Tiradas de um menino de 4 anos

Tiradas de um menino de 4 anos

As constatações de um menino de dois anos e, depois, as conclusões de um garoto de três anos, estão entre os posts mais lidos daqui do blog. Como as pessoas gostam mesmo de conhecer o pensamento desses meninos espertos do mundo de hoje, posto aqui, neste início de ano, as tiradas de João, aos quatro anos. Ele já está com seis, mas, mesmo não tendo postado antes as falas dele aos quatro, guardei-as a sete chaves em meu caderninho de anotações. E agora, aqui estão elas.

“Sabia que eles deram pássaros e a gente pintou? Eram do Athos Bulcão”. 15-05-2012, mostrando os conhecimentos adquiridos sobre nosso artista de Brasília.

“O que é política?” “Há os governantes que representam a gente, o povo”, começa a responder a mãe. “Mas o povo é só este que tem isso aqui”, aponta João para os tentáculos de um polvo. “Este é o polvo. Nós somos o povo”, diz a mãe. “O povo é a gente”, conclui o menino.

“E quando a gente compra alguma coisa, o nosso coração faz assim (faz o barulho do coração batendo rápido)”. Em 19-05-2012, depois de os pais explicarem que quando dormimos o cérebro e o coração não param e provando que a novidade (no caso, o novo objeto comprado) causa sempre comoção no ser humano.

“Qual é esse carro? Qual é esse carro velho?”, olhando para um Uno Mille pela primeira vez (abaixo, se divertindo entre as colunas contemporâneas em frente ao Palais Royal, em Paris).

“E se a gente tentar pegar uma nuvem?” “Se a gente estiver lá no alto, a gente consegue”, responde a mãe. “A nuvem escapa”. Em 23-05-12. (Abaixo, conhecendo as obras do L”Orangerie, em Paris)

“Minha surpresa pra você é a febre”, brincando com o pai quando estava realmente com febre. 22-06-12.

“Essa é a cidade que o lobo mau soprou toda. Só que o Superman conseguiu levantar todos os prédios”. Em 17-07-12, aos 4 anos e dois meses.

“Se você derrubar (a torre de petróleo), o petróleo vai sair e os carros não vão ter mais gasolina”, referindo-se à torre de lego que ele construiu. Em 19-07-12

“O pliossauro é carnívoro porque ele come peixe”. 02-10-12

“E a noite chega, a moto se arrasta. Tudo desaparecerá. E a lua se pondo, não fica nada”, narrando uma história inventada por ele, na pele de um dinossauro. Em 5-10-12.

“É o rabo de peixe. Esse carro tem várias rodas, você não conhece. Esse carro existia na época de 69”. Em 26-10-12.

“Qual o seu nome, florzinhas?” “Meu nome é Torre Eiffel” “E o meu nome é Giverny”, conversando com as flores de plástico poucos dias depois de voltar da viagem a Paris (f0t0 abaixo, no Jardin de Tulleries, com a torre atrás) , que incluiu um dia nos jardins de Giverny (foto seguinte), onde ficava a casa de Claude Monet. Em 28-10-12

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“Filho, mamãe tá falando com você, responde”, diz a mãe. “Eu tô brincando. Eu tô ocupado, minha mãe”. Em 13-11-12

“Eles quase deram uma batida. Sabe o quê que é quase? Eles não deram uma batida. Quase”, se referindo a dois aviões dele que quase se chocaram. Em 13-11-12.

“A gente tava falando a e a gente interrompeu a conversa”, inaugurando o uso da palavra “interrompeu”. Em 21-11-12

“Olha o meu diário, está escrito minotauro. A gente tem que contar em quadrinhos também a minha história, que ela é muito grande”, combinando a edição de seu livro, se inspirando nos Diários de Pilar, uma série de livros infantis de uma autora brasileira em que uma menina viaja pelo mundo.

“Olha quem tá aqui: a Pilar na Grécia. E o Hércules tá matando aquele leão. Tem aquela montanha e o cavalo alado. Tem também, eu você e o meu pai. Tem também o Giraldo e o Superman. Olha aqui aquela que tem um monte de cobras na cabeça. Quando você olha pra ela, a gente vira pedra. Ei, olha a Hidra. É outro monstro. Acabou a história”. Recontando as lendas gregas que aparecem em um dos livros da Pilar. Em 22-11-12

“Tá escrito aqui no final: ‘em quadrinhos’. A Pilar deu pra mim”.

“Sabe por que a espada gira assim? Porque ela é poderosa igual ao Sol, a Marte, à Terra e a Plutão, o planeta mais pequeno, que, na verdade, não é um planeta.” 3-12-12, aos 4 anos e 7 meses (abaixo, na Esfera de La Villete e, em seguida, pensando nos jardins do Palais Royal, Paris).

“Eu até não consigo fazer meu trabalho com essa tosse”, distribuindo sorvetes de bolas coloridas, na pele do sorveteiro, um de seus personagens. Em 5-12-12

“É de chuchu, assim verde?”, pergunta a mãe sobre um dos sorvetes. “Não, é de mamanga, uma fruta que eu inventei”. Idem

“Mas não pode arranhar o olho porque a gente sabe que ele é sensível”, alertando seu cachorro Tubarão. Em 17-01-13

“E se a gente falar na língua do cachorro?”. Idem

“A água também pode dizer: ‘obrigada pela comida, João’. Porque eu entreguei os germes para a água”. Saindo do banho, em 6-02-13

“É chato tirar sangue. Não podia ter nenhuma agulhinha no mundo”. Em 12-03-13

“Não, os dinossauros não viraram petróleo porque o paleontólogo foi lá e pegou os ossos dele e montou o esqueleto”. Em 21-02-13, discutindo a origem do petróleo.

“Eu sei, é abstrato!”, sobre uma “obra” dele, depois da mãe perguntar o que era. Em 31-03-13 (abaixo, desenhando no Café de Flore, Paris)

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5 Comentários

  1. Somente agora li as “tiradas” de João. Que bom que vou revê-lo em breve, mais crescido, com outras tantas. Beijão da tia teresa

  2. Como a gente aprende com esses guris, hein?!

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