Posts made in setembro, 2015

Comentários de um menino de 6 anos

Depois de as tiradas e conclusões do João aos 3 e aos 4 fazerem bastante sucesso aqui no blog, publico agora “João aos Seis Anos”, um conjunto de observações e comentários do meu filho, que vão da “crítica” de cinema à criação de personagens, passando pelo dia a dia com os pais, em casa. Como diz o próprio João, sem que eu o corrija ainda, “se divirtam-se”!

Conversa sobre “Minúsculos”, o filme de que João mais gostou na vida.

-“Mais que ‘Meu malvado favorito’”?

-“Eu tava pensando nisso… Sim, mais que ‘Meu Malvado Favorito’”.

“O que o filme tinha de muito diferente?”, pergunta a mãe.

-“Ninguém fala no filme”

-“Como nos filmes antigos que a gente chama de mudos, né?”

-“Não, mas nos filmes mudos ninguém fazia barulho, só tinha música. Neste tem os barulhos dos insetos” (se lembrando dos filmes de Chaplin que já viu).

-Já na imagem não, é bem moderno, porque mistura filme com animação.

-É, nisto também é bem incomum”.

Meu crítico de cinema, em 28-01-2015, aos 6 anos e 9 meses.

 

“Você viu que o prefeito tava conversando com ele? Era a parte mais importante do filme, que mostra que o prefeito é do mal”, Idem, aos 6 anos, 25-11-2014, dia do 2º turno das eleições presidenciais, assistindo à animação “Rango”.

 

-“O destino deles é a Ajapônia porque eles são bichos”, referindo-se ao país imaginário que criou quando tinha 4 anos e onde só vivem os bichos imaginários que ele cria. Numa viagem num avião imaginário que vai pra Ajapônia. Idem

 

-“Apaixonado nada, ela é até perigosa”. Falando da paixão de Darwin pela Rainha Vitória em “Piratas Pirados”, a animação.

 

-“Tô velho demais pra ver filme de ação”

-“Eu não gosto muito de filme de ação, já tô enjoado porque esse meu coração fica batendo assim ó”. Ainda assistindo a “Rango”, em 27-10-2014.

-“O que que é a coisa mais importante do mundo?”

-“Meu filho”

-“Não pra você”

-“A comida e o ar”

-“A água”

-“Quem disse isso?”

E ele aponta para o próprio cérebro.

-“Não sou feito de sangue, sou feito de paz”, em 31-10-2014, dia do Halloween.

- “Você só imaginou, amor”, gaiato, desmentindo, logo após ter pulado de sandália no sofá.

-“Ainda existem dinossauros hoje em dia porque no mundo da minha brincadeira pode acontecer tudo”, 7-11-14.

- “Estilo Roberto Magalhães. Tô pintando um prédio. Diferente, claro”, Em 8-11-2014, se referindo ao pintor surrealista brasileiro, de quem temos um desenho na nossa parede em casa e um livro que ele adora (na foto abaixo, João com seu ídolo e o livro).

-“Tô fazendo um brinquedo abstrato”- pra fábrica de brinquedos que ele estava criando, em 8-11-2014.

- “O bichinho quer ver “Mio, Mao” no computador”

- “Vou quebrar o galho dele”, responde o pai.

-“Ah, você vai dar ouvidos a ele?”- Conversando com o pai, em 8-11-2014.

-“A mamãe manda na casa. Ela é a rainha da casa. Mas o papai manda em outras coisas, ele manda em mim, diz coisas que não pode com jeitinho…”, em 9-11-2014.

 

- “Eu acabei gostando (de arrumar os brinquedos). Deixa um bilhete pra Eliane não arrumar os brinquedos amanhã.”, numa frase histórica. “Eu arrumo melhor que a Eliane, hein?”- em 27-11-2014.

-“Lembre-se, meu corpo é muito sensível”, depois que o pai dá um peteleco nele, mostrando o que seria uma “sardinha”. Em 27-11-2014.

 

- “Que cidade linda!”, diz a mãe olhando o Rio de Janeiro do avião, ao se aproximar do Aeroporto Santos Dumont.

- “Só porque você nasceu no Rio”.

- “Não, é que o Rio é considerada uma das cidades mais bonitas do mundo”.

- “Eu também acho”.

Em 6-11-2014.

“O que eu mais gosto é o feijão. Eu sou brasileiro mesmo”, rejeitando o peixe frito ao molho de azeitonas à beira do Rio Paranapanema, em Piraju, cidade do pai. Em 27-12-2014.

 

- “Mas pintor é famoso. E isso é importante. E eu sou pintor”, modesto, em 27-12-2014.

-“Se você não ir nunca (sic) (pular do trampolim), você nunca vai ter coragem de ir”. Idem, desafiando o pai.

- “É Pharrell. É a música que eu mais gosto de ‘Meu Malvado Favorito 2’”, ouvindo “Happy” no restaurante em Piraju. Idem.

 

-“Vocês dois estão orgulhosos de mim”, depois de ler um panfleto de propaganda do título aos créditos finais. Idem.

 

 

 

 

 

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Apresentando Gênesis, a coleção que celebra os 70 anos da H.Stern

Há setenta anos, em 1945, o alemão naturalizado brasileiro Hans Stern abria no centro do Rio de Janeiro, a primeira loja de joias H. Stern do mundo. Na verdade, tratava-se apenas de um comércio de compra e venda de pedras preciosas que, em pouco tempo, se expandiu para a fabricação de joias e a lapidação de pedras preciosas. Pouco depois, Hans abriu a primeira loja perto do porto, onde os viajantes mais ricos do mundo chegavam à bordo de navios de cruzeiro luxuosos. Em 1964, a revista Time publicou um artigo no qual chamou Hans Stern de “o rei das pedras coloridas”.

Em termos internacionais, o grande feito de Stern foi criar e promover o interesse por pedras preciosas coloridas. Se não fosse ele, as águas-marinhas, turmalinas, ametistas e os topázios deslumbrantes não seriam tão valorizados atualmente. Antes dele, o setor de joias finas concentrava-se exclusivamente em diamantes e nas chamadas pedras orientais – rubis, safiras e esmeraldas. Mais recentemente, a H.Stern se renovou ao lançar coleções inspiradas em diversas personalidades, como a consultora de moda e estilo Constanza Pascolato (1997), o músico Carlinhos Brown (1999), a artista Anna Bella Geiger (2000), os designers de móveis Fernando e Humberto Campana (2001), a estilista Diane von Furstenberg (2004), o arquiteto Oscar Niemeyer e a companhia mineira de dança Grupo Corpo (2009).

Em homenagem aos 70 anos do início desta aventura, a joalheria- hoje um império com lojas em 12 países e representantes em 37- realizou um pré-lançamento para convidados da coleção Gênesis, inspirada no tema que já serviu de base para outras coleções da marca: as estrelas.

 

 

 

 

 

Estes astros com luz própria não foram escolhidos à toa: stern significa estrela em alemão. Se há dez anos, a H.Stern mostrou ao mundo uma série de aneis, brincos e pingentes com a estrela como tema principal, na cobiçada coleção Stars, agora esse universo se expandiu.

 

 

 

 

 

A coleção Gênesis tem estrelas em aneis com dois tipos de ouro…

 

 

 

 

 

 

 

 

… brincos com várias estrelas…

 

 

 

 

 

 

…Mega-pulseiras reluzentes…

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.. aneis que vestem mais de um dedo…

 

 

 

 

 

 

… brincos que se encaixam nas orelhas.

 

 

 

 

 

 

Olhando para o céu
Capitaneados pelo próprio Roberto Stern, o filho de Hans e herdeiro da marca, os dez designers da H. Stern olharam para o céu antes de colocar a mão na massa. Estudaram constelações e pensaram em astros além das estrelas, como planetas e cometas.

 

 

 

 

 

O time da H. Stern é composto por desenhistas industriais, artistas plásticos e graduados em design. Cabe a Roberto Stern brifa-los com a ideia principal que deve norteá-los na criação das peças.

“Todas as mulheres sempre querem ter uma estrela. Elas fazem muito sucesso, por isso resolvemos investir neste tema”, acrescentou Christian Hallot, o embaixador da marca para o mundo. Ele conversou com Escritos do Ócio no pré-lançamento da coleção Gênesis para convidados de Brasília, que aconteceu na loja do Park Shopping nesta semana. A coleção estará nas lojas em novembro.

Hallot contou que as coleções da H. Stern são baseadas em um planejamento realmente alemão. “Hoje nós estamos fazendo os desenhos que lançaremos em 2017. Fazemos a ergonomia das peças sempre com dois anos de antecedência”, disse.

No início deste mês, ocorreu, na Rio Arte- a maior feira de artes plásticas da cidade- o principal lançamento desta coleção. As joias foram apresentadas em um jantar para convidados superespeciais, que iam de artistas plásticos como os irmãos Campana a editoras de grandes revistas de moda do país, passando pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes. Desfilavam com as joias as modelos que fizeram a campanha da Gênesis, Carol Trentini, Carol Ribeiro e Bar Rafaelli. Jorge Israel fez a trilha sonora da campanha, chamada “Keep the Moment”.

Joias para a eternidade
Aqui em Brasília, Christian Hallot contou por que a H.Stern, mais do que outras joalherias brasileiras, aposta em modelos atemporais. “Quando se trata de joias, não se pode fazer uma autofagia como acontece com a indústria da moda”, opinou ele, explicando que, com roupas, quando uma coleção é lançada, a outra já pode, muitas vezes, ser descartada.

A estrela usada na coleção Stars, que marcou os 60 anos da marca, por exemplo, foi inspirada na rosa dos ventos contida em uma tiara usada pela Rainha Vitória, da Inglaterra. Com olho clínico, Hallot logo percebeu que o colar que eu usava era uma joia antiga, de família. Ou seja, uma joia não deve ter idade. Deve durar para sempre.

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As qualidades da novela do canal do Bispo

“As pessoas estão deixando de ver a TV Globo por causa da politização do noticiário”. “Novelas da Globo perdem audiência para novela bíblica”. “Os Dez Mandamentos passam A Regra do Jogo em audiência pela primeira vez”.  As manchetes sobre a queda de audiência da Globo e o aumento dos ratings da Record têm sido muitas nos últimos dias. O episódio de “Os Dez Mandamentos” do dia 17 de setembro conseguiu ultrapassar a audiência de “A Regra do Jogo” e marcou algo inédito na TV brasileira: pela primeira vez uma novela da Record supera a novela da Globo no Ibope. A audiência da novela bíblica foi de 20,9 pontos de média entre 21h40 e 21h53, período onde a novela da Globo foi de 19,7 pontos. A média do horário também deu vantagens para a Record, conseguiu 20 pontos, audiência superior ao registrado pelos programas “Jornal Nacional” e a “A Regra do Jogo” que são exibidos durante o horário de “Os Dez Mandamentos”.

Algumas das análises são mais corretas, mas outras demonstram um claro preconceito com as novelas que não são produzidas pela TV Globo, ou por pura falta de costume ou pelo fato de a novela ser religiosa. Este preconceito é mais do que esperado, mais do que normal. Eu mesma o tinha. “Assistir a novela do canal do Bispo (Edir Macedo)? Aquele que há uns 20 anos foi notícia em toda a imprensa por estar roubando seus fieis da Igreja Universal? Nem pensar”, poderia ter dito eu mesma.

Até que um dia, entediada com a chatice do Jornal Nacional, já sabendo que iria encarar as maldades sem fim das duas (!!) vilãs vividas pelas ótimas Adriana Esteves e Gloria Pires , e- muito importante- influenciada pela minha empregada-, resolvi assistir a um capítulo de “Os Dez Mandamentos”. Confesso que fui totalmente surpreendida: os atores eram velhos conhecidos da própria Globo (Denise del Vecchio, Sérgio Marone, Juliana Didone, Paulo Figueiredo) e da Manchete (Paulo Gorgulho, ótimo como o pai de Moisés); ou caras pra mim novas como a do próprio Moisés, interpretado pelo belo Guilherme Winter, um bom ator. Os cenários são bem feitinhos e, as cenas do Rio Nilo e do Deserto do Saara parecem bem realistas. Soube depois que foram filmadas no Deserto do Atacama, no Chile.

Bons diálogos
A maioria dos diálogos é muito bem escrita, a não ser por algumas modernizações de vocabulário que não caem bem em personagens milenares como os da trama. Há diálogos religiosos que chegam a ser filosóficos. O que mais me chateia é que, sendo uma novela feita por um canal evangélico, Os Dez Mandamentos mostra o Egito e sua rica religião politeísta sob aquele manto de intolerância que a considera pagã. Um ranço antigo que poderia ter sido expurgado, filtrado por uma visão mais moderna. Mas também aí seria pedir demais.

Mesmo assim, os autores, capitaneados por Vivian de Oliveira, conseguiram ser informativos ao tratar dos deuses egípcios. Os personagens da realeza de Ramsés aparecem adorando suas deidades que representam a água, o sol, enfim, elementos da natureza. Na fase das Pragas do Egito mandadas pelo Deus hebreu, a adoração dos egípcios pelos animais fica bem clara. Nos próximos capítulos, o Faraó, que é também o Orus Vivo na Terra, vai sofrer com a perda do seu cavalo e de diversos animais considerados sagrados.

Made in Hollywood
Ah, os efeitos especiais, sobre os quais já li críticas em alguns jornais, são muito bons para os padrões da TV brasileira. Os sapos saindo do Nilo me deram um nojo danado, as moscas vindo como um enxame também pareciam verdadeiras, o sangue que tomou as águas do rio estava bem espalhado (principalmente na cena da rainha tomando banho), o cajado virando cobra foi perfeito…

 

E famosa cena da abertura do Mar Vermelho foi gravada em Hollywood, com efeitos especiais importados da mais importante indústria do cinema do mundo!

Isso sem falar dos figurinos e do resto da caracterização dos personagens. Teve até atriz que optou por raspar a cabeça, como faziam as egípcias da época para evitar piolhos, para dar mais veracidade a seus personagens.

Pois bem: de dois meses pra cá não consegui mais parar de assistir a “Os Dez Mandamentos”. Claro que eu tenho minhas razões bem pessoais: filha de pai ateu e mãe agnóstica, não fiz catecismo, nem fui a missas durante a minha infância. Então, desenvolvi uma curiosidade pelas histórias da Bíblia. Tenho, sim, certeza que a maldade sem fim das últimas novelas da Globo me fizeram querer ver algo um pouco menos venenoso. Afinal, novelas servem pra relaxar no fim do dia, desopilar, deixar de lado as maldades a que quem trabalha no Congresso Nacional como eu já é obrigada a ver todos os dias.

Nunca pensei que defenderia uma novela do canal do Bispo. Mas termino esse texto na torcida para que possam ir diminuindo as manchetes que atribuem o aumento dos índices de audiência da Record somente à baixa qualidade das novelas da Globo e do Jornal Nacional. Sim, a Globo tá pior mesmo. Mas há que se assistir ao que é produzido no outro canal para, deixando de lado o preconceito, aprender também a valorizar o que melhorou.

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A franja enganadora de Donald Trump

“O senhor disse que a pré-candidata tal era muito feia e que por isso ninguém votaria nela. Confirme ou não se disse isso”, desafia o mediador do debate entre os mais de dez pré-candidatos do Partido Republicano ao governo dos Estados Unidos, se dirigindo ao bilionário Donald Trump. “Ela é muito linda”, responde Trump depois de uma olhada de uns 10 segundos para o rosto da bela concorrente. Num outro momento do debate, Trump, que é o mais bem colocado nas pesquisas entre os pré-candidatos do partido liberal, responde a uma crítica sobre seu cabelo dizendo que, na verdade, é careca. Trump e Jeb Bush, outro concorrente e irmão do ex-presidente George, se tratam pelo primeiro nome, mesmo quando jogam farpas um contra o outro. E assim segue o debate presidencial mais engraçado a que já assisti na vida. Me faz pensar que os embates entre candidatos aqui do Brasil bem que poderiam seguir este modelo livre, leve e solto. Seriam um programa muito mais interessante!

Nem sabia que haveria um debate ontem entre pré-candidatos até chegar na residência da Embaixadora dos Estados Unidos no Brasil, Liliana Ayalde. Fui parar lá para acompanhar meu marido a uma recepção para ex-participantes de um programa de visitas aos Estados Unidos destinado a mostrar realidades específicas do País. Como correspondente de uma rádio de São Paulo em Brasília, meu marido foi escolhido para integrar um grupo que visitou Washington, Michigan e Florida durante o pleito que elegeu George Bush para seu segundo mandato em 2004. Nos jardins da casa da simpática embaixadora, além do programa em si, o assunto era o debate.

“Quem você acha que vai ganhar as eleições?”, perguntei a um diplomata americano que se mudou para o Brasil há apenas dois meses. “Não posso dizer. Temos que apoiar qualquer um que ganhe”, respondeu o diplomata, sem negar a profissão. O nova-iorquino se aproximara de mim e meu marido perguntando a Mauro, num português ainda macarrônico, como fora sua participação no Programa. Cada convidado para a recepção ganhava na entrada um adesivo com o nome e o ano em que participou. A plaquinha, colada sem cerimônia nos ternos e vestidos exigidos pelo cerimonial, é comum em reuniões de americanos, me esclareceu meu marido. É a forma que eles encontram de se socializar neste tipo de encontro meio de trabalho, meio de lazer.

Quebrando o gelo
Outro diplomata, este do Texas, também se aproximara de nós uma hora antes, puxando conversa, assim, do nada. Olhou a plaquinha e foi se apresentando. Achei tudo aquilo hilário, mas disfarcei, em nome da diplomacia, claro. Então, pra se socializar, eles lançam mão de placas?

Me lembrei das festas a que ía em Nova Iorque, onde morei por um curto período em 1996. Elas são chamadas de “parties”, palavra que a gente traduz livremente como “festas”, mas que, na verdade, significa partes. Ou seja, encontro das partes. E é isso que elas são mesmo, encontros. A gente chega, a música tá tocando, a comida tá rolando, mas… ninguém dança. Fica todo mundo em pé, ouvindo a música, mas sem se mexer, só conversando. Nos shows, é a mesma coisa. Fica todo mundo em pé, mas sem dançar. Um show do Oasis a que fui numa praia chamada John’s Beach foi o mais chato a que fui em toda a minha vida. Ah, os choques culturais… Isso porque somos todos americanos, todos do Novo Mundo. Imagine como devem ser estes choques pra quem vai morar na Europa.

Outra coisa curiosa na “party” de ontem foi o fato de o diplomata texano ter falado por quase meia hora sobre o tempo em que morou no Chile. Falou sobre o trânsito em Santiago, as influências da cultura alemã sobre os chilenos, até Allende… Pra quando eu chegasse em casa, ter aquela notícia de que o terremoto de 8 graus na escala Hichter atingiu o país. Já dizia Jung e depois Sting que não existem coincidências, na tal Teoria da Sincronicidade, da qual passei a ser seguidora. E as notícias das mortes no Chile vinham me chegando em Breaking News a cada dez minutos de intervalos no debate dos republicanos. Ah, sim, o debate. Além de tornar meu fim de noite bastante divertido, o debate me deixou uma preocupação: Donald Trump é bem mais inteligente do que aquela franja loura dele nos faz acreditar. Um perigo na atual situação de baixa popularidade do governo do democrata Barack Obama.

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A arte de se reinventar

“Se reinventar” tem sido uma expressão tão usada nestes tempos de mercado jornalístico cada vez menor que às vezes até parece um clichê ou um modismo. Mas é interessante como à medida que chegamos perto da meia idade surgem em nossos corações e mentes vontades diferentes daquelas de 20, 25 anos atrás. Nos últimos cinco, dez anos, várias amigas minhas resolveram fazer alguma coisa fora do jornalismo. Algumas haviam perdido empregos no mercado jornalístico, mas nem todas. Algumas simplesmente se encheram das chatices do mundo do jornal, da TV: estresse, pressão, passaralhos (demissões de muitas pessoas de uma vez em uma redação), politicagem, sujeira na política… a lista é grande.

Se os motivos foram vários e diferentes entre si, da mesma forma, os caminhos alternativos, também o foram. Uma das minhas amigas, ex-repórter de um grande jornal e uma ex-grande revista, se especializou na área social e virou consultora de políticos interessados no tema. Ultimamente, foi além e, após um período de profissionalização, virou professora de Ioga. Outra, depois de deixar um cargo de editora em uma revista semanal, resolveu voltar a estudar para trilhar uma carreira na área de mídias digitais. Dois amigos deixaram a redação para serem consultores na área de comunicação. Uma outra acumula o trabalho de jornalista com a produção de almofadas bordadas. Há ainda uma que largou de vez o jornalismo pra ser… chef de cozinha! Duas outras viraram psicanalistas! E há ainda uma amiga que começou a desenhar sapatos e, após um período vendendo suas lindas criações em feiras, abriu uma loja tão bem sucedida que já vai ganhar uma filial em outra cidade!

É muito difícil ser jornalista a vida toda. Chega uma hora que fica cansativo, igual. No meu caso, tive vontade de fazer mais alguma coisa, sem abandonar o jornalismo. Como andava gostando muito de moda nos últimos tempos e comprando muitas revistas e livros sobre o assunto, vi brotarem na minha cabeça ideias sucessivas de modelos de sapatos. Um atrás do outro, eles iam surgindo. Comecei, então, a coloca-los no papel. Quando fui visitar a loja daquela minha amiga, contei a ela sobre os desenhos, que eu já vinha fazendo desde antes de ela abrir seu empreendimento. Foi aí que ela me fez um convite irrecusável: fazer uma coleção cápsula pra loja dela “by Mariana Monteiro”. Com as limitações da fábrica pra produzir sapatos com desenhos muito rebuscados, terminamos decidindo lançar apenas um modelo. E foi assim que surgiu o sapato de veludo verde escuro que lançamos há um mês mais ou menos na Fulanitas de Tal, a tal loja, que fica na 405 Norte, em Brasília.

Foi muito legal a sensação de conseguir fazer uma criação sair do papel e ganhar vida! Mais legal ainda ver os sapatos nos meus pés, bastante confortáveis. E ainda estou pra conferir como ficaram em uma amiga minha do (outro) trabalho! Deu vontade de começar de novo do zero e transformar outro desenho em um sapato de três dimensões! Mesmo sabendo o trabalhão que dá. E reavivou em mim a vontade de voltar a estudar pra, quem sabe, ficar melhor neste novo ofício que terminou me fazendo tão feliz! Benditos sejam nossos Planos B!!!

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