A Copa das Meninas 2014- 10 momentos inesquecíveis

A Copa das Meninas 2014- 10 momentos inesquecíveis

A Copa das Copas merece este título por diversas razões: a principal dela é ter superado as expectativas até dos que torciam pra que ela desse certo, como eu. Recebeu nota 9,25 da Fifa, que reclamou da organização ao longo de toda a preparação das autoridades brasileiras. Obteve recorde de presença de estrangeiros no Brasil e resultou em mais voos nos aeroportos do que no Carnaval e no Ano Novo. Viu turistas estrangeiros extasiados com as belezas naturais do País e os campeões mundiais agradecendo até hoje nas redes sociais pelo tempo que ficaram no Brasil, além de alguns deles vestidos com a camisa da maior torcida do Brasil, a do Flamengo, meu time!! Pra mim, uma moradora de Brasília apaixonada por futebol desde uns 10 anos, foi um mês inesquecível. Por isso, deixo aqui os dez momentos que mais marcaram a Copa do Mundo, tão bem realizada, em nosso país, por nossas autoridades.

1- O Estádio Nacional lotado de camisas amarelas, a maioria brasileira, mas 21 mil colombianas, pra torcer contra a Costa do Marfim. Foi meu début na torcida da minoria, o que viria a acontecer outras vezes na Copa. Allez Côte d’Ivoire!!!, gritava eu e um casal de diplomatas moradores de Camarões, atrás de mim, ela brasileira, ele americano. Uma delícia assistir à Copa pela primeira vez no estádio noviiinho em folha, com meu marido, meu filho de 6 anos, e uma amiga que adora futebol!

2-   O mar de colombianos que saiu do estádio e foi em direção ao Brasília Shopping e lotou a praça da alimentação e o resto do shopping. Muitos foram depois assistir a Inglaterra e Uruguai nos bares do Pontão. Lá, na Devassa lotada, um inglês sofria ao ser eliminado pela seleção de Suarez, que ainda não tinha mordido ninguém.

3-   Torcer pela seleção na casa da minha amiga Juliana Sato, a mesma com a qual torci por aquela seleção fantástica de 1982, daquela vez na casa de seus pais, em São Paulo. Ninguém ganhou o bolão no primeiro jogo e ele acumulou. O pequeno Théo, 7 anos, anotava os palpites. Meu primo, Tota, casado com minha amiga de infância Juliana, narrava e comentava o jogo ao mesmo tempo. Tanto fazia se estávamos na Grobo ou na ESPN…

4-   Assistir ao jogo Holanda e Chile no Parque da Bola, evento montado no Joquei Clube, com vista para o Cristo Redentor, pelo meu amigo Túlio Barbosa e sua empresa de eventos esportivos. Com a mulher dele, minha amiga Sandra Brasil, Mônica Bérgamo e nossas crianças. Na área vip, víamos protegidos do frio, o jogo num telão enorme. Lá fora, nos intervalos, shows de samba e vinho chileno. Ganhei um vinho chileno da Casa L’Apostole, em uma aposta com a Mônica, que torceu pelos chilenos.


5-   Assistir ao jogo do Brasil num telão montado dentro da sala da casa de Ivone Belém e seu marido, ninguém menos que o músico da Bossa Nova João Donato. Foi um encontro com amigas como Zezé Sach e Cida Fontes, além de Ivone. A casa fica em frente à Baía da Guanabara na Urca. O vinho estava ótimo e o jantar, feito pelo cozinheiro Daniel, que também já cozinhou para Gilberto Gil, deliciooooso! Peixe com farofa e tomate recheado, tudo muuuito brasileiro. Na saída da casa, pra pegar o taxi pro Santos Dummont, víamos o Morro da Urca iluminado bem ali em cima, de verde! Imagem que nunca vou esquecer!

No dia anterior, tínhamos perdido o voo de volta para Brasília, de aconteceu este jogo Brasil e Camarões. A culpa foi do verdadeiro carnaval que tomava conta do bairro de Copacabana, impedindo o trânsito. Não que eu tenha achado ruim ficar mais um dia de Copa no Rio.

6-  Tomar drinks com uma pá de amigas cariocas maravilhosas no Bar Pérgola, em frente à piscina do Copacabana Palace. Pra entrar foi bem chato porque o recepcionista do hotel simplesmente não queria nem que dispensássemos o taxi. “Se não tem reserva, não tem lugar. E o Cipriani só abre às 19.” Fomos salvos pelo Lúcio, amigo que hoje é o gerente do Pérgula, e que tínhamos ido ali justamente rever depois de uns 13 anos. Ele trabalhara para o restaurante do Robert De Niro em Londres. Lá dentro do hotel, realmente, só havia gente da Fifa e de delegações de seleções que participavam da Copa. Não imaginávamos que estávamos no meio do covio de marginais desbaratados depois pela Polícia Civil do Rio. Os hóspedes africanos eram os mais animados em frente aos telões. Na mesa ao nosso lado, o holandês Seadorf discutia negócios.

7 – Voltar ao Estádio Nacional, desta vez sozinha, pra assistir a França e Nigéria nas oitavas de final. Meu coração me mandava torcer pela França, país da Revolução, e cuja língua estudei por sete anos na Aliança Francesa, mas a mente mandava torcer pelo time africano. Me emocionei ao ouvir/ver os jogadores cantando a Marselhesa, mesmo sob o protesto do filho de argelinos Benzema. Após muito ver Benzema, Debouchy, Giroud, Progba e Valbuena tentarem sem sucesso chegar ao gol, voltei do intervalo com vontade de torcer para a Nigéria. Havia conhecido um integrante da seleção nigeriana que cuida de assistir, em vídeo, aos jogos de seleções que vão jogar contra a sua. A torcida da Nigéria estava animadíssima também. Quando eu virei a casaca, a França fez os dois gols que a classificou para as quartas. Foi muito bom ver de tão perto os craques franceses! Como correm!!!

8- Fazer o álbum da Copa, primeiro com meu filho, de seis anos, depois sem ele, quando ele já não se interessava nem um pouco pela competição. Muito bom ir conhecendo os jogadores aos poucos. Assim, e assistindo aos jogos, fui montando minha seleção dos sonhos das meninas, com os jogadores mais bonitos desta Copa. Foi difícil, havia muitos desta vez, muito mais que em 2010.

9- Constatar que as mulheres estão mais interessadas e conhecendo mais sobre futebol neste ano. No jogo entre Holanda e Costa Rica, um grupo de umas 7 mulheres e alguns de seus filhos, se amontoaram no quartinho da casa da Ju pra torcer por um ou por outro. Os homens não estavam nem aí pro jogo, na maior parte do tempo. Os comentários eram de bom nível e com a perspectiva de quem assistiu a boa parte dos jogos da Copa. De vez em quando, um elogio aos tributos físicos do Van Persie porque niguém é de ferro!

10-   Ver de perto que o esforço do governo brasileiro para fazer a Copa que deu muito certo. “Sete estádios ela fez”, comemorava meu pai, que foi assistir ao jogo do terceiro lugar conosco, em minha terceira vez no Estádio Nacional nesta Copa. Ver a alegria de meu pai com a estrutura do estádio valeu demais. Os elogios dos jornais gringos, especialmente os ingleses, à hospitalidade e à simpatia dos brasileiros, fez parte da Copa das Copas. A tranquilidade dos brasileiros eu senti na pele ao assistir a meu primeiro jogo do Brasil em um estádio. Cansada de torcer por uma seleção que insistia em não chutar para o gol, vesti a camisa da Holanda, minha segunda seleção, do país onde nasceram e vivem meus primos. Chegara a apostar que o time de  Robben, Van Persie e Sneijder iria para a final com a Alemanha. Ver os brasileiros aplaudirem os jogadores holandeses depois que eles foram premiados com a medalha de bronze. Ser respeitada mesmo de laranja e receber até parabéns ao fim do jogo. Na saída do estádio, ver os brasileiros respondendo aos argentinos, apenas cantando: “Mil gols, mil gols… Sou Pelé, sou Pelé, Maradona cheirador…”. Que venham as Olimpíadas!!!

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