Posts made in março, 2013

Memórias e encontros com Zico

O flamengo de 2013 perdia o jogo que poderia tê-lo classificado para a final da Taça Guanabara no domingo passado e, ao mudar o canal para tentar assistir a Corinthians e Santos, me deparei com a homenagem do canal ESPN ao grande Zico, que completava 60 anos de vida. Ali, assistindo aos lances do saudoso flamengo de 1981, me vi transportada para aquele ano mágico em que o time chegou ao topo, à condição de melhor time do mundo.

Ía assistindo ao galinho de Quintino, ainda muito franzino, deslumbrar os amigos mais velhos que tinham vetado sua entrada no time do bairro da periferia do Rio de Janeiro e me lembrando de como, já no flamengo e muito mais forte, ele brilhava com a bola no pé. Também me deleitei com os gols que ele fez na seleção, sim ele os fez, mesmo que seus detratores não o admitam. Como disse um colunista, Zico era camisa 10 como atacante, camisa 10 como articulador de jogadas, camisa 10 como goleador, camisa 10 como artilheiro…  E também batia faltas com a nobreza de um camisa 10.

Era a estrela de um time completo. Um time que tinha Adílio, que tinha Júnior, o versátil Leandro, “que jogaria bem até no gol”, como bem lembrou o galinho no especial do ESPN. Tinha os chutaços de Nunes e as boas defesas do goleiro Raul. Isso pra não falar de outros craques como Andrade, Lico, Tita… Um dos melhores times da geração dos 80, a última do futebol arte e a última em que não tinha o dinheiro como um de seus protagonistas.

O melhor time de uma época tranquila em em que, mesmo saídas há pouco da infância, ainda podíamos ir ao Maracanã assistir a um belo FlaxFlu ou, melhor ainda, a um Flamengo e Vasco com a presença do grande- por que não admitir?- Roberto Dinamite. Naquele início dos 80, o Flamengo e Vasco havia substituído o Fla-Flu como o clássico do momento. O coração saía pela boca quando a turma de Zico encontrava a turma de Roberto Dinamite no campo.

E esse clima se refletia nos encontros de minha turma de amigos de debaixo do bloco nos fins de semana de jogo. A maioria era flamenguista, mas havia um vascaíno roxo que não deixava passar nada. Imagine isto no auge da turma, justamente naquele glorioso ano de 1981!

Encontros
Encontrei o grande ídolo Zico três vezes na vida. A primeira foi justamente no campo de treinos da Gávea, naquele Clube do Flamengo em que eu aprendera a nadar aos três anos. Era 1981 e não morávamos mais no Rio há anos, mas estávamos lá de férias e meus pais levaram a mim e a minha irmã para assistir a um treino do flamengo. Não me lembro de detalhes sobre como foi a entrada no clube, mas lembro-me bem que, treino terminado, entramos no campo com a maior facilidade e logo estávamos conversando com Zico, Leandro, Junior. Cada um deles assinou nossas camisas do flamengo, aquelas novas em folha brancas com as mangas preto e vermelhas. Até hoje sei imitar a assinatura de Zico.

De Júnior- este mesmo que hoje é comentarista na TV Globo- me recordo especialmente. Na hora da foto, ele perguntou: “Tem flash?”. E nós duas respondemos: “Não”. Aí, olhando pro sol que já se punha, Junior prontamente retrucou com aquele sotaque carioca inconfundível: “Acho que não vai sair não”. E ele estava certíssimo. Não temos aquelas fotos pra contar essa história. Mas o encontro, naquele fim de tarde em que os jogadores já eram campeões do mundo, ficou guardado na memória. E será sempre inesquecível, como disse minha irmã depois de participar sábado passado como convidada da festa de 60 anos de Zico naquele mesmo clube. Quanta simplicidade tinham aqueles campeões!

Decepção
Em uma outra vez, aqui em Brasília, mais precisamente no Gama, fomos assistir a um jogo do time daquela cidade satélite contra os amigos do Zico. Fomos porque quem nos convidava era Paulito Rossi, um amigo da faculdade que adoro e que, ex-jogador profissional do Sobradinho, iria jogar no gol. Ficamos sentados na borda do gramado e foi muito bom ver tão de perto um grande ídolo jogar contra um amigo. Não me lembro quem ganhou o jogo, mas recordo-me perfeitamente que, no quesito simpatia, Zico perdeu feio. Foi superindiferente quando Paulito levou seu enteado Gustavinho (hoje um adulto) no colo para conhecê-lo. Decepcionou até a mim.

Já jornalista e de volta ao Rio, acho que foi em uma entrevista para o Observatório da Imprensa na TVque voltei a me encontrar com Zico. Na escolinha de futebol que mantinha no Recreio dos Bandeirantes, ele foi cortês, a entrevista foi boa, mas é incrível como o profissionalismo nos tira aquela inocência de fã.

É bom constatar hoje que são as memórias boas que ficam. No domingo passado, com o Flamengo de 2013 perdendo de 2 a 0 para o Botafogo, preferi ficar com as recordações. Continuei ali, no flamengo de 81 até terminar a homenagem. Era o aniversário do ídolo. Era o dia perfeito para ser nostálgica.

 

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