Rio azul como o de um sonho de criança

Rio azul como o de um sonho de criança

Quando eu era pequena, tinha um sonho recorrente: olhava com vontade pra um rio não muito largo, mas bastante calmo e de um azul irreal. Ele ficava em um espaço bem aberto. O sonho, que me acompanhou pela infância, adolescência e parte da vida adulta, fora fruto de um livro infantil que tinha uma ilustração bem colorida, mostrando um monte de crianças, irmãs e primas, passando as férias na fazenda dos avós. Era aquele clima bem Maria José Dupré, autora de clássicos infanto-juvenis que marcaram a infância de quem hoje está na faixa dos 40/50 anos, como “A Mina de Ouro”, meu preferido, “A Montanha Encantada”, eleito da minha irmã, e “O Cachorrinho Samba”, que deu origem a esta série e, pra minha surpresa, está nas livrarias em uma edição novinha em folha! Comprei ontem mesmo um pro meu filho na Livraria Cultura. Mas do livro que inspirou meus sonhos não me lembro o nome.

Sei que aquele trecho de rio azul (!!) era muito mais idílico do que poderia ser o melhor dos rios da infância de alguém: em suas águas tranquilas e azuis-piscina nadavam várias crianças em suas boias infláveis redondas e coloridas, e sobre outros brinquedos de borracha que coloriam ainda mais aquele verdadeiro quadro naif.

As roupas de banho de meninas e meninos também eram amarelas, vermelhas, verdes, contrastando com a água. A ilustração antiga daquele livro me encantava de forma única. Sempre gostei de água. E como aprendi a nadar-na piscina do Clube do Flamengo, na Gávea, aos 3 anos- mesmo morando na praia, acho que minha infância de paraíso acabou se traduzindo na água azul da piscina. Em Salvador, onde íamos dar um mergulho no mar quase todos os dias levadas pelo meu pai, antes do trabalho dele, mesmo assim tínhamos aulas de natação em um complexo com oito (!!) piscinas hexagonais conjugadas. Era num clube do bairro da Pituba. Dava gosto ir pra natação! De tantas aulas de natação preconizadas e planejadas por uma mãe cuidadosa que nunca aprendeu a nadar com a cabeça pra dentro d’água e por um pai que sonhava que as filhas virassem atletas olímpicas (só isso!!), terminamos virando- eu e minha irmã- nadadoras da equipe da AABB, anos depois, já aqui em Brasília.

O fato é que procurei por toda a minha vida pelo quadro perfeito e pra mim paradisíaco daquele livro e daqueles sonhos. O que poderia ser melhor do que estar dentro deles, dentro daquela água azul, cheia de amigos e boias coloridas? É quase impossível descrever sensações, mas o quadro transmitia uma ideia de paz e alegria inalcançáveis em outro contexto.

México: encontro com o sonho
Pois bem: encontrei algo parecido algumas vezes na vida. Há sete anos, em uma viagem em que atravessamos o México ao longo de 25 dias, eu e meu marido terminamos na Riviera Maia, que vai de Cancun para o sul pela orla, passando por praias lindas como a histórica Tulum, e charmosas como Playa del Carmem. Entre Cancun e Playa está Playacar, praia particular de um hotel no sistema all inclusive, que convida os hóspedes a ficarem apenas ali, com comida e bebida incluídas na diária. Entramos lobby a dentro nos passando por hóspedes pra conhecer e dei de cara com uma praia azul levemente esverdeada, com uma cor tão intensa que parecia saída da versão de Tim Burton de “A fantástica fábrica de chocolate”! A água era tranquila e os hóspedes já muito bronzeados, a maioria de topless, contrastavam com o azul.

Era como o meu sonho só que para adultos.

Se não fosse tão amplo, o mar do Resort de Puna Cana em que ficamos no início do ano passado (ver http://escritosdoocio.com.br/2014/05/mar-turquesa-e-areia-branca-na-primeira-ilha-das-americas/) também se encaixaria neste perfil.

Rio Paranapanema
Fazia muito tempo que não tirávamos férias longas na praia. De dezembro a janeiro passados, tiramos, com a interrupção do ano novo de trabalho. No natal, me lembrei do meu sonho novamente quando nadamos ou simplesmente ficamos em pé no rio de Piraju, o Paranapanema, terra do meu marido, no sul de São Paulo. Trata-se de uma represa, então a água é bem calma. Neste ano, descobri uma parte bem rasa.

As crianças e adultos ficam ali em pés ou nadando, algumas com grandes boias feitas de câmaras de ar de caminhões como os que vi quando nadei no Rio São Francisco lá pelo fim dos anos 70, na Bahia.

Pra completar o clima “outros tempos” há também um trampolim com a cara dos Estados Unidos dos anos 40… 50.

Paraíso pernambucano
Duas semanas depois, no 2º tempo das férias, fomos para o paraíso pernambucano chamado Serrambi, 10 quilômetros a sul da hoje lotada Porto de Galinhas. Ali, quando o mar seca, a praia praticamente privativa do resort vira uma verdadeira piscina salgada.

Uma barreira de arrecifes próxima se encarrega de tornar as águas quase paradas. As piscinas variam de verde a azul, passando pelo caramelo característico dos locais onde há corais por baixo.

As boias ali são coloridas e se somam a um grupo de 12 a 20 snorkels de banhistas que ficam apreciando os peixes listrados e pretos com roxo que passam nadando. Uma piscina verde azulada.

Meu sonho bem ali, na minha frente.

A prova de que sonhos podem se tornar realidade.

Até os de infância.

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