Os fiordes, o caminho dos Trolls e os picos nevados

Os fiordes, o caminho dos Trolls e os picos nevados

O quinto dia de nossa viagem gastronômica à Escandinávia começou no ferryboat. O objetivo era chegar aos fiordes noruegueses, mais precisamente ao mais famoso deles, o Geiranger. Aos poucos, o barco ía entrando mais e mais pelas águas do Oceano Atlântico que banhavam as montanhas. Os fiordes são justamente essas altíssimas montanhas que formam as gigantescas fendas que o mar foi formando ao longo de bilhões de anos.

É quase impossível- e também inútil- descrever a beleza dos fiordes, cujos topos ainda estavam cobertos pela neve que derretia com a chegada do verão. A água vinda do derretimento formava cascatas e até cachoeiras.

 

O capitão do barco servia como uma espécie de guia, interrompendo eventualmente nossa conversa com um casal de americanos interessados em dicas de viagens no Brasil. “Naquela pedra ali, o rei e a rainha (da Noruega) passaram as bodas de prata. Chegaram de helicóptero”, contou, orgulhoso.

“Aquela fenda pode cair a qualquer momento”, dissera mais no início da viagem. Toda a defesa civil norueguesa já está de prontidão porque, quando o gigantesco pedaço do fiorde cair, formará uma onda de 70 metros de altura, segundo o relato do capitão. As duas casinhas que ficam na montanha já foram devidamente evacuadas.

Mais à frente, à direita, uma pedra tinha o formato de uma garrafa. Diz a lenda contada pelo capitão que o homem que vivia ali era apaixonado pela mais bela das sete cascatas que ficam bem em frente a ela, no fiorde do outro lado. Ele a pediu em casamento, mas recebeu uma resposta negativa. Pra compensar a desilusão, ganhou uma garrafa de bebida que bebe até hoje.

Imagem emblemática
Sabemos que chegamos ao Geiranger porque o mar é limitado por uma cidadezinha cheia de barquinhos ancorados. Vários navios nos fazem companhia nesta pequena baía.

Mas a mais bela imagem do famoso fiorde é a que veremos lá do alto, já de volta à van, em terra firme. Mais uma vez, as palavras não têm força para descrever a imagem da baía com a cadeia de montanhas por trás. Paramos mais uma vez para fotos (mais abaixo, eu e meu marido, Mauro, com nossos “guias” de luxo, Simon e Luís Otávio).

Trolls
Pra fechar aquele dia de viagem com chave de ouro, só mesmo percorrendo a “dramática estrada Trollstieguen”, o caminho dos  Trolls, aquelas míticas e feiosas criaturas que povoam as lendas nórdicas.

A estradinha sinuosa vai subindo a montanha cortando a floresta de pinheiros até chegar a uma estação turística perto do topo nevado da montanha. Mais parece o topo do mundo, pra falar a verdade!

Uma estrutura de concreto formando um espelho com as águas do degelo serve como mais uma base para fotos. O prédio moderno causou controvérsia entre os noruegueses, que preferem a exclusividade de suas casinhas de madeira construídas há séculos.

Neve!
Saindo da estação munidos de trolls e alces de pelúcia de presente para os filhos, nos deparamos com um paredão de neve bem à nossa frente. Nova pausa, exigimos todos. Enquanto uns tiram fotos e fazem bolas de neve, outros não se contêm e se jogam de costas na neve.

Como se fosse pouco, a duzentos metros dali surge do nada uma lagoa cercada de montanhas que, não fosse o frio, seria perfeita para um bom banho. Na base da estrada dos Trolls está nossa próxima parada: o hotel Roisheim, inaugurado em 1858, que tem casinhas que datam inclusive do fim do século anterior. Mas a estadia nesse paraíso rural será objeto de um próximo post.

 

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10 Comentários

  1. luiz otavio paiva |

    Às vezes, quando penso, mal acredito em tudo que fizemos em tão curto espaço de tempo. Mas conseguimos!

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