Dois filmes sobre ciência a caminho do Oscar

Dois filmes sobre ciência a caminho do Oscar

Dois filmes em cartaz no momento são imperdíveis para quem se interessa por ciência e tecnologia, ou por uma ou pela outra. Mesmo para quem não está nem aí pra o Oscar, a duas semanas da grande premiação a Indústria Cinematográfica de Hollywood, que acontece no dia 22, domingo. “A Teoria de Tudo”, que entrou em exibição há mais tempo, conta boa parte da vida do cientista inglês Stephen Hawking, desde sua adolescência até a maturidade, depois de ele ser reconhecido até pela rainha Elisabeth pelas descobertas a respeito do tempo. O segundo, “O Jogo da Imitação”, que estreou na última quinta-feira, se debruça sobre outro cientista inglês, o matemático Alan Turing, que, ao decifrar o código secreto Enigma usado pelos nazistas para servir de base aos ataques que fariam contra os Aliados, terminou não só diminuindo a Segunda Guerra Mundial em dois anos, mas  criando o embrião do primeiro computador do mundo.

 

Os dois filmes têm várias coisas em comum. A primeira delas é Cambridge. Os dois cientistas são cria da universidade inglesa e ajudam a dimensionar a importância desta instituição medieval que ocupa uma cidade inteira com seus diversos Colleges. Conhecer Cambridge é uma experiência que não se esquece. O visitante pode passear pelas ruelas cheias de construções góticas e até entrar nos jardins das faculdades. Lembro-me do King’s College, que tem um enorme gramado, ao fim do qual fica um riozinho. Tudo muito lindo!

O filme sobre Hawking tem a universidade como seu ambiente principal. É ali que o jovem Stephen decide que quer fazer sua tese sobre o tempo. Ele pensava, a princípio, que o tempo era finito: começou a partir de um determinado momento e poderá, também, ter fim. Também é dentro dos muros de Cambridge que ele conhece Jane, a estudante de Literatura com quem irá se casar e que tornará possível que ele continue a carreira, provendo-lhe facilidades que vão de cadeiras de rodas a uma espécie de tablet com letras divididas em cores para que ele se comunique, depois de perder a capacidade de falar por causa de uma traqueostomia.

É num dos pátios internos da universidade que Stephen sofre a queda que fará com que descubra que tem a doença cerebral que o levará a perder os movimentos de quase todo o corpo, hoje conhecida como ELA (Esclerose lateral amiotrófica). O médico lhe dá dois anos de vida. Mas Hawking, como se sabe, está vivo e com o cérebro ativo até hoje, aos 72 (Na foto abaixo, com os dois atores principais do filme).

Como é baseada no livro escrito por Jane Hawking (Felicity Jones, muito bem no papel!), a produção se centra basicamente na relação entre o físico e sua mulher, com quem teve três filhos. Embora descubra a doença quase junto com o namorado, Jane não desiste dele e se casa, enfrentando a sentença de morte dada pelo médico. A ELA não afeta o sistema reprodutor  ou a capacidade de produzir ereções de Hawking, nem mesmo em sua fase avançada.

Bom Humor
O bom humor do físico compensa as cenas mais fortes que mostram a progressão da doença. Com o passar do tempo, à medida que o corpo regride, o intelecto progride. Sempre com a ajuda da mulher, Hawking é capaz de rever sua teoria, pensar em uma terceira e escrever um livro que venderia mais de 10 milhões de exemplares. Pra mim, faltou o roteiro se centrar um pouco mais nas teorias do físico. O drama, por outro lado, era inevitável nesta história. O ator Eddie Redmayne, o mesmo de “Sete Dias com Marilyn” e “Os Miseráveis”, faz um trabalho excepcional na difícil interpretação de Stephen Hawking, se parecendo muito com as imagens do cientista que estão sempre aparecendo na mídia, como sua presença no Grammy, domingo passado.

Já ganhou o Bafta (o Oscar inglês) e o Globo de Ouro de melhor ator em filme de Drama. O filme concorre a outros 4 estatuetas, entre elas melhor filme.

Só que, no Oscar, Redmayne tem um concorrente à altura em Benedict Cumberbatch (da série “Sherlock”), que interpreta magistralmente Alan Turin em “O Jogo da Imitação”. Filho de dois atores, Cumberbatch usa toda a sua sutileza para compor um personagem quase autista, tanto no trato com as pessoas quanto na rara inteligência; homossexual não assumido; e de pouquíssimo humor.

8 indicações
O filme, que concorre a 8 Oscar, entre eles o de Cumberbatch e o de melhor filme, conta uma história que demorou 50 anos até ser revelada ao mundo: a de como Turing constrói uma maquina capaz de decifrar o tal Enigma, criado pelos nazistas. Uma máquina que quase é destruída algumas vezes ao longo do longa-metragem. Por sua originalidade, a história em si já daria um belo filme. Com a força de Cumberbatch no papel principal, se torna um programão.

Como há alguns anos não se via, com filmes deste gabarito e do belo “Livre” e concorrentes a filme estrangeiro como “Relatos Selvagens” (ver http://escritosdoocio.com.br/2014/11/um-dia-de-furia-versao-espanhola/, aqui no blog), o Oscar 2015 promete. E olhe que ainda não assisti a Birdman, pelo jeito, o preferido não só dos eleitores do Globo de Ouro e do Sindicato dos Atores, mas também de muitos expectadores que o têm elogiado no facebook.

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