Buzios e as Ilhas Gregas

Buzios e as Ilhas Gregas

O feeling de Buzios em dezembro e janeiro tem muito a ver com o feeling das ilhas Cyclades, na Grécia, em agosto, setembro. Desde os anos 90 quando conheci, primeiro a Grécia- meu grande sonho de adolescência- depois Buzios- trazida pelos amigos cariocas- as semelhanças entre os dois chiques balneários insistiram em se mostrar. Agora, que voltei a Buzios após 10 anos sem ter vindo, parece que as semelhanças se avolumaram.

Ontem, apareceram gaivotas na tarde de praia em plena Geribá. Pensava que gaivotas fossem aves das praias dos países de clima temperado. Lembro-me bem de tê-las visto quando, aos 16 anos, visitei Cocoa Beach, aquela praia perto do Cabo Canaveral, na Florida, em que é ambientada a série “Jeannie é um Gênio”. Pois aqui em Geribá, duas pararam a uns 7 metros de mim, sem demonstrar medo algum.

A ave das ilhas gregas era o pelicano. Era impressionante ver aquele bicho enorme, com um bico gigante, andando tranquilamente entre os turistas pelas ruelas de Mikonos, perto da praia e dos moinhos de vento. Ele se sentia o rei do pedaço, o próprio morador, de tão à vontade.

De que o mar de Buzios é lindo ninguém ousaria duvidar.

Claro que o verde predomina sobre o azul que, mesmo assim, aparece mais lá no fundo.

No barco que nos leva do continente grego a Ios, a primeira ilha que visitei, dentre as famosas e milenares Cyclades- o azul vai se tornando mais escuro à medida que avançamos para o alto mar. Quando nos aproximamos da ilha, vai saindo o lindíssimo azul cobalto (que eu só havia visto dois anos antes em Fernando de Noronha, em pleno Oceano Atlântico) para o azul piscina translúcido, de um tom que só viria ver de novo em Cancun. Em Cancun apenas, não em Tulum, não em Punta Cana, na República Dominicana, onde o azul se mistura ao verde esmeralda. O azul das Cyclades é o azul absoluto, o azul perfeito.

Então, a cor é diferente, mas a beleza é muito próxima. Afora Fernando de Noronha e provavelmente Angra dos Reis, não há verde-azulado como o de Buzios por este litoral brasileiro. E, sim, eu conheço a belíssima Praia do Espelho, no sul da Bahia, já considerada a quinta mais bonita do Brasil, atrás apenas de 4 do arquipélago pernambucano. É deslumbrante, por outras razões, como a diversidade e os encontros de rio com mar, mas a cor da água é diferente. É, eu tenho mesmo uma mania de comparar a cor do mar, sempre à procura do azul ou, no caso do Brasil, do verde mais transparente. Por isso, o Caribe, aqui tão perto, é, pra mim, um verdadeiro paraíso que apenas comecei a explorar (ver post http://escritosdoocio.com.br/2014/05/mar-turquesa-e-areia-branca-na-primeira-ilha-das-americas/).

Aqui em Buzios, assim como em Ios ou em Mikonos, a proximidade das praias faz tão parte do cotidiano dos visitantes que os taxis marítimos se tornam muito mais importantes que os taxis terrestres. Para se visitar duas, três praias num mesmo dia, aluga-se uma espécie de jangada de fibra de vidro (fabricada em Pernambuco, mas esta é outra história que faz parte da minha infância e que um dia eu vou contar) por R$ 7,50 que te leva das minhas queridas e plácidas Azeda e Azedinha até o centro ou até a bela praia da Tartaruga.

Em Mikonos, por um preço igualmente módico, se vai rapidamente do centro a Paradise e a Superparadise, usando um veículo muito parecido. Em Paradise e Superparadise, praias cheias de idílicos guarda-sóis de palha, se pode fazer topless. Na lindíssima Superparadise, mais gay, o nudismo é a prática mais comum, mas só faz quem quer, sem constrangimentos.

 

E não é que em Buzios, em pleno Rio de Janeiro, Brasil conservador (sim, o Rio é conservador), também há uma praia em que se permite o topless?

Hoje, entre o centro e a Praia dos Ossos, passei por uma linda casa colonial branca, com janelas brancas.

Já no clima das semelhanças, me lembrei das casinhas brancas com cúpulas redondas tão características das ilhas Cyclades. E que tal este montinho de casas?

Alguma semelhança com as tradicionais fachadas da mesma cor da orla de Mikonos?

Civilizações Matriarcais
As Cyclades, para quem não as separa das demais ilhas da Grécia, são as ilhas menores e mais próximas do Continente, onde viviam, 10 mil anos atrás, civilizações matriarcais, cujos símbolos estátuas de mulheres com várias tetas, que simbolizavam a fertilidade, estão espalhadas pelos museus de Atenas e pelos museus de Antropologia do mundo, como aquele importantíssimo da Cidade do México.

Civilizações que vieram antes da Civilização Minoica, por exemplo, do Rei Minos, aquele que serviu de base para a lenda do Minotauro, que data de cerca de 3 mil antes de Cristo. A Minoica tinha Creta por base, a grande ilha onde ficam as ruínas do Palácio de Knossos, nos subterrâneos do qual ficaria o famoso labirinto do Minotauro. Creta, justamente, não é uma das Cyclades.

Claro que, pra uma brasileira, as lojinhas de Ios e Mikonos, e provavelmente as de Santorini também, são muito mais interessantes que as de Buzios. Mas, como em todo balneário de cidade pequena, o artesanato local é bem local mesmo, muito próprio. Adorei os ímãs de geladeira de gesso das Cyclades. Tenho o meu até hoje na minha.

Tanto Buzios quanto Mikonos são ótimos lugares para se jantar ou almoçar. Em Mikonos ou se fica de frente para o mar ou se vai para o centro da cidade, onde a noite ao ar livre é uma delícia!

Em Buzios, vale a pena conferir tanto o Pátio Havana…

… quanto um francezinho já tradicional, que é o melhor da cidade.

E a noite ferve nos balneários! Aliás, em Ios não era só a noite; a praia ficava cheia de europeus desvairados que subiam nas mesas de tão bêbados. Pegamos justamente a semana pós-formatura dos americanos. Eles lotaram a jovem Ios, em que a música tema era “Bye, bye miss American pie, took my chevy to the levy, but the levy was dry”, de Don McClean, antes de Madonna gravá-la. A noite, claro, também fervia e aí o som preferido pelos suecos e irlandeses, maioria nos bares fechados, era U2! Buzios não é tão louca, mas bem que junta o pessoal nos bares da rua das Pedras e na pracinha do fim da rua, com as bandas cover de grupos ingleses. Há uns 15 anos, havia um inspirado no Roger Waters que era engraçadíssimo! Ah, os balneários verdes e azuis!

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