Posts made in outubro, 2015

O dia em que conheci Simone de Beauvoir e Sartre

Por Rosa Sales*

Parabéns ao velho MEC pela iniciativa de colocar uma questão sobre Simone de Beauvoir no Enem. Sinal de que há seres pensantes no Ministério da Educação. Destaque para o INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas), resquícios do sábio Anísio Teixeira.

A foto de Simone de Beauvoir e Sartre mostra exatamente como eles eram em 1961, quando estiveram no Recife. Eu, estudante de Filosofia na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade Federal de Pernambuco. Ali se realizava o Seminário Internacional de Literatura Latina do qual o famoso casal participava como convidado.

Enorme tensão na faculdade, grande rebuliço nos meios intelectuais do Recife. Imprensa do país e internacional acompanhavam os eventos que se misturavam ao clima movimentado na região, Ligas Camponesas, SUDENE, Movimento de Cultura Popular, do qual José Wilker era um dos expoentes, etc.

Nesse ambiente, o Diretório de estudantes da Faculdade achou espaço para um encontro entre estudantes e Sartre/Simone. Memorável!! Mesmo todos em pé, jamais vou esquecer a coragem de que me tomei para perguntar a Sartre, que acabara de passar pela então União Soviética, como ele conciliava a Teoria Existencialista com o Marxismo. Deu-nos uma brilhante aula  sobre como os dois conceitos não seriam incompatíveis teoricamente: a pessoa poderia ser existencialista vivendo num sistema Comunista. Por isso mesmo, foi um crítico do Socialismo Real, que impossibilitava a liberdade de pensamento completa pressuposta pelo Existencialismo.

Simone respondeu a diversas questões sobre seu livro “O Segundo Sexo”. Perguntei sobre a situação da mulher nos países do então Socialismo Real. Ela apontou conquistas, mas continuou muito crítica.

Lembranças de tempos revoltos e intensos. Recife fervia! Mas há que se ponderar que lembro tempos de juventude. Então, não são vistos assim os tempos de todos quando se é jovem?

*Mãe de Mariana Monteiro, Rosa Sales é aposentada pelo Ipea e fez parte da equipe de Celso Furtado na Sudene, nos anos 60, em Recife.Fez Mestrado e Douturado em Sociologia na USP e uma bolsa sanduíche na Sorbonne, Paris, sobre Autogestão de Fábricas.

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Miami bem além das compras

Com o dólar beirando os R$ 4, foi-se o tempo em que os brasileiros viajavam pra Miami só pra comprar. Pra mim, na verdade, Miami nunca foi sinônimo de compras: acabo de voltar de lá e até hoje não conheço o tal shopping Bel Harbor de que todo mundo fala. Passei um mês uma vez por razões familiares e fiquei mais no belo condomínio de casinhas onde estava hospedada, visitando o centro, as casas dos famosos de barquinho, e bairros legais como South Beach, Coral Gables e Fort Lauderdale. Já naquela época, 1999, perdi completamente o grande preconceito que tinha de que Miami é programa só pra sacoleiros. E olha que pouco frequentei a praia.

Desta vez, com meu marido e meu filho de sete anos, ficamos três dias na cidade. Fiz questão de ficar em South Beach, bem no meio do Art Decô District, pra absorver bem aquela atmosfera de balneário dos anos 30/40. Escolhi o Hotel Pestana, da famosa rede portuguesa, especialmente por ficar em um prédio de três andares construído lá pelas décadas de 30 ou 40 mesmo. Bem decôzinho. A piscina fica bem no meio, envolta pelo prédio.

Apesar de o serviço ser bem mais ou menos (com os atendentes achando estranho quando você pede pra eles fazerem reserva em um restaurante…), o hotel é muito bem cuidado e limpo e a localização é perfeita, na rua logo atrás da Collins Av. e a uma quadra do famoso e ainda irresistível Hotel Delano.

O majestoso Delano continua com as portas abertas para não clientes cara de pau como eu que vão lá só pra apreciar o bom gosto de Phillip Stark e passear entre suas cortinas gigantes e cadeiras douradas, poltronas cobertas de lã e sua loooonga piscina e em frente à praia.

A dica é tomar um expresso olhando pra piscina ou um drink no bar e pagar cash. Meu filho amou o hotel e pediu pra se hospedar lá na próxima viagem…

Ao lado do Delano, está o American, que também vale uma visita. Tem vários detalhes decô e uma piscina igualmente convidativa.

Restaurantes deliciosos
É também nos hoteis de luxo que estão alguns dos melhores restaurantes de Miami. No hotel Jean-Georges Vongerichten, bem em frente à Praia, está o Matador Room, com um ambiente luxuoso dentro…

e descontraído do lado de fora. O antendente do nosso hotel disse que não era necessário fazer reserva (imagine!!) e tivemos que ficar lá fora. Mas foi ótimo assim mesmo. As tapas de polvo, camarão e otras cositas más estavam de-li-ci-o-sas e meu filho se apaixonou pelos bolinhos de siri. Afinal, deveriam ter o mesmo gosto dos hambúrgueres de siri do Siri Cascudo, do desenho preferido dele, Bob Esponja. O atendimento no Matador é mais que perfeito, é divertido!

Outro restaurante muito bonito para se tomar um brunch no domingo é o Zuma. Fica no Hotel Epic, lindo e chiquérrimo, no centro de Miami. A dica é abusar do GPS. O nosso pedia um pin number que não haviam nos dado e nós dançamos. Chegamos tarde e o restarante já estava fechando. Morrendo de fome, fomos conduzidos ao bar/restaurante da piscina no 14º andar. O resultado foi (quase) melhor que a encomenda: a atendente filha de cubanos era superatenciosa, a salada grega estava maravilhooooosa e a vista é esta aí da foto abaixo, da outra Miami, a mais tradicional: moderna, opulenta e totalmente diferente da charmosa South Beach. Uma experiência inesperada!

Na saída do Epic, você encontrará a típica fauna do jet set miamiense, com seus cabelos louros e suas bolsas Chanel da última estação. Seguindo as dicas de uma amiga que vai bastante à cidade e de sua irmã dona de um apartamento em Miami Beach, seguimos noutra noite para o Milos. É um restaurante mediterrâneo daqueles tradicionais, com peixes e frutos do mar fresquíssimos à mostra…

… salada grega deliciosa, e que tem, do outro lado, um daqueles oyster bars pra nenhum apaixonado botar defeito.

Uma noite daquelas pra se colocar o vestidinho que você ganhou do marido de presente de aniversário no outlet Sawgrass Mills, o maior e melhor dos arredores de Miami.

Prometi não focar nas compras, mas indo pegar uma praia diferente em Fort Lauderdale, a praia que um dia foi um reduto hippie…

…terminamos visitando este outlet em pleno feriado de Columbus Day.

Resultado: além dos vestidos lindíssimos de Prada, Dior, Kate Spade do ano passado/ início de 2015 pela metade do preço, pode-se comprar tênis e casacos esportivos a cerca de U$ 40. Nos feriados, além dos preços normalmente rebaixados, há ainda mais 40% de desconto. Uma loucura pra sacoleiro nenhum botar defeito!!!

Ainda entre os restaurantes dentro de hoteis, vale a pena conhecer o Dolce Italian, do Gale, um hotel italiano Art decô, 4 estrelas, como o Pestana em que ficamos. Ele fica na própria Collins, mais perto ainda do Delano. Comi uma massa verde com lagosta perfeita e me dei o direito a uma tacinha de Veuve Clicquot.

O sotaque do sommelier de Long Island parecia saído diretamente do seriado Os Sopranos. Aliás, acho o Gale uma boa dica para se hospedar também. Acho que será nosso próximo destino, pra decepção do nosso filho. Eu já tinha visto o Gale na internet, mas a vendedora da Miu Miu que me atendeu no Desing District (calma, já chegaremos lá!!), a simpaticíssima Paloma, me disse que ali era o melhor lugar de South Beach pra se tomar drinks à moda de Nova Iorque.

Ainda no quesito restaurantes, não dá pra deixar a Ocean Drive de lado.

Mas a esta você pode ir de biquíni e saída de banho mesmo, diretamente da praia. E pode escolher à vontade de qual restaurante vai observar a última moda das mulheres negras, com seus cabelos montados e unhas enormes; e os carrões, sejam os antigos

… ou os modernos e superchiques.

Arte por toda parte!
Miami é, hoje em dia, uma das capitais importantes para quem gosta de arte contemporânea. É o meu caso e, da próxima vez que for, tentarei tirar férias em dezembro pra conferir a Art Basel, uma exposição anual de artistas do mundo todo que rola no Museu da Art Basel em South Beach, bem pertinho do nosso hotel, aliás, e em outras partes como o Art District.

O Art District fica no bairro de Winwood, um dos lugares hype atualmente…

…onde os descolados se encontram pra ir a galerias e lojas de móveis legais, restaurantes e bares muuuuito maneiros e grandes murais pintados por artistas do mundo todo.

O do “nosso” restaurante era dos Gêmeos. Por pura coincidência.

Winwood, em resumo, é um passeio imperdível.

 

Podemos inserir no capítulo arte o Desing District. Afinal, como eu sempre digo, moda é arte funcional e olha só como o pessoal da Fendi fui supercriativo.

Meu filho adorou brincar nessas cadeiras e entrar e sair desta bolha gigante.

Juro que só entrei em uma loja, a da Miu Miu, irmã mais nova da Prada, de olho em um sapato pelo qual me apaixonei pelas páginas da Vogue. Conseguir o diabo do sapato foi uma odisseia, não pra mim, mas pro próprio sapato, que teve que vir da loja de Nova Iorque. No dia seguinte, em que cheguei pra leva-lo, ele não tinha chegado. A Fedex falhara porque a Carolina do Sul estava sob a água, em um enorme flod. “Você tem certeza que chega até amanhã?”, perguntei esperançosa, porque no dia seguinte seguiríamos para Orlando. “A hundred per cent”, me disse a fofa vendedora Paloma. E assim foi que tive que confiar na palavra da moça descendente de alemães e pagar adiantado, depois de provar um sapato similar do meu tamanho italiano, 39. No dia seguinte, voltamos da praia e o moço do hotel disse: “A moça da loja ligou dizendo que o seu presente (kkk!) vai chegar às duas horas”. Bem, foi graças à enchente na Carolina do Sul que conhecemos o Gale e seu restaurante delicioso. Mas deixamos de almoçar no lindo restô do Museu Perez, como havíamos planejado.

Museu Perez
O Perez, aliás, foi a última parada da parte artsie de nossa viagem a Miami. Este museu que é uma obra de arte em si só. Foi construído em 2013 pra abrigar apenas mostras de arte contemporânea. Fica bem na frente da Baía de Biscayne.

A exposição em cartaz falava de migrações…

… e desses acontecimentos demográficos do mundo contemporâneo.

Aliás, tudo a ver com Miami, né? Um lugar povoado por imigrantes de toda a América Central que, diga-se de passagem, ajudam a fazer dela uma cidade tão interessante. Só desta vez, conheci garçons e atendentes de Cuba, República Dominicana e Haiti.

E só pra não perder o hábito, não deixe de passar na lojinha do museu. Tem obras lindas pra vender, daquelas que cabem no seu bolso.

No mar verde olhando pro Art Decô
A praia de South Beach é majestosa! Tem o verde transparente igual ao de Punta Cana, na República Dominicana emoldurado em cima pelos predinhos Art Decô!Pra mim, que amo o mar e adoro a arquitetura desta época, anos 1920/30, não poderia haver combinação mais perfeita.

Chegar à praia já é uma delícia porque, embora a areia não seja tão branca quanto a da maior parte das ilhas do Caribe, as cabines de madeira coloridas onde ficam os salva-vidas fazem toda a diferença. São a cara dos Estados Unidos e ainda reforçam o ar retrô.

Depois de três dias aproveitando vários pontos diferentes desta praia, tive a certeza de que quero voltar muitas vezes àquele lugar paradisíaco! Miami sim, mas de preferência ao ar livre!!!

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