Posts made in fevereiro, 2012

Um Grammy para não esquecer

Há programas que fazem valer a pena ficar acordada até tarde mesmo tendo que estar de pé no dia seguinte às 7 da manhã. A entrega dos Grammys de ontem com certeza foi um deles. Se assistir à volta de Adèle aos palcos depois de um ano emudecida pela operação nas cordas vocais já não fosse motivo suficiente, haveria as apresentações de Bruce Springsteen, Foo Fighters, Coldplay- com e sem Rihana-, Paul McCartney… Mas o que me levou a fazer o esforço foi mesmo a reunião dos Beach Boys 20 anos depois de sua última apresentação como grupo.

Como já fizeram com outras bandas anteriormente, como o Police, os organizadores do Grammy foram felizes ao promover a reunião dos cantores californianos, legítimos representantes da chamada surf music, marcando os 50 anos do início da banda. Coincidentemente presente ao evento, Paul McCartney um dia considerou o álbum “Pet Sounds”, de 1966, como o melhor do rock e disse que ele influenciou parte sua produção da época com os Beatles. A crítica especializada já considerou o álbum como uma das maiores obras primas da música pop.

E havia ainda a emoção das homenagens a Whitney Houston, ela mesma ganhadora de seis Grammys e indicada a 26 ao todo, e que morrera no dia anterior, aparentemente afogada após misturar um forte calmante a bebida alcoólica. Cheguei a ver o grande Steve Wonder tocando um trecho de “I will always love you” na gaita, antes de anunciar o número de Paul McCartney.  Jennifer Hudson cantaria uma das canções de Whitney, tida como uma de suas referências musicais.

Paul McCartney mostrou o lado grave da voz em uma balada em que foi acompanhado por uma orquestra. O Foo Fighters cantou “Walk”, a canção de rock and roll com ares de anos 80 que ganharia o prêmio de melhor música de rock de 2011 alguns minutos depois. O encontro da banda de Chris Martin com a popstar Rihana, que parecia inusitado, funcionou bem. Antes do dueto, ela cantou sozinha e o Coldplay também se apresentou separadamente. Mas, como eu esperava, foi ver os velhinhos dos Beach Boys cantando “Good Vibrations” que fez valer cada hora de sono perdida. O grupo Maroon 5 foi escalado para “abrir” para os Beach Boys cantando uma música deles, mas não convenceu. Foi estranho ouvir vozes tão diferentes interpretando aquelas canções tão conhecidas nas vozes de Brian Wilson e companhia. Mesmo com as vozes um tanto cansadas, o grupo original emocionou mesmo as gerações mais novas, que o conheceram depois que já haviam se separado. Chris Martin mesmo assistiu em pé à apresentação, super atento.

Só no ano passado, resolvi comprar o “Pet Sounds” pra ouvir as músicas na ordem proposta pela banda. Há mais de vinte anos tenho uma coletânea dos Beach Boys que resolvi comprar por causa da versão para “California Girls” feita por… quem diria, David Lee Roth, que havia abandonado a posição de vocalista do Van Halen e se lançado em carreira solo em 1985. Adoro a música e, adolescente, quis conhecer melhor a banda que a compôs e a tornou famosa. Pois bem, “Pet Sounds” é mesmo um daqueles álbuns perfeitos. Daqueles sem fill ins, aquelas músicas menos brilhantes que são colocadas no disco meio que para encher linguiça, pra fazer a ligação entre as canções realmente boas. Todas as músicas são belas, uma após a outra: “Wouldn’t it be nice?”, “God only knows”, “Sloop John B.”, a própria “Pet Sounds”… Na mesma compra, levei outra destas pérolas perfeitas, aquela brasileira: “Acabou chorare” dos Novos Bahianos (ver mais em “Os novos bahianos em filme e lembranças da Salvador dos anos 70”, aqui no blog).

Fiquei tão feliz em assistir ao vivo pela primeira (e única) aos Beach Boys cantando que fui dormir lá pela uma hora da manhã. Deixei pra ouvir a apresentação de Adèle outro dia. Afinal, com certeza o culto à juventude existente nos meios de comunicação me garantirão a reprise da apresentação dela, mas não a deles. E, claro, o grande número de prêmios arrebatados com justiça por esta fantástica cantora ontem.

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