O Porto além do vinho

O Porto além do vinho

“O Porto ainda está para ser descoberto”, nos disse o português Rui Manoel Freitas, sentado ao nosso lado em um restaurante à beira do Douro. Essa cidade deslumbrante do norte de Portugal, cheia de igrejas da Idade Média e também à beira do Oceano Atlântico, não era voltada para o turismo, principalmente o internacional, até há pouco tempo. Difícil imaginar isso hoje, olhando suas ruas cheias de visitantes, especialmente da própria Europa.

A vista do Rio Douro, a partir de Vila Nova de Gaia, com o Porto por detrás, é indescritível. Pegue uma mesa em um dos restaurantes na beira do rio no fim da tarde para ver a noite chegar e as luzes das caves se acenderem. Um teleférico também passa sobre a cidade dos vinhos. É um programa que não dá pra perder.

No outro dia, siga de barquinho pelo Douro, passando pelas seis pontes mais próximas, de épocas e estilos diferentes. A mais bela, bem à altura dos centros das duas cidades, é toda de ferro e no nível acima do de pedestres e carros, passa o metrô. Quando o barco volta, vemos o emocionante encontro do rio com o mar. O clímax é o pôr do sol.

Já da Ribeira do Porto, cheia de restaurantes e lojinhas com lembrancinhas, tem-se a vista do lado oposto, Vila Nova de Gaia. É lá que ficam todas as grandes caves de vinho do Porto: Sandeman, Kroft, Cálem, Ferreira, Kron, Real Companhia Velha… Recomendo muito a visita guiada da Cálem, especificamente a das 18h30, que tem um show de fado durante a degustação, dentro das adegas. O porto branco deles é muito gostoso e os artistas são de primeiríssima. As garrafas de porto são baratíssimas, em torno de E$ 6 as normais. Além do tinto e do branco, há ainda o rosé. Mas não se esqueça de coloca-los dentro da mala porque, na Europa, é proibido carregar líquidos na mão dentro do avião e essa regra é seguida à risca.

A igreja mais antiga do Porto é a de São Francisco. Por fora é quase toda gótica, do século XIV. Por dentro vai do renascentista ao neoclássico, passando por barroco e rococó, com altares e nichos banhados a ouro, incrivelmente tudo muito harmonioso. O ouro é o brasileiro, com toda a certeza. Mas asseguro que foi muitíssimo bem empregado.

Não achei a Sé bonita, é uma mistura de estilos muito grande, mas o convento ao lado é imperdível. Um terraço gótico rodeado por lindíssimas paredes do típico azulejo azul e branco português. Aliás, os azulejos, de todas as cores, estão por todo o Porto. Vale a pena fazer o passeio de ônibus turístico para ter uma visão panorâmica da cidade. Nesse convento está uma das capelas mais bonitas que vi na vida: embaixo azulejos, em cima puro ouro e tudo muito harmônico.

A praia também é um passeio interessante, tem cascalho e arrecifes, que formam boas piscinas naturais para as crianças. Meu filho adorou brincar ali, ao lado do Castelo do Queijo, na verdade, um forte. Enquanto isso, o sol se punha por trás do Oceano Atlântico.

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11 Comentários

  1. Adriana Vasconcelos |

    Mto bom, Mari!
    Morro de saudades dessa cidade… :)

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