O bom cinema está de volta a Brasília, enfim!

O bom cinema está de volta a Brasília, enfim!

Oito salas abrem nesta sexta. Outras 50 estão a caminho.

Na sexta-feira, dia 9 de dezembro, os cinéfilos brasilienses vão finalmente poder parar de reclamar da falta de bons filmes nas telas da capital. Será aberto ao público o primeiro complexo de cinema do grupo Estação, o Espaço Itaú de cinema. As oito salas novinhas em folha ocuparão o espaço onde antes existia a Rede Embracine, no Shopping Casa Park. A rede fechou as portas no ano passado, deixando o público órfão de produções cinematográficas mais artísticas, que não viessem de Hollywood ou do atual cinema comercial brasileiro.

Na terça-feira (29), convidados, especialmente do meio cinematográfico de Brasília, puderam conferir de perto as salas e o enorme e chiquérrimo hall que abrigará um lindo Café. “Nosso princípio é juntar cinema e arte na sua excelência”, garantiu o diretor-executivo do banco Itaú, Fernando Chacon, no único e rápido discurso da noite. “Este vai ser o piloto para as 58 salas que pretendemos abrir em Brasília”, informou ainda Chacon para o deleite de todos e a surpresa de alguns. Sabe-se que as três salas do Shopping Liberty Mall também estão sendo reformadas para ser ocupadas pelo grupo.

Na festa de apresentação, a que Escritos do Ócio teve o prazer de estar presente, os convidados puderem assistir a um entre três dos filmes que entrarão em cartaz na semana que vem: “O Garoto da bicicleta”, dos irmãos franceses Luc e Jean-Pierre Dardernne, e vencedor do Grande Prêmio do Júri do Festival de Cannes 2011; “Minhas Tardes com Margeritte”, de Jean Becker, com Gérard Depardieu; e “Um Conto Chinês”, de Sebastián Borenstein, com Ricardo Darín. Mas antes, o grupo sinfônico Tocata interpretava trilhas sonoras clássicas, enquanto os convidados podiam se preparar para provar as salas tomando espumante e comendo blinis diversos, cappuccino de salmão, bolinhos de camarão, carnes de boi e carneiro. Isso num ambiente que já prometeria ser um sucesso só pelo seu visual super clean e moderno, intercalando vidro com mármore, mas ainda assim aconchegante. As grandes luzes embutidas no teto remetiam ao próprio cinema. Tudo bem mais arrojado do que as salas do Estação construídas nos anos 90 no Rio, em São Paulo e em Belo Horizonte.

História
Patrícia Durães, uma das sócias do empreendimento, tem longo know how no ramo dos cinemas alternativos no Brasil. Presente à festa de ontem, Patrícia é sócia-fundadora do Espaço Unibanco, está no grupo desde que foram abertas as primeiras salas, em uma galeria da Avenida Voluntários da Pátria, em Botafogo, nos idos de 1985. As três salinhas do Estação, que existem até hoje, pegaram de uma forma que, uma década depois os sócios tinham fôlego para abrir outras três, criando, assim o Espaço Unibanco de Cinema, ainda com o nome de Espaço Banco Nacional de Cinema. Maior e mais moderno, ele ficava logo ali, do outro lado da avenida, após a estação de metrô.

Em 1993, o Espaço chegou a São Paulo, me relembrou ontem Cláudia. E em 1998, Estação e Espaço resolveram se separar. Ademar Oliveira, o grande idealizador de tudo desde o início ficou à frente do Espaço e outras componentes do grupo inicial assumiram o Estação. Este último continuou responsável pela realização do Festival de Cinema do Rio, que rivaliza até hoje com o Festival Internacional de Cinema de São Paulo, aumentando o número de produções mostradas a cada ano. Um sucesso crescente que eu mesma cobri por três anos pelas TVs Bandeirantes e Educativa e a que assisti por outros quatro, comprando bolos de ingressos com antecedência para conseguir ver os inéditos de Woody Allen, Almodóvar (naquela época valia a pena!), Godard, Antonioni… e os ganhadores de Cannes e Berlim do mesmo ano, e Veneza do ano anterior. Nos anos em que fui redatora do programa Cineview, da Rede Telecine (2000 a 2002), fazíamos as matérias dos filmes passados em Cannes, coberto por nossos repórteres anualmente in loco e, meses depois, podíamos assistí-los  na íntegra no Festival do Rio. Era especial!

Um belo conto chinês
É com toda esta aura de sucesso e realizações que o grupo Estação chega a Brasília. Na sexta-feira, serão anunciados os primeiros filmes a estrear nas novas telas. Já posso indicar o que escolhemos para ver ontem: “Um Conto Chinês”, uma história sensível sobre o relacionamento entre um argentino solitário e cheio de manias e um jovem chinês que resolve se exilar no País sul-americano após passar por um trauma.

Ricardo Darín dá show novamente, em um papel bem diferente daqueles em que estamos acostumados a vê-lo. Seu vendedor é quase bronco e vai sendo surpreendido pela capacidade de se envolver por aquele rapaz que chegou para atrapalhar sua repetitiva rotina. No começo, podemos até nos enganar confundindo o filme com uma comédia hollywoodiana. Há até uma virada totalmente previsível. Mas é nos detalhes que “Um conto chinês” mostra suas cores e sua beleza.

Nada mal assistir a um ótimo argentino sentada naquela sala de cinema cheirando a nova, com um bom espaço para as pernas, comendo pipoca e tomando espumante. Com o lencinho de avião distribuído pela produção pra limpar o couro da poltrona e não estragar a festa do público na semana que vem.

Compartilhe:
  • Print
  • Digg
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Google Bookmarks
  • LinkedIn
  • Live
  • MySpace
  • RSS
  • Twitter

3 Comentários

  1. Muito bom!!! Notícia ótima! Filmes ótimos! E a repórter cultural mais antenada de BSB arrasando nos comentários! Adorei!!! Vou ver o Conto Chines este findi! Adoro o Casa Park e só parei de ir lá pq a Embracine fechou… Agora voltarei! U-hu!!!

    • Ótimo, Dami, veja mesmo o Conto… É uma delícia! Agora, vá de casaco e calça de frio, por enquanto as salas estão geladas. Reclamei com a assessoria de imprensa, vamos ver se adianta alguma coisa. Bjs!

Deixe um comentário