Posts made in fevereiro, 2015

Rio azul como o de um sonho de criança

Quando eu era pequena, tinha um sonho recorrente: olhava com vontade pra um rio não muito largo, mas bastante calmo e de um azul irreal. Ele ficava em um espaço bem aberto. O sonho, que me acompanhou pela infância, adolescência e parte da vida adulta, fora fruto de um livro infantil que tinha uma ilustração bem colorida, mostrando um monte de crianças, irmãs e primas, passando as férias na fazenda dos avós. Era aquele clima bem Maria José Dupré, autora de clássicos infanto-juvenis que marcaram a infância de quem hoje está na faixa dos 40/50 anos, como “A Mina de Ouro”, meu preferido, “A Montanha Encantada”, eleito da minha irmã, e “O Cachorrinho Samba”, que deu origem a esta série e, pra minha surpresa, está nas livrarias em uma edição novinha em folha! Comprei ontem mesmo um pro meu filho na Livraria Cultura. Mas do livro que inspirou meus sonhos não me lembro o nome.

Sei que aquele trecho de rio azul (!!) era muito mais idílico do que poderia ser o melhor dos rios da infância de alguém: em suas águas tranquilas e azuis-piscina nadavam várias crianças em suas boias infláveis redondas e coloridas, e sobre outros brinquedos de borracha que coloriam ainda mais aquele verdadeiro quadro naif.

As roupas de banho de meninas e meninos também eram amarelas, vermelhas, verdes, contrastando com a água. A ilustração antiga daquele livro me encantava de forma única. Sempre gostei de água. E como aprendi a nadar-na piscina do Clube do Flamengo, na Gávea, aos 3 anos- mesmo morando na praia, acho que minha infância de paraíso acabou se traduzindo na água azul da piscina. Em Salvador, onde íamos dar um mergulho no mar quase todos os dias levadas pelo meu pai, antes do trabalho dele, mesmo assim tínhamos aulas de natação em um complexo com oito (!!) piscinas hexagonais conjugadas. Era num clube do bairro da Pituba. Dava gosto ir pra natação! De tantas aulas de natação preconizadas e planejadas por uma mãe cuidadosa que nunca aprendeu a nadar com a cabeça pra dentro d’água e por um pai que sonhava que as filhas virassem atletas olímpicas (só isso!!), terminamos virando- eu e minha irmã- nadadoras da equipe da AABB, anos depois, já aqui em Brasília.

O fato é que procurei por toda a minha vida pelo quadro perfeito e pra mim paradisíaco daquele livro e daqueles sonhos. O que poderia ser melhor do que estar dentro deles, dentro daquela água azul, cheia de amigos e boias coloridas? É quase impossível descrever sensações, mas o quadro transmitia uma ideia de paz e alegria inalcançáveis em outro contexto.

México: encontro com o sonho
Pois bem: encontrei algo parecido algumas vezes na vida. Há sete anos, em uma viagem em que atravessamos o México ao longo de 25 dias, eu e meu marido terminamos na Riviera Maia, que vai de Cancun para o sul pela orla, passando por praias lindas como a histórica Tulum, e charmosas como Playa del Carmem. Entre Cancun e Playa está Playacar, praia particular de um hotel no sistema all inclusive, que convida os hóspedes a ficarem apenas ali, com comida e bebida incluídas na diária. Entramos lobby a dentro nos passando por hóspedes pra conhecer e dei de cara com uma praia azul levemente esverdeada, com uma cor tão intensa que parecia saída da versão de Tim Burton de “A fantástica fábrica de chocolate”! A água era tranquila e os hóspedes já muito bronzeados, a maioria de topless, contrastavam com o azul.

Era como o meu sonho só que para adultos.

Se não fosse tão amplo, o mar do Resort de Puna Cana em que ficamos no início do ano passado (ver http://escritosdoocio.com.br/2014/05/mar-turquesa-e-areia-branca-na-primeira-ilha-das-americas/) também se encaixaria neste perfil.

Rio Paranapanema
Fazia muito tempo que não tirávamos férias longas na praia. De dezembro a janeiro passados, tiramos, com a interrupção do ano novo de trabalho. No natal, me lembrei do meu sonho novamente quando nadamos ou simplesmente ficamos em pé no rio de Piraju, o Paranapanema, terra do meu marido, no sul de São Paulo. Trata-se de uma represa, então a água é bem calma. Neste ano, descobri uma parte bem rasa.

As crianças e adultos ficam ali em pés ou nadando, algumas com grandes boias feitas de câmaras de ar de caminhões como os que vi quando nadei no Rio São Francisco lá pelo fim dos anos 70, na Bahia.

Pra completar o clima “outros tempos” há também um trampolim com a cara dos Estados Unidos dos anos 40… 50.

Paraíso pernambucano
Duas semanas depois, no 2º tempo das férias, fomos para o paraíso pernambucano chamado Serrambi, 10 quilômetros a sul da hoje lotada Porto de Galinhas. Ali, quando o mar seca, a praia praticamente privativa do resort vira uma verdadeira piscina salgada.

Uma barreira de arrecifes próxima se encarrega de tornar as águas quase paradas. As piscinas variam de verde a azul, passando pelo caramelo característico dos locais onde há corais por baixo.

As boias ali são coloridas e se somam a um grupo de 12 a 20 snorkels de banhistas que ficam apreciando os peixes listrados e pretos com roxo que passam nadando. Uma piscina verde azulada.

Meu sonho bem ali, na minha frente.

A prova de que sonhos podem se tornar realidade.

Até os de infância.

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O Rio Escondido- 20 dicas

O Rio de Janeiro das lindas praias de Ipanema, Leblon e da mais bela vista praiana do mundo, a de Copacabana, todo mundo conhece. O majestoso Jardim Botânico, as inúmeras lojas da Visconde de Pirajá em Ipanema e as praias da Barra também são figurinhas fáceis na programação de quem vai à Cidade Maravilhosa. O Cristo Redentor e o Bodinho do Pão de Açúcar não vou nem citar. O que eu descobri na minha última ida ao Rio, porém, foi muito mais que isso: programas que só se faz se algum amigo carioca ou alguma revista antenada indicar, verdadeiras joias escondidas no dia a dia de quem tem a sorte de morar no Rio.

Divido com você aqui neste post algumas dessas dicas que me foram dadas no início do verão, mas que podem ser aproveitadas o ano inteiro.

1-   O restaurante La Suite, instalado numa casa centenária de uma das travessas da Estrada do Joá. tem esta vista aí…

Ele fica dentro de um hotel boutique administrado por um francês e seu marido, o artista plástico Marzio Fiorini. Faça uma reserva pro brunch de domingo, mas não deixe de ligar antes porque não é sempre que ele acontece. Conheça a casa por dentro e peça pra ser apresentado às joias coloridas criadas por Fiorini. Elas são feitas de borracha!

2-   Lounge do Restaurante Lasai, na Rua Conde de Irajá, no Humaitá. Enquanto você espera sua mesa ficar pronta no restaurante que ganhou o título de revelação da última Vejinha Rio, sente-se no último andar do prédio antigo. Você vai sentir que chegou ao lugar certo quando vir o Cristo Redentor iluminado em toda a sua majestade, lá no alto do Corcovado! Não tem preço tomar um espumante rosé ou um drink especial da casa olhando pra mais famosa das esculturas art-decô do Brasil! No menu do restaurante comandado pelo chef Rafa, que já passou pela cozinha do Mugaritz, em San Sebastian, na Espanha, muita carne de porco modernizada. Sim, o porco foi definitivamente reabilitado! No dia em que fomos, deu pra ver que o pessoal de bom gosto já descobriu o restô: demos de cara com Marcelo Bonfá.

3-   Quando você for dar aquela passeada básica pela deliciosa rua Dias Ferreira, no Leblon, aquela onde já funcionaram o restaurante Carlota, onde estão as lojas de Adriana Barra e Isabela Capeto, e o queridinho restaurante natural Celeiro, claro que você vai passar pela badalada e ótima Livraria Argumento. Aliás, se for à noite, com certeza se deparará com algum lançamento de livro. Quando eu estava no Rio, Chico Caruso tocou violão em frente à livraria, durante o lançamento do livro de seu irmão, Paulo, também cartunista. Saia da Argumento, vire-se de frente pra ela e entre na galeria grudada com ela à direita. Ali, você vai encontrar três joias escondidas:

4-   Loja Gilda Midani- Esta estilista pinta camisetas e vestidos com batik, criando peças que vão bem além dos modelos Feira Hippie. São sofisticadas e procuradas por atrizes, jornalistas e descolados em geral, que ficam conhecendo a loja no boca a boca. Quem me deu a dica foi minha amiga Mayla di Martino, neocarioca que já se apaixonou pela marca. No dia em que fui, encontrei Bianca Byton, que outro dia revi na reprise de “Anos Dourados” e que namorou um certo Chico Buarque.

5-   Antes de chegar à loja de Gilda, você vai passar pela loja de tecidos especiais EspaçoMulti. Há desde almofadas já prontas com os desenhos infantis mais incríveis até tecidos solo que você pode comprar por metro pra revestir um sofá ou uma poltrona. A loja é escondida de propósito por ser mais voltada para profissionais da área como arquitetos, designers de interior ou decoradores. Mas pode-se fazer pedidos pela internet, inclusive de outras cidades.

6-   Ali também está a Galeria Espaço de Arte Mul.ti.plo, especializada em arte contemporânea. Tem fotografias especiais, pinturas de artistas não tão conhecidos, mas muito interessantes como a paulista Mariana Serri (na foto abaixo) , e telas de pintores consagrados como Eduardo Sued e Roberto Magalhães.

7-   Ainda na Dias Ferreira, ande um pouco pra esquerda. Numa esquina, você encontrará a Poeira. É uma loja de objetos de design das melhores do Rio. Sem querer, encontrei os pratos que vinha procurando desde setembro e que havia visto no restaurante Cracco, em Milão, duas estrelas no Michelin. O barato da louça é que ela é dividida em duas partes: um lado é tem motivos orientais, o outro ocidentais. A loja é cara porque a maioria dos produtos é importado. Mas vale a pena levar pelo menos uma pecinha! Se estiver muito cansado, ande só mais um pouquinho no sentido Ipanema pra chegar ao “Chico e Adelaide”, o bar aberto pelos antigos garçom e cozinheira do Bracarense há alguns anos, escolhidos diversas vezes os melhores pelo júri da Vejinha Rio. Coma os bolinhos da Adelaide, são famosos! Fomos conhece-la na cozinha e ela foi simpaticíssima!

8-   Ipanema também tem seus encantos quando o assunto são compras especiais, claro! A dica é não se limitar às lojas que ficam de frente pra Visconde ou pras suas transversais que formam o tal quadrilátero da moda (Aníbal de Mendonça e Garcia D’Ávila). Entre nas galerias. Na Galeria Ipanema 2000, pra comprar presentes pra bebês, não deixe de conhecer a Nunim. Os macacõezinhos de linha são lindos e os conjuntinhos de algodão de body e cuecão são irresistíveis. Pra meninos e meninas!

9-   Na mesma Ipanema 2000, mas no segundo andar, está a “What mommy needs”, com um monte de objetos incríveis para mães de bebês e crianças pequenas.

10-  No famoso Forum de Ipanema, em frente à Praça Nossa Senhora da Paz, está uma nova loja de joias, em ouro amarelo ou branco-sempre fosco- e também em prata. É a Mônica Pondé,  cujo design é bem moderno, orgânico, e diferente do que costumamos ver nas grandes joalherias. A loja em si também é linda; mais se parece com um antigo armarinho.

11- Se você quiser se sentir no meio do burburinho do verão carioca, almoce no Via Sete. Não é nenhuma novidade comer as comidas leves, como atum com salada, e os sucos deliciosos deste restaurante descontraído da Garcia D’Ávila. Mas desta última vez que fui fiquei com um sentimento de que aquele lugar ali, com o peruano/brasiliense Tupac do outro lado da rua, se transforma no centro do mundo durante o verão brasileiro. Por ali circula gente do mundo inteiro, se ouve as mais diversas línguas, se vê as mais diferentes feições e etnias. É como se fosse Nova Iorque no natal ou Paris no ano novo…

12-  No próximo quarteirão da mesma Garcia, em direção à Lagoa, você vai encontrar o espanhol Venga!. Muito bom pra comer uns tapas e tomar uma taça de vinho ou uma sangria no meio da tarde ou, se preferir o agito, ir à noite, quando o local vira um point badalado.

13-  Na Barão da Torre próxima à Aníbal, está o também já conhecido Bazzar. Vale fazer um programa um pouco diferente e tomar uma flute de champanhe lá dentro, sentado no bar. A carta de vinhos é grande e o lugar é lindo!

14-  Fora do circuito compras/comidas, o grande programa escondido do Rio de Janeiro ultimamente é fazer SUP ao lado do Forte de Copacabana. A dica foi da minha amiga Regina Vieira, que nada naquelas águas e já foi surfista em locais de águas mais agitadas. Eu tinha feito meu batismo nas águas calmas de Búzios e não imaginava que desse pra ficar em cima da prancha de Stand Up Paddle por muito tempo nas águas bem mais balançadas da capital fluminense. Pois bem, neste spot que os pescadores sempre usaram como base, as águas são calmas, calmas. Talvez justamente por causa da proximidade do Forte. A barraca para se alugar a prancha fica bem pertinho do forte, na areia da praia. E não há como descrever a sensação de se equilibrar em cima de uma prancha olhando para o Pão de Açúcar. Tome um drink e coma uma omelete na Confeitaria Colombo do Forte pra recompor as energias depois.

 

15-  Agora, quem gosta de um programa realmente alternativo, pode conhecer a casa/ateliê do artista Roberto Magalhães, na Barra. O artista, que é um expoente do surrealismo brasileiro, vive na Ilha da Gigoia, na Barra, mais precisamente dentro da primeira Lagoa à direita de quem chega ao bairro da Zona Oeste do Rio. Se você gosta de arte ou é um colecionador, marque uma visita com o artista por telefone. Vá até o pequeno Shopping Barra Point, logo no começo da Barra. Passe pelo posto de gasolina à esquerda. Vá até a lagoa e você verá o ancoradouro dos barcos/taxi. Peça que o barqueiro o leve até a casa do Seu Roberto. É muito perto. A casa azul é linda e as obras dentro dela, mais instigantes ainda.

16-  Se você for de manhã ao ateliê de Roberto, siga em direção ao Recreio e conheça o shopping mais luxuoso do Rio, o Village Mall. Depois de ver as últimas coleções de lojas como Prada, Miu Miu, Valentino e Cris Barros, se sente no CT Bistrô. Os CTs estão agora espalhados pelo Rio de Janeiro. CT significa Claude Troigros, nome do famoso chef francês radicado no Rio. É bem mais barato que jantar no Olympe comer uma porção de ostras ou um Steak Tartar no CT. A vista lá de trás, com a Lagoa e as montanhas, também é imperdível.

17-  A Barra pode reservar várias surpresas. Eu sempre adorei o shopping ao ar livre “Dowtown”. Com suas lojinhas coloridas, parece o Magic Kingdom da Disneyworld. Pois ali agora está a “Móveis do Bem”, loja da apresentadora do Telecine Renata Boldrini, que reúne lindos móveis de madeira de demolição. Quem me deu a dica foi a própria Renata, amiga com quem trabalhei na Rede Telecine em minha temporada carioca.

18- E, claro, é mais longe, mas não dá pra deixar de conhecer a Cidade das Artes. Tem muito carioca que ainda não conhece este prédio de arquitetura contemporânea cheio de reentrâncias e laguinhos no térreo e vastos espaços nos andares de cima. Já vi uma exposição de moda italiana ali em junho do ano passado ali (ver http://escritosdoocio.com.br/2014/07/de-simoneta-a-prada-a-historia-da-moda-italiana-no-rio/, aqui no blog) e conheci o lindo teatro com meu filho de 6 anos, quando Adriana Calcanhoto narrou a história de Pedro e o Logo, com a Orquestra Sinfônica Brasileira regendo. Imperdível!

 

19-  Outro teatro bem escondido é o que fica dentro do absolutamente especial Parque das Ruínas, em Santa Tereza. Chegue cedo ou saia tarde pra dar tempo de subir na torre do antigo casarão remodelado e tirar fotos ou simplesmente ver a paisagem de tirar o fôlego do Rio de um lado…

e do outro.

Depois, desça pro teatro que fica lá embaixo, escondidinho mesmo. É pequeno, mas abriga boas peças, como a que contou a infância de Leonardo da Vinci, da qual assistimos a última apresentação de uma longa temporada. Meu filho adorou! Não confunda o teatro com o espaço para circo na parte externa do local. Também uma boa pedida, por sinal!

     20- Estando na bela Santa Tereza- o bairro onde eu nasci- você tem opções de sobra na hora de almoçar. Pode ir a um dos restaurantes tradicionais da Almirante Alexandrino comer uma comida alemã, nordestina ou um bom peixe do Sobrenatural, ou escolher entre os dois badalados endereços mais sofisticados. Se vc quer ser bem tratado, vá ao Terèze, no Hotel Santa Tereza. Tem uma bela vista do centro da cidade, bons drinks e gastronomia, e também um ambiente acolhedor. Se vc arrisca levar uma bronca da dona se quiser conversar um pouco sobre as origens deste restaurante quando era bem pequeno, vá ao “Aprazível”.

Ele cresceu, perdeu o charme de 15 anos atrás, mas continua com uma linda vista e a comida ainda é deliciosa, embora beeeem cara.

Peça o drink que vem dentro de um coco. Delicioso!

Serviço:

La Suite

Rua Jackson de Figueiredo, 501, Joá

Tel- 2484-1962/ 976-264 389

www.bydussol.com

 

Lasai

Rua Conde de Irajá 191, Humaitá

Tels- 3449-1834/3449-1854

 

Gilda Midani

Rua Dias Ferreira 417, número 304 Leblon

Tel- 2512-9331

www.gildamidani.com

 

Espaçomulti

Rua Dias Ferreira 417, loja 201, Leblon

Tel- 2294-5754

www.espacomulti.com.br

 

Mul.ti.plo Espaço Arte

Rua Dias Ferreira, 417, loja 206, Leblon

Tel- 2259-1952

www.multiploespacoarte.com.br

 

Ateliê Roberto Magalhães

http://www.robertomagalhaes.art.br/

Nunim

Galeria Ipanema 2000- Rua Visconde de Pirajá, 547, sobreloja 201

Tel- 3258-9185

www.nunim.com.br

 

What mommy needs

Galeria Ipanema 2000- Rua Visconde de Pirajá, 547, sobreloja

Tel- 3875-1332

 

Monica Pondé

Rua Visconde de Pirajá, 365 B,  Lojas 05 e 06

Tel- 2522 2193

http://www.monicaponde.com.br/loja/ipanema/

 

Venga!

Rua Garcia D’Ávila, 147 – loja B, Ipanema

Tel- 2247-0234

 

Móveis do Bem

Av. das Américas, 500
Shopping Downtown
Telefone: 3433.7373

www.moveisdobem.com.br

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Dois filmes sobre ciência a caminho do Oscar

Dois filmes em cartaz no momento são imperdíveis para quem se interessa por ciência e tecnologia, ou por uma ou pela outra. Mesmo para quem não está nem aí pra o Oscar, a duas semanas da grande premiação a Indústria Cinematográfica de Hollywood, que acontece no dia 22, domingo. “A Teoria de Tudo”, que entrou em exibição há mais tempo, conta boa parte da vida do cientista inglês Stephen Hawking, desde sua adolescência até a maturidade, depois de ele ser reconhecido até pela rainha Elisabeth pelas descobertas a respeito do tempo. O segundo, “O Jogo da Imitação”, que estreou na última quinta-feira, se debruça sobre outro cientista inglês, o matemático Alan Turing, que, ao decifrar o código secreto Enigma usado pelos nazistas para servir de base aos ataques que fariam contra os Aliados, terminou não só diminuindo a Segunda Guerra Mundial em dois anos, mas  criando o embrião do primeiro computador do mundo.

 

Os dois filmes têm várias coisas em comum. A primeira delas é Cambridge. Os dois cientistas são cria da universidade inglesa e ajudam a dimensionar a importância desta instituição medieval que ocupa uma cidade inteira com seus diversos Colleges. Conhecer Cambridge é uma experiência que não se esquece. O visitante pode passear pelas ruelas cheias de construções góticas e até entrar nos jardins das faculdades. Lembro-me do King’s College, que tem um enorme gramado, ao fim do qual fica um riozinho. Tudo muito lindo!

O filme sobre Hawking tem a universidade como seu ambiente principal. É ali que o jovem Stephen decide que quer fazer sua tese sobre o tempo. Ele pensava, a princípio, que o tempo era finito: começou a partir de um determinado momento e poderá, também, ter fim. Também é dentro dos muros de Cambridge que ele conhece Jane, a estudante de Literatura com quem irá se casar e que tornará possível que ele continue a carreira, provendo-lhe facilidades que vão de cadeiras de rodas a uma espécie de tablet com letras divididas em cores para que ele se comunique, depois de perder a capacidade de falar por causa de uma traqueostomia.

É num dos pátios internos da universidade que Stephen sofre a queda que fará com que descubra que tem a doença cerebral que o levará a perder os movimentos de quase todo o corpo, hoje conhecida como ELA (Esclerose lateral amiotrófica). O médico lhe dá dois anos de vida. Mas Hawking, como se sabe, está vivo e com o cérebro ativo até hoje, aos 72 (Na foto abaixo, com os dois atores principais do filme).

Como é baseada no livro escrito por Jane Hawking (Felicity Jones, muito bem no papel!), a produção se centra basicamente na relação entre o físico e sua mulher, com quem teve três filhos. Embora descubra a doença quase junto com o namorado, Jane não desiste dele e se casa, enfrentando a sentença de morte dada pelo médico. A ELA não afeta o sistema reprodutor  ou a capacidade de produzir ereções de Hawking, nem mesmo em sua fase avançada.

Bom Humor
O bom humor do físico compensa as cenas mais fortes que mostram a progressão da doença. Com o passar do tempo, à medida que o corpo regride, o intelecto progride. Sempre com a ajuda da mulher, Hawking é capaz de rever sua teoria, pensar em uma terceira e escrever um livro que venderia mais de 10 milhões de exemplares. Pra mim, faltou o roteiro se centrar um pouco mais nas teorias do físico. O drama, por outro lado, era inevitável nesta história. O ator Eddie Redmayne, o mesmo de “Sete Dias com Marilyn” e “Os Miseráveis”, faz um trabalho excepcional na difícil interpretação de Stephen Hawking, se parecendo muito com as imagens do cientista que estão sempre aparecendo na mídia, como sua presença no Grammy, domingo passado.

Já ganhou o Bafta (o Oscar inglês) e o Globo de Ouro de melhor ator em filme de Drama. O filme concorre a outros 4 estatuetas, entre elas melhor filme.

Só que, no Oscar, Redmayne tem um concorrente à altura em Benedict Cumberbatch (da série “Sherlock”), que interpreta magistralmente Alan Turin em “O Jogo da Imitação”. Filho de dois atores, Cumberbatch usa toda a sua sutileza para compor um personagem quase autista, tanto no trato com as pessoas quanto na rara inteligência; homossexual não assumido; e de pouquíssimo humor.

8 indicações
O filme, que concorre a 8 Oscar, entre eles o de Cumberbatch e o de melhor filme, conta uma história que demorou 50 anos até ser revelada ao mundo: a de como Turing constrói uma maquina capaz de decifrar o tal Enigma, criado pelos nazistas. Uma máquina que quase é destruída algumas vezes ao longo do longa-metragem. Por sua originalidade, a história em si já daria um belo filme. Com a força de Cumberbatch no papel principal, se torna um programão.

Como há alguns anos não se via, com filmes deste gabarito e do belo “Livre” e concorrentes a filme estrangeiro como “Relatos Selvagens” (ver http://escritosdoocio.com.br/2014/11/um-dia-de-furia-versao-espanhola/, aqui no blog), o Oscar 2015 promete. E olhe que ainda não assisti a Birdman, pelo jeito, o preferido não só dos eleitores do Globo de Ouro e do Sindicato dos Atores, mas também de muitos expectadores que o têm elogiado no facebook.

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A Brasília real está na moda

Faz uns dois anos que a Brasília real começou a entrar na moda. Tudo começou com os dois filmes baseados na vida e na obra de Renato Russo, que entraram em cartaz em 2012: “Somos tão jovens”, uma ficção baseada na juventude do cantor/letrista/compositor; e “Faroeste Caboclo”, inspirado na canção de mesmo nome e dirigido pelo cineasta da capital René Sampaio. O Brasil todo assistiu e pôde se encantar com lindas imagens da incomum Universidade de Brasília; das nossas arborizadas superquadras; das largas avenidas com nome de letra; das fachadas dos blocos, como são chamados os prédios residenciais da capital; das mansões modernistas do Lago Sul, o bairro da elite brasiliense; das cidades satélites e dos demais arredores do Plano Piloto, como o local onde aconteceu a famosa Roconha, que aparece nos dois longas-metragens. Agora, está em cartaz “Cássia”, sobre Cassia Eller, documentário do diretor Paulo Fontenelle, que conheço do Canal Brasil. Nada de Congresso Nacional, nada de Palácio do Planalto, nada de Supremo Tribunal Federal nestes três filmes.

Diretor de obras com bela fotografia como “Cidade de Deus”, o paulista Fernando Meirelles, é arquiteto de formação. A trama da minissérie “Felizes para sempre?”, em exibição até o fim desta semana pela TV Globo,  fora escrita originalmente por Euclydes Marinho para se passar em Niteroi (RJ). Com certeza, Meirelles foi determinante na mudança da ambientação da série para a moderna capital forjada por Lúcio Costa e Oscar Niemeyer.

A fotografia da série é de cinema. Não é à toa que o personagem principal vivido pelo ótimo ator e diretor teatral Enrique Diaz (Claudio Drummond) rema de manhã no Lago Paranoá. As imagens do nosso Lago são majestosas! Não é à toa que a personagem de Adriana Esteves, a cirurgiã plástica Tânia, participa do atropelamento de uma mulher no Eixo Monumental; as imagens noturnas da larga via também são belas, não é à toa que outra personagem mora nas 700, a linda zona de casas de classe média da cidade, que, aliás, me abrigou e a minha família, quando aqui chegamos em nos anos 70. E, claro, Meirelles e o diretor de fotografia aproveitam cada detalhe arquitetônico da nossa capital modernista: os anfiteatros da UnB, com sua característica bem específica de descer do térreo ao subsolo do chamado Minhocão; a linda mansão do casal principal da trama, com suas linhas retas e sua cor cinza; os pilotis de mármore preto e branco dos blocos…

; e, finalmente, os tão característicos cobogós.

Os cobogós (veja o do meu prédio na foto abaixo) são tão valorizados pelos diretores que uma das personagens entra e sai de seu apartamento na Asa Sul pela entrada de serviço, só pra que eles apareçam a cada vez.

Dá até vontade de usar mais o corredor de serviço lá do meu prédio, que também tem cobogó de fora a fora!

Arquitetura supervalorizada
A ode à beleza arquitetônica de Brasília gera, é claro, situações na trama inusitadas por sua inverossimilhança. Como quando a cirurgiã Tânia, desesperada ao ver que sua sociedade com um médico bã bã bã não irá pra frente, fica vagando em frente à Catedral à noite (veja a real, de dia, na foto abaixo). Qualquer brasiliense sabe que ninguém fica de bobeira entre os nossos cartões postais, muito menos à noite (veja a catedral de dia, em foto tirada hoje).

O escritório do engenheiro Claudio é muito maior do que o de qualquer grande empresário de Brasília, é padrão São Paulo.

Mas há muita verossimilhança também. O apartamento de Tânia e seu marido, vivido pelo ótimo ator de cinema João Miguel, é fiel à arquitetura modernista dos primeiros blocos do Plano Piloto, alguns deles projetados pelo próprio Niemeyer. Os diretores tiveram o cuidado de deixar as janelas sem cortinas pra mostrar as grandes janelas e também as árvores das quadras. Compare com este apartamento da vida real, também na Asa Sul.

Bons personagens e diálogos
Brasília parece estar viva na tela porque os personagens, também, poderiam ser reais. Estão ali a professora da UnB, o policial federal, a cirurgiã plástica antiética, o cara alternativo que mora na roça (a cara de Brasília!!!), a prostituta de luxo (ela tinha que escolher o hotel em que passei minha noite de núpcias?)…

Claro que há também o empreiteiro corrupto que até poderia ser clichê, mas de tão bem interpretado por Enrique Dias, e de tão bons que são os diálogos, se torna prá lá de verossímel. Moro em Brasília desde 1977, com alguns anos de interrupção, e conheço pelo menos um de cada um destes personagens. A única dissonância é a personagem vivida por Maria Fernanda Cândido: apesar de serem comuns as mulheres desprezadas pelos maridos ocupados e infiéis, a profissão de restauradora de obras de arte é mais rara na capital. Mas ela não foi escolhida à tôa: servirá a uma causa importante na trama.

Os atores, diga-se de passagem, foram treinados pela coach Fátima Toledo, uma das preparadoras de atores mais capacitadas do Brasil. Tive a chance de entrevista-la uma vez, quando trabalhava no Telecine, e ela estava treinando a menina índia que interpretou Tainá no primeiro filme, nos anos 90. A menina estava hospedada na casa de Fátima.

A Globo, pelo jeito, finalmente, e não sem grande atraso, percebeu que o telespectador tem a curiosidade de ver como é a vida em outras paragens que não o eixo Rio- São Paulo ou, vá lá, as praias virgens do Nordeste. E tenho certeza, porque é óbvio, que o público prefere sempre ver o novo.  E de preferência, longe de clichês como o de que todo brasiliense vive em torno da política.

Então, o escritório da série é mais luxuoso que na vida real, a Chapada dos Veadeiros tem lugares mais inusitados pra nadar (aqui ninguém reconheceu aquele spot com lugar pra nadar no meio do lindo Vale da Lua)

, os brasilienses gostam mais de arte contemporânea que na capital real… Enfim, a Brasília de “Felizes para Sempre?” consegue ser ainda mais bonita que a de verdade na trama de Fernando Meirelles. E o que poderia ser melhor? Nós, brasilienses adoramos nos ver na tela. Quem venham os filmes “Eduardo e Mônica”, de novo de René Sampaio, e “3X4″,o primeiro longa metragem de Adriana Vasconcelos, de “Fragmentos”, sobre três gerações de mulheres de uma família da periferia de Brasília.

 

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