Mar turquesa e areia branca na primeira ilha das Américas

Mar turquesa e areia branca na primeira ilha das Américas

Minha visão de paraíso estava bem à frente dos meus olhos, enquanto eu tomava café com meu filho e meu marido: um mar verde/azulado turquesa, em que tons claros e escuros se complementavam, areia branca e barraquinhas de palha de coqueiro com espreguiçadeiras viradas para o mar. Nunca sonhei com pistas de esqui branquinhas, campos verdejantes ou casinhas nas encostas de enormes montanhas nevadas. Não, o paraíso pra mim é o mar, de preferência azul, mas se a água for transparente, aceito que seja verde clara.

Tirando as barraquinhas e as espreguiçadeiras, esta deve ter sido a visão que Cristovam Colombo e seus marinheiros da Pinta, da Nina e da Santa Maria tiveram quando, em 1492, ainda na primeira das quatro expedições que fizeram à América, após passar pelas Bahamas e pela ilha que mais tarde seria chamada de Cuba, avistaram a Ilha Hispanhola, hoje dividida entre o Haiti e a República Dominicana. Ali, depois de trocar objetos como vidro e tecido por pequenos pedaços de ouro e prata com os então habitantes locais, os tainos, Colombo decidiu construir a primeira cidade das Américas: Santo Domingo.

Depois de ficar hospedados em um hotel boutique que foi a casa de Nicolau de Ovando, o primeiro governador da República Dominicana, seguimos para este que é um dos bons resorts da Praia de Bávaro, em Punta Cana. Este balneário caribenho foi instalado ali, na parte de mar fechado da ilha, há cerca de 30 anos. Continua sendo uma vila, mas abriga 70 hotéis, a maior parte deles em sistema all inclusive, em que a família pode escolher um dos muitos restaurantes temáticos para fazer as três refeições. Atualmente, 35% do PIB da República Dominicana vem do turismo de Puna Cana. Três milhões de pessoas visitam a área por ano e o previsto para o ano que vem é que este número suba para entre 6 e 8 milhões.

“Trinta e cinco anos atrás ninguém queria vir para Punta Cana. Só 15 famílias pobres moravam aqui. Com o desenvolvimento, as 15 famílias, que comiam uma vez por dia, viraram milionárias”, contou o guia que nos levou à Isla Saona, enquanto trafegávamos por uma rodovia construída pela Odebrecht.

Para nós que havíamos estado em resorts como o Summerville, em Muro Alto, ao lado de Porto de Galinhas (PE) e o Grand Oca, de Maragogi (AL), beeem menores, a ideia de resort mudou completamente depois dessa ida a Punta Cana. Tudo ali é mega-hiper, como diria meu filho de quase seis anos,: são nove restaurantes que vão do dominicano (com a deliciosa banana frita) ao tailandês, passando por francês, americano, italiano, mexicano e especializado em frutos do mar. Tudo muito bonito, bem decorado e cheio de hóspedes bronzeadas e desfilando suas sandálias douradas da estação pelos salões.

O Meliá Caribe Tropical, que escolhemos, acolhia umas 10 mil pessoas ao mesmo tempo, num espaço que, para ser percorrido do lobby onde também ficam os restaurantes até a área das enormes piscinas em forma de ameba, bem em frente à praia, contava com nada menos que um trem.

Se a pessoa não gostasse de praia, poderia passar o dia inteiro passeando pelos diversos jardins cheios de aves como pavões que insistiam em mostrar a calda aberta, flamingos e garças; fazer uma das oito massagens e dos sete tratamentos de beleza dos dois SPAs; e, entre um e outro, parar nos quatro barzinhos superbacanas do resort pra tomar uma Blody Mary, um daiquiri de qualquer fruta, um rum dominicano ou a bebida local, a mamajuana, mistura de vinho com raízes, meio parecida com o nosso Pau do Índio, de Olinda, que tem também a versão com rum no lugar do vinho.

Isso se você não estiver hospedado no The Level, a parte mais chique ainda, arrojadíssima, com piscina e área de quartos reservada exclusivamente aos adultos, e um restaurante de filme, ao qual fizemos uma visita com nosso filho à noite, antes de sermos devidamente expulsos.

Piscina natural
Desta vez, com mar rasinho e transparente, conseguimos fazer João pular as piscinas e ficar horas na praia. Afinal, era preciso pegar a dose anual de iodo, de que sua avó materna e sua médica alergista tanto fazem questão. O mar não é tão morno quanto o do nordeste, mas a brisa não chega a atrapalhar. Pra completar de paraíso caribenho, parapentes puxados por lanchas coloriam o céu azul. Uma festa para os olhos de qualquer criança.

Com medo de ficar muito tempo sem fazer nada (como se isso fosse algum sacrifício!), havíamos planejado um dia em uma ilha menor, a Isla Saona, onde, diziam algumas matérias na internet, havia sido filmada “A Lagoa Azul”; e parte de outro dia em um tanque construído no meio do mar, de se pode nadar e pegar em golfinhos e, em outro tanque, nadar com tubarões lixa (sem dentes) e grandes arraias.

Golfinhos
Contar com guias na República Dominicana não é a melhor coisa do mundo: eles são voluntariosos, gostam de contar a história toda, e cada detalhe tem que ser do jeito deles. O dia dos golfinhos me deixou com uma dor na lombar causada pela tensão das regras rígidas impostas pelo guia local: era necessário, além de tirar até a aliança, ficar sem óculos porque, qualquer barulho poderia chatear os bichos. Bati pé, meus óculos escuros são de grau, mas tive que tirá-los na hora em que íamos para o meio do tanque para que os golfinhos passassem por nós e pudéssemos acariciá-los. Meu filho, claro, adorou. Já eu preferi mil vezes a emoção de encontrar um golfinho no mar de Pipa, por acaso, há alguns anos. Mesmo sem sentir a sua pele supermacia.

Nadar com os tiburones, aí sim, foi emocionante, deu frio na barriga. No fim da aventura, de volta às areias brancas, em uma área muito bela da costa, um gole de mamajuana foi providencial.

Lagoa Azul
Na viagem para a Isla Saona, mais tensão. O guia da vez fez questão de manter o som do catamarã em uma altura ensurdecedora. A música, que aliás é onipresente naquele país, não era somente as habituais salsa ou rumba, mas também Michel Teló. Meu filho, que odiou aquela viagem com música nas alturas, voltou cantando “Assim você me mata”, que nunca tinha ouvido no Brasil.

Mas o mar, ah o mar!: Era azul, um azul escuro que só tinha visto duas vezes na vida: em Fernando de Noronha e na ida entre Atenas e as ilhas ciclades, as mais visitadas dentre as ilhas gregas.

A vista da Isla Saona fazia jus a tudo o que eu havia lido, mesmo se constatando que era impossível ela ter sido a locação de “A Lagoa Azul”, um filme de 1980, sendo que toda aquela região era praticamente inexplorada há 35 anos. Descemos do catamarã já em um azul claro, lindíssimo, e do barquinho que nos levou à praia, em uma areia branca rodeada por um coqueiral sem fim. Ao caminharmos para norte para nos livrarmos um pouco das pessoas, encontramos um pedaço ainda mais paradisíaco do que tudo que tínhamos visto até ali. Aquelas clássicas propagandas de viagens ao Caribe não conseguiriam mostrar uma imagem melhor.

 

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6 Comentários

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  2. Nossa, que fantástico! Tenho uma maior vontade de ir a DomRep (como é vulgarmente chamada aqui na Alemanha,por ser um Lugar de turismo barato para os alemaes), mas para passar 9 Horas dentro do aviao prefiro ir para o Brasil!
    Adoro os hoteis melia, ou melhor, prefiro o sofitel, mas tenho boas experiencias com os hoteis Melia.
    Estamos indo a proxima semana para Fuerteventura, so sao 3 Horas de voo e vamos ficar num Hotel da cadeia austriaca Magic life. Voce nao falou da lingua. Na DomREp, é dificil entender o espanhol? Em Cuba tive essa experiencia de nao entender o que falavam, pensavam que eu entendia tudo, porque eu podia falar espanhol, mas entender foi um pouco mais complicado.

    • Neymar, how good that you liked the blog! Hope you could have translated the posts into english! Or understood them in portuguese! Wellcome!

      Adriana, eu e Mauro não temos problema em entender espanhol hoje em dia em nenhum país, acho que de tanto que estamos indo pra países em que se fala a língua. No Chile, eles comem as sílabas; em Madrid, falam rápido. Na RD é muito fácil compreender. Vão lá, vcs vão gostar!

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