Publicado por Mariana

Um Grammy para não esquecer

Há programas que fazem valer a pena ficar acordada até tarde mesmo tendo que estar de pé no dia seguinte às 7 da manhã. A entrega dos Grammys de ontem com certeza foi um deles. Se assistir à volta de Adèle aos palcos depois de um ano emudecida pela operação nas cordas vocais já não fosse motivo suficiente, haveria as apresentações de Bruce Springsteen, Foo Fighters, Coldplay- com e sem Rihana-, Paul McCartney… Mas o que me levou a fazer o esforço foi mesmo a reunião dos Beach Boys 20 anos depois de sua última apresentação como grupo.

Como já fizeram com outras bandas anteriormente, como o Police, os organizadores do Grammy foram felizes ao promover a reunião dos cantores californianos, legítimos representantes da chamada surf music, marcando os 50 anos do início da banda. Coincidentemente presente ao evento, Paul McCartney um dia considerou o álbum “Pet Sounds”, de 1966, como o melhor do rock e disse que ele influenciou parte sua produção da época com os Beatles. A crítica especializada já considerou o álbum como uma das maiores obras primas da música pop.

E havia ainda a emoção das homenagens a Whitney Houston, ela mesma ganhadora de seis Grammys e indicada a 26 ao todo, e que morrera no dia anterior, aparentemente afogada após misturar um forte calmante a bebida alcoólica. Cheguei a ver o grande Steve Wonder tocando um trecho de “I will always love you” na gaita, antes de anunciar o número de Paul McCartney.  Jennifer Hudson cantaria uma das canções de Whitney, tida como uma de suas referências musicais.

Paul McCartney mostrou o lado grave da voz em uma balada em que foi acompanhado por uma orquestra. O Foo Fighters cantou “Walk”, a canção de rock and roll com ares de anos 80 que ganharia o prêmio de melhor música de rock de 2011 alguns minutos depois. O encontro da banda de Chris Martin com a popstar Rihana, que parecia inusitado, funcionou bem. Antes do dueto, ela cantou sozinha e o Coldplay também se apresentou separadamente. Mas, como eu esperava, foi ver os velhinhos dos Beach Boys cantando “Good Vibrations” que fez valer cada hora de sono perdida. O grupo Maroon 5 foi escalado para “abrir” para os Beach Boys cantando uma música deles, mas não convenceu. Foi estranho ouvir vozes tão diferentes interpretando aquelas canções tão conhecidas nas vozes de Brian Wilson e companhia. Mesmo com as vozes um tanto cansadas, o grupo original emocionou mesmo as gerações mais novas, que o conheceram depois que já haviam se separado. Chris Martin mesmo assistiu em pé à apresentação, super atento.

Só no ano passado, resolvi comprar o “Pet Sounds” pra ouvir as músicas na ordem proposta pela banda. Há mais de vinte anos tenho uma coletânea dos Beach Boys que resolvi comprar por causa da versão para “California Girls” feita por… quem diria, David Lee Roth, que havia abandonado a posição de vocalista do Van Halen e se lançado em carreira solo em 1985. Adoro a música e, adolescente, quis conhecer melhor a banda que a compôs e a tornou famosa. Pois bem, “Pet Sounds” é mesmo um daqueles álbuns perfeitos. Daqueles sem fill ins, aquelas músicas menos brilhantes que são colocadas no disco meio que para encher linguiça, pra fazer a ligação entre as canções realmente boas. Todas as músicas são belas, uma após a outra: “Wouldn’t it be nice?”, “God only knows”, “Sloop John B.”, a própria “Pet Sounds”… Na mesma compra, levei outra destas pérolas perfeitas, aquela brasileira: “Acabou chorare” dos Novos Bahianos (ver mais em “Os novos bahianos em filme e lembranças da Salvador dos anos 70”, aqui no blog).

Fiquei tão feliz em assistir ao vivo pela primeira (e única) aos Beach Boys cantando que fui dormir lá pela uma hora da manhã. Deixei pra ouvir a apresentação de Adèle outro dia. Afinal, com certeza o culto à juventude existente nos meios de comunicação me garantirão a reprise da apresentação dela, mas não a deles. E, claro, o grande número de prêmios arrebatados com justiça por esta fantástica cantora ontem.

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Historietas e conclusões de um menino de três anos

Quando publiquei “Constatações de um menino de dois anos” aqui no blog, com as frases de meu filho nesta idade, minha tia Tereza me contou que minha avó já fazia a mesma coisa muito antes da internet: anotava em um caderninho especial as falas da minha mãe, a mais velha de cinco irmãos, e do meu tio Plinio, o segundo a nascer. Há pouco tempo, li uma entrevista em que Arnaldo Antunes dizia que fez uma música com os dizeres de seu filho de três anos. Registrar o que dizem nossos pequenos quando estão aprendendo a lidar com a fala é, portanto, algo a que não conseguimos resistir. Se aos dois anos, achávamos inteligentíssimas as conclusões a que tão jovens pessoas chegavam, aos três, continuamos impressionados não só com suas constatações sobre o mundo que começam a observar, mas também com a forma como lidam cada vez melhor com o vocabulário que vão adquirindo. Registro a seguir, as falas de meu filho João, aos 3 anos que, quem sabe, possam divertir também os que não o conhecem.

“Farofeira!”, João, olhando para a mãe que cantava , brincando: “Comprei um quilo de farinha pra fazer farofa, pra fazer farofa-fá”. Em 9-08-2011, aos 3 anos e 3 meses.

“A lua fica brilhando no céu escuro”, contemplando a lua quase cheia. Em 26-08-2011, aos 3 anos e 3 meses.

“Você só quer saber de avião”, para a mãe, que contava a história do avião, sendo que ele, sim, só queria saber de avião. Em 9-09-2011, aos 3 anos e 4 meses

“Onde tem helicópteros e onde tem terremoto”, quando a mãe mostrava imagens de um avião em Nova Iorque, na época do terremoto que atingiu a cidade. Em 9-09-2011, aos 3 anos e 4 meses.

“Vê se pode, mamãe?”, imitando algo que a mãe falou em outro momento.

“Não tem ninguém nesse avião. Só os macaquinhos”, olhando para o avião de plástico de um livrinho e percebendo que só os macacos eram fixos. Os outros bichos só apareciam por trás das janelas, não estando verdadeiramente no avião.

“Você resgatou?”, sobre o avião dele que estava na cama da mãe, que o trouxe para ele. As três mais ou menos aos 3 anos e 4 meses.

“Eu nunca comi sorvete moído assim. Eu tomaria. Eu tomaria hoje”. Olhando a foto e desejando o sorvete com várias bolas e biscoito moído entre cada uma delas. Em 20-10-2011, aos 3 anos e 5 meses.

“É a porta giratória”. Girando o guarda-chuva de Panda que ganhou dos pais e se lembrando da hora em que Clark Kent vira Superman em “Superman, o filme”, de 1978, que assistira semanas antes em DVD.

“É a do Superman”, identificando a trilha sonora de “Superman, o filme”, de um CD com as melhores trilhas do mestre John Williams, respondendo à mãe, que tinha dificuldade de diferenciá-la da de “Caçadores da Arca Perdida”. As duas são bastante parecidas. Aos 3 anos e 8 meses.

“Tudo que a gente entende, a gente fala, sabia?”. Ensinando a mãe. Em 19-10-2011. Aos 3 anos e 5 meses.

De novo, as fantásticas máquinas voadoras
“O avião chegou. Ele está encantado pelo castelo”. Em 25-10-2011, aos 3 anos e cinco meses, humanizando um de seus queridos aviões feitos de Lego.

“Esse avião é do universo, não é da TAM. Ele tem uma asa poderosa, sabia?”, ainda pensando em suas incríveis máquinas voadoras. Idem.

“E depois o avião do universo vai decolar. Olha as turbinas dele”, mostrando seu vocabulário relativo a aviões. Idem.

“O helicóptero é assim: ele tem a hélice que gira assim e o motor, que faz voar”. Idem.

“Esse é o avião da TAP que você vai fazer? Eu vou ensinar o avião da TAP”, pegando as peças verdes e vermelhas do Lego da mão da mãe. “Aí você tem que aprender a fazer o avião, sabia? O seu avião já tá terminado”, fazendo ele mesmo o avião.

“Lá tinha tantos aviões! O Concorde você não consegue ver. Levanta, venha ver!”, variando as marcas das máquinas.

“É a base da biruta pra ela se equilibrar”, terminando de construir uma biruta de aeroporto com legos. As três últimas falas aos três anos e cinco meses.

“Sabia que os aviões mais novos são os que têm suportes nas duas asas?”, demonstrando cada vez mais especialização na área aeronáutica, sua preferida. Em 8-11-11, aos 3 anos e meio.

Contando histórias
“Era uma noite chuvosa… Uhhh! O gato caiu láaa embaixo e viu um fantasma. (…) E o lobo mordeu o gato”. Contando história de terror na véspera do Halloween, em parte inspirada no programete do Discovery Kids visto dias antes. Em 30-10-11, aos 3 anos e cinco meses.

“Eu sabo dirigir avião, nave e navio”. “O que é mais difícil?”, pergunta a mãe. “O navio. O navio é o Titanic. Ele bateu num iceberg e afundou. Aí os homens consertaram ele. E ele voltou”. Em 11-01-2012, aos 3 anos e 8 meses, lembrando-se da exposição dos objetos do Titanic que visitou.

“O cachorro virou um bicho sanitário que fala?”, referindo-se a si mesmo e trocando de personagem na brincadeira pelo que ele próprio criou: o bicho sanitário. Em 8-11-11, aos 3 anos e meio.

“Vou tirar porque tá muito adolescente”, se referindo ao próprio boné. Em 9-11-11, idem.

No almoço
“Eu passei no meio do vegetal. Você sabia que esse é o vegetal, sabia?”, apontando para um arbusto na varanda do restaurante em que almoçávamos. Em 2-11-11, idem.

“Eu se preparei pra comer o doce. Você viu? Eu fui naquela porta…”, se preparando para o momento especial de comer um petit gateau com sorvete só seu de sobremesa. Idem.

“Que gostoso esse recheio!”, elogiando o realmente especial petit gateau de chocolate amargo do Gero de Brasília. Idem.

“Pronto, você já está produzida”. Para a mãe, no dia do natal, quando ela terminou de colocar biquini e short. Em 25-12-11, aos 3 anos e 7 meses.

Na casa de vovó e vovô
“Eles são violentos”, sobre os filhotes de cachorros que a avó comprou para os netos e, aos quatro meses, gostam de pular neles, quase derrubando os donos. Em dezembro de 2011, idem.

“Eu coloquei água com xixi aqui”, de dentro da banheira onde tomava banho e fizera xixi, referindo-se a um frasco de creme da avó. “Mas, João, este creme é caro”, responde a mãe. “Mas tem muitos cremes ali”, apontando para a grande coleção de cremes da vaidosa avó materna.
Idem.

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Treze pratos e bebidas imperdíveis em Brasília

Não estava fácil escolher dez. Então, resolvi flexibilizar e aumentar para 13 a lista de pratos ou bebidas simplesmente deliciosos encontrados nos restaurantes de Brasília. Claro que são escolhas absolutamente pessoais, mas com certeza capazes de inspirar o pessoal que está trabalhando na capital nesta época em que ela está vazia, com poucas opções para adultos- vide as salas de cinema, invadidas pelos blockbusters infantis e adolescentes das férias de verão. Então, segue a minha lista, que não está em nenhuma ordem, e aguardo os comentários.

1-   Fois gras do Toujours Bistrô. Ele vem coberto por cristais de sal, é simples e gostoso. O do Zuu, com melado, queijo de coalho e salada de feijões, rivalizaria com ele se o restaurante não tivesse fechado as portas.

2-   Rabada agridoce do Versão Tupiniquim. É uma rabada com pouca gordura, envolta em uma fina massa folhada. O molho agridoce vai sendo colocado aos poucos (Ver foto do prato e detalhes sobre o local em “Restaurante brasiliense com um pé na alta cozinha espanhola”, aqui no blog). Se não come carne, opte pela Pescada amerela com pimentões vermelhos e amarelos. É leve e saborosa na medida certa! Bem espanhola.

3-    Filé mignon ao vinho Marsala com fois gras e trufas negras do Gero. As batatas cortadas em fatias finas colocadas uma sobre a outra e, principalmente, os aspargos frescos com bacon, complementam o prato perfeitamente.

4-    Sunset drink do El Paso Texas. Drink frozen com suco de laranja e amaretto. Consegue ser melhor que a Piña Colada que tomávamos na Cidade do México também com amaretto. É mais equilibrada por causa da acidez conferida pela laranja.

5-   Risoto de camarão e manjericão do Bom Demais do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). Saboroso e cremoso no ponto.

6-    Café grego também do Bom Demais do CCBB. Uma mistura de grãos de café realmente provenientes da Grécia com limão, batidos e servidos gelados em um copo alto. Mistura improvável e surpreendente.

7-   Lagostin da Trattoria da Rosário. Prato sazonal e especial.

8-    Filé a Severin do La Chaumière. No mais tradicional restaurante francês da cidade, o filé foi criado por seu ex-garçom e atual dono, Severino (na foto abaixo), à base de queijo gorgonzola e pimenta do reino em grãos, com deliciosas batatas sautés ou arroz branco. O impressionante é que não é pesado, apesar dos ingredientes. Dá vontade de comer uma vez por mês, pelo menos.

9-   Buffet do restaurante austríaco Servus. O buffet deste restaurante que fica em uma aconchegante e casa de madeira no caminho para a Papuda tem chucrute, salsichões, picadinho com páprica e todas as delícias que são também alemãs. Vá com tempo e harmonize com as cervejas de trigo importadas da Alemanha e outros países europeus. Lá você encontra desde motoqueiros com suas Harley Davidsons até embaixadores como o da Rússia, que estava lá quando fomos. Há ainda uma casinha de bonecas para as crianças no amplo gramado.

10-Lula grelhada da parte superior do Bar do Mercado. Trata-se da parte central do animal, cortada em fatias, acompanhada de farofa amarela e com a opção de um pouco de azeite com pimenta do reino rosa. De dar água na boca. Vai bem com os bons vinhos brancos a preço de mercado da Adega ou com a cerveja de trigo Bohêmia Confraria, que costuma estar no cardápio do Bar não se encontra em qualquer lugar.

11-Todos os pratos com peixes brasileiros, ostras, vieiras, lagostins e jambu do Aquavit. Difícil escolher o melhor deste que é o único restaurante com duas estrelas no Guia Quatro Rodas de Brasília e cujo cozinheiro e dono, Simon Lau Cederholm, foi considerado o chef do ano de 2010 do Brasil pelo guia (Ver detalhes em “O restaurante duas estrelas de Brasília”).

12-Sexy Shrimp do Universal Diner. Um prato afrodisíaco levemente agridoce criado há tempos por Mara Alcamim e que combina com o ambiente do East Village nova-iorquino reproduzido pela chef que tinha apartamento naquele bairro descolado. Mas vá cedo se não quiser encarar a música sertaneja disfarçada de dance music que começa a tocar lá pelas 23 horas.

13- E pra completar, chocolate quente com macadâmia do Espaço Gourmet das lojas Kopenhagen. Simplesmente o melhor chocolate quente que já tomei na vida.

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A culpa da mãe

Acordei hoje subitamente às 5h50, uma hora antes do despertador. Sim, as tensões do trabalho têm sua parcela de culpa, para não correr o risco de ser injusta, uma única pessoa do trabalho. Mas 80% da culpa é mesmo de um filme que parecia despretensioso e por isto me atraiu chamado “Não sei como ela consegue” (“I don’t know how she does it”, finalmente a distribuidora achou que não doeria ser fiel ao título original). O filme com Sarah Jessica Parker (a eterna Carrie Bradshaw de “Sex and the City”), o sempre fofo e eficiente Greg Kennear e o classudo e simpático (eu o entrevistei em 1997 e ele o é mesmo) Pierce Brosnan, tinha tudo para ser mais uma comédia hollywoodiana e esteticamente o é. Cheio de viradas absolutamente previsíveis, fim mais previsível ainda, lindas tomadas externas de Boston e Nova Iorque, alguns diálogos familiares óbvios. Mas ele é mais: tem aquela narração pontuando os acontecimentos mais típica de produções independentes americanas (acho que os grandes estúdios aprenderam a copiá-los!), alguns personagens estranhos como a assistente da personagem de Sarah e o principal: assuntos nada leves.

São dois. O primeiro é a culpa que a mãe dedicada e apaixonada por seu trabalho carrega em relação aos filhos. Eterna, forte, inconciliável. O segundo é o mundo tradicionalmente masculino do trabalho em que temos que nos inserir. Não é só o machismo, mas a forma de encarar o trabalho forjada por um capitalismo antigo, extremamente competitivo, em que é quase normal se passar a perna um no outro, em que o bom funcionário é aquele que dedica todo o seu tempo para o trabalho, mesmo aquele que deveria ser usado para os filhos, o marido, enfim, o cônjuge, qualquer que seja o sexo do funcionário.

Na minha insônia, que não acontecia há meses, fiquei pensando em como este filme poderia ser anacrônico, mas concluí que, infelizmente, não é. Existem, sim, aquelas empresas que incluem a diversão e o descanso em seu próprio ambiente, na rotina de seus trabalhadores, até como forma de aumentar a criatividade. Mas elas ainda são notícia, o que significa que são raridade.

Vivemos mesmo neste capitalismo antigo, onde sempre tem um chefe ou subchefe que acha que a correria e o estresse, às vezes turbinado pela gritaria, devem imperar no ambiente de trabalho. Se não são chefes homens, são mulheres que acham que devem mostrar que conseguem fazer o trabalho dos homens como os homens, deixando de lado a delicadeza e a famosa flexibilidade femininas. Não falo da positiva objetividade dos homens, mas das características maléficas que já citei anteriormente.

Nestes ambientes de trabalho, cobra-se o que não se precisaria cobrar, deixa-se de valorizar o que foi feito de bom verbalmente, se dá valor à puxa-saquice e à demonstração de superioridade em relação aos colegas. Infelizmente, andei trabalhando em lugares com algumas destas características, tanto em redações quanto em gabinetes de políticos. Atualmente não e foi por isto que minhas insônias praticamente sumiram. Injustiça deve ser a maior causa da insônia, junto com ansiedade.

O filme mostra esta angústia aliada a outra mais típica nas mulheres de hoje. Além de termos que provar que somos boas profissionais, ainda temos que demonstrar, inclusive a nós mesmas, que podemos sê-lo sem deixar de lado outra obrigação que nos consome: ser boas mães. Ser presentes na vida de nossos filhos.

Ontem foi um dia emblemático em relação a isto. Fui ao cinema sozinha depois de meses. Quando o filme começou, mandei uma mensagem de texto dizendo a meu marido que nosso filho estava com a babá e a avó. Quando contei a ele sobre o tema do filme, ele me disse, rindo: “Ah, então foi por isso que você mandou aquela mensagem de dentro do cinema?!”. É, a culpa da mãe nos faz contrariar até princípios sólidos como não atrapalhar os outros acendendo o celular dentro do cinema. E Hollywood, definitivamente, já não é mais tão água com açúcar.

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São Paulo comme il faut

Houve uma época, há uns quatro anos, que íamos pelo menos duas vezes por ano a São Paulo, por razões médicas, e ficávamos cerca de uma semana na cidade de cada vez. Fomos ganhando, ou reganhando, uma intimidade com a cidade. Eu já havia morado ali duas vezes, uma delas na infância e outra na adolescência, meu marido morara 13 anos lá, inclusive tendo se formado e trabalhado no jornalismo da capital, após vir do interior do estado. Naquelas viagens de alguns anos atrás, entre uma ida e outra ao consultório médico, compensávamos a parte difícil conhecendo alguns restaurantes interessantes (conhecemos o Carlota, o Gero e o Dom, jantamos no Maní e no Felippa, na Rua Joaquim Antunes, fomos ao centro conhecer o tradicional francês La Casserole e à Vila Madalena jantar no aconchegante Alez, Alez!, repetimos o almoço indiano delicioso do Ganesh do Morumbi Shopping, viramos meio habitués do Boa Bistrô, nos Jardins) e visitando as lojas dos grandes estilistas brasileiros que não existem em Brasília (adoro o clima alegre da Adriana Barra, e gosto de ver as novidades das lojas da Bela Cintra e do Shopping Cidade Jardim da Cris Barros, da Glória Coelho e, principalmente de seu ex-marido, Reinaldo Lourenço. De vez em quando até faço uma extravagância e compro uma pecinha de um deles. Vale muito a pena, são pra sempre!). Chegamos a pegar um Festival Internacional de Cinema de São Paulo uma vez, e assistimos em primeira mão a um documentário muito bem estruturado sobre Kurt Cobain. De quebra, comemos uma deliciosa salada de rúcula, pêra e nozes no restaurante do Reserva Cultural, cuja receita repetimos em casa várias vezes.

Participamos da exposição interativa de Guimarães Rosa no Museu da Língua Portuguesa, vimos a dos corpos no Ibirapuera (esta específica, visitei de cadeira de rodas, após um tratamento) e até a exuberância de uma das maiores paradas gays da América Latina e, daquela vez, estávamos hospedados no Hotel Ibis da Av. Paulista, justamente onde se concentravam muitos participantes. Ah, e quando fomos ao Museu da Língua Portuguesa, bem ao lado da linda e restaurada Estação da Luz, aproveitamos para conhecer o Acrópoles, um restaurante simples e tradicional grego em pleno Bom Retiro, o bairro do centro velho onde moram muitos judeus, mas atualmente, não os ricos, que migraram para Higienópolis. Tínhamos normalmente a companhia de uma amiga médica de Brasília que mora em São Paulo há muitos anos e da minha irmã, publicitária, que também é radicada na cidade.

Eu adorava passear pelas três feirinhas de antiguidade mais conhecidas da cidade: a do Masp, de que gosto muito desde que moramos em São Paulo em 1982; a da Benedito Calixto, perto de onde minha irmã morou por anos; e a do Museu da Imagem e do Som (MIS), a mais sofisticada e cara de São Paulo, onde me apaixonei por uma peça art-nouveau, que até hoje me arrependo de não ter comprado. Outro programa bem bacana é conhecer as lojinhas de design de móveis e objetos para casa em torno da pracinha da Fnac (ali começou minha paixão pela linda Benedixt) e, com mais tempo, as lojas de designers brasileiros e estrangeiros da Avenida Gabriel Monteiro da Silva. Lá ou na Lorena, paralela à Oscar Freire, não deixe de almoçar na Z-Déli, um bistrô de comida judaica de tirar o quepá!

Houve uma vez em que até fomos ao show de David Lee Roth, o ex-vocalista do Van Halen, de quem eu admirava a carreira solo lá por volta de 1985. Em 2009, fui especialmente para o pocket show que Elton John fez para os convidados de um banco na linda Sala São Paulo, no centro. Ganhei o convite de um amigão! Imagine um show de Elton John em um teatro! Foi absolutamente emocionante.

Vestindo crianças com criatividade
Depois que nosso filho nasceu, em 2008, fomos três vezes com ele a São Paulo. Aí os programas mudavam: muito zoológico, Zoo Safari (ex-Simba Safari, em que os bichos ficam soltos e vêm até a janela do seu carro), Ibirapuera e pracinhas.

Também não dava pra escapar do Shopping Iguatemi em tempos de decoração de natal. Com um ano e oito meses, João ficou absolutamente encantado com todos aqueles animais enormes da savana do Papai Noel que montam naquele vão central.

Outra coisa que chamava a atenção de seus olhinhos eram as luzes da Avenida Paulista nesta época natalina. Além de passeios e dos melhores encontros familiares do ano, São Paulo também significava a oportunidade de eu comprar roupinhas para meu filho do jeito que eu gosto: com cara de roupa de criança. Faço tudo pra não vestí-lo como um adulto pequeno, com aquelas camisetas de gola pólo listradas de branco que se vende em profusão nas lojas de Brasília e do Brasil todo, na verdade. Em São Paulo, anotem aí mães criativas, tem a Bebê Moderno (que agora só existe no Itaim Bibi), cheia de macacões, calças, shorts e camisetas coloridas e com apliques de bichos das matas brasileiras; a Balangandã, com desenhos super diferentes nas camisetas, bermudas e até sungas; e uma loja do Shopping Cidade Jardim, que tem até conjuntos de plush com bolas de futebol no bumbum e outras invenções legais. Há ainda a Green, onde fizemos um verdadeiro enxoval pro João nesta última vez, já que a loja do Park Shopping fechou as portas. (Nas três fotos abaixo, ele, ainda com um ano e dez meses, está vestido de Green, por coincidência).

Uma das vezes, caminhamos pelas lojinhas de novos estilistas da Vila Madalena. Algumas são tão lindas que parecem pequenos castelos coloridos feitos para crianças! Uma imperdível é a do Ronaldo Fraga, que tem um quintal de casa da vovó atrás, onde as crianças se divertem enquanto você escolhe roupas pra você e pra elas. Ali, a dica é comer no buffet cheio de saladas do Pitanga. Mas o Capim Santo, nos Jardins, com suas cortinas de miçangas e seu pátio ao ar livre cercado pelas mesas, é o melhor restaurante para levar a criançada.

Entre uma loja e outra, é necessário tomar um café, comer um sanduíche ou mesmo tomar uma taça de vinho. No nosso caso, era o Suplicy da Lorena para o café com jornais de manhã e o Oscar Café, na Oscar Freire, para um sanduíche de salmão ou filé com uma taça de vinho rosé, seguidos por um brigadeiro de pistache. João adorava subir e descer sua estreita ladeirona correndo.

Para se chegar à Balangandã, uma das lojas infantis legais dos Jardins, se passa em frente ao Emiliano, um dos únicos hotéis da badalada e chique Oscar Freire, espécie de 5a Avenida ou Visconde de Pirajá paulistana, ou seja, a rua onde se concentram as lojas legais (e caras!). É um cinco estrelas cool, com uma decoração clean, bastante branca, mas sem abrir mão dos sofás de couro e das mesas de madeira pra dar um clima de aconchego. Uma vez entramos ali e ficamos imaginando como seria nos hospedar naquele hotel delicioso em plena Oscar Freire com diária de U$ 700.

Férias de dois dias
Pois bem, desta vez, há um mês mais ou menos, quando fomos assistir ao show do Duran Duran no Festival SWU (ver matéria aqui no blog em “Duran Duran 24 anos depois”), sabíamos que nos cansaríamos durante esta aventura. Então, inventei de descansar antes. Como não íamos levar nosso filho porque iríamos ao show em Paulínea, teríamos um momento para descansar sozinhos em São Paulo por duas noites antes de seguir, domingo, para Campinas. É a segunda vez que fazemos isto já que, desde o nascimento de João, não quisemos viajar para o exterior, ficando longe dele por muito tempo. Então, investimos em pequenas viagens, de um fim de semana, no Brasil mesmo. Mas em grande estilo. A primeira vez foi no moderno Fasano do Rio, durante o show do Coldplay no início do ano passado (ver “Luxo no Rio de Janeiro e uma comédia de erros”, aqui no blog).

Nesta segunda vez, não tivemos o prazer de conviver com a decoração super moderna de Phillip Stark, mas desfrutamos do fantástico serviço deste hotel, daqueles que nem conseguimos sentir, discretíssimo. O quarto com vista para os prédios (adoro esta vista! É a mesma em todos os hotéis de São Paulo e parecida com a de uptown Nova Iorque) tinha muito espaço, uma cadeira de Sérgio Rodrigues diferente da da varanda do Fasano do Rio, em frente da qual havia uma mesinha com o pêssego mais suculento que já comi na vida e uma tartelete de frutas vermelhas.

Em outra bancada, um vinho chileno também nos dava as boas vindas. O travesseiro podia ser escolhido entre uns 10 tipos existentes no Menu de Travesseiros. Pra não desperdiçar a oportunidade, meu marido escolheu um daqueles da Nasa pra ele e um de macela pra me ajudar a dormir. Até parece que isto seria necessário naquele ambiente de paz total! Adorei o closet cheio de compartimentos e o banheiro de ladrilhinhos brancos com grande pressão de água no chuveiro.

Os produtos da linha Santa Pele fizeram a diferença e foi a primeira vez que usei um vaso sanitário aquecido, com bidê embutido. Posso dizer que não achei um luxo desnecessário!

O jornal também poderia ser escolhido. “Estadão, pra ler o Caderno 2 no domingo”, decretei. “Então, Estadão e Folha?” Perguntou o concierge. “Pode ser os dois?” “Quantos os senhores quiserem. Querem o Correio Braziliense?”, perguntou, vendo em nossa ficha que éramos de Brasília. “Não, o Correio não, por favor, já recebo este jornal todos os dias”, disse eu, querendo fugir das notícias de casa. Na Ilustrada de sábado, li tudo sobre o show do Lynird Skynird, a banda do sul dos Estados Unidos que fecharia a noite de domingo, após Duran e Peter Gabriel, enquanto tomávamos o café no quarto: café da cafeteira do próprio quarto e bagel com salmão defumado e cream cheese, bem americano. Mauro pediu um omelete que derretia na boca.

Na noite anterior, tínhamos desfrutado de outra das facilidades do hotel, por puro acaso. Sua localização. Minha amiga Daniela Mendes sugerira o Italy pra nos encontrarmos. Um italiano despretensioso, com ótimos preços, mas absolutamente delicioso e a dez metros do Emiliano, ali mesmo na Oscar Freire. Perfeito pra quem, como nós, enfrentara uma hora de engarrafamento desde Guarulhos (não desço em Congonhas desde o acidente com o avião da Tam, cuja culpa foi, claramente, do tamanho da pista do aeroporto central de São Paulo). E foi um jantar super agradável e divertido! Além deste casal de amigos da faculdade, outro casal formado por Eliane e Gabrielli (seu namorado siciliano que gosta de cozinhar e faria a crítica do Italy pra nós, segundo Eliane), além da minha irmã.

Embalado por minhas histórias pretéritas com o Duran Duran, Felipe (Patury), um dos meus melhores amigos no curso de Comunicação da UnB, relembrou histórias do arco-da-velha envolvendo nossa colega de curso Patrícia Melisa, que me acompanhara no primeiro show da banda em 1988 no Rio. As histórias daquela menina membro do Bacon (Barangas Americanizadas da Comunicação), que achava um absurdo os brasileiros não terem vídeo cassete em 1987, eram hilárias. Eu não me lembrava de nada daquilo e adorei ser lembrada por Felipe! Melhor ainda ficavam as histórias ao sabor de gigliotti com vôngoles dentro da concha (que por sua vez me remeteram à primeira vez que comi vôngole numa prainha abaixo de Palermo, como aproveitei pra tentar coltar em meu italiano macarrônico a Gabrielli) e talliateli nero com frutos do mar do Mauro a cerca de R$ 40 o prato. O amigo siciliano surpreendeu a todos pedindo um vinho brasileiro, Desejo, que ele descobrira há alguns anos na Bahia!

Brunch de lua-de-mel
A outra farra gastronômica comparecemos domingo, só nós dois, bem no clima de lua-de-mel que já nos envolvia. Foi o brunch perfeito do próprio Emiliano. Tínhamos apenas o tempo exato, não muito mais que isto, porque, depois do check out, teríamos que ir ao Shopping Butantã para pegar o carro alugado pra seguir para o SWU. Naquele salão delicioso rodeado por plantas nas paredes, um garçom super solícito que eu tive a sensação de conhecer de outro restaurante, começou nos trazendo blinis de salmão, palito de parmesão com fois gras e compota de maçã e tartare de atum com ratatuille de legumes. Uma explosão de sabores, tudo muito bom.

Como prato quente, Mauro pediu um omelete e eu um ravioli do dia com cogumelos e molho com manteiga trufada bem pronunciada. “Podem repetir o que quiserem até as 4 horas”, dizia animado o garçom. Não, infelizmente, era hora para a sobremesa. E não uma só: era um verdadeiro festival de doces: panacota diet ou normal com frutas vermelhas e chocolate branco (claro que optei pela normal), verrine de chocolate com morango (especial!); creme de manga com chocolate branco (soberbo!); mousse tricolor; macaroons de framboesa, chocolate e baunilhas e madeleines. Estes últimos perdemos devido à única falta de todo o serviço do hotel durante aqueles dois dias: o garçom boa praça se esqueceu de enviá-los ao quarto como nos havia prometido.

O grande lance do serviço do Emiliano é sua invisibilidade: chegávamos da rua e havia um doce com um bilhetinho dizendo: espero que tenham gostado da estada. Nem sabíamos quem tinha deixado o mimo ali. Pedíamos pra trocar os tamanhos dos chinelos havaiana e, quando chegávamos, os novos números estavam ali, sem erro.

Pra completar o relaxamento antes de pegar a Bandeirantes em direção ao lamacento estacionamento do SWU, resolvemos desfrutar dos 15 minutos de massagem incluídos na diária do hotel. Acrescentamos 45 minutos por nossa conta. Depois da massagem, com uma moça que ficou conversando sobre rock comigo, afinal eu já estava totalmente no clima do festival, ficamos uma meia hora entre as duas Ufurôs- uma morna e uma quente- em uma sala envidraçada com vista para a Oscar Freire e os jardins em geral. Tudo muito lindo e nada de piscina naquele hotel super paulistano.

Fernanda Montenegro e sua Simone de Beauvoir
Sim, passeamos pela Oscar e dei uma passadinha na (sapataria) Sarah Shaforkian da Lorena em que costumo comprar um sapato a cada ano- além de conhecer a enorme loja da italiana Pucci no Shopping Cidade Jardim com minha irmã e minha fofa sobrinha Anita. Mas não comprei nada mais que um batom vermelho na Channel (o mesmo que a própria Coco usava, me garantiu o vendedor, falando francês a cada fim de frase). Já havia estourado meu orçamento em Brasília no último mês.

Resolvera, sim, ainda em casa, fazer uma coisa que terminamos adiando em nossas outras idas a São Paulo e que seria óbvia: ir ao teatro. Escolhi a peça em que Fernanda Montenegro interpreta, sozinha no palco, ninguém menos que a feminista Simone de Beauvoir, um dos grandes ídolos de minha mãe. Não poderia ter sido uma escolha mais feliz. Nos adiantamos e, quando chegamos ao teatro, eu, meu marido e minha irmã, percebi como o público é diversificado. Muitas pessoas com a cara das pessoas que conheci em 82, os intelectuais paulistas de classe média. Só perto do começo da peça, chegaram os ricos e peruas.

Num texto super intimista, confessional mesmo, uma Fernanda muito em forma começou contando a juventude de Simone na Paris da Segunda Guerra Mundial, suas primeiras experiências sexuais, como conheceu o escritor existencialista Jean Paul Sartre e como ele seria seu companheiro pelo resto da vida, de uma forma ou de outra. Lembrei-me muito de Fernanda Torres, filha de Montenegro, interpretando o texto de João Ubaldo Ribeiro sobre a Luxúria. Era como se a mãe tivesse querido fazer algo parecido com o que a filha fizera dez anos antes, só que a seu estilo, bem menos histriônico, e ainda assim com humor. Estava ali uma mulher de 80 anos falando das aventuras sexuais de outra mulher, absolutamente à frente do seu tempo. E não só das ideias libertárias que levaram ela e Sartre a experimentar o sexo grupal quando o filósofo já não sentia mais atração sexual pela esposa. Mas também de como o existencialismo -que depois se tornaria uma corrente filosófica- permeava o relacionamento dos dois com outro grande escritor, o argelino Albert Camus.

No fim da peça, quando Sartre morre, Simone/ Fernanda passa a contar a dificuldade que era viver sem a pessoa com quem dividiu toda uma vida. Era como se Fernanda falasse dela própria, que perdeu o marido, Fernando Torres, há alguns anos. Uma emoção genuína tomou conta do fim da peça, ao mesmo tempo em que uma sensação de completude em relação a tudo que São Paulo pode nos dar tomou conta do meu coração.

Serviço:

Acrópoles. Rua da Graça, 346, Bom Retiro. Tel.: 3223.4386.

Allez, Allez! Rua Wisard, 288, Vila Madalena. Tel.: 3032.3325.

La Casserole. Largo do Arouche, 346, Vila Buarque. Tel.: 3221.2899.

Maní. Rua Joaquim Antunes, 210. Jardim Paulistano. Tel.: 3085.4148.

Boa Bistrô. Rua Padre João Manuel, 950, Cerqueira César. Tel.: 3082.5709.

Carlota. Rua Sergipe, 753, Higienópolis. Tel.: 3661.8670.

D.O.M., Rua Barão de Capanema, 549, Cerqueira César. Tel.: 3088.0761.

Ganesh, Avenida Roque Petrone Júnior, 1089, Morumbi (Shopping Morumbi). Tel.: 5181.4748.

Hotel Emiliano. Rua Oscar Freire, 384, esquina com Rua Cerqueira César. Tel.: 3069-4369.

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