Posts made in julho, 2013

O museu ao ar livre mais bonito do mundo

Comendo um sanduíche aberto de camarão com sour cream (smorrebrord, para os dinamarqueses), nós olhávamos para o jardim. Não era um jardim qualquer: uma enorme estrutura de Alexander Calder se movia ao sabor do vento que vinha do Mar Báltico, alguns metros à frente. Duas grandes esculturas fixas também do americano que popularizou os móbiles dividiam o espaço com a móvel.

Lá no fundo, quase escondido, descansava um ET esculpido por… Miró. Olhando à esquerda, por cima do mar, víamos a Suécia.

O mais lindo museu com esculturas a céu aberto do mundo está na Dinamarca, mais precisamente a algumas estações de trem de Copenhagen. O Louisiana (www.louisiana.dk) tem esse nome com cara de Estados Unidos porque seu fundador se casou com três mulheres, todas elas chamadas Louise. Nos vastos jardins à beira do Báltico, se espalham figuras orgânicas de metal do francês Jean Arp (fotos abaixo) e diversos trabalhos do inglês Henry Moore.

Ao lado do casarão branco em que ficam as exposições internas, estão algumas de suas figuras mais modernas.

Já próximo ao outro lado da casa fica a maior das esculturas de Henry Moore: um homem deitado dividido em partes.

Do alto da colina que as crianças adoram escalar, uma mulher deitada “olha” para o mar.

Lá dentro, duas exposições temporárias dividem o espaço com as obras modernas da coleção permanente, que tem Picasso, Francis Bacon, Louise Bourgeois, com seus enormes aracnídeos…

… além de enomes telas coloridas de pintores nórdicos.

Uma retrospectiva de Yoko Ono, apresenta músicas e vídeos pacifistas feitos em parceria com John Lennon, e as obras interativas da artista nipo-americana que já era consagrada antes de conhecer o beatle, o que aconteceu justamente em uma de suas mostras em Nova Iorque. No jardim, fica a árvore dos desejos, em que pessoas do mundo inteiro escrevem seus desejos em suas línguas maternas.

A outra exposição temporária é a da americana Tara Donovan, com obras que também mexem com as sensações, só que de outra forma. Um céu de nuvens brancas cobre uma enorme parede. Quando se chega perto, se percebe que são, na verdade, milhares de canudos colocados um ao lado do outro.  ”Estou me esforçando para ser uma alquemista e transcender o material”, diz a artista, no (lindo!) site do museu.

Quem visita a parte interna do Louisiana por último sai embevecido com as salas dedicadas ao suíço Giacometti, conhecido por suas figuras magrinhas. Primeiro se vê uma série de mulheres de estatura média.

Na sala seguinte, estão as esculturas que impressionam também pela altura. Tudo isso, emoldurado por uma janela que dá pra mais um dos jardins do museu.

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Os fiordes, o caminho dos Trolls e os picos nevados

O quinto dia de nossa viagem gastronômica à Escandinávia começou no ferryboat. O objetivo era chegar aos fiordes noruegueses, mais precisamente ao mais famoso deles, o Geiranger. Aos poucos, o barco ía entrando mais e mais pelas águas do Oceano Atlântico que banhavam as montanhas. Os fiordes são justamente essas altíssimas montanhas que formam as gigantescas fendas que o mar foi formando ao longo de bilhões de anos.

É quase impossível- e também inútil- descrever a beleza dos fiordes, cujos topos ainda estavam cobertos pela neve que derretia com a chegada do verão. A água vinda do derretimento formava cascatas e até cachoeiras.

 

O capitão do barco servia como uma espécie de guia, interrompendo eventualmente nossa conversa com um casal de americanos interessados em dicas de viagens no Brasil. “Naquela pedra ali, o rei e a rainha (da Noruega) passaram as bodas de prata. Chegaram de helicóptero”, contou, orgulhoso.

“Aquela fenda pode cair a qualquer momento”, dissera mais no início da viagem. Toda a defesa civil norueguesa já está de prontidão porque, quando o gigantesco pedaço do fiorde cair, formará uma onda de 70 metros de altura, segundo o relato do capitão. As duas casinhas que ficam na montanha já foram devidamente evacuadas.

Mais à frente, à direita, uma pedra tinha o formato de uma garrafa. Diz a lenda contada pelo capitão que o homem que vivia ali era apaixonado pela mais bela das sete cascatas que ficam bem em frente a ela, no fiorde do outro lado. Ele a pediu em casamento, mas recebeu uma resposta negativa. Pra compensar a desilusão, ganhou uma garrafa de bebida que bebe até hoje.

Imagem emblemática
Sabemos que chegamos ao Geiranger porque o mar é limitado por uma cidadezinha cheia de barquinhos ancorados. Vários navios nos fazem companhia nesta pequena baía.

Mas a mais bela imagem do famoso fiorde é a que veremos lá do alto, já de volta à van, em terra firme. Mais uma vez, as palavras não têm força para descrever a imagem da baía com a cadeia de montanhas por trás. Paramos mais uma vez para fotos (mais abaixo, eu e meu marido, Mauro, com nossos “guias” de luxo, Simon e Luís Otávio).

Trolls
Pra fechar aquele dia de viagem com chave de ouro, só mesmo percorrendo a “dramática estrada Trollstieguen”, o caminho dos  Trolls, aquelas míticas e feiosas criaturas que povoam as lendas nórdicas.

A estradinha sinuosa vai subindo a montanha cortando a floresta de pinheiros até chegar a uma estação turística perto do topo nevado da montanha. Mais parece o topo do mundo, pra falar a verdade!

Uma estrutura de concreto formando um espelho com as águas do degelo serve como mais uma base para fotos. O prédio moderno causou controvérsia entre os noruegueses, que preferem a exclusividade de suas casinhas de madeira construídas há séculos.

Neve!
Saindo da estação munidos de trolls e alces de pelúcia de presente para os filhos, nos deparamos com um paredão de neve bem à nossa frente. Nova pausa, exigimos todos. Enquanto uns tiram fotos e fazem bolas de neve, outros não se contêm e se jogam de costas na neve.

Como se fosse pouco, a duzentos metros dali surge do nada uma lagoa cercada de montanhas que, não fosse o frio, seria perfeita para um bom banho. Na base da estrada dos Trolls está nossa próxima parada: o hotel Roisheim, inaugurado em 1858, que tem casinhas que datam inclusive do fim do século anterior. Mas a estadia nesse paraíso rural será objeto de um próximo post.

 

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A dramática Estrada Atlântica e suas pontes que acabam no céu

A ideia era ter atravessado toda a “dramática Estrada Atlântica” como dizia a programação de nossa viagem aos Países Nórdicos elaborada pelo chef brasiliense-dinamarquês Simon Lau Cederholm, do restaurante Aquavit. Mas a viagem era gastronômica e, como tal, tinha a comilança como protagonista, de forma que nos atrasamos e quase perdemos este que era, para mim, um dos pontos altos do périplo de dez dias por Suécia, Noruega e Dinamarca.

Bati pé pra não perder a atração e saímos em direção à famosa estrada, já às 10 horas da noite, após um dia quase todo passado na van. A Atlântica liga várias ilhazinhas do litoral da Noruega por meio de pequenas pontes tortas que, por vezes, dão a impressão de que serão interrompidas lá no alto, fazendo o carro cair no mar. Antes de sair do Brasil, eu tinha visto a foto de uma delas com uma montanha nevada ao fundo. Lindíssima!

Por causa da falta de tempo, não chegamos a ver aquela imagem, provavelmente ela viria mais à frente. Mesmo assim, toda a paisagem, com o Oceano Atlântico dos dois lados e o sol se pondo a oeste, é algo de que nunca me esquecerei.

 

Paramos em uma das ilhas, onde havia umas três casinhas literalmente isoladas. Simon, corredor quase profissional, se apressou em subir até o topo.

Na subida, ele e as duas companheiras de viagem que toparam fazer o passeio encontraram flores de tipos e cores diferentes. “Essas aqui já formam um arranjo sozinhas!”, disse Neide, craque em fazer belos arranjos de flores.

Na volta, paramos em frente a uma das pontes tortas mais legais pra tirar fotos e fazer inveja às outras companheiras de viagem, que preferiram abrir mão da aventura. Era 1 hora da manhã quando entramos no hotel e a noite ainda não havia caído.

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