Dores e delícias da vida adulta

Num espectro de apenas três horas, pude presenciar no último fim de semana os dois extremos dos sentimentos que a vida adulta insiste em nos apresentar. Estava me preparando para assistir ao show de uma banda pop de que gosto muito, o Duran Duran, pela primeira vez na minha cidade, quando me telefona um amigo de minha turma de infância/pré-adolescência para me dar a pior notícia que se pode receber: a filha de um outro amigo, de pouco mais de um ano e meio de idade, havia sofrido um terrível acidente e morrido. Fui do céu ao inferno em um segundo.

O pai da menininha fazia parte da melhor turma de amigos que tive na vida. Uma turma de que já falei algumas vezes aqui no blog (ver “Ode à minha Brasília”, por exemplo), que começou quando eu tinha uns 10 anos, brincando de pique-bandeira, queimada e carrinho de rolimã debaixo do bloco e que, para nós meninas, terminou lá pelos 14 anos, após nossos primeiros namoros, daqueles inocentes em que éramos pedidas em namoro e a “relação” poderia se caracterizar por simples mãos dadas, um selinho, uma dança de rosto colado. Este amigo tinha sido meu segundo namorado de pré-adolescência, meu primeiro beijo, uma pessoa que, para usar as palavras usadas por ele próprio, trago no coração, mesmo depois de trinta anos do início da nossa turma.

No domingo, passei pela terrível experiência de sentir na pele a imensa dor de ver um grande amigo sofrer a pior das perdas: a de um filho. Ninguém quer ver uma pessoa que ama sofrer uma perda destas- sim, posso dizer com segurança que amo aqueles amigos de infância, tenho saudades das nossas festinhas, tenho saudades das nossas brincadeiras, muitas saudades de nossas idas ao Cine Karim a pé, sinto falta de ouvir as besteiras que dizem até hoje os integrantes da Farofa. Amizades de infância são como nenhuma outra. Trazem o frescor da inocência, da relação honesta, sem interesse algum envolvido. Dizem respeito a uma época em que praticamente só havia alegrias, quase não havia preocupações. São únicas.

Como muito bem disse o irmão de meu amigo no velório, o natural é enterrarmos nossos pais, não nossos filhos. Então, ficamos nos perguntando: por quê? Por que Deus escolheu tirar a vida de um filho? E permanecemos sem resposta, simplesmente porque não há resposta. Seria porque temos que carregar nossas cruzes? “Não”, respondeu o irmão. “Jesus teve que carregar sua cruz porque ele era Jesus. Nós não deveríamos ter que carregar uma cruz tão pesada”. Com a experiência de quem também já teve uma perda semelhante, concordei completamente com Roberto, o sábio irmão.

Após receber a ligação com a triste notícia, liguei para outra das amigas de nossa turma para contar a ela. “Como é difícil a vida adulta”, constatou Verinha. Nos últimos quatro anos, além da minha própria perda, tive uma amiga que perdeu uma filha pequena; diversos amigos, inclusive da turma de infância, que perderam os pais; e alguns amigos que enfrentaram doenças graves, como câncer. Isto com menos de 40 anos! Tenho a convicção de que a estressante vida moderna tem um papel importante nessa profusão de doenças prematuras.

O dia 28 de abril foi, portanto, um dia de encontros, os piores e os melhores. Como já havia comprado os ingressos há dois meses, fui assistir ao show do Duran Duran, uma banda que ouvi pela primeira vez justamente na época daquela turma, nos idos de 1981. Seria a segunda vez em seis meses que assistiria ao show deles e a terceira em minha vida, a primeira das quais no Hollywood Rock de 1988 (ver “Duran Duran 24 anos depois! E SWU, um Woodstock às avessas” aqui no blog).

Coincidência?
Apesar da tristeza, segui para o show com a tranquilidade de que o grupo inglês não cantaria seu maior sucesso, “Save a Prayer”, como havia anunciado em entrevistas lidas por um grupo de fãs que acompanham o grupo a todos os concertos que fazem, que havíamos conhecido à tarde no hotel em que a banda estava hospedada. A bela balada “Save a Prayer” me remete a uma das festinhas da turma, quando eu a dancei justamente com aquele namorado que havia sido vítima da fatalidade. A coincidência era enorme.

Tinha ido almoçar no hotel onde a banda estava hospedada movida por um espírito nostálgico de me encontrar com algum de seus integrantes, trocar algumas palavras e conseguir autógrafos para os dois Cds que não parava de ouvir há um mês: o antiquíssimo Rio (o segundo da carreira e melhor deles, de 1982) e o mais recente, “All you need is now” (de 2010), muito bom, produzido por Mark Ronson, responsável por Cds de Amy Winehouse, Adéle e outros ótimos artistas da nova safra de ingleses. Agora em casa, já que a banda tocaria em Brasília pela primeira vez, eu repetiria minha façanha de 1988 quando conseguira os autógrafos dos cinco integrantes do Duran entrando disfarçada de gringa no Copacabana Palace aos 19 anos.

Desta vez nada disso seria necessário. Nada da horda de fãs do auge da banda nos anos 80, apenas quatro seguidoras sentadas no sofá do lobby do hotel, onde também se hospedaram, de propósito. Todas vindas de outras cidades, todas com passagens e tickets para os três shows da banda no Brasil (além de Brasília, Rio e São Paulo) e uma delas também para o de Buenos Aires. A gaúcha Ana Paula, de 32 anos, diz que “segue” o Duran desde 1978, apesar de ter nascido em 1979. Sabe detalhes sobre o baixista e maior galã da banda, John Taylor, como o fato de ele ter parado de fumar em dezembro de 2010. Em seu colo está uma caixa com presentes para o ídolo: livros de fotos do Brasil, Rio Grande do Sul e Bahia (“ele disse que quer ir lá”) e um CD de Vanessa da Mata, “para ele conhecer” (Na foto, abaixo, da esquerda para a direita, Ana Paula, Marina e a mineira Ariadne, que sabe tudo sobre Simon).

Marina, a mascote, começou a gostar da banda inglesa na barriga de sua mãe. “Ela ouvia ‘Save a Prayer’ quando estava grávida de mim”, conta a goiana, radicada em São Paulo. E como descobrem em que hotel eles se hospedam? “Depende, desta vez pedi ao Simon (Le Bon, vocalista), pelo twitter, que postasse uma foto da janela de onde estava hospedado. Ele colocou uma foto da Torre de TV. Aí foi fácil”, conta Marina, completando que os artistas estão hospedados no 18o andar. “Décimo nono”, corrige Marly, paulista de 43 anos.

Marly diz que começou a gostar de Simon e companhia em 1981 e que a primeira música que lhe chamou a atenção não foi “Save…”, e sim “Planet Earth”. Ela tem foto com os quatro integrantes remanescentes da formação original do grupo desde o ano passado, quando eles vieram ao Festival SWU e se hospedaram no Fasano de São Paulo. “Eles sempre se hospedam lá”, diz, íntima.

Tietagem discreta e informação
Umas duas horas depois, Simon Le Bom passa pelo lobby em direção à porta de saída. As quatro não se mexem. Eu nem percebo a presença do alto vocalista. “O Simon saiu, quando você tava almoçando”, me contam depois. “Mas por que vocês não falaram com ele?”, pergunto. “Ah, tem que saber chegar nele. Às vezes ele está mal humorado, xinga”, diz uma delas. Me pergunto que graça tem, então, ficar ali horas esperando sem falar com os caras.

Quando Simon volta do almoço, a mineira Adriane, 38, comenta: “ele está mais bem humorado”. Ainda assim ninguém se mexe. Se Ana Paula não me avisasse, o homem alto e encorpado vestido despretensiosamente, me passaria despercebido de novo. Simon encontra outro inglês, mais velho, que creio ser alguém da banda de Roger Hogson, ex-Supertramp, que se apresentaria na cidade no dia seguinte. “How are you?”, diz em alto e bom som. Era um dos responsáveis pela produção do show do próprio Duran, como vi quando subiu no palco à noite.

As “meninas” sabem tudo. O que teria feito Simon, Nick Rhodes (tecladista) e Roger Taylor (baterista) terem chegado a Brasília 5a feira de manhã se, como elas mesmo dizem, eles nem passam o som com antecedência (“só nas horas que antecedem ao show”, garantem)? “Eles vieram direto de Antígua (no Caribe), onde foram para uma comemoração dos 30 anos da gravação do (vídeo) clip de Rio”, me diz uma delas. O vídeo de “Rio”, em que eles cantam em cima de um iate sobre um mar esplendidamente azul, foi um dos vídeo-clips mais caros produzidos no auge da era MTV, nos anos 80. Aos olhos atuais, parece super kitch, mas na época realmente chamava a atenção. Mais especial ainda pra mim, porque “Rio” é minha canção favorita do grupo. Pode ser facilmente achado no You tube.

Show
Chegamos ao Centro de Convenções com uma hora de vinte de antecedência, já com os portões abertos, atrasados inclusive por causa da notícia do falecimento da filhinha de meu amigo. Conseguimos lugar na quinta fileira. As super fãs estão na primeira, claro. Ana Paula me conta que John Taylor desceu às 18 horas para dar uma entrevista à MTV. Ela conseguira dar seu presente a ele, que fora super simpático. Um verdadeiro “dream come true” para qualquer fã, ainda se interessou pelo conteúdo da caixa e elogiou o esforço dela em cobri-la com o nome dele repetido centenas de vezes. Claro que me deu uma pontona de inveja, John é também o MEU preferido desde sempre, detalhes no post do ano passado.

Apesar dos contratempos que só podem ser colocados na conta do amadorismo dos empresários de show de Brasília, a apresentação, em si, foi maravilhosa. Muito parecida com o do SWU: um relicário de sucessos dos anos 80 e início dos 90, de “The Reflex” a “Hungry like the wolf”, de “Ordinary World” a “Come undone”, com direito à incendiária “Is there something I should know?” que, salvo engano, não incluíram no show do ano passado, e a final um retumbante com a lindíssima “Rio”, replay do ano passado. Na hora de “Ordinary World”, Simon anunciou que chamaria ao palco uma menina brasileira que fez um cover da canção. Era Fernanda Takay, que se declarou fã do grupo desde pequenininha e não fez feio no dueto com o ídolo.

Enquanto Simon pulava no palco, ignorando seus 54 anos, John sorria o tempo todo, regendo o público em algumas músicas. A plateia, que encheu o teatro, dançou e cantou em pé o tempo todo, inclusive as músicas novas, que o pessoal do gargarejo já sabia de cor.

“All you need is now”, tentava nos convencer o cinquentão Simon Le Bon. A mim não convenceu. Depois de ouvir a inesperada “Save a Prayer” (nesta as meninas erraram) e me lembrar da festinha em que dancei com meu velho namorado, tive a certeza de que aquele era um dia de reencontro, de reencontro não só com o meu passado, o recente e o remoto, mas comigo mesma. Um dia daqueles em que sentimos fundo os prazeres e os enormes dissabores da vida adulta.

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Chile à flor da pele

A imagem do Chile para mim sempre foi associada aos acontecimentos políticos da segunda metade do século XX. O primeiro governo socialista a que se chegou com eleições, o de Salvador Allende, o violento golpe de Estado que o tirou do poder em 1973, e a duríssima ditadura militar que se seguiu a ele, deixando milhares de mortos e desaparecidos- um número imensamente maior que no Brasil- e durando até 1989. Meu pai havia estudado em um instituto de pós-graduação por três meses em Santiago nos anos sessenta e desde criancinha eu o ouvia falar de Allende como de um verdadeiro herói. Minha primeira viagem a Santiago não poderia, portanto, ser dedicada apenas à degustação dos vinhos chilenos, estes que são os melhores e mais tradicionais vinhos do Novo Mundo, com algumas vinícolas datando do século XIX. Eu e meu marido, recém-saídos do curso avançado da Associação Brasileira de Sommeliers (ABS) e empolgadíssimos com as visitas aos vinhedos e vinícolas do Vale do Colchágua, teríamos que dividir nossos quatro dias e meio de viagem entre história e vinhos. E assim o fizemos (Abaixo, o belo Palácio de la Moneda).

Logo na noite em que chegamos, pleno sábado de carnaval no Brasil, fomos explorar a Avenida Providência, o centro já decadente de um dos bairros que abrigam muitos restaurantes e bares, alguns deles famosos. É só sair da Avenida que o clima se transforma, estamos em um bairro aconchegante, de casas e prédios baixos. Por recomendação de um casal de colegas do curso da ABS, fomos ao Baco, um bistrô super agradável onde pode se tomar diversos vinhos na taça (peça “por copa”), entre eles alguns dos títulos Tops de vinícolas famosas como a Lapostolle. Acompanhando um tartare de salmão e um crepe de espinafre com salmão de meu marido, tomamos um Leyda Chardonnay 2009 que começou muito ácido, mas após 15 minutos, estava muito bom. Experimentamos, então, o Cuvée Alexandre, safra 2009, Pinot Noir, um dos vinhos produzidos pela moderna Vinícola Casa Lapostolle, que tem como consultor o famoso enólogo francês Michel Rolland, especialista em melhorar os vinhos da América do Sul, aproximando suas técnicas das do Velho Mundo. Estava achando o Cuvée Alexandre delicioso (adoro a delicada uva Pinot Noir desde nossa viagem à Borgonha, seu lugar natal, durante nossa Lua de Mel em 2006) até sentir o gosto do Altair, assemblage (cabernet sauvignon, carmenère e syrat), 2006. Que vinho maravilhoso, saborosíssimo, com toque de pimenta acentuado. O Altair, que está entre os Top vinhos do Chile, acima de 90 pontos em todas as revistas especializadas, foi um dos vinhos mais interessantes que já provei. Compramos uma garrafa de uma safra mais recente depois. Bebendo aquele vinho ao som de um jazz antigo com cara de filme de Woody Allen, sentíamos que nossa viagem ao Chile não poderia ter começado melhor.

Emoção e terror
Um dos entrevistados que aparece em um vídeo do Museu dos Direitos Humanos diz que nunca houvera um golpe de Estado em que o Palácio do governo tivesse sido bombardeado até o Golpe de 1973 no Chile. Por meio de um vídeo com imagens do fatídico dia da tomada do poder pelos militares, o Museu aproxima seus visitantes do bombardeio aéreo feito ao Palácio de La Moneda, em que estava o presidente Salvador Allende. Uma estação de áudio mostra a última entrevista dada pelo presidente falando a uma rádio, escondido debaixo de uma mesa. Era uma despedida emocionante e firme. Allende foi encontrado morto em uma das salas do Palácio e a versão oficial diz que ele se suicidou. Nos últimos anos, porém, as investigações foram reabertas para averiguar se, na verdade, ele não foi executado.

O primeiro discurso dos militares que tomaram o poder, capitaneados por Augusto Pinochet, também pode ser ouvido no museu. Na parte mais emocionante e aterrorizante da exposição permanente estão cartas aos novos governantes escritas por crianças que perguntam por seus pais desaparecidos. Há ainda uma máquina de tortura, descrições de como a tortura ela era feita e fotos de todos os desaparecidos, expostas em um grande mural.

O que espanta era a forma explícita como as mortes aconteciam. Grupos de pessoas eram executados de uma só vez. E o número de desaparecidos é contado aos milhares. Não dá para deixar de observar o contraste: um museu lindo e moderno com um conteúdo aterrorizante. Um empreendimento só possível em um governo de esquerda como o da ex-presidente Michele Bachelet.

Moda e anos 80
Para compensar a contundência do Museu dos Direitos Humanos, seguimos para o Museu da Moda, criado pelo filho do dono de uma fábrica de tecidos, na bela casa modernista que foi da família. A mostra em cartaz no momento é em homenagem aos anos 80. Logo na entrada, nos deparamos com uma instalação com cinco carros daquela década enterrados de cabeça para baixo no jardim.

Dentro da casa, entre um quarto e outro com a mobília antiga de bom gosto preservada, estão modelos originais de marcas famosas como Chanel, Lacroix, Carolina Herrera e diversos outros estilistas internacionais e chilenos. Estão ali também os visuais roqueiros londrinos dos anos 80, o famoso bustiê pontudo feito por Jean-Paul Gautier para Madonna e diversas capas de revistas de moda estreladas por modelos daquela época como Cindy Crawford. Um ponto alto da mostra é a réplica do carro De Lorean dirigido por Marty Macfly (Michael J. Fox) em “De volta para o futuro”. Há ainda a jaqueta original usada pelo ator em “De volta para o futuro II”. A viagem de volta aos anos 80 é regada a muita música dos grupos da época. O ambiente perfeito para uma festa nostálgica, eu saí pensando.

Balneário
Vinã del Mar é um simpático balneário na costa do gelado Oceano Pacífico. No dia em que fomos começaria o famoso Festival de música de Viña del Mar, considerado o principal em língua espanhola do mundo. Conhecemos o local onde, à noite, ficaria o tapete vermelho por que as estrelas da televisão e da música chilenas passariam. Fizeram parte desta edição o cantor naturalizado mexicano Luis Miguel e o ex-vocalista dos Smiths, Stephen Morrisey.

O dia em Viña deveria ser passado na praia. É uma praia agradável, o mar é verde-azulado e, embora gelado demais para um banho completo- a temperatura máxima é de 14º C-, serve muito bem para refrescar o banhista. Viña é a praia por excelência dos chilenos, especialmente no mês de fevereiro, as férias deles. Infelizmente, a agência de turismo não avisou a ninguém para levar roupa de banho e tivemos que apreciar o Pacífico de tênis mesmo.

Um ponto alto de Vinã é um moai de três metros trazido da Ilha de Páscoa. Os moais são esculturas gigantes (algumas têm até 20 metros) feitas pelo Povo Rapa Nui, que habitou a ilha polinésia- que depois se tornaria território chileno- entre os séculos V e VIII depois de Cristo. Os moais representam rostos humanos e impressionam por seu tamanho.

Valparaíso, o segundo maior porto do País, parece já ter sido uma cidade bonita. A grande maioria dos prédios neoclássicos e das casas de madeira sobre os morros onde as pessoas moram está velha e com a pintura desgastada. Se for conhecer a cidade, onde fica o Congresso Nacional do Chile (!), peça para incluir a casa de Pablo Neruda no programa. O escritor é um dos dois ganhadores do Prêmio Nobel do Chile. A outra é Gabriela Mistral. Nosso programa não incluía a casa!

Culinária típica… peruana
A culinária peruana está ganhando cada vez mais fama e se espalhando pelo mundo. Os dois restaurantes peruanos a que fomos têm filiais em diversas capitais da América Latina e o “Astrid y Gastón”, um dos melhores de Santiago, já chegou inclusive a Los Angeles. A comida é muito boa, mas cuidado com as entradas de mariscos, algumas muito picantes.

No nosso hotel – o supermoderno e aconchegante W- fica o “Osaka”, um peruano misturado com japonês, com muito peixe cru ou apenas grelhado por fora e muitos pratos agridoces. Comi um ceviche thai agridoce e um salmão com um molho também levemente doce. Meu marido foi de lomo (uma espécie de filé)- muito macio!- com cogumelos e queijo parmesão. E repare nos drinks: espumante rosé com lichia e Pisco Thai, com manga e uma erva local que o deixa delicioso!

Por causa das férias de fevereiro dois restaurantes também bem indicados pelos guias e por amigos estavam fechados durante todo o mês: o “Onde está Coco?”, francês; e o “Como água para chocolate”, de comida latino-americana contemporânea. A partir de agora, acho que vale a pena incluí-los no roteiro, especialmente o primeiro.

Menos pela comida e mais pelo ambiente, fomos conhecer o Mercado Central. É um mercado que vende peixes e frutas frescos nas laterais e tem restaurantes especialmente de frutos do mar no centro. Para quem não conhece, vale experimentar a centolla, um caranguejo gigantesco que é aberto na hora pelo garçom.

Assim como no resto de Santiago- especialmente no nosso feriado de carnaval-, o Mercado é lotado de brasileiros e muitos garçons falam português. O prédio do Mercado, com um teto em ferro do início do século XX, também justifica a visita.

Vinícolas em tempo de colheita!
Tivemos muita sorte no passeio às vinícolas. Escolhemos o Vale do Colchágua, um dos mais importantes atualmente. Começamos com a Vinícola Montgrass, cujos vinhos não são tão famosos, mas que tem um tour superdidático antes da degustação em si. Para facilitar para o visitante, as parreiras de todas as cepas (tipos de uva) mais importantes são plantadas lado a lado. Nosso guia, que além de espanhol, falava um inglês perfeito e rápido, foi nos mostrando as diferenças entre as uvas e o melhor: pudemos prová-las diretamente do cacho. Cabernet sauvignon, merlot, malbec, minha querida pinot noir, sauvignon blanc e chardonay, fomos provando uma a uma.

Como era época de colheita das uvas brancas, pudemos ver as sauvignon blancs chegando das parreiras e subindo por um túnel em direção à prensagem. Nessa vinícola, como na maior parte das do Novo Mundo, elas são colhidas por máquinas.

Fomos, então, para o grande tanque de inox onde o vinho é fermentado. Como as sauvignon blancs não passam por envelhecimento, o vinho saía pronto da fermentação. Cristián, o guia, abriu a torneirinha e, um a um, tomamos o vinho diretamente do enorme reservatório! Uma experiência rara.

Na hora da degustação, Cristián propôs um brinde. “Skol!”, disse aos visitantes suecos que estavam no grupo. Ali descobrimos que o nome de nossa famosa cerveja significa “saúde” em sueco.

Modernidade aliada à tradição
Almoçamos no restaurante do principal hotel da pequena cidade de Santa Cruz, habitada por pessoas que trabalham nas vinícolas da região e em outras plantações. O presidente chileno Sebastián Piñera visitaria a Santa Cruz à tarde, em um giro pelas cidades afetadas pelo terremoto de 2010. Nas dependências do hotel fica também um museu com a história do Chile desde os povos pré-colombianos até o resgate dos mineiros que ficaram presos em uma mina no ano passado. O resgate foi acompanhado de perto por Piñera e deu grande popularidade ao presidente, hoje muito em baixa. Uma das cápsulas usadas no resgate está no museu e pude ver de perto como deve ter sido extremamente claustrofóbica a permanência naquele espaço exíguo.

Um dos pontos altos da viagem foi, sem dúvida, a visita à Casa Lapostolle. Ali apenas passamos pelos vinhedos, mas passeamos pelos grandes tanques de madeira colocados lado a lado formando um grande círculo, em um projeto arquitetônico superarrojado.

Seguindo a consultoria do enólogo francês Michel Rolland, a colheita é toda feita à mão e todos os vinhos passam por amadurecimento em barril de carvalho. A Lapostolle produz em pouca quantidade e se dedica a vinhos de alta qualidade. Num subsolo cheio de barris onde os vinhos ganhavam madeira, provamos o Cuvée Alexandre, o rótulo mais simples da vinícola, mas ainda assim muito bom (o mesmo que havíamos provado no Baco); e depois o famoso Clos Alpalta, que há alguns anos foi considerado o melhor vinho do mundo!

Outra vantagem de visitar as vinícolas é comprar estes vinhos Top por preços módicos em relação ao seu custo no Brasil. Além de muitas histórias pra contar, trouxemos na bagagem (nas malas mesmo) oito vinhos que nunca teríamos coragem de comprar fora do Chile!

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Um Grammy para não esquecer

Há programas que fazem valer a pena ficar acordada até tarde mesmo tendo que estar de pé no dia seguinte às 7 da manhã. A entrega dos Grammys de ontem com certeza foi um deles. Se assistir à volta de Adèle aos palcos depois de um ano emudecida pela operação nas cordas vocais já não fosse motivo suficiente, haveria as apresentações de Bruce Springsteen, Foo Fighters, Coldplay- com e sem Rihana-, Paul McCartney… Mas o que me levou a fazer o esforço foi mesmo a reunião dos Beach Boys 20 anos depois de sua última apresentação como grupo.

Como já fizeram com outras bandas anteriormente, como o Police, os organizadores do Grammy foram felizes ao promover a reunião dos cantores californianos, legítimos representantes da chamada surf music, marcando os 50 anos do início da banda. Coincidentemente presente ao evento, Paul McCartney um dia considerou o álbum “Pet Sounds”, de 1966, como o melhor do rock e disse que ele influenciou parte sua produção da época com os Beatles. A crítica especializada já considerou o álbum como uma das maiores obras primas da música pop.

E havia ainda a emoção das homenagens a Whitney Houston, ela mesma ganhadora de seis Grammys e indicada a 26 ao todo, e que morrera no dia anterior, aparentemente afogada após misturar um forte calmante a bebida alcoólica. Cheguei a ver o grande Steve Wonder tocando um trecho de “I will always love you” na gaita, antes de anunciar o número de Paul McCartney.  Jennifer Hudson cantaria uma das canções de Whitney, tida como uma de suas referências musicais.

Paul McCartney mostrou o lado grave da voz em uma balada em que foi acompanhado por uma orquestra. O Foo Fighters cantou “Walk”, a canção de rock and roll com ares de anos 80 que ganharia o prêmio de melhor música de rock de 2011 alguns minutos depois. O encontro da banda de Chris Martin com a popstar Rihana, que parecia inusitado, funcionou bem. Antes do dueto, ela cantou sozinha e o Coldplay também se apresentou separadamente. Mas, como eu esperava, foi ver os velhinhos dos Beach Boys cantando “Good Vibrations” que fez valer cada hora de sono perdida. O grupo Maroon 5 foi escalado para “abrir” para os Beach Boys cantando uma música deles, mas não convenceu. Foi estranho ouvir vozes tão diferentes interpretando aquelas canções tão conhecidas nas vozes de Brian Wilson e companhia. Mesmo com as vozes um tanto cansadas, o grupo original emocionou mesmo as gerações mais novas, que o conheceram depois que já haviam se separado. Chris Martin mesmo assistiu em pé à apresentação, super atento.

Só no ano passado, resolvi comprar o “Pet Sounds” pra ouvir as músicas na ordem proposta pela banda. Há mais de vinte anos tenho uma coletânea dos Beach Boys que resolvi comprar por causa da versão para “California Girls” feita por… quem diria, David Lee Roth, que havia abandonado a posição de vocalista do Van Halen e se lançado em carreira solo em 1985. Adoro a música e, adolescente, quis conhecer melhor a banda que a compôs e a tornou famosa. Pois bem, “Pet Sounds” é mesmo um daqueles álbuns perfeitos. Daqueles sem fill ins, aquelas músicas menos brilhantes que são colocadas no disco meio que para encher linguiça, pra fazer a ligação entre as canções realmente boas. Todas as músicas são belas, uma após a outra: “Wouldn’t it be nice?”, “God only knows”, “Sloop John B.”, a própria “Pet Sounds”… Na mesma compra, levei outra destas pérolas perfeitas, aquela brasileira: “Acabou chorare” dos Novos Bahianos (ver mais em “Os novos bahianos em filme e lembranças da Salvador dos anos 70”, aqui no blog).

Fiquei tão feliz em assistir ao vivo pela primeira (e única) aos Beach Boys cantando que fui dormir lá pela uma hora da manhã. Deixei pra ouvir a apresentação de Adèle outro dia. Afinal, com certeza o culto à juventude existente nos meios de comunicação me garantirão a reprise da apresentação dela, mas não a deles. E, claro, o grande número de prêmios arrebatados com justiça por esta fantástica cantora ontem.

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Historietas e conclusões de um menino de três anos

Quando publiquei “Constatações de um menino de dois anos” aqui no blog, com as frases de meu filho nesta idade, minha tia Tereza me contou que minha avó já fazia a mesma coisa muito antes da internet: anotava em um caderninho especial as falas da minha mãe, a mais velha de cinco irmãos, e do meu tio Plinio, o segundo a nascer. Há pouco tempo, li uma entrevista em que Arnaldo Antunes dizia que fez uma música com os dizeres de seu filho de três anos. Registrar o que dizem nossos pequenos quando estão aprendendo a lidar com a fala é, portanto, algo a que não conseguimos resistir. Se aos dois anos, achávamos inteligentíssimas as conclusões a que tão jovens pessoas chegavam, aos três, continuamos impressionados não só com suas constatações sobre o mundo que começam a observar, mas também com a forma como lidam cada vez melhor com o vocabulário que vão adquirindo. Registro a seguir, as falas de meu filho João, aos 3 anos que, quem sabe, possam divertir também os que não o conhecem.

“Farofeira!”, João, olhando para a mãe que cantava , brincando: “Comprei um quilo de farinha pra fazer farofa, pra fazer farofa-fá”. Em 9-08-2011, aos 3 anos e 3 meses.

“A lua fica brilhando no céu escuro”, contemplando a lua quase cheia. Em 26-08-2011, aos 3 anos e 3 meses.

“Você só quer saber de avião”, para a mãe, que contava a história do avião, sendo que ele, sim, só queria saber de avião. Em 9-09-2011, aos 3 anos e 4 meses

“Onde tem helicópteros e onde tem terremoto”, quando a mãe mostrava imagens de um avião em Nova Iorque, na época do terremoto que atingiu a cidade. Em 9-09-2011, aos 3 anos e 4 meses.

“Vê se pode, mamãe?”, imitando algo que a mãe falou em outro momento.

“Não tem ninguém nesse avião. Só os macaquinhos”, olhando para o avião de plástico de um livrinho e percebendo que só os macacos eram fixos. Os outros bichos só apareciam por trás das janelas, não estando verdadeiramente no avião.

“Você resgatou?”, sobre o avião dele que estava na cama da mãe, que o trouxe para ele. As três mais ou menos aos 3 anos e 4 meses.

“Eu nunca comi sorvete moído assim. Eu tomaria. Eu tomaria hoje”. Olhando a foto e desejando o sorvete com várias bolas e biscoito moído entre cada uma delas. Em 20-10-2011, aos 3 anos e 5 meses.

“É a porta giratória”. Girando o guarda-chuva de Panda que ganhou dos pais e se lembrando da hora em que Clark Kent vira Superman em “Superman, o filme”, de 1978, que assistira semanas antes em DVD.

“É a do Superman”, identificando a trilha sonora de “Superman, o filme”, de um CD com as melhores trilhas do mestre John Williams, respondendo à mãe, que tinha dificuldade de diferenciá-la da de “Caçadores da Arca Perdida”. As duas são bastante parecidas. Aos 3 anos e 8 meses.

“Tudo que a gente entende, a gente fala, sabia?”. Ensinando a mãe. Em 19-10-2011. Aos 3 anos e 5 meses.

De novo, as fantásticas máquinas voadoras
“O avião chegou. Ele está encantado pelo castelo”. Em 25-10-2011, aos 3 anos e cinco meses, humanizando um de seus queridos aviões feitos de Lego.

“Esse avião é do universo, não é da TAM. Ele tem uma asa poderosa, sabia?”, ainda pensando em suas incríveis máquinas voadoras. Idem.

“E depois o avião do universo vai decolar. Olha as turbinas dele”, mostrando seu vocabulário relativo a aviões. Idem.

“O helicóptero é assim: ele tem a hélice que gira assim e o motor, que faz voar”. Idem.

“Esse é o avião da TAP que você vai fazer? Eu vou ensinar o avião da TAP”, pegando as peças verdes e vermelhas do Lego da mão da mãe. “Aí você tem que aprender a fazer o avião, sabia? O seu avião já tá terminado”, fazendo ele mesmo o avião.

“Lá tinha tantos aviões! O Concorde você não consegue ver. Levanta, venha ver!”, variando as marcas das máquinas.

“É a base da biruta pra ela se equilibrar”, terminando de construir uma biruta de aeroporto com legos. As três últimas falas aos três anos e cinco meses.

“Sabia que os aviões mais novos são os que têm suportes nas duas asas?”, demonstrando cada vez mais especialização na área aeronáutica, sua preferida. Em 8-11-11, aos 3 anos e meio.

Contando histórias
“Era uma noite chuvosa… Uhhh! O gato caiu láaa embaixo e viu um fantasma. (…) E o lobo mordeu o gato”. Contando história de terror na véspera do Halloween, em parte inspirada no programete do Discovery Kids visto dias antes. Em 30-10-11, aos 3 anos e cinco meses.

“Eu sabo dirigir avião, nave e navio”. “O que é mais difícil?”, pergunta a mãe. “O navio. O navio é o Titanic. Ele bateu num iceberg e afundou. Aí os homens consertaram ele. E ele voltou”. Em 11-01-2012, aos 3 anos e 8 meses, lembrando-se da exposição dos objetos do Titanic que visitou.

“O cachorro virou um bicho sanitário que fala?”, referindo-se a si mesmo e trocando de personagem na brincadeira pelo que ele próprio criou: o bicho sanitário. Em 8-11-11, aos 3 anos e meio.

“Vou tirar porque tá muito adolescente”, se referindo ao próprio boné. Em 9-11-11, idem.

No almoço
“Eu passei no meio do vegetal. Você sabia que esse é o vegetal, sabia?”, apontando para um arbusto na varanda do restaurante em que almoçávamos. Em 2-11-11, idem.

“Eu se preparei pra comer o doce. Você viu? Eu fui naquela porta…”, se preparando para o momento especial de comer um petit gateau com sorvete só seu de sobremesa. Idem.

“Que gostoso esse recheio!”, elogiando o realmente especial petit gateau de chocolate amargo do Gero de Brasília. Idem.

“Pronto, você já está produzida”. Para a mãe, no dia do natal, quando ela terminou de colocar biquini e short. Em 25-12-11, aos 3 anos e 7 meses.

Na casa de vovó e vovô
“Eles são violentos”, sobre os filhotes de cachorros que a avó comprou para os netos e, aos quatro meses, gostam de pular neles, quase derrubando os donos. Em dezembro de 2011, idem.

“Eu coloquei água com xixi aqui”, de dentro da banheira onde tomava banho e fizera xixi, referindo-se a um frasco de creme da avó. “Mas, João, este creme é caro”, responde a mãe. “Mas tem muitos cremes ali”, apontando para a grande coleção de cremes da vaidosa avó materna.
Idem.

Sobre os astros
“Sabia que a lua é um satélite?”
Em 16-01-12, aos 3 anos e oito meses, demonstrando os recém-adquiridos conhecimentos sobre o espaço.

“Você viu que tem corais coloridos na lua?”, desenhando a lua e inventando. Em 21-01-12, aos 3 anos e oito meses.

“Olha um meteoro!”, desenhando e se lembrando do filme “Dinossauros”, que mostra a extinção dos bichos da Terra. Idem.

“Me dá a canetinha verde. Deixa eu fazer o Planeta Krypton”, depois de desenhar Marte e a Lua, achando que o Planeta natal do Superman realmente existe. Idem.

“Você se lembra do livro que não tinha nada? Depois veio a explosão e ‘bang!’”. “”Foi o Big Bang”, responde a mãe. “Não, não tinha o Big Bang ainda!”, referindo-se ao relógio londrino. “Quero dizer a explosão”, responde a mãe. “Sim, aí teve a explosão. Depois vieram os dinossauros. Aí caiu um meteoro e eles ficaram assim (mostra os dinos deitados). Aí depois vieram os homens. E acabou”. Em 22-01-12, aos 3 anos e oito meses, contando a história do universo e da vida na terra que ouvira e vira em um livro meses antes.

Mais recentes:
“Esse é grande”. Come um pedaço do biscoito. “Agora é médio”. Come mais um pedaço. “E agora é pequeno”. Aos 3 anos e oito meses, mostrando noções de tamanho.

“Bota a presidente Dilma ali”. Em 25/04/12, aos 3 anos e 11 meses, mandando a mãe desenhar a presidente dentro do balão com o formato da bandeira do Brasil que ele havia desenhado antes. O balão que ele viu na Esplanada dos Ministérios no dia 7 de setembro anterior.

“Olha, ele tá sobrevoando o México. Posso fazer um cacto?”. No dia seguinte, na hora em que desenhava um avião, lembrando-se das fotos dos pais no México, onde havia muitos cactos.

 

 

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Treze pratos e bebidas imperdíveis em Brasília

Não estava fácil escolher dez. Então, resolvi flexibilizar e aumentar para 13 a lista de pratos ou bebidas simplesmente deliciosos encontrados nos restaurantes de Brasília. Claro que são escolhas absolutamente pessoais, mas com certeza capazes de inspirar o pessoal que está trabalhando na capital nesta época em que ela está vazia, com poucas opções para adultos- vide as salas de cinema, invadidas pelos blockbusters infantis e adolescentes das férias de verão. Então, segue a minha lista, que não está em nenhuma ordem, e aguardo os comentários.

1-   Fois gras do Toujours Bistrô. Ele vem coberto por cristais de sal, é simples e gostoso. O do Zuu, com melado, queijo de coalho e salada de feijões, rivalizaria com ele se o restaurante não tivesse fechado as portas.

2-   Rabada agridoce do Versão Tupiniquim. É uma rabada com pouca gordura, envolta em uma fina massa folhada. O molho agridoce vai sendo colocado aos poucos (Ver foto do prato e detalhes sobre o local em “Restaurante brasiliense com um pé na alta cozinha espanhola”, aqui no blog). Se não come carne, opte pela Pescada amerela com pimentões vermelhos e amarelos. É leve e saborosa na medida certa! Bem espanhola.

3-    Filé mignon ao vinho Marsala com fois gras e trufas negras do Gero. As batatas cortadas em fatias finas colocadas uma sobre a outra e, principalmente, os aspargos frescos com bacon, complementam o prato perfeitamente.

4-    Sunset drink do El Paso Texas. Drink frozen com suco de laranja e amaretto. Consegue ser melhor que a Piña Colada que tomávamos na Cidade do México também com amaretto. É mais equilibrada por causa da acidez conferida pela laranja.

5-   Risoto de camarão e manjericão do Bom Demais do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). Saboroso e cremoso no ponto.

6-    Café grego também do Bom Demais do CCBB. Uma mistura de grãos de café realmente provenientes da Grécia com limão, batidos e servidos gelados em um copo alto. Mistura improvável e surpreendente.

7-   Lagostin da Trattoria da Rosário. Prato sazonal e especial.

8-    Filé a Severin do La Chaumière. No mais tradicional restaurante francês da cidade, o filé foi criado por seu ex-garçom e atual dono, Severino (na foto abaixo), à base de queijo gorgonzola e pimenta do reino em grãos, com deliciosas batatas sautés ou arroz branco. O impressionante é que não é pesado, apesar dos ingredientes. Dá vontade de comer uma vez por mês, pelo menos.

9-   Buffet do restaurante austríaco Servus. O buffet deste restaurante que fica em uma aconchegante e casa de madeira no caminho para a Papuda tem chucrute, salsichões, picadinho com páprica e todas as delícias que são também alemãs. Vá com tempo e harmonize com as cervejas de trigo importadas da Alemanha e outros países europeus. Lá você encontra desde motoqueiros com suas Harley Davidsons até embaixadores como o da Rússia, que estava lá quando fomos. Há ainda uma casinha de bonecas para as crianças no amplo gramado.

10-Lula grelhada da parte superior do Bar do Mercado. Trata-se da parte central do animal, cortada em fatias, acompanhada de farofa amarela e com a opção de um pouco de azeite com pimenta do reino rosa. De dar água na boca. Vai bem com os bons vinhos brancos a preço de mercado da Adega ou com a cerveja de trigo Bohêmia Confraria, que costuma estar no cardápio do Bar não se encontra em qualquer lugar.

11-Todos os pratos com peixes brasileiros, ostras, vieiras, lagostins e jambu do Aquavit. Difícil escolher o melhor deste que é o único restaurante com duas estrelas no Guia Quatro Rodas de Brasília e cujo cozinheiro e dono, Simon Lau Cederholm, foi considerado o chef do ano de 2010 do Brasil pelo guia (Ver detalhes em “O restaurante duas estrelas de Brasília”).

12-Sexy Shrimp do Universal Diner. Um prato afrodisíaco levemente agridoce criado há tempos por Mara Alcamim e que combina com o ambiente do East Village nova-iorquino reproduzido pela chef que tinha apartamento naquele bairro descolado. Mas vá cedo se não quiser encarar a música sertaneja disfarçada de dance music que começa a tocar lá pelas 23 horas.

13- E pra completar, chocolate quente com macadâmia do Espaço Gourmet das lojas Kopenhagen. Simplesmente o melhor chocolate quente que já tomei na vida.

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