton.

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O restaurante duas estrelas de Brasília

Desde o fim do ano passado, Brasília possui um restaurante na seleta lista dos estabelecimentos reconhecidos com duas estrelas pelo Guia Quatro Rodas, que concede o número máximo de três estrelas para atestar excelência gastronômica aos restaurantes brasileiros.Trata-se do Aquavit, que fica em uma moderna casa do Setor de Mansões do Lago Norte e onde o simpático e talentoso chefe dinamarquês Simon Lau Cederholm transforma a mistura de receitas escandinavas e ingredientes bem brasileiros em deliciosos banquetes nas noites de quarta a sábado.

Quem freqüenta o Aquavit desde que se chegava a ele apenas por indicações de amigos não se espantou nem um pouco com estas estrelas do Guia Quatro Rodas (Edição atual, 2011), nem tampouco com os títulos de Chefe do ano recebido por Simon do Guia, além de Melhor restaurante de Brasília e Melhor restaurante do Centro-oeste. Na primeira vez que fomos à bela e aconchegante casa de Simon – com uma linda vista do Lago Paranoá e do centro iluminado da capital- ficamos extasiados com o festival de sabores novos que vão explodindo na boca à medida que os cinco pratos que perfazem o Menu degustação vão sendo servidos. Foi em 2007 (dois anos após a inauguração, em 2005) e fomos levados por um casal de amigos, Patrícia Andrade e Lula Costa Pinto, que, como nós, gosta de ir à caça de bons restaurantes e sabores diferentes pelo Brasil e, quando dá, pelo mundo afora. Lembro-me que pouco tempo antes havíamos conhecido o paulistano Dom, do chefe Alex Atala, considerado na época o melhor restaurante do País. Gostamos da comida, também contemporânea e marcada pela utilização de ingredientes brasileiros tradicionais, até então normalmente esnobados pela alta culinária nacional. Mas a do Aquavit era superior. Era mais original, era mais surpreendente, concordamos eu e meu marido.

Ao longo destes anos, e principalmente nos últimos dois em que nos tornamos clientes fiéis, fomos vendo o escondido e exclusivo Aquavit- mais freqüentado por altos funcionários do Poder Público e do Itamaraty do que pela tradicional elite do Lago Sul- ser aos poucos reconhecido. Se naquela época os jurados da Vejinha Brasília sequer o citavam, na edição de 2008 elegeram Simon chefe revelação e em 2009 e 2010 o escolheram, consecutivamente, como melhor chefe da cidade. Simon trilhou um longo caminho antes de chegar ao topo das culinárias brasiliense e brasileira. Trabalhou em diversos restaurantes da Dinamarca enquanto cursava a faculdade de arquitetura e viu nascer a nova gastronomia de seu País que tem hoje como expoente o Noma, considerado o melhor restaurante do mundo.

Quem vai ao Aquavit, conhece estes dois lados de Simon: além do chefe de cozinha, o arquiteto. Foi ele próprio quem projetou a bela casa branca com pé direito alto e enormes vidraças que serve de sede ao Aquavit e também de residência para ele. Além de uma bela piscina onde os clientes do restaurante passeiam durante o jantar de Ano Novo, há também uma horta, de onde o chef e seus assistentes tiram raiz-forte, salsão, alfavaca, dill, pimenta e o delicioso jambu, planta de origem amazônica que anestesia a boca. Entre os ingredientes brasileiros muito usados por Simon estão ainda coco, manga, milho, tapioca, tacacá… Que ele combina magistralmente a cada cardápio mensal fixo com ostras, sopa de tartaruga, fois gras, vieiras, lagostins,camarões, salmão, carne de boi e diversas carnes de caça. Quando não os traz de suas viagens anuais a sua terra natal, Simon faz questão de ir à Feira do Guará e do Paranoá e a diversos pequenos produtores nos arreadores de Brasília para escolhê-los pessoalmente.

Provamos há alguns dias o cardápio atual que vai até este sábado, 12 de março. Mais uma vez, delicioso. Ah, o simpático Simon e sua valorosa equipe oferecem vinhos para serem harmonizados com cada prato. Pode-se optar pela dose normal, pela dose menor “para motoristas” ou ainda por levar seu próprio vinho e pagar a rolha. Eu recomendo fortemente o menu harmonizado com os vinhos. A seguir o cardápio atual e minhas considerações:

Lagostim com raspa e sorbet de coco verde, concassé de pimentão, espuma e farofa de coco

Pulenta Estate, Sauvignon Blanc, 2008, Argentina

 Um prato levíssimo, em que se sente de leve o gosto do coco no lagostim. A farofa estava fantástica e o sorbet de água de coco era deliciosamente neutro.  

Timbale de haddock com banana da terra, agrião e tucupi

Fritz Haag Trocken, Riesling, 2007, Alemanha

Simon escolhe o peixe que estiver mais fresco naquele dia. Então, no dia em que fomos, comemos pirarucu no lugar de haddock. O peixe foi defumado, bem à moda dinamarquesa, e seu sabor bem salgado era equilibrado pelo gosto doce da banana e pelo frescor do agrião. O timbale é uma espécie de pão bem fininho. O vinho riesling caiu perfeitamente com o prato.  

Foie gras grelhado com sorvete de sabugo de milho ao buerre noisette, servido com milho refogado e pamonha

Enrique Foster, Reserva Malbec, 2006, Argentina

Poucos chefes ousariam misturar fois gras com algo tão singelo como o milho! Pois a imaginação, a criatividade são alguns dos ingredientes principais da cozinha do chef Simon Lau. Esta versão do fois gras ficou soberba! O malbec, um vinho de uva com pouco tanino, só ressaltou os sabores.

Filet mignon com tutano defumado,

beterraba, salsinha, raiz forte e croutons

Medalla Real, Cabernet Sauvignon, 2007, Chile

Muito bom, especial. Tutano salgado contrastando com beterraba. Quase desnecessário dizer que os filés do Aquavit são super macios.

Sorvete de iogurte de leite de cabra servido com sopa gelada de seriguela e gelatina de umbu e pé de muleke

Delas Muscat Beumes de Venise, 2007, França 

Uma sobremesa daquelas que me deu água na boca desde que li o Menu. O sorvete não é muito doce, contrastando com o pé de moleque. Meu marido achou a sopa de seriguela muito amarga, eu gostei.

 

Café, Chá e Madeleines

Este é um dos momentos mais interessantes da noite. Nós costumamos nos mudar da varanda, onde geralmente ficam as mesas, para a sala de jantar com sofás e mesinhas de onde também se vê as luzes de Brasília. Ali, entre as paredes brancas e suas enormes telas coloridas, o chão e os móveis de madeira, tomamos o chá da hortelã tirada da horta e o café irresistível- mesmo às 2 da manhã- moído na hora. Quando o atencioso maître Vicente traz a conta até estranhamos porque normalmente já estamos nos sentindo em casa.

 

 

Serviço: Setor de Mansões Lago Norte
ML12 conjunto 1 casa 5 – Brasília/DF
Tel: 55 (61) 3369-2301, (61) 9167-0000

Quarta a sábado, somente à noite e com reserva

   

Preços do menu atual (até dia 12/03):

 

Menu completo:                   R$ 192,00

Menu de vinho completo:      R$ 130,00

Menu de 4 pratos:                R$ 163,00

Menu de vinho:                    R$ 120,00

Menu de 3 pratos:                R$ 140,00

Menu de vinho:                      R$ 105,00

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