Homenagem argentina a Janela Indiscreta

Homenagem argentina a Janela Indiscreta

O filme argentino “No fim do Túnel” é uma homenagem a “Janela Indiscreta”, de Hitchcock. Joaquín está sentado em uma cadeira de rodas e no início do filme você não sabe o que o levou a ficar paralítico. Ele sobe e desce do porão da grande casa em que mora com seu cachorro velhinho, que também não anda. O personagem passa o tempo no porão, pra onde desce na cadeira por um elevador individual, escutando o que acontece do outro lado da parede. Um estetoscópio o ajuda a descobrir que algo muito errado está realmente para acontecer.

No meio disso tudo, chegam a sua casa uma mãe e sua filha de 6 anos, que alugam o quarto de cima. A jovem e bela mãe, Berta, que é dançarina em um clube noturno, pretende mudar pra melhor a rotina de Joaquín. A menina ficou muda há alguns anos e ninguém sabe direito por que. O ambiente sombrio e a música de suspense reforçam a impressão de que estamos mesmo num thriller. Num passeio de Berta pelo jardim abandonado do casarão, ela e o espectador descobrem a origem da debilidade física do protagonista. Seu passado está ali, deixado propositalmente pra trás.

Segredos sobre as duas inquilinas também serão revelados ao longo da trama. O diretor Rodrigo Grande consegue manter a tensão ao longo de todo o filme, não só com a revelação gradual dos segredos dos personagens, mas por meio de ação. Sim, “No fim do Túnel” é um thriller, mas é também um filme de ação. Um daqueles em que você consegue encontrar algo de original. É ação, mas não é Hollywood. É filme de personagem, mas é suspense.

O personagem principal é interpretado pelo ótimo ator argentino Leonardo Sbaraglia, que viveu o motorista raivoso do primeiro episódio de “Relatos Selvagens”. Ele já estava em cartaz no filme brasileiro “O Silêncio do Céu”, em que contracena com Carolina Dickman.
A atriz que faz Berta, Clara Lago, eu já tinha visto no intrigante filme espanhol “Fim dos Tempos”, como a namorada do personagem principal. Sbaraglia é daqueles atores que falam com os olhos e o diretor Rodrigo Grande soube explorar bem esta capacidade dele, com muitos planos fechados, que contribuem para os momentos de suspense.

Com várias idas e vindas, “No fim do túnel” é um filme pra quem gosta de thrillers inteligentes. Um suspense com um tempero de chimichurri, bem argentino. Ele entra em cartaz na quinta-feira que vem (6/10) nas principais capitais do País.

Compartilhe:
  • Print
  • Digg
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Google Bookmarks
  • LinkedIn
  • Live
  • MySpace
  • RSS
  • Twitter

Deixe um comentário