Flamengo e Santos: um espetáculo

Flamengo e Santos: um espetáculo

Quem foi ao jogo Flamengo e Santos no último domingo (26), no novo estádio Mané Garrincha, assistiu a um espetáculo. Um espetáculo de organização do transporte público de Brasília, um espetáculo de organização dos voluntários que “provavelmente” trabalharão também na Copa do Mundo de 2014- como me disse um deles-, um espetáculo do público ávido por um bom jogo em um estádio com nível de primeiro mundo. O metrô funcionou muito bem, os ônibus saíam cheios da rodoviária um após o outro, sem demora. As filas no estádio, embora longas, andavam rápido.

A despeito do que relataram repórteres de alguns jornais, que estavam lá mesmo para registrar as falhas, o que eu vi, como espectadora que levou o filho de cinco anos a um estádio de futebol pela primeira vez, foi muito mais organização do que falhas.

Houve, sim, falhas. As filas estavam grandes, afinal foi o jogo com maior público deste primeiro dia de Campeonato Brasileiro- 63 mil pessoas-, na última hora, a segurança afrouxou e parou de fazer qualquer revista nas pessoas. Uma falha gravíssima, em tempos de violência nos estádios. Fora no Rio ou em São Paulo, as críticas teriam sido muito maiores.

Por um lado, com razão, afinal, em Brasília, ainda não se registram muitos casos graves de violência. Mas por outro, só não se falou tanto nesta dispensa de revista, proposital, diga-se de passagem, porque Brasília não tem a mesma visibilidade que Rio e São Paulo quando o assunto são eventos esportivos e culturais. E também por uma característica da imprensa comercial brasileira que prefere cobrir os problemas só depois que eles dão origem a algo mais grave, como ferimentos e mortes. Imagine se algum torcedor estivesse portando um daqueles sinalizadores que causou a morte do menino boliviano no jogo do Corinthians na Libertadores há alguns meses? Teria passado pela “não revista” com tranquilidade e poderia ter feito um estrago ainda maior.

Jogo ruim, torcida boa
Por sorte, a maior torcida do Brasil se comportou bem até demais. Diante de um Flamengo que, a despeito das seguidas tentativas de passe do já veterano Léo Moura, não conseguia finalizar as jogadas, o público não parou de incentivar o time, gritando “Mengo” e outras palavras de ordem. Para a alegria das crianças presentes, até uma ôla rubro-negra se formou no início do jogo.

Neymar apático
Neymar raras vezes se pareceu com o craque que os brasilienses queriam ver em campo; lembrava mais um Romário em seus piores dias, parado ali na frente esperando a bola dar o ar da graça em frente a seus pés (foto abaixo, minha). Deu corda para os gritos de “Neymar, viado” da torcida do Flamengo ao cair diversas vezes em campo sem ter sofrido falta (foto mais abaixo, sem crédito). De ressaca após a noite de farra na festa de casamento do amigo Ganso, o atacante da seleção brasileira protagonizou uma despedida lamentável.

O verdadeiro personagem principal terminou mesmo sendo o estádio: lindo, com a grama verdinha contrastando com as cadeiras vermelhas (e pretas, também, já que os flamenguistas sempre foram maioria em Brasília), quase lotado e sob o céu azul-rosado que brinda nossos fins de tarde na época da seca. Um espetáculo, sim, que só não foi maior porque parte da torcida foi impedida de comparecer devido aos ingressos postos à venda: os mais caros do campeonato brasileiro, que só a classe média-alta teve coragem de pagar. Um dia capaz de emocionar os que conseguiram participar dele, que, como eu, devem ter ficado imaginando como será fantástico estar ali num jogo da Copa do Mundo.

 

Compartilhe:
  • Print
  • Digg
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Google Bookmarks
  • LinkedIn
  • Live
  • MySpace
  • RSS
  • Twitter

2 Comentários

  1. Avaliação corretíssima. Se tivessem chamado o Corinthians e Boca Juniors, em vez de Flamengo e Santos, o jogo teria sido muito melhor. E a torcida, que foi dez, seria ainda melhor!

Deixe um comentário