De Simoneta a Prada, a História da Moda Italiana no Rio

De Simoneta a Prada, a História da Moda Italiana no Rio

Se você gosta de moda e/ou arte e está no Rio de Janeiro para assistir às quartas de final da Copa, aproveite para conferir a exposição que faz uma retrospectiva da história da Moda Italiana, a Italian Glamour. Se não abre mão de um vestido Valentino e não está nem aí pra futebol, a exposição em si já vale uma ida à Cidade Maravilhosa, que anda majestosa em tempos de inverno. Se não liga muito pra moda, mas gosta de arquitetura, acompanhe sua mulher ou namorada à mostra: o prédio da Cidade das Artes, número 5700 da Avenida das Américas, na Barra, vale o passeio por si só. É um belo exemplar da arte contemporânea brasileira, construído em concreto há menos de dez anos. Passeie pelo térreo, explore os ângulos. Seus filhos também vão adorar. Esta é a última chance de ver a exposição no Rio, que só vai até esta sexta-feira, 4/06. Depois, só viajando pra Londres, única outra cidade onde a exposição também aportará. Pra quem não tiver tempo de ir, ficam aqui alguns desses modelos históricos.

Quando chegar ao terceiro andar pelo elevador, você vai dar de cara com outra verdadeira obra de arte: vestidos chiquérrimos, muitos deles coloridíssimos, praticamente voando em três planos diferentes do espaço.

Comece por baixo, tomando a sua direita, mais precisamente pelos anos 1950. Nesta que é a segunda “ilha” da exposição, estão os vestidos luxuosos rodados de festa, feitos sob encomenda, antes da época em que o prêt à porter (pronto para usar) passou a dominar a cena europeia. Ali estão os supertrabalhados das irmãs Fontana…

… o usado por Lucy D’Albert, protagonista do Café Chantant, uma espécie de espetáculo musical muito popular na Itália cinquentinha; o da grande dama da moda italiana daquela década do pós guerra, Simoneta (que vai deitado mesmo, porque está difícil virar a foto abaixo)…

 

… e, começando a década seguinte, de 1960, um trapézio em forma de A de Christian Dior. Dois dos modelos mais bonitos da exposição ganharam lugar de destaque. O da direita, inspirado na Op Art, é um Fabiani, de 66, e se parece com as curvas do Calçadão de Copacabana, desenhadas por Burle Marx.

Para continuar nos anos 60, comece agora a olhar, de baixo para cima, os modelos que sobem a larga escadaria principal. Os curadores desta mostra que também será vista pelos ingleses nos lembram que as cores pasteis que predominavam nos anos 50 deram lugar às cores vidas na década seguinte. Roberto Capucci ganhou o Oscar da Moda da loja americana de luxo Neyman Marcus por este modelo roxo da foto abaixo. Mas eu adorei mesmo foram os dois longos coloridos geométricos à direita.

Estamos agora na “ilha” anterior, a primeira que se vê ao adentrar a mostra e, para mim, a mais interessante. Pulemos o lindíssimo Emílio Pucci pra continuarmos seguindo a ordem cronológica. Comecemos pelo lado oposto, com um Forquet inspirado em nada menos que a tentativa do homem de ir à Lua. A escolha do formato em trapézio não foi à tôa: lembra um foguete. Na mesma linha, Roberto Balestra fez esse modelo abaixo, todo em paetês foscos, no início da fase em que os vestidos para coquetéis se tornaram uma febre. Eram uma vestimenta chique, apesar de bem mais curtos do que os modelos usados nas décadas anteriores.

Depois de lindos conjuntos de calça e blusa para a noite…

… chegamos ao colorido longo de Emilio Pucci (cor de rosa, abaixo), um dos maiores nomes da moda italiana até hoje. O modelo é resultado do momento do pós- Segunda Guerra na Itália em que, por motivos óbvios, o sportwear se sobrepôs ao luxo. Há ainda uma clara influência da cultura hippie e de sua estética psicodélica.

Suba a escadaria à direita para ver como a crise de fornecimento de petróleo dos anos 70 levou os estilistas daquela década a trocar a caras rendas por materiais metálicos na hora de produzir roupas de noite.

E olhando em dois momentos diferentes, pode-se ver a evolução da Missoni. Primeiro nos anos 60…

… e depois, os dois à esquerda e na parte de baixo da próxima foto, nos anos 70.

Krizia literalmente brilha na parcela da exposição dedicada aos complicados, para não dizer algo pior, anos 80. São os anos nos quais cresci e, portanto, me remetem diretamente à minha adolescência. Opulência, volume e exagero talvez sejam boas palavras para definir a moda da época. Ou este macacão para a noite de Krizia não reflete perfeitamente este espírito?

Subindo a outra escadaria do espaço da mostra, vemos o mesmo Roberto Capucci lá dos anos 60, em sua versão 80. Seu vestido de 84 me fez lembrar da festa de 16 anos de minha irmã: babados enormes, saindo da estrutura principal do vestido. Note como Capucci conseguiu fazer um modelo equilibrado mesmo em meio a todo o exagero típico da época.

Crise
Com a produção de prêtes à porter se tornando cara demais, muitas maisons importantes até os anos 80, fecham as portas no fim da década. Entre os que se mantêm estão Valentino e Prada, que havia nascido no início dos anos 70. Isso, porém, a exposição não conta.

A marca de Miuccia Prada, fundada a partir de uma loja de malas de couro de seu pai do início do século XX, participa da mostra com apenas um vestido. Não se explica por que, mas pessoas que trabalham para o grupo especulam que tenha sido uma limitação imposta pela própria Prada, que já dispõe de uma fundação que, dentre outras atividades, promove exposições de arte.

A marca de Valentino Gavaranzzi, por sua vez, trata de continuar vendendo modelos exclusivos por encomenda também.

E é nesta década que surgirão os grandes concorrentes de Valentino e Prada. Dolce e Gabana é um deles Dolce abriu sua própria grife, embora ainda fosse o diretor artístico da Christian Dior, cargo que ocupou entre 1989 e 1997. Dolce veio marcada pela beleza, a ironia e o frescor.

Para quem não faz questão de tanta história e quer se concentrar nas grandes grifes italianas atuais, o segundo andar é o lugar para estar. Há a moda ultradecorada de Gianfranco Ferré,..

… a Gucci da época em que Tom Ford era quem mandava (Repare nas linhas inviesadas que ele gosta de usar até hoje, até nos óculos que desenha)…

… e da fase atual dominada pela dona Frida Giannini.

Há o único Prada da exposição, que começa em um casaco quase clássico e termina em uma saía de pelúcia laranja.

Está ali um Gianni Versace 1991, em que o estilista imprimiu uma das Marilyn Monroes de Andy Warhol…

… um Alberta Ferretti romântico, apesar das linhas limpas..

… este preto com alfinetes que foi chamado de “The dress” e usado por Elisabeth Hurley. Já o de onça meets correntes vestiu Naomi Campbell e, mais recentemente, Lady Gaga.

Chegamos ao fim da mostra, ainda animados, para encontrarmos lá no fundo, um lindo Roberto Cavalli 2007/08 que participou da exposição Godess do Metropolitan Museum (NY), e que, com seu drapeado, parece mesmo vestir uma divindade grega.

A esta altura, a exposição que antes estava vazia, já recebia alguns visitantes…

… que me registraram com a cara da felicidade, em frente a alguns dos meus maiores objetos de desejo.

E pra não ficar só a ver navios, uma boa dica é almoçar no bistrô CT de Claude Troisgross, no Village Mall, o shopping mais chique do Rio atualmente, e fazer umas comprinhas da Miu Miu- se quiser se manter na moda italiana- ou na grande loja da Cris Barros- se preferir conferir o melhor da moda brasileira. A vista lá de trás do shopping é essa aí…

 

 

 

 

 

 

 

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