Vinícius de Moraes “de volta” aos Palcos

Vinícius de Moraes “de volta” aos Palcos

Imagine um show de Toquinho e Vinícius como se o poetinha ainda estivesse vivo, com o público sendo transportado para os anos 70. Vinícius de Moraes apareceria em forma de holograma declamando poesias e contando as histórias que deram origem às músicas que compôs com Toquinho e também com parceiros anteriores como Tom Jobim, João Gilberto, Baden Powell e até Chico Buarque.

Esta é a ideia central de um show que está sendo produzido por Toquinho, Paulo Ricardo e por instrumentistas experientes que acompanham os dois desde a gravação do CD. Após o show de Toquinho e Paulo Ricardo ontem em Brasília, um deles contou a novidade a Escritos do Ócio, afirmando que o atual show serve apenas como um ensaio para a “superprodução” que promete trazer em breve Vinícius de volta aos palcos brasileiros e europeus.

A depender do show que corre o País agora, baseado no CD “Toquinho e Paulo Ricardo cantam Vinícius” que o cantor e compositor paulista gravou com o ex-vocalista do RPM, o futuro espetáculo deverá ser emocionante. No show atual, os dois fazem uma espécie de retrospectiva da carreira musical de Vinícius, começando pela Bossa Nova, que ele ajudou a criar, e chegando até a fase baiana, em que usou referências da cultura africana para escrever suas letras.

Com cinquenta minutos de atraso que não pareceram incomodar o público brasiliense, Toquinho subiu ao palco improvisado no Unique Palace e cantou algumas músicas com os arranjos tradicionais e sem a presença de Paulo Ricardo. O cantor dos anos 80 também teve sua parte solo cantando sucessos internacionais dos anos 70 e 80 que estão no eclético CD, como “Careless Wispers”, do Wham (a banda em que George Michael começou a carreira), e a belíssima “Your Song”, de Elton John, em que teve o acompanhamento dos teclados.

Mas o ponto alto do show foram mesmo as interpretações dos dois juntos para as canções feitas por Vinícius com os diversos parceiros. Nem tanto pela participação de Paulo Ricardo, que apesar da boa voz, se limitou a sussurrar, mas pelas histórias que ele ía “tirando” de Toquinho sobre bastidores de um passado de glórias. “Tarde em Itapoã” e “Regra Três” feitas com o próprio Toquinho; “Eu sei que vou te amar”, “Corcovado”, “Água de beber”, “Insensatez” com Tom Jobim; “Samba do Avião” só de Tom; “Minha Namorada”, com Carlinhos Lyra; “Samba da Bênção”, “Pra quê chorar?” e “Canto de Ossanha”, com Baden Powell. Essa última uma versão eletrônica, uma das propostas do CD.

As histórias eram hilárias. Uma delas contava como o jornalista Antônio Maria, muito amigo de Vinícius, certa vez teve que pegar um avião pequeno para voltar a São Paulo e estava com muito medo. Ao seu lado, sentou-se uma bela mulher que lia um livro de poesias de… Vinícius de Moraes. Antônio Maria tentou se aproximar da moça, fazendo comentários sobre o livro, mas ela foi fria. Nisto, ele perguntou: “A senhora já viu uma foto de Vinícius?”. No que ela respondeu que não, ele prontamente disse: “Eu sou Vinícius de Moraes e fico feliz de a senhora estar lendo um livro que escrevi”. Os dois terminaram engatando um romance de uma noite. No dia seguinte, Antônio Maria telefonou para Vinícius contando a história. E arrematou: “Sinto lhe dizer, amigo, que ontem você brochou”. Dali surgiu “Samba do Avião”, contou Toquinho.

Outra história tem Chico Buarque. Quando o compositor estava exilado na Itália, fez “Samba de Orly” em parceria com Toquinho. “Vinícius tinha muito ciúme do Chico, aquele novo letrista”, comentou o cantor, acrescentando que o poetinha pediu para fazer parte da parceria. Letra e música enviadas para Vinícius, ele trocou apenas um verso. A censura terminou cortando justamente a contribuição dele. Quando Toquinho lhe contou o ocorrido, Vinícius saiu-se com essa: “Me inclua na parceria ou saia dela”.

Imagine isso tudo contado pelo próprio Vinícius.

 

 

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