Beleza para alimentar a alma, e por que não?

Beleza para alimentar a alma, e por que não?

Não consigo entender porque as pessoas têm que falar tanto de beleza interior em detrimento da beleza física. O que têm contra a beleza estética, um belo rosto; um belo corpo, esculpido ou natural; um prédio art nouveau, telas com listras coloridas como as de um Mark Rotko (baixo) ou um Gonçalo Ivo (mais abaixo)? É politicamente incorreto admirar simplesmente o belo? Ariano Suassuna,  professor de estética da minha mãe na Faculdade de Filosofia da Universidade de Pernambuco, com certeza diria que não. O poetinha também discordaria. A cada dia que passa, constato que sou daquelas pessoas que precisam da beleza para viver.


Quando estou cansada, depois de um dia ou uma semana de muito trabalho, não há nada que me relaxe mais ou me faça mais feliz do que olhar uma bela flor, um canteiro cheio de cores, uma árvore toda florida, uma gravura com riscos em preto e branco de um Pollock, uma roupa com cores vibrantes, uma estampa com desenhos harmônicos… E por que não dizer, uma joia com pedras verdes, azuis ou amarelas em um brinco de prata ou ouro branco ou negro, ou ainda combinados com diamantes negros? Como gosto dos diamantes negros junto com as pedras verdes ou azuis!

Ultimamente, após um longo e tenebroso inverno por que passei reclusa, até os novos carros que trafegam pelas ruas de Brasília têm atraído o meu olhar. E nunca fui muito de ligar para carros. Afinal, o ser humano não está sempre em busca do novo? Como há novos designs interessantes! Os pequeninos chineses; o tal do UP da Volkswagen, que andou ganhando o título de carro do ano; os BMWs sem bunda (hatchs); o tal do HB 20. Que designs arrojados, dão gosto de ver!

Se a arquitetura e as artes plásticas sempre foram o meu norte, cada vez mais, a moda, esta arte funcional, vem se tornando a menina dos meus olhos. Minha última paixão são os vestidos supercoloridos que misturam pinturas do rosto de mulheres com estampas de pedrarias. Foi a Prada quem lançou (foto), os preços são absolutamente proibitivos, especialmente no Brasil (vão chegar aqui por R$ 42 mil, mais caros que os carrinhos chineses!), mas já estão sendo copiados por aí, à vontade! Os sem pedraria, porém, custam R$ 6.020.

Na linha desenhos, comprei um bege com uma girafa e pitadas de cores bem distribuídas da nossa ótima Cori. Descrito assim em palavras pode parecer extravagante, mas o bom gosto dos nossos bons estilistas impedem que isso aconteça.

Se as cores estão em toda a coleção de inverno idealizada pelo gênio da ex-comunista (isso!) Miuccia Prada, a prata e o ouro velho estão em diversas coleções dos nossos estilistas tupiniquins. Meu escolhido é o vestido prata de inspiração art decô de Reinaldo Lourenço. A cada coleção que passa só vejo reforçada minha convicção de que ele é mesmo o meu estilista brasileiro preferido. Como consegue ser clássico e ao mesmo tempo tão inventivo?

O vestido é perfeito e, como diz a Elle deste mês, pode até ser usado de dia! É um luxo para os olhos e a alma poder olhar para algo tão belo! Ainda não o vi de perto, provavelmente não poderei comprá-lo- a alta costura brasileira também não está pra qualquer bolso- mas quero pelo menos experimentá-lo.

E como é bom constatar, também, que só se amplia a democratização da alta moda no Brasil e no mundo. Os grandes estilistas brasileiros e internacionais, cada vez mais, emprestam seu talento a coleções muito mais acessíveis feitas com tecidos mais baratos para os grandes magazines como a sueca HeM, e aqui a Renner e C&A (foto abaixo). Ronaldo Fraga aderiu, Stella McCartney aderiu.

Como eu comentava noutro dia com amigas jornalistas antenadas, é sempre bom estarmos abertos a olhar e também a comprar em qualquer lugar, sem preconceitos: de um belo anel bijou na C&A até uma saia geométrica na Prada, quando dá pra viajar pro exterior, porque nosso altíssimo imposto de importação (chega a 65% para produtos de luxo) ainda está aí firme e forte. Protegendo o produto nacional para o bem do Brasil, por mais que reclamem.

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9 Comentários

  1. Mari,

    Sim, a beleza alimenta, nutri. Vc tem razão. As “belezas” são várias, múltiplas, variam de cultura e a beleza interior tb, é claro, é importantíssima. Mas, sim, devemos nos nutrir de todas elas sem restrições. Beijos da amiga.

  2. Texto tão bonito quanto as imagens. A tua primavera pós inverno veio plena de cores. Cor é alegria. Viva!

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