Posts made in janeiro, 2016

As crianças e esses seres “estranhos e nojentos”

É como se você estivesse assistindo a um daqueles já clássicos filmes do canadense David Cronnemberg: “A Mosca”; “Gêmeos, Mórbida Semelhança”; “Scanners, sua Mente Pode Destruir”. Cheios de seres estranhos, junções de duas espécies, bichos e pessoas modificados geneticamente, outros com diferenças anatômicas que nos parecem extremamente escatológicas. A exposição “Comciência”, da australiana Patricia Piccinini, em cartaz desde o fim de semana no Centro Cultural Branco do Brasil (CCBB) de Brasília, tem um pouco de tudo isso e muito mais.

Por causa disso, a exposição formou, em seu primeiro fim de semana em cartaz, filas maiores do que qualquer outra mostra que habitou os três espaços do CCBB de Brasília. Em São Paulo, por onde já passou, as filas foram maiores do que as da exposição de Picasso! A estranheza atrai as pessoas. A diferença é novidade e o novo sempre desperta a curiosidade no ser humano. Como ensinava meu professor de Políticas Culturais Luiz Humberto em suas aulas do curso de Comunicação da Universidade de Brasília, nos anos 80.

Sim, Patricia quer despertar a curiosidade e ela apela para as anormalidades. Grandes anormalidades. Seres que têm filhos pelas costas…

… Meninas peludas…

… Meninos com cara de macaco…

Base Científica
Mas o mundo da artista plástica australiana tem uma base científica. Imagine que, no futuro, cientistas humanos criam, em laboratório, seres geneticamente modificados. O objetivo é que eles ajudem os humanos nas tarefas do dia a dia. Veja esta macaca ama de leite. Ela está amamentando um bebê humano.

E ele não é uma macaca comum. Olhe por onde saem os seus filhotes. Nojento? Tudo o que é diferente, é nojento.

Um outro aspecto da proposta de Patricia, é o oposto: a humanização de seres inanimados. Olhe estas motocicletas. Não parecem pessoas ou bichos?

Já as flores do belo jardim do subsolo lembram mais ainda “Gêmeos, Mórbida Semelhança”, com suas formas se parecendo com órgãos humanos.

Ou esta flor não parece um útero com ovários aumentados?

Mas se o estranho e o escatológico nos parece meio intragável em uma primeira olhada, aos poucos vamos percebendo que há, ali, um objetivo maior: perceber que o diferente está longe de ser agressivo, muito longe de ser o inimigo. Esses seres gorduchos e peludos, com caras ambíguas e que têm filhos que nascem de nojentos buracos em suas costas, são amigos das crianças humanas.

O que se percebe na relação entre seres geneticamente modificados e crianças humanas é afeto. De parte a parte.

A estranheza que estes seres nos causam não é de alguma forma parecida com a que pessoas com deficiências físicas também podem nos causar? Principalmente às crianças, menos acostumadas às deformidades? Pois é, a ideia de Patricia Piccinini, no fim das contas, é mostrar que nós humanos e, principalmente, as crianças humanas terminam tendo uma relação de afeto com o ser “estranho”, diferente. Uma exposição pela diversidade. Pela convivência. Viva!!!

 

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Joy: o Neofeminismo Chegou a Hollywood

A onda neofeminista chegou a Hollywood. Pelo menos três longas metragens com temas feministas estão em cartaz e concorrendo a estatuetas do Oscar. Se “As sufragistas” traz o feminismo histórico, contando o episódio em que um grupo de mulheres foi às ruas pelo direito de votar na Inglaterra do início do século XX, “Carol” mostra a história de uma mulher casada que, infeliz com o marido, se apaixona por outra mulher e vai atrás de uma vida mais plena, ainda que escondida, com o amor do mesmo sexo (personagem da ótima Rooney Mara, que já foi indicada ao Oscar de Coadjuvante antes- pelo segundo filme da série inspirada na trilogia de livros suecos “Millenium”, e concorre de novo agora).

Cate Blanchet concorre a melhor atriz, mais uma vez, pelo papel principal. Há quem ache sua interpretação chata, cheia de mi mi mi, como o crítico de cinema e fundador do Canal Brasil, Wilson Cunha. Há quem pense, ao contrário, que ela interpreta magistralmente a mulher gay dos anos 1950 nos Estados Unidos. E Blanchet é inglesa, é sempre bom lembrar. De qualquer forma, é uma forte candidata à segunda estatueta de sua carreira.

Há muito tempo, a dedicada atriz cheia de nuances Cate Blanchet virou uma queridinha de Hollywood. Ganhou a última vez por um dos filmes mais ou menos de Woody Allen, “Blue Jasmine”. Levou pela primeira vez ao interpretar magistralmente a atriz Katharine Hepburn em “O Aviador”, de Martin Scorsese. É a sexta vez que Blanchet concorre ao Oscar e ela tem a vantagem de já ter ganhado o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Drama, uma categoria considerada mais séria do que a de Comédia ou Musical, em que o filme “Joy” caiu.

É justamente “Joy” quem corre por fora nesta lista de fitas feministas. Trata-se da história real da dona de casa americana (vivida pela já ganhadora do Oscar de Melhor Atriz Jennifer Lawrence) que, nos Estados Unidos dos anos 80 inventou um esfregão de limpar o chão totalmente diferente dos que existiam até então. Era o único que permitia que se limpasse o chão sem tocar nenhuma vez no próprio esfregão, evitando cortes e outros machucados, além da sujeira. O algodão do objeto podia ser lavado na máquina e reutilizado, de forma que a dona de casa nunca teria que comprar outro esfregão na vida, como garante a própria inventora quando finalmente consegue um contrato com uma televisão para comercializar sua criação.

Jennifer Lawrence, que já ganhou o Globo de Ouro de melhor atriz em Comédia ou Musical pelo papel, é dona mais uma vez de uma interpretação segura e comovente capaz de fazê-la repetir o feito de “O Lado Bom da Vida”. Só que vai ter que bater Cate Blanchet. A jovem Lawrence, de apenas 24 anos, pode ter perdido alguns pontos com os velhos acadêmicos quando caiu na bobagem de chamar a atenção de um jornalista que usava o celular (provavelmente para trabalhar), na entrevista que ela deu nos bastidores, após ganhar o Globo de Ouro.

Mundos de papel
O grande lance do filme é o caminho até que Joy, uma estudante nota A do ensino público dos Estados Unidos, largasse a difícil vida de mãe separada e filha de pais complicados e dependentes, para enfrentar o caminho que poderia leva-la ao sucesso empresarial. O diretor e roteirista é David O. Russell, o mesmo de “Trapaça” e “O Lado Bom da Vida”, que deu a Lawrence seu primeiro Oscar. Isso garante à produção um roteiro inventivo, uma edição cheia de gracinhas- muito bem vindas, neste caso- e uma narração feita pela avó de Joy, interpretada por uma Diane Ladd já velhinha, mas ainda em ótima forma. Merecia pelo menos uma indicação ao Oscar.

Diane Ladd, pra quem não se lembra, é a mãe de Laura Dern (de “Coração Selvagem” e “Parque dos Dinossauros”) e ex-mulher de Bruce Dern, aquele que foi reabilitado em Hollywood pelo diretor e roteirista Alexander Payne e ganhou o Oscar pelo papel do velhinho que garante ter ganhado na loteria do fantástico “Nebraska”. Família de bambas, eu diria.

De quebra, Lawrence volta a contracenar com Bradley Cooper, que aparece no meio da história pra garantir a volta da dobradinha do ótimo “O Lado Bom da Vida”. Mas em“Joy”, o ótimo Cooper não se sobressai como de costume.

O peso usado por O. Russell para retratar a bipolaridade em “O Lado Bom…, dá lugar, no novo filme, à leveza da comédia, no início, ou ao drama nada pesado, e sim bem ritmado, até o final. Robert de Niro e Isabella Rossellini reforçam vários momentos cômicos. E Virginia Madsen, melhor ainda que em “Sideways”, faz uma absolutamente impagável mãe presa na cama e dependente de Soap Operas das piores possíveis. Outra que bem poderia ter sido ao menos indicada ao Oscar de Coadjuvante.

Joy é uma personagem interessantíssima. Uma menina inventiva que cria mundos de papel, enquanto vai muito bem na escola, chegando a oradora da turma na High School. Num ambiente de pais beligerantes que não têm tempo nem vontade de incentivá-la a ser mais que uma dona de casa, é a avó visionária quem assume este papel. Há também a amiga de infância sempre a postos para ajuda-la, durante toda a vida.

Joy é sobre uma mulher emponderada pela inventividade vivendo num mundo de mediocridade. Um belo filme.

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Ettore Scola me introduziu no mundo do cinema italiano

Nunca vou me esquecer do impacto que “O Baile” teve em mim, aquela jovem estudante de Comunicação de uns 19 anos, lá pelo fim dos anos 80. Entrei no curso de jornalismo porque queria ser crítica de cinema ou de rock. Uma saga toda passada em um salão de baile. 50 anos na vida de alguns casais que dançam dos anos 1930 a 1980. Nem uma palavra. Só olhares, gestos. Comunicação por meio do movimento. Coisa de gênio.

Este gênio era o italiano Ettore Scola, que morreu ontem, do coração, aos 84 anos. Morreu ainda na ativa. Seu último filme, “Que estranho chamar-se Federico”, em homenagem ao amigo Fellini, é de dois anos e meio atrás, 2013. “O Baile”, sua produção mais premiada, que ganhou além de alguns Césars (o Oscar francês), o Urso de Ouro no Festival de Berlim, eu vi na Cultura Inglesa, como de resto, todos os outros filmes dele feitos até 1987, 88.

Por uns 20 anos, o cinema da escola de inglês britânico foi o mais importante que existia em Brasília. Naquela salinha pequena, em que uma vez encontrei um rato, nós cinéfilos, nos formávamos na arte de gostar e apreciar o cinema dos grandes diretores. O programador era o Roberto da Matta, a quem só tenho agradecimentos a fazer. Ali, eu e meus amigos dos cursos de jornalismo, publicidade, rádio e TV e cinema, do qual foi aluna até fecharem o curso por alguns anos, assistíamos a pérolas da História recente do cinema, em especial o europeu.

Eram mostras com o que se conseguisse reunir da obra de um determinado cineasta. Lembro-me perfeitamente da mostra de Fassbinder, quando fui apresentada ao forte “Querrelle”, e a “Lolla”, “Lulu Marlene” e outras histórias que mostravam pra gente o submundo da Alemanha. Lembro-me mais ainda da Mostra dos filmes do grande Buñuel, o surrealista máximo do cinema espanhol e europeu. Nunca vou me esquecer de “Este Obscuro Objeto do Desejo” e de toda a sua ambiguidade. Um roteiro absolutamente desconcertante em sua originalidade! Ou da crítica mordaz de “O discreto charme da burguesia”.

Houve também a mostra de Carlos Saura, com as loucuras de “Mamãe faz 100 anos” e a ode à Dança Flamenca de “Bodas de Sangue”. Saura era mesmo um seguidor de Buñuel, no quesito esquisitices.

Truffaut
Houve ainda Truffaut, minha mostra preferida, meu cineasta predileto da juventude. “Jules e Jim”, “O último metrô”, os curtas com o personagem Antoine Doinel, alterego do diretor, vividos por Jean Pierre Léau. Léau e Doinel eram onipresentes na cinematografia de Truffaut, vinha desde adolescente, no liceu de “Os incompreendidos”. Léau ainda está vivo, ainda bem!!

Como era fantástica aquela época! Éramos muito felizes na Cultura Inglesa e não sabíamos. Ou sabíamos, mas não imaginávamos que era coisa de uma geração, que depois aquela sala mágica desapareceria como cinema.

A outra mostra de que me lembro foi justamente a de Ettore Scola. Além de “O Baile”, me lembro demais daqueles filmes todos passados dentro de casarões italianos e quase sempre protagonizados por Marcello Mastroianni  e Sophia Loren…

e também estrelados por Vittorio Gassman. Eram dramas familiares como “Nós que nos amávamos tanto” e “A família”.

Muita conversa entre os personagens de uma mesma família, muita briga. Tudo muito gritado, tudo bem italiano. Mas também silêncios, os silêncios de Scola. E aquela fotografia que, mesmo colorida, tinha um quê de Preto e Branco. As casas eram escuras.

O último filme de Scola que vi foi “Concorrência Desleal”, já sem Cultura Inglesa”, em um dos festivais de cinema, o do Rio ou o FICC Brasília. Socialista que era, Ettore Scola resolveu criticar uma das maiores chagas do capitalismo e da sociedade de consumo: a deslealdade que costuma caracterizar a concorrência. Mais um filmaço, já feito em sua idade madura.

É, pensando em retrospecto, posso dizer que quem me apresentou ao grande cinema italiano foi Ettore Scola. Antes de Fellini, antes do meu amado Antonionni. E eu só tenho a agradecer a Scola por isso. Queria que ele vivesse mais! Quero ver todos os filmes que não vi naquela época e mais tarde na televisão. Meu luto por ele é maior do que por David Bowie, que fui aprendendo a amar ao longo do tempo. É maior porque amei Scola antes. Naquelas tardes no pequeno auditório da escola de inglês que só frequentei pra ir ao cinema. Obrigada, Ettore Scola! Você me deu muito! RIP!

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Saindo da rotina em busca de uma vida natural

Todo fim de ano, fico uma semana em um SPA totalmente natural aqui nos arredores de Brasília. No Bálsamo, além de emagrecer pouco mais de dois quilos antes das férias na praia, passo por um processo de desestresse e desintoxicação fundamentais para uma pessoa acelerada como eu.

O SPA, em meio ao verde e com vista para o Lago Paranoá, segue a Naturopatia.

Prega uma filosofia muito simples: a volta à vida natural. Voltar à vida natural, porém, pode não ser tão simples para 99,9% das pessoas que vivem no mundo moderno. É que, há quase um século, quando a pessoa está com fome e não há comida em casa, sai correndo pro supermercado e compra comida congelada. Na pior das hipóteses, um Miojo, que fica pronto em três minutos. Consome ali uma quantidade inacreditável de sódio e conservantes. Um dos meus colegas de SPA contou que um adolescente esqueceu um sanduíche do Subway na mochila e, quando o encontrou um mês depois, o presunto ainda estava conservado. Imagine a quantidade de produtos químicos necessários pra manter uma carne comestível por 30 dias!

O natural seria a pessoa com fome ir até uma macieira pegar uma maçã (sem agrotóxicos) e comê-la na hora, nos lembram no Bálsamo. Ou pagar as verduras plantadas na horta, cozinha-las e consumi-las em seguida.

E a respiração? Em relação a ela também temos muito a aprender. É preciso voltar no tempo para usa-la melhor. A gente respira o tempo todo, mas não tira 15 minutos do dia para respirar profundamente, para fazer com que o ar realmente chegue à totalidade dos enormes pulmões.

“Tem gente que diz que se alimenta de luz. Não é exatamente isso. Eles vivem de ar. Respirar profundamente alimenta”, diz Nadja Coe, a professora responsável pelas aulas de respiração que temos no Bálsamo. Ela é filha de Pete Coe, o dono do lugar e médico naturopata que acompanha os pacientes/hospedes, fazendo, inclusive, um exame da íris de cada um. As aulas são, sim, necessárias. Nadja ensina uma série de técnicas: tem a de inspiração lenta e aos poucos; a de expiração similar; a de soprar aos poucos até ficar em apneia; várias, até se chegar à respiração completa, enchendo primeiro o abdome, depois a região da costela e, por último, os pulmões completamente. A técnica se originou da milenar Ioga, daí eu ter me acostumado rapidinho.  (Na foto abaixo, sauna individual, que também elimina toxinas)

Se alimentando de ar
“Aqui no SPA, às vezes a pessoa está com fome porque come menos do que está acostumada. Aí, ela deve respirar”, ensina Nadja. “Fazer os exercícios de respiração nutre o ser humano com o oxigênio que é levado às células pelo sangue”, lembra. Nadja tem toda razão. Só senti fome uma vez, nesta última incursão ao Bálsamo: no dia da monofruta. Comendo só melão e suco de melão, tive que experimentar respirar nos momentos de fome. O alívio é grande.

Adeus cólica menstrual
A respiração, além de alimentar, ajuda muito em duas outras buscas: a redução do estresse e a cura da dor. No dia em que estava com cólica, me deitei na cama e respirei. Não precisei de remédios. Passou em 10 minutos. Fiz o mesmo há alguns dias, em mais um período pré-menstrual. Mesmo fora do SPA, deu certo de novo. Adeus Buscopan Plus!!

Tomar sol é outra coisa que nem sempre fazemos. O déficit de vitamina D está se tornando uma epidemia no mundo contemporâneo, afetando inclusive crianças. Fazemos tudo longe do sol, até a natação dos meninos é realizada em ambientes internos. Um neurologista especializado no tema me contou agora em São Paulo que para repor a vitamina D, são necessárias 60 gotas de óleo contendo o nutriente, por dia. Para ele, a maioria dos nutrólogos prescreve apenas 1/10 da quantidade necessária. (Na foto abaixo, uma das atividades mais relaxantes e revigorantes do SPA, a Gommage, uma esfoliação com sal grosso batido e mel. De quebra, a pele fica tinindo!)

Tomando sol na língua e nas genitais
Pois bem, se tomássemos 15 minutos de sol por dia, não precisaríamos de reposição alguma. No SPA os banhos de sol acontecem de manhã cedo e no fim da tarde (embora este especialista diga que o ideal seria quando o sol está a pique, no meio do dia, porque ele bate de forma mais direta no corpo. O destes horários incide apenas de forma diagonal, não sendo suficiente). Além de todo o corpo, inclusive os órgãos genitais, a língua também deve receber sol. Por isso, o Bálsamo tem um solário, atualmente todo cercado por vigas de madeira, para atrair mais praticantes. Ali, você deve tirar toda a roupa e abrir as pernas. Isso mesmo: tomar sol nos órgãos genitais que ficam ali, escondidos, mofando… “Mas esta é uma das atividades que menos ‘pegou’”, lamenta Pete Coe.

É que não é fácil mesmo. O ser humano contemporâneo tem que sair da sua rotina “normal”, cheia de estresse, alimentos podres, e pouco sol e respiração; ir para longe de casa, pra conseguir voltar a ter uma vida natural.

 

Serviço: Mais informações em: http://balsamospa.com.br/s/

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Sendo Nerd no Universal

Sempre tive um pouco de complexo por ter sido uma nerd na escola. Era boa aluna, sentava nas primeiras filas- hoje sei que era porque tenho um certo grau de déficit de atenção- e sofri muito bulling no então Segundo Grau, porque defendia a ferro e fogo as posições políticas em que acreditava, bem diferentes das dos meus colegas, direitistas do Lago Sul. Acho que tudo isso é, de certa forma, ser nerd.

Na faculdade, onde meus amigos maravilhosos me acolheram muito bem e tinham posições políticas parecidas com as minhas, a sacanagem era por eu, recém- chegada do meu intercâmbio nos Estados Unidos, ainda pronunciar as palavras da língua inglesa em inglês, e não de forma aportuguesada. Quando eu falava Woody Allen, então, o bulling corria solto. Mas pra este eu nem ligava, era tudo muito engraçado mesmo! Agora eu tô até lisonjeada porque o Porta dos Fundos fez um vídeo inspirado em mim e na Pati Melisa:

https://www.youtube.com/watch?v=-tEPNz8E5jc

Senti uma liberdade muito grande ao viajar pra Orlando neste ano pra levar nosso filho de 7 anos aos parques da Universal. Lá, os adultos viram crianças de novo e usam camisetas de super-herois, de personagens de filmes já clássicos como “ET” e “King Kong”; muitos marmanjos viram o Sheldon do comedy show (sim, assim eu chamava as séries quando cheguei dos EUA) “Big Bang Theory” onde se lê “Bazinga!”; e, nos casos mais graves, vestem capas e varinhas do Harry Potter. Há quem leve os filhos vestidos de Harry e tire uma casquinha.

Que delícia conhecer a cidadezinha onde fica a escola de Harry Potter, um filme que já vi adulta e de que, mesmo assim, gostei muito. É verdade que nesta época eu trabalhava como redatora da Rede Telecine. Mundos como o de Harry Potter são todos criados pela imaginação, o que é o máximo. É disso que se tratam estes paraísos nerds. Seja os reais, construídos em tijolo e cimento, como os da Disney/Orlando, sejam os jogos de RPG, que eu adooooro, embora tenha jogado pouco há cerca de 20 anos; ou os jogos eletrônicos, dos quais só joguei Donkey Kong em 1984. Um que comprei no Paraguai, numa viagem com a escola!!

Enfim, tomar o trem de Hogwarts que liga um parque a outro da Universal foi um barato. Meu filho, então, amou!. E tava cheio de adultos ali.

Ao chegarmos do outro lado, tomamos uma cerveja verdadeira, mas também havia a falsa para crianças e adolescentes, do mundo de Harry Potter.

Uma graça. A próxima parada foi num mundo de personagens de HQs clássicos: tinha de Betty Boop…

a Flash Gordon, o herói que meu pai assistia no cinema nos anos 40/50 em sua Caruaru (PE) natal. Tudo muito colorido, tudo padrão estúdio de Hollywood.

E os herois da minha infância completaram a viagem. Um dos rides mais legais do Universal é o do Homem-Aranha. Antes de entrar, você passa pela redação onde Peter Parker trabalha. Olha o clima retrô.

Um simulador em que você se sente como spider man himself! Excuse my english! LOL!!! A gente desce, sobe, vai até o topo dos arranha-céus, leva água na cara! Uma catarse! Fui uma vez e, quando elogiei, meu filho resolveu ir também! Well, tive que repetir, né?

Gostar de Dinossauros e saber os detalhes sobre herbívoros e carnívoros também coloca o estudioso no mundo dos Nerds, claro, né? Então, que tal este ride que tinha os maiores que habitaram a terra?

 

Star Wars
Tudo isso porque não fomos aos parques da Disney desta vez. Em um deles está um brinquedo que abriga os personagens preferidos de qualquer nerd que se preze: Dart Vader, Luke Skywalker, Princesa Leia, Han Solo e cia! Um dos meus maiores prazeres profissionais foi fazer três da série de matérias sobre Star Wars quando os três filmes feitos em 1970/80 foram lançados nos canais Telecine lá por 2001. Era pra comemorar e aproveitar o lançamento dos 3 filmes novos, as chamadas prequels, porque a ação se passa antes dos filmes que foram lançados 30 anos antes. Fiz as matérias sobre as locações dos primeiros filmes, no deserto de Mojave, na California; Design de Produção, que mostrava como os designers se inspiravam na natureza de um planeta real, a Terra, pra criar os mundos da série e eles parecerem críveis; e, finalmente o mais incrível de todos: a escolha do elenco. Puts, nunca pensei que fosse ter este privilégio. Vi e coloquei nas matérias os testes de elenco de Harrison Ford, Mark Hammil (Luke) e Carrie Fischer (Princesa Leia). Em algumas tomadas, eles pareciam totalmente diferente de como ficaram depois que foram escolhidos pra incorporar de vez estes personagens que fazem parte da História do cinema mundial!

Bem, como não fomos ao parque da Disney sobre Star Wars, compensamos. A festa de 7 anos do meu filho teve a presença de todos os personagens principais…

e nós vestidos a  caráter.

Confesso que ainda me sinto meio princesa Leia e repeti a fantasia no fim do ano quando fui ao cinema no Rio com meu filho assistir a “O Despertar da Força”.

“O filme 7, né, minha mãe?”, diz sempre meu filho, já superpordentro!; mostrando que já é um nerd ele mesmo.

No dia do aniversário, o espírito Nerd contaminou toda a família e também os convidados.

A paixão pela verdadeira Saga familiar que é Star Wars, João divide com o amor a outro personagem da hora: nosso Malvado Favorito. Primeiro conhecemos a Casa do Depicable Me.

 

 

 

 

 

Depois, João conheceu um minion. Um daqueles que já estavam estampados em sua camiseta.

E olha a emoção dele ao conhecer o Gru, ele mesmo, em carne e osso. Ou quase.

 

 

 

 

 

 

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