A arte de se reinventar

A arte de se reinventar

“Se reinventar” tem sido uma expressão tão usada nestes tempos de mercado jornalístico cada vez menor que às vezes até parece um clichê ou um modismo. Mas é interessante como à medida que chegamos perto da meia idade surgem em nossos corações e mentes vontades diferentes daquelas de 20, 25 anos atrás. Nos últimos cinco, dez anos, várias amigas minhas resolveram fazer alguma coisa fora do jornalismo. Algumas haviam perdido empregos no mercado jornalístico, mas nem todas. Algumas simplesmente se encheram das chatices do mundo do jornal, da TV: estresse, pressão, passaralhos (demissões de muitas pessoas de uma vez em uma redação), politicagem, sujeira na política… a lista é grande.

Se os motivos foram vários e diferentes entre si, da mesma forma, os caminhos alternativos, também o foram. Uma das minhas amigas, ex-repórter de um grande jornal e uma ex-grande revista, se especializou na área social e virou consultora de políticos interessados no tema. Ultimamente, foi além e, após um período de profissionalização, virou professora de Ioga. Outra, depois de deixar um cargo de editora em uma revista semanal, resolveu voltar a estudar para trilhar uma carreira na área de mídias digitais. Dois amigos deixaram a redação para serem consultores na área de comunicação. Uma outra acumula o trabalho de jornalista com a produção de almofadas bordadas. Há ainda uma que largou de vez o jornalismo pra ser… chef de cozinha! Duas outras viraram psicanalistas! E há ainda uma amiga que começou a desenhar sapatos e, após um período vendendo suas lindas criações em feiras, abriu uma loja tão bem sucedida que já vai ganhar uma filial em outra cidade!

É muito difícil ser jornalista a vida toda. Chega uma hora que fica cansativo, igual. No meu caso, tive vontade de fazer mais alguma coisa, sem abandonar o jornalismo. Como andava gostando muito de moda nos últimos tempos e comprando muitas revistas e livros sobre o assunto, vi brotarem na minha cabeça ideias sucessivas de modelos de sapatos. Um atrás do outro, eles iam surgindo. Comecei, então, a coloca-los no papel. Quando fui visitar a loja daquela minha amiga, contei a ela sobre os desenhos, que eu já vinha fazendo desde antes de ela abrir seu empreendimento. Foi aí que ela me fez um convite irrecusável: fazer uma coleção cápsula pra loja dela “by Mariana Monteiro”. Com as limitações da fábrica pra produzir sapatos com desenhos muito rebuscados, terminamos decidindo lançar apenas um modelo. E foi assim que surgiu o sapato de veludo verde escuro que lançamos há um mês mais ou menos na Fulanitas de Tal, a tal loja, que fica na 405 Norte, em Brasília.

Foi muito legal a sensação de conseguir fazer uma criação sair do papel e ganhar vida! Mais legal ainda ver os sapatos nos meus pés, bastante confortáveis. E ainda estou pra conferir como ficaram em uma amiga minha do (outro) trabalho! Deu vontade de começar de novo do zero e transformar outro desenho em um sapato de três dimensões! Mesmo sabendo o trabalhão que dá. E reavivou em mim a vontade de voltar a estudar pra, quem sabe, ficar melhor neste novo ofício que terminou me fazendo tão feliz! Benditos sejam nossos Planos B!!!

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2 Comentários

  1. Que bom, Ana, que você vai estudar audiovisual, é a parte que mais gosto do jornalismo! Mas o meu, por enquanto, não chega a ser um plano B, é só um outro lado mesmo. Beijão e boa sorte também!

  2. Estou nessa. Depois de estudar cozinha, estou voltando a estudar… Comunicação! Audiovisual, que nunca foi minha praia. E tentando aprender a viver (de novo) em outro país, outro idioma, outra cultura. Isso deixa a gente vivo, né?
    Parabéns pela coragem de atacar de Plano B! Sempre vale a pena.
    Beijão, Mariana. Suerte!

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