Mais que Impressionismo no Rio

Mais que Impressionismo no Rio

O Rio de Janeiro em uma semana de chuva também pode ser maravilhoso. Neste mês de novembro, as artes plásticas são, sem dúvida, o ponto alto da programação cultural da Cidade Maravilhosa. A exposição intitulada Impressionismo, com obras vindas do Museu D’Orsay, de Paris, tem muito mais do que os artistas do movimento que tinha a luz como protagonista. Tem realismo, pré-impressionismo, obras de fases pouco conhecidas de artistas impressionistas, pontilistas e por aí vai. Ocupa dois andares do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB)- o belo prédio que abrigou o primeiro Banco do Brasil do Império-, tem filas dando a volta no edifício e é aberta inclusive de madrugada.

No Paço Imperial, aquele prédio na Praça XV de onde Dom Pedro I disse ao povo que ficava, há três exposições interessantes, duas delas retrospectivas de artistas brasileiros importantes. A de Luiz Áquila mostra as diversas fases e faces desse carioca abstrato que gosta de pintar em grandes telas. Vai das obras figurativas do início da carreira até um mural que toma uma parede inteira. O principal, porém, são as telas grandes, com pinceladas largas em diversas paletas de cores, algumas mais pastéis, outras mais abertas.

Surrealismo no Paço
O outro é o carioca Roberto Magalhães, da geração anterior à do Parque Lage (anos 80), que tem um estilo pouquíssimo explorado por artistas brasileiros: o surrealismo. A exposição mostra seus desenhos, aliás, uma de suas atividades preferidas. Os autorretratos do início da carreira provam que ele poderia ter seguido um caminho acadêmico se quisesse. Logo em seguida, porém, começam os desenhos, em preto e branco, de pessoas com faces viradas, olhos na vertical, narizes enormes, desproporções.

Vêm, então, as obras coloridas de figuras animalescas ou com rostos compostos por frutas e verduras. Carros, tanques e aviões ganham designs originais. Um prato cheio pras crianças também!

Em uma sala do térreo está uma instalação bem sensorial. Estruturas em série servem de túnel para a luz que sai de um grande refletor. O público pode ver a luz de diversos ângulos e também uma névoa que enche todo o ambiente.

Joias
Estando no CCBB, em outro dia de preferência, não deixe de dar uma olhada também na retrospectiva da designer de joias pernambucana Clementina Duarte, no 4º andar. São muito bonitas e diferentes. Nos idos dos anos 70, ela começou moldando prata e pedras em joias que misturavam referências antigas e modernas.

Grandes colares retorcidos, outros retos com pedras foscas. Nos anos 80, as peças ficaram geométricas e mais minimalistas.

Clementina viajou para Paris e continuou a carreira lá. Começou também a usar ouro branco e voltou às pedras. Agora, em seu retorno, o desafio é se destacar em seu próprio País.

Gauguin na França e Renoir na Argélia
Primeiro eram os realistas: Gustav Coubert, Fantin-Latour… e eles estão lá na exposição. Aí vieram os pré-impressionistas como Camille Corot, um dos últimos artistas a pintar a tela com tinta escura antes de cobri-la com as cores definitivas. Os impressionistas parariam de fazer isso para que a luz parecesse mais natural. E mesmo os impressionistas famosos que estão na exposição mostram facetas não tão conhecidas. Gauguin, por exemplo, mais conhecido por sua fase primitivista, em que retratou as populações do Taiti, está na mostra com quadros “passados” na Bretanha, na França. As camponesas aparecem nas mesmas cores fortes que marcaram a produção asiática de Gauguin. Lindíssimo!

De Monet vemos uma pintura da estação Saint Lazare, em Paris, em 1877. São vários trens um ao lado do outro, com a fumaça saindo. O quadro testemunha a chegada da modernidade da Revolução Industrial, o teto da estação é feito de vidro e ferro. Renoir pode ser visto nas célebres pinturas de meninas ao piano, mas também há uma bela paisagem argelina.

E uma pequena (em tamanho) obra de Cézanne é uma das representantes do pós-impressionismo na mostra. A pintura de 1904 mostra rochedos tão próximos do observador que mais se parece um quadro abstrato.

A exposição é uma ótima oportunidade também para se ver obras de artistas menos conhecidos do grande público: a linda pintura de Jean Bereau de uma prostituta à espera do cliente visto no fundo; a Igreja Sacré Couer de Rousiñoly na Montmartre ainda rural de 1860; a obra de Henri Ottmann que parece contemporânea; as cores fortes de Émile Bernard; a suavidade de Berthe Morisot; e Bazille, Grigou…

Por todas essas “novidades” vale a pena se programar para enfrentar as filas que se formarão também no CCBB de Brasília no ano que vem.

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