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	<description>Frutos de momentos de ócio</description>
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		<title>Dores e delícias da vida adulta</title>
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		<pubDate>Thu, 03 May 2012 12:46:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mariana</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Num espectro de apenas três horas, pude presenciar no último fim de semana os dois extremos dos sentimentos que a vida adulta insiste em nos apresentar. Estava me preparando para assistir ao show de uma banda pop de que gosto muito, o Duran Duran, pela primeira vez na minha cidade, quando me telefona um amigo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Num espectro de apenas três horas, pude presenciar no último fim de semana os dois extremos dos sentimentos que a vida adulta insiste em nos apresentar. Estava me preparando para assistir ao show de uma banda pop de que gosto muito, o Duran Duran, pela primeira vez na minha cidade, quando me telefona um amigo de minha turma de infância/pré-adolescência para me dar a pior notícia que se pode receber: a filha de um outro amigo, de pouco mais de um ano e meio de idade, havia sofrido um terrível acidente e morrido. Fui do céu ao inferno em um segundo.</p>
<p>O pai da menininha fazia parte da melhor turma de amigos que tive na vida. Uma turma de que já falei algumas vezes aqui no blog (ver “Ode à minha Brasília”, por exemplo), que começou quando eu tinha uns 10 anos, brincando de pique-bandeira, queimada e carrinho de rolimã debaixo do bloco e que, para nós meninas, terminou lá pelos 14 anos, após nossos primeiros namoros, daqueles inocentes em que éramos pedidas em namoro e a “relação” poderia se caracterizar por simples mãos dadas, um selinho, uma dança de rosto colado. Este amigo tinha sido meu segundo namorado de pré-adolescência, meu primeiro beijo, uma pessoa que, para usar as palavras usadas por ele próprio, trago no coração, mesmo depois de trinta anos do início da nossa turma.</p>
<p>No domingo, passei pela terrível experiência de sentir na pele a imensa dor de ver um grande amigo sofrer a pior das perdas: a de um filho. Ninguém quer ver uma pessoa que ama sofrer uma perda destas- sim, posso dizer com segurança que amo aqueles amigos de infância, tenho saudades das nossas festinhas, tenho saudades das nossas brincadeiras, muitas saudades de nossas idas ao Cine Karim a pé, sinto falta de ouvir as besteiras que dizem até hoje os integrantes da Farofa. Amizades de infância são como nenhuma outra. Trazem o frescor da inocência, da relação honesta, sem interesse algum envolvido. Dizem respeito a uma época em que praticamente só havia alegrias, quase não havia preocupações. São únicas.</p>
<p>Como muito bem disse o irmão de meu amigo no velório, o natural é enterrarmos nossos pais, não nossos filhos. Então, ficamos nos perguntando: por quê? Por que Deus escolheu tirar a vida de um filho? E permanecemos sem resposta, simplesmente porque não há resposta. Seria porque temos que carregar nossas cruzes? “Não”, respondeu o irmão. “Jesus teve que carregar sua cruz porque ele era Jesus. Nós não deveríamos ter que carregar uma cruz tão pesada”. Com a experiência de quem também já teve uma perda semelhante, concordei completamente com Roberto, o sábio irmão.</p>
<p>Após receber a ligação com a triste notícia, liguei para outra das amigas de nossa turma para contar a ela. “Como é difícil a vida adulta”, constatou Verinha. Nos últimos quatro anos, além da minha própria perda, tive uma amiga que perdeu uma filha pequena; diversos amigos, inclusive da turma de infância, que perderam os pais; e alguns amigos que enfrentaram doenças graves, como câncer. Isto com menos de 40 anos! Tenho a convicção de que a estressante vida moderna tem um papel importante nessa profusão de doenças prematuras.</p>
<p>O dia 28 de abril foi, portanto, um dia de encontros, os piores e os melhores. Como já havia comprado os ingressos há dois meses, fui assistir ao show do Duran Duran, uma banda que ouvi pela primeira vez justamente na época daquela turma, nos idos de 1981. Seria a segunda vez em seis meses que assistiria ao show deles e a terceira em minha vida, a primeira das quais no Hollywood Rock de 1988 (ver “Duran Duran 24 anos depois! E SWU, um Woodstock às avessas&#8221; aqui no blog).</p>
<p><strong>Coincidência?<br />
</strong>Apesar da tristeza, segui para o show com a tranquilidade de que o grupo inglês não cantaria seu maior sucesso, “Save a Prayer”, como havia anunciado em entrevistas lidas por um grupo de fãs que acompanham o grupo a todos os concertos que fazem, que havíamos conhecido à tarde no hotel em que a banda estava hospedada. A bela balada “Save a Prayer” me remete a uma das festinhas da turma, quando eu a dancei justamente com aquele namorado que havia sido vítima da fatalidade. A coincidência era enorme.</p>
<p>Tinha ido almoçar no hotel onde a banda estava hospedada movida por um espírito nostálgico de me encontrar com algum de seus integrantes, trocar algumas palavras e conseguir autógrafos para os dois Cds que não parava de ouvir há um mês: o antiquíssimo Rio (o segundo da carreira e melhor deles, de 1982) e o mais recente, “All you need is now” (de 2010), muito bom, produzido por Mark Ronson, responsável por Cds de Amy Winehouse, Adéle e outros ótimos artistas da nova safra de ingleses. Agora em casa, já que a banda tocaria em Brasília pela primeira vez, eu repetiria minha façanha de 1988 quando conseguira os autógrafos dos cinco integrantes do Duran entrando disfarçada de gringa no Copacabana Palace aos 19 anos.</p>
<p>Desta vez nada disso seria necessário. Nada da horda de fãs do auge da banda nos anos 80, apenas quatro seguidoras sentadas no sofá do lobby do hotel, onde também se hospedaram, de propósito. Todas vindas de outras cidades, todas com passagens e tickets para os três shows da banda no Brasil (além de Brasília, Rio e São Paulo) e uma delas também para o de Buenos Aires. A gaúcha Ana Paula, de 32 anos, diz que “segue” o Duran desde 1978, apesar de ter nascido em 1979. Sabe detalhes sobre o baixista e maior galã da banda, John Taylor, como o fato de ele ter parado de fumar em dezembro de 2010. Em seu colo está uma caixa com presentes para o ídolo: livros de fotos do Brasil, Rio Grande do Sul e Bahia (“ele disse que quer ir lá”) e um CD de Vanessa da Mata, “para ele conhecer” (Na foto, abaixo, da esquerda para a direita, Ana Paula, Marina e a mineira Ariadne, que sabe tudo sobre Simon).</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/05/DSC06230.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-medium wp-image-928" title="DSC06230" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/05/DSC06230-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>Marina, a mascote, começou a gostar da banda inglesa na barriga de sua mãe. “Ela ouvia &#8216;Save a Prayer&#8217; quando estava grávida de mim”, conta a goiana, radicada em São Paulo. E como descobrem em que hotel eles se hospedam? “Depende, desta vez pedi ao Simon (Le Bon, vocalista), pelo twitter, que postasse uma foto da janela de onde estava hospedado. Ele colocou uma foto da Torre de TV. Aí foi fácil”, conta Marina, completando que os artistas estão hospedados no 18o andar. “Décimo nono”, corrige Marly, paulista de 43 anos.</p>
<p>Marly diz que começou a gostar de Simon e companhia em 1981 e que a primeira música que lhe chamou a atenção não foi “Save&#8230;”, e sim “Planet Earth”. Ela tem foto com os quatro integrantes remanescentes da formação original do grupo desde o ano passado, quando eles vieram ao Festival SWU e se hospedaram no Fasano de São Paulo. “Eles sempre se hospedam lá”, diz, íntima.</p>
<p><strong>Tietagem discreta e informação</strong><br />
Umas duas horas depois, Simon Le Bom passa pelo lobby em direção à porta de saída. As quatro não se mexem. Eu nem percebo a presença do alto vocalista. “O Simon saiu, quando você tava almoçando”, me contam depois. “Mas por que vocês não falaram com ele?”, pergunto. “Ah, tem que saber chegar nele. Às vezes ele está mal humorado, xinga”, diz uma delas. Me pergunto que graça tem, então, ficar ali horas esperando sem falar com os caras.</p>
<p>Quando Simon volta do almoço, a mineira Adriane, 38, comenta: “ele está mais bem humorado”. Ainda assim ninguém se mexe. Se Ana Paula não me avisasse, o homem alto e encorpado vestido despretensiosamente, me passaria despercebido de novo. Simon encontra outro inglês, mais velho, que creio ser alguém da banda de Roger Hogson, ex-Supertramp, que se apresentaria na cidade no dia seguinte. “How are you?”, diz em alto e bom som. Era um dos responsáveis pela produção do show do próprio Duran, como vi quando subiu no palco à noite.</p>
<p>As “meninas” sabem tudo. O que teria feito Simon, Nick Rhodes (tecladista) e Roger Taylor (baterista) terem chegado a Brasília 5a feira de manhã se, como elas mesmo dizem, eles nem passam o som com antecedência (“só nas horas que antecedem ao show”, garantem)? “Eles vieram direto de Antígua (no Caribe), onde foram para uma comemoração dos 30 anos da gravação do (vídeo) clip de Rio”, me diz uma delas. O vídeo de “Rio”, em que eles cantam em cima de um iate sobre um mar esplendidamente azul, foi um dos vídeo-clips mais caros produzidos no auge da era MTV, nos anos 80. Aos olhos atuais, parece super kitch, mas na época realmente chamava a atenção. Mais especial ainda pra mim, porque “Rio” é minha canção favorita do grupo. Pode ser facilmente achado no You tube.</p>
<p><strong>Show </strong><br />
Chegamos ao Centro de Convenções com uma hora de vinte de antecedência, já com os portões abertos, atrasados inclusive por causa da notícia do falecimento da filhinha de meu amigo. Conseguimos lugar na quinta fileira. As super fãs estão na primeira, claro. Ana Paula me conta que John Taylor desceu às 18 horas para dar uma entrevista à MTV. Ela conseguira dar seu presente a ele, que fora super simpático. Um verdadeiro “dream come true” para qualquer fã, ainda se interessou pelo conteúdo da caixa e elogiou o esforço dela em cobri-la com o nome dele repetido centenas de vezes. Claro que me deu uma pontona de inveja, John é também o MEU preferido desde sempre, detalhes no post do ano passado.</p>
<p>Apesar dos contratempos que só podem ser colocados na conta do amadorismo dos empresários de show de Brasília, a apresentação, em si, foi maravilhosa. Muito parecida com o do SWU: um relicário de sucessos dos anos 80 e início dos 90, de “The Reflex” a “Hungry like the wolf”, de “Ordinary World” a “Come undone”, com direito à incendiária “Is there something I should know?” que, salvo engano, não incluíram no show do ano passado, e a final um retumbante com a lindíssima “Rio”, replay do ano passado. Na hora de &#8220;Ordinary World&#8221;, Simon anunciou que chamaria ao palco uma menina brasileira que fez um cover da canção. Era Fernanda Takay, que se declarou fã do grupo desde pequenininha e não fez feio no dueto com o ídolo.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/05/DSC06249.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-medium wp-image-931" title="DSC06249" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/05/DSC06249-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>Enquanto Simon pulava no palco, ignorando seus 54 anos, John sorria o tempo todo, regendo o público em algumas músicas. A plateia, que encheu o teatro, dançou e cantou em pé o tempo todo, inclusive as músicas novas, que o pessoal do gargarejo já sabia de cor.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/05/DSC062451.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-large wp-image-930" title="DSC06245" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/05/DSC062451-1024x768.jpg" alt="" width="1024" height="768" /></a></p>
<p>“All you need is now”, tentava nos convencer o cinquentão Simon Le Bon. A mim não convenceu. Depois de ouvir a inesperada “Save a Prayer” (nesta as meninas erraram) e me lembrar da festinha em que dancei com meu velho namorado, tive a certeza de que aquele era um dia de reencontro, de reencontro não só com o meu passado, o recente e o remoto, mas comigo mesma. Um dia daqueles em que sentimos fundo os prazeres e os enormes dissabores da vida adulta.</p>
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		<title>Chile à flor da pele</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Mar 2012 17:07:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mariana</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A imagem do Chile para mim sempre foi associada aos acontecimentos políticos da segunda metade do século XX. O primeiro governo socialista a que se chegou com eleições, o de Salvador Allende, o violento golpe de Estado que o tirou do poder em 1973, e a duríssima ditadura militar que se seguiu a ele, deixando [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A imagem do Chile para mim sempre foi associada aos acontecimentos políticos da segunda metade do século XX. O primeiro governo socialista a que se chegou com eleições, o de Salvador Allende, o violento golpe de Estado que o tirou do poder em 1973, e a duríssima ditadura militar que se seguiu a ele, deixando milhares de mortos e desaparecidos- um número imensamente maior que no Brasil- e durando até 1989. Meu pai havia estudado em um instituto de pós-graduação por três meses em Santiago nos anos sessenta e desde criancinha eu o ouvia falar de Allende como de um verdadeiro herói. Minha primeira viagem a Santiago não poderia, portanto, ser dedicada apenas à degustação dos vinhos chilenos, estes que são os melhores e mais tradicionais vinhos do Novo Mundo, com algumas vinícolas datando do século XIX. Eu e meu marido, recém-saídos do curso avançado da Associação Brasileira de Sommeliers (ABS) e empolgadíssimos com as visitas aos vinhedos e vinícolas do Vale do Colchágua, teríamos que dividir nossos quatro dias e meio de viagem entre história e vinhos. E assim o fizemos (Abaixo, o belo Palácio de la Moneda).</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/03/DSC05762.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-large wp-image-883" title="DSC05762" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/03/DSC05762-1024x768.jpg" alt="" width="1024" height="768" /></a></p>
<p>Logo na noite em que chegamos, pleno sábado de carnaval no Brasil, fomos explorar a Avenida Providência, o centro já decadente de um dos bairros que abrigam muitos restaurantes e bares, alguns deles famosos. É só sair da Avenida que o clima se transforma, estamos em um bairro aconchegante, de casas e prédios baixos. Por recomendação de um casal de colegas do curso da ABS, fomos ao Baco, um bistrô super agradável onde pode se tomar diversos vinhos na taça (peça “por copa”), entre eles alguns dos títulos Tops de vinícolas famosas como a Lapostolle. Acompanhando um tartare de salmão e um crepe de espinafre com salmão de meu marido, tomamos um Leyda Chardonnay 2009 que começou muito ácido, mas após 15 minutos, estava muito bom. Experimentamos, então, o Cuvée Alexandre, safra 2009, Pinot Noir, um dos vinhos produzidos pela moderna Vinícola Casa Lapostolle, que tem como consultor o famoso enólogo francês Michel Rolland, especialista em melhorar os vinhos da América do Sul, aproximando suas técnicas das do Velho Mundo. Estava achando o Cuvée Alexandre delicioso (adoro a delicada uva Pinot Noir desde nossa viagem à Borgonha, seu lugar natal, durante nossa Lua de Mel em 2006) até sentir o gosto do Altair, assemblage (cabernet sauvignon, carmenère e syrat), 2006. Que vinho maravilhoso, saborosíssimo, com toque de pimenta acentuado. O Altair, que está entre os Top vinhos do Chile, acima de 90 pontos em todas as revistas especializadas, foi um dos vinhos mais interessantes que já provei. Compramos uma garrafa de uma safra mais recente depois. Bebendo aquele vinho ao som de um jazz antigo com cara de filme de Woody Allen, sentíamos que nossa viagem ao Chile não poderia ter começado melhor.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/03/DSC05732.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-medium wp-image-884" title="DSC05732" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/03/DSC05732-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p><strong>Emoção e terror<br />
</strong>Um dos entrevistados que aparece em um vídeo do Museu dos Direitos Humanos diz que nunca houvera um golpe de Estado em que o Palácio do governo tivesse sido bombardeado até o Golpe de 1973 no Chile. Por meio de um vídeo com imagens do fatídico dia da tomada do poder pelos militares, o Museu aproxima seus visitantes do bombardeio aéreo feito ao Palácio de La Moneda, em que estava o presidente Salvador Allende. Uma estação de áudio mostra a última entrevista dada pelo presidente falando a uma rádio, escondido debaixo de uma mesa. Era uma despedida emocionante e firme. Allende foi encontrado morto em uma das salas do Palácio e a versão oficial diz que ele se suicidou. Nos últimos anos, porém, as investigações foram reabertas para averiguar se, na verdade, ele não foi executado.</p>
<p>O primeiro discurso dos militares que tomaram o poder, capitaneados por Augusto Pinochet, também pode ser ouvido no museu. Na parte mais emocionante e aterrorizante da exposição permanente estão cartas aos novos governantes escritas por crianças que perguntam por seus pais desaparecidos. Há ainda uma máquina de tortura, descrições de como a tortura ela era feita e fotos de todos os desaparecidos, expostas em um grande mural.</p>
<p>O que espanta era a forma explícita como as mortes aconteciam. Grupos de pessoas eram executados de uma só vez. E o número de desaparecidos é contado aos milhares. Não dá para deixar de observar o contraste: um museu lindo e moderno com um conteúdo aterrorizante. Um empreendimento só possível em um governo de esquerda como o da ex-presidente Michele Bachelet.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/03/DSC05822.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-large wp-image-885" title="DSC05822" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/03/DSC05822-1024x768.jpg" alt="" width="1024" height="768" /></a></p>
<p><strong>Moda e anos 80<br />
</strong>Para compensar a contundência do Museu dos Direitos Humanos, seguimos para o Museu da Moda, criado pelo filho do dono de uma fábrica de tecidos, na bela casa modernista que foi da família. A mostra em cartaz no momento é em homenagem aos anos 80. Logo na entrada, nos deparamos com uma instalação com cinco carros daquela década enterrados de cabeça para baixo no jardim.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/03/DSC05825.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-medium wp-image-887" title="DSC05825" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/03/DSC05825-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>Dentro da casa, entre um quarto e outro com a mobília antiga de bom gosto preservada, estão modelos originais de marcas famosas como Chanel, Lacroix, Carolina Herrera e diversos outros estilistas internacionais e chilenos. Estão ali também os visuais roqueiros londrinos dos anos 80, o famoso bustiê pontudo feito por Jean-Paul Gautier para Madonna e diversas capas de revistas de moda estreladas por modelos daquela época como Cindy Crawford. Um ponto alto da mostra é a réplica do carro De Lorean dirigido por Marty Macfly (Michael J. Fox) em “De volta para o futuro”. Há ainda a jaqueta original usada pelo ator em “De volta para o futuro II”. A viagem de volta aos anos 80 é regada a muita música dos grupos da época. O ambiente perfeito para uma festa nostálgica, eu saí pensando.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/03/DSC05832.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-medium wp-image-891" title="DSC05832" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/03/DSC05832-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/03/DSC058331.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-medium wp-image-893" title="DSC05833" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/03/DSC058331-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p><strong>Balneário<br />
</strong>Vinã del Mar é um simpático balneário na costa do gelado Oceano Pacífico. No dia em que fomos começaria o famoso Festival de música de Viña del Mar, considerado o principal em língua espanhola do mundo. Conhecemos o local onde, à noite, ficaria o tapete vermelho por que as estrelas da televisão e da música chilenas passariam. Fizeram parte desta edição o cantor naturalizado mexicano Luis Miguel e o ex-vocalista dos Smiths, Stephen Morrisey.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/03/DSC05885.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-medium wp-image-889" title="DSC05885" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/03/DSC05885-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>O dia em Viña deveria ser passado na praia. É uma praia agradável, o mar é verde-azulado e, embora gelado demais para um banho completo- a temperatura máxima é de 14º C-, serve muito bem para refrescar o banhista. Viña é a praia por excelência dos chilenos, especialmente no mês de fevereiro, as férias deles. Infelizmente, a agência de turismo não avisou a ninguém para levar roupa de banho e tivemos que apreciar o Pacífico de tênis mesmo.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/03/DSC05911.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-medium wp-image-890" title="DSC05911" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/03/DSC05911-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>Um ponto alto de Vinã é um moai de três metros trazido da Ilha de Páscoa. Os moais são esculturas gigantes (algumas têm até 20 metros) feitas pelo Povo Rapa Nui, que habitou a ilha polinésia- que depois se tornaria território chileno- entre os séculos V e VIII depois de Cristo. Os moais representam rostos humanos e impressionam por seu tamanho.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/03/DSC05920.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-medium wp-image-896" title="DSC05920" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/03/DSC05920-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>Valparaíso, o segundo maior porto do País, parece já ter sido uma cidade bonita. A grande maioria dos prédios neoclássicos e das casas de madeira sobre os morros onde as pessoas moram está velha e com a pintura desgastada. Se for conhecer a cidade, onde fica o Congresso Nacional do Chile (!), peça para incluir a casa de Pablo Neruda no programa. O escritor é um dos dois ganhadores do Prêmio Nobel do Chile. A outra é Gabriela Mistral. Nosso programa não incluía a casa!</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/03/DSC05882.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-medium wp-image-897" title="DSC05882" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/03/DSC05882-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p><strong>Culinária típica&#8230; peruana<br />
</strong>A culinária peruana está ganhando cada vez mais fama e se espalhando pelo mundo. Os dois restaurantes peruanos a que fomos têm filiais em diversas capitais da América Latina e o “Astrid y Gastón”, um dos melhores de Santiago, já chegou inclusive a Los Angeles. A comida é muito boa, mas cuidado com as entradas de mariscos, algumas muito picantes.</p>
<p>No nosso hotel – o supermoderno e aconchegante W- fica o “Osaka”, um peruano misturado com japonês, com muito peixe cru ou apenas grelhado por fora e muitos pratos agridoces. Comi um ceviche thai agridoce e um salmão com um molho também levemente doce. Meu marido foi de lomo (uma espécie de filé)- muito macio!- com cogumelos e queijo parmesão. E repare nos drinks: espumante rosé com lichia e Pisco Thai, com manga e uma erva local que o deixa delicioso!</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/03/DSC05972.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-medium wp-image-899" title="DSC05972" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/03/DSC05972-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>Por causa das férias de fevereiro dois restaurantes também bem indicados pelos guias e por amigos estavam fechados durante todo o mês: o “Onde está Coco?”, francês; e o “Como água para chocolate”, de comida latino-americana contemporânea. A partir de agora, acho que vale a pena incluí-los no roteiro, especialmente o primeiro.</p>
<p>Menos pela comida e mais pelo ambiente, fomos conhecer o Mercado Central. É um mercado que vende peixes e frutas frescos nas laterais e tem restaurantes especialmente de frutos do mar no centro. Para quem não conhece, vale experimentar a centolla, um caranguejo gigantesco que é aberto na hora pelo garçom.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/03/DSC05815.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-medium wp-image-900" title="DSC05815" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/03/DSC05815-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>Assim como no resto de Santiago- especialmente no nosso feriado de carnaval-, o Mercado é lotado de brasileiros e muitos garçons falam português. O prédio do Mercado, com um teto em ferro do início do século XX, também justifica a visita.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/03/DSC05817.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-medium wp-image-901" title="DSC05817" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/03/DSC05817-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p><strong>Vinícolas em tempo de colheita!<br />
</strong>Tivemos muita sorte no passeio às vinícolas. Escolhemos o Vale do Colchágua, um dos mais importantes atualmente. Começamos com a Vinícola Montgrass, cujos vinhos não são tão famosos, mas que tem um tour superdidático antes da degustação em si. Para facilitar para o visitante, as parreiras de todas as cepas (tipos de uva) mais importantes são plantadas lado a lado. Nosso guia, que além de espanhol, falava um inglês perfeito e rápido, foi nos mostrando as diferenças entre as uvas e o melhor: pudemos prová-las diretamente do cacho. Cabernet sauvignon, merlot, malbec, minha querida pinot noir, sauvignon blanc e chardonay, fomos provando uma a uma.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/03/DSC05985.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-medium wp-image-903" title="DSC05985" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/03/DSC05985-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/03/DSC05991.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-medium wp-image-904" title="DSC05991" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/03/DSC05991-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>Como era época de colheita das uvas brancas, pudemos ver as sauvignon blancs chegando das parreiras e subindo por um túnel em direção à prensagem. Nessa vinícola, como na maior parte das do Novo Mundo, elas são colhidas por máquinas.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/03/DSC06000.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-medium wp-image-905" title="DSC06000" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/03/DSC06000-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>Fomos, então, para o grande tanque de inox onde o vinho é fermentado. Como as sauvignon blancs não passam por envelhecimento, o vinho saía pronto da fermentação. Cristián, o guia, abriu a torneirinha e, um a um, tomamos o vinho diretamente do enorme reservatório! Uma experiência rara.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/03/DSC06007.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-medium wp-image-906" title="DSC06007" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/03/DSC06007-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>Na hora da degustação, Cristián propôs um brinde. “Skol!”, disse aos visitantes suecos que estavam no grupo. Ali descobrimos que o nome de nossa famosa cerveja significa “saúde” em sueco.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/03/DSC06019.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-medium wp-image-907" title="DSC06019" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/03/DSC06019-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p><strong>Modernidade aliada à tradição<br />
</strong>Almoçamos no restaurante do principal hotel da pequena cidade de Santa Cruz, habitada por pessoas que trabalham nas vinícolas da região e em outras plantações. O presidente chileno Sebastián Piñera visitaria a Santa Cruz à tarde, em um giro pelas cidades afetadas pelo terremoto de 2010. Nas dependências do hotel fica também um museu com a história do Chile desde os povos pré-colombianos até o resgate dos mineiros que ficaram presos em uma mina no ano passado. O resgate foi acompanhado de perto por Piñera e deu grande popularidade ao presidente, hoje muito em baixa. Uma das cápsulas usadas no resgate está no museu e pude ver de perto como deve ter sido extremamente claustrofóbica a permanência naquele espaço exíguo.</p>
<p>Um dos pontos altos da viagem foi, sem dúvida, a visita à Casa Lapostolle. Ali apenas passamos pelos vinhedos, mas passeamos pelos grandes tanques de madeira colocados lado a lado formando um grande círculo, em um projeto arquitetônico superarrojado.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/03/DSC06072.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-medium wp-image-909" title="DSC06072" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/03/DSC06072-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/03/DSC06032.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-medium wp-image-910" title="DSC06032" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/03/DSC06032-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>Seguindo a consultoria do enólogo francês Michel Rolland, a colheita é toda feita à mão e todos os vinhos passam por amadurecimento em barril de carvalho. A Lapostolle produz em pouca quantidade e se dedica a vinhos de alta qualidade. Num subsolo cheio de barris onde os vinhos ganhavam madeira, provamos o Cuvée Alexandre, o rótulo mais simples da vinícola, mas ainda assim muito bom (o mesmo que havíamos provado no Baco); e depois o famoso Clos Alpalta, que há alguns anos foi considerado o melhor vinho do mundo!</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/03/DSC06049.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-medium wp-image-911" title="DSC06049" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/03/DSC06049-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>Outra vantagem de visitar as vinícolas é comprar estes vinhos Top por preços módicos em relação ao seu custo no Brasil. Além de muitas histórias pra contar, trouxemos na bagagem (nas malas mesmo) oito vinhos que nunca teríamos coragem de comprar fora do Chile!</p>
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		<title>Um Grammy para não esquecer</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Feb 2012 16:25:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mariana</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Há programas que fazem valer a pena ficar acordada até tarde mesmo tendo que estar de pé no dia seguinte às 7 da manhã. A entrega dos Grammys de ontem com certeza foi um deles. Se assistir à volta de Adèle aos palcos depois de um ano emudecida pela operação nas cordas vocais já não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há programas que fazem valer a pena ficar acordada até tarde mesmo tendo que estar de pé no dia seguinte às 7 da manhã. A entrega dos Grammys de ontem com certeza foi um deles. Se assistir à volta de Adèle aos palcos depois de um ano emudecida pela operação nas cordas vocais já não fosse motivo suficiente, haveria as apresentações de Bruce Springsteen, Foo Fighters, Coldplay- com e sem Rihana-, Paul McCartney&#8230; Mas o que me levou a fazer o esforço foi mesmo a reunião dos Beach Boys 20 anos depois de sua última apresentação como grupo.</p>
<p>Como já fizeram com outras bandas anteriormente, como o Police, os organizadores do Grammy foram felizes ao promover a reunião dos cantores californianos, legítimos representantes da chamada <em>surf music</em>, marcando os 50 anos do início da banda. Coincidentemente presente ao evento, Paul McCartney um dia considerou o álbum “Pet Sounds”, de 1966, como o melhor do rock e disse que ele influenciou parte sua produção da época com os Beatles. A crítica especializada já considerou o álbum como uma das maiores obras primas da música pop.</p>
<p>E havia ainda a emoção das homenagens a Whitney Houston, ela mesma ganhadora de seis Grammys e indicada a 26 ao todo, e que morrera no dia anterior, aparentemente afogada após misturar um forte calmante a bebida alcoólica. Cheguei a ver o grande Steve Wonder tocando um trecho de “I will always love you” na gaita, antes de anunciar o número de Paul McCartney.  Jennifer Hudson cantaria uma das canções de Whitney, tida como uma de suas referências musicais.</p>
<p>Paul McCartney mostrou o lado grave da voz em uma balada em que foi acompanhado por uma orquestra. O Foo Fighters cantou “Walk”, a canção de rock and roll com ares de anos 80 que ganharia o prêmio de melhor música de rock de 2011 alguns minutos depois. O encontro da banda de Chris Martin com a popstar Rihana, que parecia inusitado, funcionou bem. Antes do dueto, ela cantou sozinha e o Coldplay também se apresentou separadamente. Mas, como eu esperava, foi ver os velhinhos dos Beach Boys cantando “Good Vibrations” que fez valer cada hora de sono perdida. O grupo Maroon 5 foi escalado para “abrir” para os Beach Boys cantando uma música deles, mas não convenceu. Foi estranho ouvir vozes tão diferentes interpretando aquelas canções tão conhecidas nas vozes de Brian Wilson e companhia. Mesmo com as vozes um tanto cansadas, o grupo original emocionou mesmo as gerações mais novas, que o conheceram depois que já haviam se separado. Chris Martin mesmo assistiu em pé à apresentação, super atento.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/02/beachboys.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-full wp-image-872" title="beachboys" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/02/beachboys.jpg" alt="" width="625" height="417" /></a></p>
<p>Só no ano passado, resolvi comprar o “Pet Sounds” pra ouvir as músicas na ordem proposta pela banda. Há mais de vinte anos tenho uma coletânea dos Beach Boys que resolvi comprar por causa da versão para “California Girls” feita por&#8230; quem diria, David Lee Roth, que havia abandonado a posição de vocalista do Van Halen e se lançado em carreira solo em 1985. Adoro a música e, adolescente, quis conhecer melhor a banda que a compôs e a tornou famosa. Pois bem, “Pet Sounds” é mesmo um daqueles álbuns perfeitos. Daqueles sem <em>fill ins</em>, aquelas músicas menos brilhantes que são colocadas no disco meio que para encher linguiça, pra fazer a ligação entre as canções realmente boas. Todas as músicas são belas, uma após a outra: “Wouldn’t it be nice?”, “God only knows”, “Sloop John B.”, a própria “Pet Sounds”&#8230; Na mesma compra, levei outra destas pérolas perfeitas, aquela brasileira: “Acabou chorare” dos Novos Bahianos (ver mais em “Os novos bahianos em filme e lembranças da Salvador dos anos 70”, aqui no blog).</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/02/pet-sounds1.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-full wp-image-873" title="pet-sounds" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/02/pet-sounds1.jpg" alt="" width="600" height="600" /></a></p>
<p>Fiquei tão feliz em assistir ao vivo pela primeira (e única) aos Beach Boys cantando que fui dormir lá pela uma hora da manhã. Deixei pra ouvir a apresentação de Adèle outro dia. Afinal, com certeza o culto à juventude existente nos meios de comunicação me garantirão a reprise da apresentação dela, mas não a deles. E, claro, o grande número de prêmios arrebatados com justiça por esta fantástica cantora ontem.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/02/Adèle-grammy.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-full wp-image-874" title="Adèle grammy" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/02/Adèle-grammy.jpg" alt="" width="768" height="397" /></a></p>
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		<title>Historietas e conclusões de um menino de três anos</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Jan 2012 13:07:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mariana</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Quando publiquei “Constatações de um menino de dois anos” aqui no blog, com as frases de meu filho nesta idade, minha tia Tereza me contou que minha avó já fazia a mesma coisa muito antes da internet: anotava em um caderninho especial as falas da minha mãe, a mais velha de cinco irmãos, e do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando publiquei “Constatações de um menino de dois anos” aqui no blog, com as frases de meu filho nesta idade, minha tia Tereza me contou que minha avó já fazia a mesma coisa muito antes da internet: anotava em um caderninho especial as falas da minha mãe, a mais velha de cinco irmãos, e do meu tio Plinio, o segundo a nascer. Há pouco tempo, li uma entrevista em que Arnaldo Antunes dizia que fez uma música com os dizeres de seu filho de três anos. Registrar o que dizem nossos pequenos quando estão aprendendo a lidar com a fala é, portanto, algo a que não conseguimos resistir. Se aos dois anos, achávamos inteligentíssimas as conclusões a que tão jovens pessoas chegavam, aos três, continuamos impressionados não só com suas constatações sobre o mundo que começam a observar, mas também com a forma como lidam cada vez melhor com o vocabulário que vão adquirindo. Registro a seguir, as falas de meu filho João, aos 3 anos que, quem sabe, possam divertir também os que não o conhecem.</p>
<p><strong>“Farofeira!”</strong>, João, olhando para a mãe que cantava , brincando: “Comprei um quilo de farinha pra fazer farofa, pra fazer farofa-fá”. Em 9-08-2011, aos 3 anos e 3 meses.</p>
<p><strong>“A lua fica brilhando no céu escuro”</strong>, contemplando a lua quase cheia. Em 26-08-2011, aos 3 anos e 3 meses.</p>
<p><strong>“Você só quer saber de avião”</strong>, para a mãe, que contava a história do avião, sendo que ele, sim, só queria saber de avião. Em 9-09-2011, aos 3 anos e 4 meses</p>
<p><strong>“Onde tem helicópteros e onde tem terremoto”</strong>, quando a mãe mostrava imagens de um avião em Nova Iorque, na época do terremoto que atingiu a cidade. Em 9-09-2011, aos 3 anos e 4 meses.</p>
<p><strong>“Vê se pode, mamãe?”</strong>, imitando algo que a mãe falou em outro momento.</p>
<p><strong>“Não tem ninguém nesse avião. Só os macaquinhos”</strong>, olhando para o avião de plástico de um livrinho e percebendo que só os macacos eram fixos. Os outros bichos só apareciam por trás das janelas, não estando verdadeiramente no avião.</p>
<p><strong>“Você resgatou?”</strong>, sobre o avião dele que estava na cama da mãe, que o trouxe para ele. As três mais ou menos aos 3 anos e 4 meses.</p>
<p><strong>“Eu nunca comi sorvete moído assim. Eu tomaria. Eu tomaria hoje”</strong>. Olhando a foto e desejando o sorvete com várias bolas e biscoito moído entre cada uma delas. Em 20-10-2011, aos 3 anos e 5 meses.</p>
<p><strong>“É a porta giratória”</strong>. Girando o guarda-chuva de Panda que ganhou dos pais e se lembrando da hora em que Clark Kent vira Superman em “Superman, o filme”, de 1978, que assistira semanas antes em DVD.</p>
<p><strong>&#8220;É a do Superman&#8221;</strong>, identificando a trilha sonora de &#8220;Superman, o filme&#8221;, de um CD com as melhores trilhas do mestre John Williams, respondendo à mãe, que tinha dificuldade de diferenciá-la da de &#8220;Caçadores da Arca Perdida&#8221;. As duas são bastante parecidas. Aos 3 anos e 8 meses.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/DSC05093.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-large wp-image-851" title="DSC05093" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/DSC05093-1024x768.jpg" alt="" width="1024" height="768" /></a></p>
<p><strong>“Tudo que a gente entende, a gente fala, sabia?”</strong>. Ensinando a mãe. Em 19-10-2011. Aos 3 anos e 5 meses.</p>
<p><span style="color: #008000;"><strong>De novo, as fantásticas máquinas voadoras</strong></span><br />
<strong>“O avião chegou. Ele está encantado pelo castelo”</strong>. Em 25-10-2011, aos 3 anos e cinco meses, humanizando um de seus queridos aviões feitos de Lego.</p>
<p><strong>“Esse avião é do universo, não é da TAM. Ele tem uma asa poderosa, sabia?”</strong>, ainda pensando em suas incríveis máquinas voadoras. Idem.</p>
<p><strong>“E depois o avião do universo vai decolar. Olha as turbinas dele”</strong>, mostrando seu vocabulário relativo a aviões. Idem.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/DSC04991.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-medium wp-image-849" title="DSC04991" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/DSC04991-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p><strong>“O helicóptero é assim: ele tem a hélice que gira assim e o motor, que faz voar”</strong>. Idem.</p>
<p><strong>“Esse é o avião da TAP que você vai fazer? Eu vou ensinar o avião da TAP”</strong>, pegando as peças verdes e vermelhas do Lego da mão da mãe. “Aí você tem que aprender a fazer o avião, sabia? O seu avião já tá terminado”, fazendo ele mesmo o avião.</p>
<p><strong>“Lá tinha tantos aviões! O Concorde você não consegue ver. Levanta, venha ver!”</strong>, variando as marcas das máquinas.</p>
<p><strong>“É a base da biruta pra ela se equilibrar”</strong>, terminando de construir uma biruta de aeroporto com legos. As três últimas falas aos três anos e cinco meses.</p>
<p><strong>“Sabia que os aviões mais novos são os que têm suportes nas duas asas?”</strong>, demonstrando cada vez mais especialização na área aeronáutica, sua preferida. Em 8-11-11, aos 3 anos e meio.</p>
<p><span style="color: #008000;"><strong>Contando histórias</strong></span><br />
<strong>“Era uma noite chuvosa&#8230; Uhhh! O gato caiu láaa embaixo e viu um fantasma. (&#8230;) E o lobo mordeu o gato”</strong>. Contando história de terror na véspera do Halloween, em parte inspirada no programete do Discovery Kids visto dias antes. Em 30-10-11, aos 3 anos e cinco meses.</p>
<p><strong>&#8220;Eu sabo dirigir avião, nave e navio&#8221;</strong>. <strong>&#8220;O que é mais difícil?&#8221;</strong>, pergunta a mãe.<strong> &#8220;O navio. O navio é o Titanic. Ele bateu num iceberg e afundou. Aí os homens consertaram ele. E ele voltou&#8221;</strong>. Em 11-01-2012, aos 3 anos e 8 meses, lembrando-se da exposição dos objetos do Titanic que visitou.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/DSC04872.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-large wp-image-850" title="DSC04872" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/DSC04872-1024x768.jpg" alt="" width="1024" height="768" /></a></p>
<p><strong>“O cachorro virou um bicho sanitário que fala?”</strong>, referindo-se a si mesmo e trocando de personagem na brincadeira pelo que ele próprio criou: o bicho sanitário. Em 8-11-11, aos 3 anos e meio.</p>
<p><strong>“Vou tirar porque tá muito adolescente”</strong>, se referindo ao próprio boné. Em 9-11-11, idem.</p>
<p><strong>No almoço</strong><br />
<strong>“Eu passei no meio do vegetal. Você sabia que esse é o vegetal, sabia?”</strong>, apontando para um arbusto na varanda do restaurante em que almoçávamos. Em 2-11-11, idem.</p>
<p><strong>“Eu se preparei pra comer o doce. Você viu? Eu fui naquela porta&#8230;”</strong>, se preparando para o momento especial de comer um petit gateau com sorvete só seu de sobremesa. Idem.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/DSC05309.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-large wp-image-846" title="DSC05309" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/DSC05309-1024x768.jpg" alt="" width="1024" height="768" /></a></p>
<p><strong>“Que gostoso esse recheio!”</strong>, elogiando o realmente especial petit gateau de chocolate amargo do Gero de Brasília. Idem.</p>
<p><strong>“Pronto, você já está produzida”</strong>. Para a mãe, no dia do natal, quando ela terminou de colocar biquini e short. Em 25-12-11, aos 3 anos e 7 meses.</p>
<p><span style="color: #008000;"><strong>Na casa de vovó e vovô</strong></span><br />
<strong>“Eles são violentos”</strong>, sobre os filhotes de cachorros que a avó comprou para os netos e, aos quatro meses, gostam de pular neles, quase derrubando os donos. Em dezembro de 2011, idem.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/DSC052971.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-full wp-image-845" title="DSC05297" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/DSC052971.jpg" alt="" width="640" height="425" /></a></p>
<p><strong>“Eu coloquei água com xixi aqui”</strong>, de dentro da banheira onde tomava banho e fizera xixi, referindo-se a um frasco de creme da avó. <strong>“Mas, João, este creme é caro”</strong>, responde a mãe. <strong>“Mas tem muitos cremes ali”</strong>, apontando para a grande coleção de cremes da vaidosa avó materna.<br />
Idem.</p>
<p><span style="color: #008000;"><strong>Sobre os astros</strong></span><span style="color: #000000;"><strong><br />
&#8220;Sabia que a lua é um satélite?&#8221;</strong> Em 16-01-12, aos 3 anos e oito meses, demonstrando os recém-adquiridos conhecimentos sobre o espaço. </span></p>
<p><strong></strong><strong>&#8220;Você viu que tem corais coloridos na lua?&#8221;</strong>, desenhando a lua e inventando. Em 21-01-12, aos 3 anos e oito meses.</p>
<p><strong>&#8220;Olha um meteoro!&#8221;</strong>, desenhando e se lembrando do filme &#8220;Dinossauros&#8221;, que mostra a extinção dos bichos da Terra. Idem.</p>
<p><strong>&#8220;Me dá a canetinha verde. Deixa eu fazer o Planeta Krypton&#8221;</strong>, depois de desenhar Marte e a Lua, achando que o Planeta natal do Superman realmente existe. Idem.</p>
<p><strong>&#8220;Você se lembra do livro que não tinha nada? Depois veio a explosão e &#8216;bang!&#8217;&#8221;</strong>. &#8220;&#8221;Foi o Big Bang&#8221;, responde a mãe.<strong> &#8220;Não, não tinha o Big Bang ainda!&#8221;</strong>, referindo-se ao relógio londrino. &#8220;Quero dizer a explosão&#8221;, responde a mãe.<strong> &#8220;Sim, aí teve a explosão. Depois vieram os dinossauros. Aí caiu um meteoro e eles ficaram assim (mostra os dinos deitados). Aí depois vieram os homens. E acabou&#8221;</strong>. Em 22-01-12, aos 3 anos e oito meses, contando a história do universo e da vida na terra que ouvira e vira em um livro meses antes.</p>
<p><span style="color: #008000;"><strong>Mais recentes:</strong></span><br />
<strong>&#8220;Esse é grande&#8221;.</strong> Come um pedaço do biscoito.<strong> &#8220;Agora é médio&#8221;</strong>. Come mais um pedaço. <strong>&#8220;E agora é pequeno&#8221;</strong>. Aos 3 anos e oito meses, mostrando noções de tamanho.</p>
<p><strong>&#8220;Bota a presidente Dilma ali&#8221;</strong>. Em 25/04/12, aos 3 anos e 11 meses, mandando a mãe desenhar a presidente dentro do balão com o formato da bandeira do Brasil que ele havia desenhado antes. O balão que ele viu na Esplanada dos Ministérios no dia 7 de setembro anterior.</p>
<p><strong>&#8220;Olha, ele tá sobrevoando o México. Posso fazer um cacto?&#8221;</strong>. No dia seguinte, na hora em que desenhava um avião, lembrando-se das fotos dos pais no México, onde havia muitos cactos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Treze pratos e bebidas imperdíveis em Brasília</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Jan 2012 14:08:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mariana</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Não estava fácil escolher dez. Então, resolvi flexibilizar e aumentar para 13 a lista de pratos ou bebidas simplesmente deliciosos encontrados nos restaurantes de Brasília. Claro que são escolhas absolutamente pessoais, mas com certeza capazes de inspirar o pessoal que está trabalhando na capital nesta época em que ela está vazia, com poucas opções para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não estava fácil escolher dez. Então, resolvi flexibilizar e aumentar para 13 a lista de pratos ou bebidas simplesmente deliciosos encontrados nos restaurantes de Brasília. Claro que são escolhas absolutamente pessoais, mas com certeza capazes de inspirar o pessoal que está trabalhando na capital nesta época em que ela está vazia, com poucas opções para adultos- vide as salas de cinema, invadidas pelos blockbusters infantis e adolescentes das férias de verão. Então, segue a minha lista, que não está em nenhuma ordem, e aguardo os comentários.</p>
<p>1-   <strong> Fois gras do </strong><span style="color: #000000;"><strong>Toujours Bistrô</strong>. </span>Ele vem coberto por cristais de sal, é simples e gostoso. O do Zuu, com melado, queijo de coalho e salada de feijões, rivalizaria com ele se o restaurante não tivesse fechado as portas.</p>
<p>2-   <strong> Rabada agridoce do Versão Tupiniquim</strong>. É uma rabada com pouca gordura, envolta em uma fina massa folhada. O molho agridoce vai sendo colocado aos poucos (Ver foto do prato e detalhes sobre o local em “Restaurante brasiliense com um pé na alta cozinha espanhola”, aqui no blog). Se não come carne, opte pela Pescada amerela com pimentões vermelhos e amarelos. É leve e saborosa na medida certa! Bem espanhola.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/DSC05148.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-medium wp-image-835" title="DSC05148" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/DSC05148-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>3-    <strong>Filé mignon ao vinho Marsala com fois gras e trufas negras do  Gero. </strong>As batatas cortadas em fatias finas colocadas uma sobre a outra e,  principalmente, os aspargos frescos com bacon, complementam o prato  perfeitamente.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/Gero-filé1.jpeg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-full wp-image-838" title="Gero- filé" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/Gero-filé1.jpeg" alt="" width="190" height="265" /></a></p>
<p>4-    <strong>Sunset drink do El Paso Texas.</strong> Drink frozen com suco de laranja e amaretto. Consegue ser melhor que a Piña Colada que tomávamos na Cidade do México também com amaretto. É mais equilibrada por causa da acidez conferida pela laranja.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/El-Paso.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-medium wp-image-828" title="El Paso" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/El-Paso-300x196.jpg" alt="" width="300" height="196" /></a></p>
<p>5-   <strong> Risoto de camarão e manjericão do Bom Demais do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). </strong>Saboroso e cremoso no ponto.</p>
<p>6-    <strong>Café grego também do Bom Demais do CCBB. </strong>Uma mistura de grãos de café realmente provenientes da Grécia com limão, batidos e servidos gelados em um copo alto. Mistura improvável e surpreendente.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/Bomdemais-foto-geral.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-medium wp-image-829" title="Bomdemais foto geral" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/Bomdemais-foto-geral-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>7-   <strong> Lagostin da Trattoria da Rosário.</strong> Prato sazonal e especial.</p>
<p>8-    <strong>Filé a Severin do La Chaumière. </strong>No mais tradicional restaurante francês da cidade, o filé foi criado por seu ex-garçom e atual dono, Severino (na foto abaixo), à base de queijo gorgonzola e pimenta do reino em grãos, com deliciosas batatas sautés ou arroz branco. O impressionante é que não é pesado, apesar dos ingredientes. Dá vontade de comer uma vez por mês, pelo menos.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/Severino-La-Chaumière.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-medium wp-image-830" title="Severino La Chaumière" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/Severino-La-Chaumière-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>9-   <strong> Buffet do restaurante austríaco Servus.</strong> O buffet deste restaurante que fica em uma aconchegante e casa de madeira no caminho para a Papuda tem chucrute, salsichões, picadinho com páprica e todas as delícias que são também alemãs. Vá com tempo e harmonize com as cervejas de trigo importadas da Alemanha e outros países europeus. Lá você encontra desde motoqueiros com suas Harley Davidsons até embaixadores como o da Rússia, que estava lá quando fomos. Há ainda uma casinha de bonecas para as crianças no amplo gramado.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/Servus.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-medium wp-image-833" title="Servus" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/Servus-224x300.jpg" alt="" width="224" height="300" /></a></p>
<p>10-<strong>Lula grelhada da parte superior do Bar do Mercado.</strong> Trata-se da parte central do animal, cortada em fatias, acompanhada de farofa amarela e com a opção de um pouco de azeite com pimenta do reino rosa. De dar água na boca. Vai bem com os bons vinhos brancos a preço de mercado da Adega ou com a cerveja de trigo Bohêmia Confraria, que costuma estar no cardápio do Bar não se encontra em qualquer lugar.</p>
<p>11-<strong>Todos os pratos com peixes brasileiros, ostras, vieiras, lagostins e jambu do Aquavit. </strong>Difícil escolher o melhor deste que é o único restaurante com duas estrelas no Guia Quatro Rodas de Brasília e cujo cozinheiro e dono, Simon Lau Cederholm, foi considerado o chef do ano de 2010 do Brasil pelo guia (Ver detalhes em “O restaurante duas estrelas de Brasília”).</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/DSC04352-1.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-medium wp-image-836" title="DSC04352-1" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/DSC04352-1-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>12-<strong>Sexy Shrimp do Universal Diner. </strong>Um prato afrodisíaco levemente agridoce criado há tempos por Mara Alcamim e que combina com o ambiente do East Village nova-iorquino reproduzido pela chef que tinha apartamento naquele bairro descolado. Mas vá cedo se não quiser encarar a música sertaneja disfarçada de dance music que começa a tocar lá pelas 23 horas.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/fusca-universal.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-medium wp-image-832" title="fusca universal" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/fusca-universal-300x195.jpg" alt="" width="300" height="195" /></a></p>
<p>13- E pra completar, <strong>chocolate quente com macadâmia do Espaço Gourmet das lojas Kopenhagen. </strong>Simplesmente o melhor chocolate quente que já tomei na vida.</p>
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		<title>A culpa da mãe</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Jan 2012 14:18:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mariana</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Acordei hoje subitamente às 5h50, uma hora antes do despertador. Sim, as tensões do trabalho têm sua parcela de culpa, para não correr o risco de ser injusta, uma única pessoa do trabalho. Mas 80% da culpa é mesmo de um filme que parecia despretensioso e por isto me atraiu chamado “Não sei como ela [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acordei hoje subitamente às 5h50, uma hora antes do despertador. Sim, as tensões do trabalho têm sua parcela de culpa, para não correr o risco de ser injusta, uma única pessoa do trabalho. Mas 80% da culpa é mesmo de um filme que parecia despretensioso e por isto me atraiu chamado “Não sei como ela consegue” (“I don’t know how she does it”, finalmente a distribuidora achou que não doeria ser fiel ao título original). O filme com Sarah Jessica Parker (a eterna Carrie Bradshaw de “Sex and the City”), o sempre fofo e eficiente Greg Kennear e o classudo e simpático (eu o entrevistei em 1997 e ele o é mesmo) Pierce Brosnan, tinha tudo para ser mais uma comédia hollywoodiana e esteticamente o é. Cheio de viradas absolutamente previsíveis, fim mais previsível ainda, lindas tomadas externas de Boston e Nova Iorque, alguns diálogos familiares óbvios. Mas ele é mais: tem aquela narração pontuando os acontecimentos mais típica de produções independentes americanas (acho que os grandes estúdios aprenderam a copiá-los!), alguns personagens estranhos como a assistente da personagem de Sarah e o principal: assuntos nada leves.</p>
<p>São dois. O primeiro é a culpa que a mãe dedicada e apaixonada por seu trabalho carrega em relação aos filhos. Eterna, forte, inconciliável. O segundo é o mundo tradicionalmente masculino do trabalho em que temos que nos inserir. Não é só o machismo, mas a forma de encarar o trabalho forjada por um capitalismo antigo, extremamente competitivo, em que é quase normal se passar a perna um no outro, em que o bom funcionário é aquele que dedica todo o seu tempo para o trabalho, mesmo aquele que deveria ser usado para os filhos, o marido, enfim, o cônjuge, qualquer que seja o sexo do funcionário.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/Sarah-no-trabalho.jpeg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-full wp-image-816" title="Sarah no trabalho" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/Sarah-no-trabalho.jpeg" alt="" width="275" height="183" /></a></p>
<p>Na minha insônia, que não acontecia há meses, fiquei pensando em como este filme poderia ser anacrônico, mas concluí que, infelizmente, não é. Existem, sim, aquelas empresas que incluem a diversão e o descanso em seu próprio ambiente, na rotina de seus trabalhadores, até como forma de aumentar a criatividade. Mas elas ainda são notícia, o que significa que são raridade.</p>
<p>Vivemos mesmo neste capitalismo antigo, onde sempre tem um chefe ou subchefe que acha que a correria e o estresse, às vezes turbinado pela gritaria, devem imperar no ambiente de trabalho. Se não são chefes homens, são mulheres que acham que devem mostrar que conseguem fazer o trabalho dos homens como os homens, deixando de lado a delicadeza e a famosa flexibilidade femininas. Não falo da positiva objetividade dos homens, mas das características maléficas que já citei anteriormente.</p>
<p>Nestes ambientes de trabalho, cobra-se o que não se precisaria cobrar, deixa-se de valorizar o que foi feito de bom verbalmente, se dá valor à puxa-saquice e à demonstração de superioridade em relação aos colegas. Infelizmente, andei trabalhando em lugares com algumas destas características, tanto em redações quanto em gabinetes de políticos. Atualmente não e foi por isto que minhas insônias praticamente sumiram. Injustiça deve ser a maior causa da insônia, junto com ansiedade.</p>
<p>O filme mostra esta angústia aliada a outra mais típica nas mulheres de hoje. Além de termos que provar que somos boas profissionais, ainda temos que demonstrar, inclusive a nós mesmas, que podemos sê-lo sem deixar de lado outra obrigação que nos consome: ser boas mães. Ser presentes na vida de nossos filhos.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/12/Sarah-com-filho.jpeg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-full wp-image-815" title="Sarah com filho" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/12/Sarah-com-filho.jpeg" alt="" width="275" height="183" /></a></p>
<p>Ontem foi um dia emblemático em relação a isto. Fui ao cinema sozinha depois de meses. Quando o filme começou, mandei uma mensagem de texto dizendo a meu marido que nosso filho estava com a babá e a avó. Quando contei a ele sobre o tema do filme, ele me disse, rindo: “Ah, então foi por isso que você mandou aquela mensagem de dentro do cinema?!”. É, a culpa da mãe nos faz contrariar até princípios sólidos como não atrapalhar os outros acendendo o celular dentro do cinema. E Hollywood, definitivamente, já não é mais tão água com açúcar.</p>
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		<title>São Paulo comme il faut</title>
		<link>http://escritosdoocio.com.br/2011/12/sao-paulo-comme-il-faut/</link>
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		<pubDate>Sun, 18 Dec 2011 12:56:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mariana</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Houve uma época, há uns quatro anos, que íamos pelo menos duas vezes por ano a São Paulo, por razões médicas, e ficávamos cerca de uma semana na cidade de cada vez. Fomos ganhando, ou reganhando, uma intimidade com a cidade. Eu já havia morado ali duas vezes, uma delas na infância e outra na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Houve uma época, há uns quatro anos, que íamos pelo menos duas vezes por ano a São Paulo, por razões médicas, e ficávamos cerca de uma semana na cidade de cada vez. Fomos ganhando, ou reganhando, uma intimidade com a cidade. Eu já havia morado ali duas vezes, uma delas na infância e outra na adolescência, meu marido morara 13 anos lá, inclusive tendo se formado e trabalhado no jornalismo da capital, após vir do interior do estado. Naquelas viagens de alguns anos atrás, entre uma ida e outra ao consultório médico, compensávamos a parte difícil conhecendo alguns restaurantes interessantes (conhecemos o Carlota, o Gero e o Dom, jantamos no Maní e no Felippa, na Rua Joaquim Antunes, fomos ao centro conhecer o tradicional francês La Casserole e à Vila Madalena jantar no aconchegante Alez, Alez!, repetimos o almoço indiano delicioso do Ganesh do Morumbi Shopping, viramos meio habitués do Boa Bistrô, nos Jardins) e visitando as lojas dos grandes estilistas brasileiros que não existem em Brasília (adoro o clima alegre da Adriana Barra, e gosto de ver as novidades das lojas da Bela Cintra e do Shopping Cidade Jardim da Cris Barros, da Glória Coelho e, principalmente de seu ex-marido, Reinaldo Lourenço. De vez em quando até faço uma extravagância e compro uma pecinha de um deles. Vale muito a pena, são pra sempre!). Chegamos a pegar um Festival Internacional de Cinema de São Paulo uma vez, e assistimos em primeira mão a um documentário muito bem estruturado sobre Kurt Cobain. De quebra, comemos uma deliciosa salada de rúcula, pêra e nozes no restaurante do Reserva Cultural, cuja receita repetimos em casa várias vezes.</p>
<p>Participamos da exposição interativa de Guimarães Rosa no Museu da Língua Portuguesa, vimos a dos corpos no Ibirapuera (esta específica, visitei de cadeira de rodas, após um tratamento) e até a exuberância de uma das maiores paradas gays da América Latina e, daquela vez, estávamos hospedados no Hotel Ibis da Av. Paulista, justamente onde se concentravam muitos participantes. Ah, e quando fomos ao Museu da Língua Portuguesa, bem ao lado da linda e restaurada Estação da Luz, aproveitamos para conhecer o Acrópoles, um restaurante simples e tradicional grego em pleno Bom Retiro, o bairro do centro velho onde moram muitos judeus, mas atualmente, não os ricos, que migraram para Higienópolis. Tínhamos normalmente a companhia de uma amiga médica de Brasília que mora em São Paulo há muitos anos e da minha irmã, publicitária, que também é radicada na cidade.</p>
<p>Eu adorava passear pelas três feirinhas de antiguidade mais conhecidas da cidade: a do Masp, de que gosto muito desde que moramos em São Paulo em 1982; a da Benedito Calixto, perto de onde minha irmã morou por anos; e a do Museu da Imagem e do Som (MIS), a mais sofisticada e cara de São Paulo, onde me apaixonei por uma peça art-nouveau, que até hoje me arrependo de não ter comprado. Outro programa bem bacana é conhecer as lojinhas de design de móveis e objetos para casa em torno da pracinha da Fnac (ali começou minha paixão pela linda Benedixt) e, com mais tempo, as lojas de designers brasileiros e estrangeiros da Avenida Gabriel Monteiro da Silva. Lá ou na Lorena, paralela à Oscar Freire, não deixe de almoçar na Z-Déli, um bistrô de comida judaica de tirar o quepá!</p>
<p>Houve uma vez em que até fomos ao show de David Lee Roth, o ex-vocalista do Van Halen, de quem eu admirava a carreira solo lá por volta de 1985. Em 2009, fui especialmente para o pocket show que Elton John fez para os convidados de um banco na linda Sala São Paulo, no centro. Ganhei o convite de um amigão! Imagine um show de Elton John em um teatro! Foi absolutamente emocionante.</p>
<p><strong>Vestindo crianças com criatividade<br />
</strong>Depois que nosso filho nasceu, em 2008, fomos três vezes com ele a São Paulo. Aí os programas mudavam: muito zoológico, Zoo Safari (ex-Simba Safari, em que os bichos ficam soltos e vêm até a janela do seu carro), Ibirapuera e pracinhas.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC02904.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-full wp-image-763" title="DSC02904" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC02904.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a></p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC028731.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-full wp-image-771" title="DSC02873" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC028731.jpg" alt="" width="480" height="640" /></a></p>
<p>Também não dava pra escapar do Shopping Iguatemi em tempos de decoração de natal. Com um ano e oito meses, João ficou absolutamente encantado com todos aqueles animais enormes da savana do Papai Noel que montam naquele vão central.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC02886.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-full wp-image-765" title="DSC02886" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC02886.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a></p>
<p>Outra coisa que chamava a atenção de seus olhinhos eram as luzes da Avenida Paulista nesta época natalina. Além de passeios e dos melhores encontros familiares do ano, São Paulo também significava a oportunidade de eu comprar roupinhas para meu filho do jeito que eu gosto: com cara de roupa de criança. Faço tudo pra não vestí-lo como um adulto pequeno, com aquelas camisetas de gola pólo listradas de branco que se vende em profusão nas lojas de Brasília e do Brasil todo, na verdade. Em São Paulo, anotem aí mães criativas, tem a Bebê Moderno (que agora só existe no Itaim Bibi), cheia de macacões, calças, shorts e camisetas coloridas e com apliques de bichos das matas brasileiras; a Balangandã, com desenhos super diferentes nas camisetas, bermudas e até sungas; e uma loja do Shopping Cidade Jardim, que tem até conjuntos de plush com bolas de futebol no bumbum e outras invenções legais. Há ainda a Green, onde fizemos um verdadeiro enxoval pro João nesta última vez, já que a loja do Park Shopping fechou as portas. (Nas três fotos abaixo, ele, ainda com um ano e dez meses, está vestido de Green, por coincidência).</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC02914.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-large wp-image-766" title="DSC02914" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC02914-1024x768.jpg" alt="" width="1024" height="768" /></a></p>
<p>Uma das vezes, caminhamos pelas lojinhas de novos estilistas da Vila Madalena. Algumas são tão lindas que parecem pequenos castelos coloridos feitos para crianças! Uma imperdível é a do Ronaldo Fraga, que tem um quintal de casa da vovó atrás, onde as crianças se divertem enquanto você escolhe roupas pra você e pra elas. Ali, a dica é comer no buffet cheio de saladas do Pitanga. Mas o Capim Santo, nos Jardins, com suas cortinas de miçangas e seu pátio ao ar livre cercado pelas mesas, é o melhor restaurante para levar a criançada.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC02882.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-full wp-image-767" title="DSC02882" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC02882.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a></p>
<p>Entre uma loja e outra, é necessário tomar um café, comer um sanduíche ou mesmo tomar uma taça de vinho. No nosso caso, era o Suplicy da Lorena para o café com jornais de manhã e o Oscar Café, na Oscar Freire, para um sanduíche de salmão ou filé com uma taça de vinho rosé, seguidos por um brigadeiro de pistache. João adorava subir e descer sua estreita ladeirona correndo.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC02918.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-large wp-image-768" title="DSC02918" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC02918-1024x768.jpg" alt="" width="1024" height="768" /></a></p>
<p>Para se chegar à Balangandã, uma das lojas infantis legais dos Jardins, se passa em frente ao Emiliano, um dos únicos hotéis da badalada e chique Oscar Freire, espécie de 5a Avenida ou Visconde de Pirajá paulistana, ou seja, a rua onde se concentram as lojas legais (e caras!). É um cinco estrelas cool, com uma decoração clean, bastante branca, mas sem abrir mão dos sofás de couro e das mesas de madeira pra dar um clima de aconchego. Uma vez entramos ali e ficamos imaginando como seria nos hospedar naquele hotel delicioso em plena Oscar Freire com diária de U$ 700.</p>
<p><strong>Férias de dois dias<br />
</strong>Pois bem, desta vez, há um mês mais ou menos, quando fomos assistir ao show do Duran Duran no Festival SWU (ver matéria aqui no blog em “Duran Duran 24 anos depois”), sabíamos que nos cansaríamos durante esta aventura. Então, inventei de descansar antes. Como não íamos levar nosso filho porque iríamos ao show em Paulínea, teríamos um momento para descansar sozinhos em São Paulo por duas noites antes de seguir, domingo, para Campinas. É a segunda vez que fazemos isto já que, desde o nascimento de João, não quisemos viajar para o exterior, ficando longe dele por muito tempo. Então, investimos em pequenas viagens, de um fim de semana, no Brasil mesmo. Mas em grande estilo. A primeira vez foi no moderno Fasano do Rio, durante o show do Coldplay no início do ano passado (ver “Luxo no Rio de Janeiro e uma comédia de erros”, aqui no blog).</p>
<p>Nesta segunda vez, não tivemos o prazer de conviver com a decoração super moderna de Phillip Stark, mas desfrutamos do fantástico serviço deste hotel, daqueles que nem conseguimos sentir, discretíssimo. O quarto com vista para os prédios (adoro esta vista! É a mesma em todos os hotéis de São Paulo e parecida com a de uptown Nova Iorque) tinha muito espaço, uma cadeira de Sérgio Rodrigues diferente da da varanda do Fasano do Rio, em frente da qual havia uma mesinha com o pêssego mais suculento que já comi na vida e uma tartelete de frutas vermelhas.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC05229.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-medium wp-image-796" title="DSC05229" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC05229-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>Em outra bancada, um vinho chileno também nos dava as boas vindas. O travesseiro podia ser escolhido entre uns 10 tipos existentes no Menu de Travesseiros. Pra não desperdiçar a oportunidade, meu marido escolheu um daqueles da Nasa pra ele e um de macela pra me ajudar a dormir. Até parece que isto seria necessário naquele ambiente de paz total! Adorei o closet cheio de compartimentos e o banheiro de ladrilhinhos brancos com grande pressão de água no chuveiro.</p>
<p>Os produtos da linha Santa Pele fizeram a diferença e foi a primeira vez que usei um vaso sanitário aquecido, com bidê embutido. Posso dizer que não achei um luxo desnecessário!</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC05267.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-medium wp-image-797" title="DSC05267" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC05267-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>O jornal também poderia ser escolhido. “Estadão, pra ler o Caderno 2 no domingo”, decretei. “Então, Estadão e Folha?” Perguntou o concierge. “Pode ser os dois?” “Quantos os senhores quiserem. Querem o Correio Braziliense?”, perguntou, vendo em nossa ficha que éramos de Brasília. “Não, o Correio não, por favor, já recebo este jornal todos os dias”, disse eu, querendo fugir das notícias de casa. Na Ilustrada de sábado, li tudo sobre o show do Lynird Skynird, a banda do sul dos Estados Unidos que fecharia a noite de domingo, após Duran e Peter Gabriel, enquanto tomávamos o café no quarto: café da cafeteira do próprio quarto e bagel com salmão defumado e cream cheese, bem americano. Mauro pediu um omelete que derretia na boca.</p>
<p>Na noite anterior, tínhamos desfrutado de outra das facilidades do hotel, por puro acaso. Sua localização. Minha amiga Daniela Mendes sugerira o Italy pra nos encontrarmos. Um italiano despretensioso, com ótimos preços, mas absolutamente delicioso e a dez metros do Emiliano, ali mesmo na Oscar Freire. Perfeito pra quem, como nós, enfrentara uma hora de engarrafamento desde Guarulhos (não desço em Congonhas desde o acidente com o avião da Tam, cuja culpa foi, claramente, do tamanho da pista do aeroporto central de São Paulo). E foi um jantar super agradável e divertido! Além deste casal de amigos da faculdade, outro casal formado por Eliane e Gabrielli (seu namorado siciliano que gosta de cozinhar e faria a crítica do Italy pra nós, segundo Eliane), além da minha irmã.</p>
<p>Embalado por minhas histórias pretéritas com o Duran Duran, Felipe (Patury), um dos meus melhores amigos no curso de Comunicação da UnB, relembrou histórias do arco-da-velha envolvendo nossa colega de curso Patrícia Melisa, que me acompanhara no primeiro show da banda em 1988 no Rio. As histórias daquela menina membro do Bacon (Barangas Americanizadas da Comunicação), que achava um absurdo os brasileiros não terem vídeo cassete em 1987, eram hilárias. Eu não me lembrava de nada daquilo e adorei ser lembrada por Felipe! Melhor ainda ficavam as histórias ao sabor de gigliotti com vôngoles dentro da concha (que por sua vez me remeteram à primeira vez que comi vôngole numa prainha abaixo de Palermo, como aproveitei pra tentar coltar em meu italiano macarrônico a Gabrielli) e talliateli nero com frutos do mar do Mauro a cerca de R$ 40 o prato. O amigo siciliano surpreendeu a todos pedindo um vinho brasileiro, Desejo, que ele descobrira há alguns anos na Bahia!</p>
<p><strong>Brunch de lua-de-mel<br />
</strong>A outra farra gastronômica comparecemos domingo, só nós dois, bem no clima de lua-de-mel que já nos envolvia. Foi o brunch perfeito do próprio Emiliano. Tínhamos apenas o tempo exato, não muito mais que isto, porque, depois do check out, teríamos que ir ao Shopping Butantã para pegar o carro alugado pra seguir para o SWU. Naquele salão delicioso rodeado por plantas nas paredes, um garçom super solícito que eu tive a sensação de conhecer de outro restaurante, começou nos trazendo blinis de salmão, palito de parmesão com fois gras e compota de maçã e tartare de atum com ratatuille de legumes. Uma explosão de sabores, tudo muito bom.</p>
<p>Como prato quente, Mauro pediu um omelete e eu um ravioli do dia com cogumelos e molho com manteiga trufada bem pronunciada. “Podem repetir o que quiserem até as 4 horas”, dizia animado o garçom. Não, infelizmente, era hora para a sobremesa. E não uma só: era um verdadeiro festival de doces: panacota diet ou normal com frutas vermelhas e chocolate branco (claro que optei pela normal), verrine de chocolate com morango (especial!); creme de manga com chocolate branco (soberbo!); mousse tricolor; macaroons de framboesa, chocolate e baunilhas e madeleines. Estes últimos perdemos devido à única falta de todo o serviço do hotel durante aqueles dois dias: o garçom boa praça se esqueceu de enviá-los ao quarto como nos havia prometido.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC05241.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-large wp-image-800" title="DSC05241" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC05241-1024x768.jpg" alt="" width="1024" height="768" /></a></p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC05240.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-large wp-image-801" title="DSC05240" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC05240-1024x768.jpg" alt="" width="1024" height="768" /></a></p>
<p>O grande lance do serviço do Emiliano é sua invisibilidade: chegávamos da rua e havia um doce com um bilhetinho dizendo: espero que tenham gostado da estada. Nem sabíamos quem tinha deixado o mimo ali. Pedíamos pra trocar os tamanhos dos chinelos havaiana e, quando chegávamos, os novos números estavam ali, sem erro.</p>
<p>Pra completar o relaxamento antes de pegar a Bandeirantes em direção ao lamacento estacionamento do SWU, resolvemos desfrutar dos 15 minutos de massagem incluídos na diária do hotel. Acrescentamos 45 minutos por nossa conta. Depois da massagem, com uma moça que ficou conversando sobre rock comigo, afinal eu já estava totalmente no clima do festival, ficamos uma meia hora entre as duas Ufurôs- uma morna e uma quente- em uma sala envidraçada com vista para a Oscar Freire e os jardins em geral. Tudo muito lindo e nada de piscina naquele hotel super paulistano.</p>
<p><strong>Fernanda Montenegro e sua Simone de Beauvoir<br />
</strong>Sim, passeamos pela Oscar e dei uma passadinha na (sapataria) Sarah Shaforkian da Lorena em que costumo comprar um sapato a cada ano- além de conhecer a enorme loja da italiana Pucci no Shopping Cidade Jardim com minha irmã e minha fofa sobrinha Anita. Mas não comprei nada mais que um batom vermelho na Channel (o mesmo que a própria Coco usava, me garantiu o vendedor, falando francês a cada fim de frase). Já havia estourado meu orçamento em Brasília no último mês.</p>
<p>Resolvera, sim, ainda em casa, fazer uma coisa que terminamos adiando em nossas outras idas a São Paulo e que seria óbvia: ir ao teatro. Escolhi a peça em que Fernanda Montenegro interpreta, sozinha no palco, ninguém menos que a feminista Simone de Beauvoir, um dos grandes ídolos de minha mãe. Não poderia ter sido uma escolha mais feliz. Nos adiantamos e, quando chegamos ao teatro, eu, meu marido e minha irmã, percebi como o público é diversificado. Muitas pessoas com a cara das pessoas que conheci em 82, os intelectuais paulistas de classe média. Só perto do começo da peça, chegaram os ricos e peruas.</p>
<p>Num texto super intimista, confessional mesmo, uma Fernanda muito em forma começou contando a juventude de Simone na Paris da Segunda Guerra Mundial, suas primeiras experiências sexuais, como conheceu o escritor existencialista Jean Paul Sartre e como ele seria seu companheiro pelo resto da vida, de uma forma ou de outra. Lembrei-me muito de Fernanda Torres, filha de Montenegro, interpretando o texto de João Ubaldo Ribeiro sobre a Luxúria. Era como se a mãe tivesse querido fazer algo parecido com o que a filha fizera dez anos antes, só que a seu estilo, bem menos histriônico, e ainda assim com humor. Estava ali uma mulher de 80 anos falando das aventuras sexuais de outra mulher, absolutamente à frente do seu tempo. E não só das ideias libertárias que levaram ela e Sartre a experimentar o sexo grupal quando o filósofo já não sentia mais atração sexual pela esposa. Mas também de como o existencialismo -que depois se tornaria uma corrente filosófica- permeava o relacionamento dos dois com outro grande escritor, o argelino Albert Camus.</p>
<p>No fim da peça, quando Sartre morre, Simone/ Fernanda passa a contar a dificuldade que era viver sem a pessoa com quem dividiu toda uma vida. Era como se Fernanda falasse dela própria, que perdeu o marido, Fernando Torres, há alguns anos. Uma emoção genuína tomou conta do fim da peça, ao mesmo tempo em que uma sensação de completude em relação a tudo que São Paulo pode nos dar tomou conta do meu coração.</p>
<p><span style="color: #008000;"><strong>Serviço:</strong></span></p>
<p><span style="color: #008000;"><strong>Acrópoles. Rua da Graça, 346, Bom Retiro. Tel.: 3223.4386.</strong></span></p>
<p><span style="color: #008000;"><strong>Allez, Allez! Rua Wisard, 288, Vila Madalena. Tel.: 3032.3325.</strong></span></p>
<p><span style="color: #008000;"><strong>La Casserole. Largo do Arouche, 346, Vila Buarque. Tel.: 3221.2899.</strong></span></p>
<p><span style="color: #008000;"><strong>Maní. Rua Joaquim Antunes, 210. Jardim Paulistano. Tel.: 3085.4148.</strong></span></p>
<p><span style="color: #008000;"><strong>Boa Bistrô. Rua Padre João Manuel, 950, Cerqueira César. Tel.: 3082.5709.</strong></span></p>
<p><span style="color: #008000;"><strong>Carlota. Rua Sergipe, 753, Higienópolis. Tel.: 3661.8670.</strong></span></p>
<p><span style="color: #008000;"><strong>D.O.M., Rua Barão de Capanema, 549, Cerqueira César. Tel.: 3088.0761.</strong></span></p>
<p><span style="color: #008000;"><strong>Ganesh, Avenida Roque Petrone Júnior, 1089, Morumbi (Shopping Morumbi). Tel.: 5181.4748.</strong></span></p>
<p><span style="color: #008000;"><strong>Hotel Emiliano. Rua Oscar Freire, 384, esquina com Rua Cerqueira César. Tel.: 3069-4369.</strong></span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>O bom cinema está de volta a Brasília, enfim!</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Nov 2011 17:24:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mariana</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Oito salas abrem nesta sexta. Outras 50 estão a caminho. Na sexta-feira, dia 9 de dezembro, os cinéfilos brasilienses vão finalmente poder parar de reclamar da falta de bons filmes nas telas da capital. Será aberto ao público o primeiro complexo de cinema do grupo Estação, o Espaço Itaú de cinema. As oito salas novinhas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Oito salas abrem nesta sexta. Outras 50 estão a caminho.<br />
</em></strong></p>
<p>Na sexta-feira, dia 9 de dezembro, os cinéfilos brasilienses vão finalmente poder parar de reclamar da falta de bons filmes nas telas da capital. Será aberto ao público o primeiro complexo de cinema do grupo Estação, o Espaço Itaú de cinema. As oito salas novinhas em folha ocuparão o espaço onde antes existia a Rede Embracine, no Shopping Casa Park. A rede fechou as portas no ano passado, deixando o público órfão de produções cinematográficas mais artísticas, que não viessem de Hollywood ou do atual cinema comercial brasileiro.</p>
<p>Na terça-feira (29), convidados, especialmente do meio cinematográfico de Brasília, puderam conferir de perto as salas e o enorme e chiquérrimo hall que abrigará um lindo Café. “Nosso princípio é juntar cinema e arte na sua excelência”, garantiu o diretor-executivo do banco Itaú, Fernando Chacon, no único e rápido discurso da noite. “Este vai ser o piloto para as 58 salas que pretendemos abrir em Brasília”, informou ainda Chacon para o deleite de todos e a surpresa de alguns. Sabe-se que as três salas do Shopping Liberty Mall também estão sendo reformadas para ser ocupadas pelo grupo.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/001.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-large wp-image-752" title="001" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/001-1024x764.jpg" alt="" width="1024" height="764" /></a></p>
<p>Na festa de apresentação, a que Escritos do Ócio teve o prazer de estar presente, os convidados puderem assistir a um entre três dos filmes que entrarão em cartaz na semana que vem: “O Garoto da bicicleta”, dos irmãos franceses Luc e Jean-Pierre Dardernne, e vencedor do Grande Prêmio do Júri do Festival de Cannes 2011; “Minhas Tardes com Margeritte”, de Jean Becker, com Gérard Depardieu; e “Um Conto Chinês”, de Sebastián Borenstein, com Ricardo Darín. Mas antes, o grupo sinfônico Tocata interpretava trilhas sonoras clássicas, enquanto os convidados podiam se preparar para provar as salas tomando espumante e comendo blinis diversos, cappuccino de salmão, bolinhos de camarão, carnes de boi e carneiro. Isso num ambiente que já prometeria ser um sucesso só pelo seu visual super clean e moderno, intercalando vidro com mármore, mas ainda assim aconchegante. As grandes luzes embutidas no teto remetiam ao próprio cinema. Tudo bem mais arrojado do que as salas do Estação construídas nos anos 90 no Rio, em São Paulo e em Belo Horizonte.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/004.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-large wp-image-753" title="004" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/004-1024x764.jpg" alt="" width="1024" height="764" /></a></p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/005.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-large wp-image-754" title="005" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/005-1024x764.jpg" alt="" width="1024" height="764" /></a></p>
<p><strong>História<br />
</strong>Patrícia Durães, uma das sócias do empreendimento, tem longo know how no ramo dos cinemas alternativos no Brasil. Presente à festa de ontem, Patrícia é sócia-fundadora do Espaço Unibanco, está no grupo desde que foram abertas as primeiras salas, em uma galeria da Avenida Voluntários da Pátria, em Botafogo, nos idos de 1985. As três salinhas do Estação, que existem até hoje, <em>pegaram</em> de uma forma que, uma década depois os sócios tinham fôlego para abrir outras três, criando, assim o Espaço Unibanco de Cinema, ainda com o nome de Espaço Banco Nacional de Cinema. Maior e mais moderno, ele ficava logo ali, do outro lado da avenida, após a estação de metrô.</p>
<p>Em 1993, o Espaço chegou a São Paulo, me relembrou ontem Cláudia. E em 1998, Estação e Espaço resolveram se separar. Ademar Oliveira, o grande idealizador de tudo desde o início ficou à frente do Espaço e outras componentes do grupo inicial assumiram o Estação. Este último continuou responsável pela realização do Festival de Cinema do Rio, que rivaliza até hoje com o Festival Internacional de Cinema de São Paulo, aumentando o número de produções mostradas a cada ano. Um sucesso crescente que eu mesma cobri por três anos pelas TVs Bandeirantes e Educativa e a que assisti por outros quatro, comprando bolos de ingressos com antecedência para conseguir ver os inéditos de Woody Allen, Almodóvar (naquela época valia a pena!), Godard, Antonioni&#8230; e os ganhadores de Cannes e Berlim do mesmo ano, e Veneza do ano anterior. Nos anos em que fui redatora do programa Cineview, da Rede Telecine (2000 a 2002), fazíamos as matérias dos filmes passados em Cannes, coberto por nossos repórteres anualmente in loco e, meses depois, podíamos assistí-los  na íntegra no Festival do Rio. Era especial!</p>
<p><strong>Um belo conto chinês<br />
</strong>É com toda esta aura de sucesso e realizações que o grupo Estação chega a Brasília. Na sexta-feira, serão anunciados os primeiros filmes a estrear nas novas telas. Já posso indicar o que escolhemos para ver ontem: “Um Conto Chinês”, uma história sensível sobre o relacionamento entre um argentino solitário e cheio de manias e um jovem chinês que resolve se exilar no País sul-americano após passar por um trauma.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/007.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-large wp-image-757" title="007" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/007-1024x764.jpg" alt="" width="1024" height="764" /></a></p>
<p>Ricardo Darín dá show novamente, em um papel bem diferente daqueles em que estamos acostumados a vê-lo. Seu vendedor é quase bronco e vai sendo surpreendido pela capacidade de se envolver por aquele rapaz que chegou para atrapalhar sua repetitiva rotina. No começo, podemos até nos enganar confundindo o filme com uma comédia hollywoodiana. Há até uma virada totalmente previsível. Mas é nos detalhes que “Um conto chinês” mostra suas cores e sua beleza.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/0161.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-medium wp-image-759" title="016" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/0161-300x224.jpg" alt="" width="300" height="224" /></a></p>
<p>Nada mal assistir a um ótimo argentino sentada naquela sala de cinema cheirando a nova, com um bom espaço para as pernas, comendo pipoca e tomando espumante. Com o lencinho de avião distribuído pela produção pra limpar o couro da poltrona e não estragar a festa do público na semana que vem.</p>
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		<title>Um Beatle em Brasília</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Nov 2011 12:07:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mariana</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Últimos]]></category>

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		<description><![CDATA[Um Beatle está em Brasília, e pela primeira vez! Paul McCartney já passou com turnês pelo Brasil duas vezes, inclusive neste ano, como o ex-companheiro de banda, e nos anos 80, quando o assisti no Maracanã, emocionadíssima. Pois há uma semana, os brasilienses poderiam ver um Beatle, um integrante da banda que mudou o rock [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: medium;">Um Beatle está em Brasília, e pela primeira vez! Paul McCartney já passou com turnês pelo Brasil duas vezes, inclusive neste ano, como o ex-companheiro de banda, e nos anos 80, quando o assisti no Maracanã, emocionadíssima. Pois há uma semana, os brasilienses poderiam ver um Beatle, um integrante da banda que mudou o rock and roll, sem cuja existência muitos grupos que vieram depois não teriam sido os mesmos. Era só nisso que eu pensava. </span></p>
<p> <span style="font-size: medium;">O clima no foyer do Centro de Convenções Ulysses Guimarães era diferentes do de todos os outros shows a que eu havia ido ali- e olha que fui a muitos do ano passado pra cá. Era um clima de reencontro e celebração entre cinquentões e, principalmente, sessentões e setentões. A alegria entre os amigos que se encontravam por acaso chegava a ser contagiante. Tapinhas nas costas se misturavam com gritos e fotos dos grupos vestidos de camisas de botão e jeans, mas também com camisetas pretas, algumas com a inscrição estilizada <em>Beatles</em>. Via-se que eram pessoas que não frequentavam concertos de rock regularmente. Aquele era um momento especial. </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Dentro da sala de concertos, muita gente, inclusive os mais jovens, tirava fotos com o palco atrás, sem ninguém em cima. Seria uma lembrança para se guardar pra sempre. Minha companhia durante a espera, já que a amiga que iria comigo estava atrasada, não era das mais agradáveis: o ex-senador cassado Luís Estêvam, sua mulher e uma penca de filhos, aguardavam na maior alegria pelo show. Já estou acostumada a esbarrar com esta figura de Brasília, ele frequenta a mesma pizzaria a que costumávamos ir e, como nós, todos os domingos por volta das 20 horas. Uma praga!</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Com apenas dez minutos de atraso, a All Star Band sobe ao palco seguida por Ringo Starr. O público vai ao delírio enquanto o baterista dos Beatles, em pé e sem instrumento, começa a cantar “It don&#8217;t come easy”, uma parceria dele com George Harrison, feita já durante a carreira solo de ambos. Dançando como na época da New Wave, pra um lado e pro outro, Ringo não parece nem de perto ter os 71 anos que tem, no máximo uns 56. Super magro e de barba, mistura calça preta com uma listra de cetim ao longo das pernas com camiseta escura e um blazer com golas brilhantes. A All Star Band, formada por ele desde o final dos Beatles, é uma mistura de músicos americanos e ingleses, a maioria da mesma geração de Ringo, e muitos deles saídos de bandas que foram famosas nas décadas passadas. Não tanto quanto os Beatles, claro, mas famosas. Desta vez a formação é a seguinte: Wally Palmer, Rick Derringer, Edgar Winter, Gary Wright, Richar Page, Mark Rivera e Gregg Bissonette. Baixo, duas baterias (sim, Ringo Star divide a bateria com outro músico!), duas guitarras, um teclado e um saxofone. </span></p>
<p> <a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/ringo.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-full wp-image-742" title="ringo" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/ringo.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>“<span style="font-size: medium;">Thank you, how great to be here”, diz Ringo, sem fazer nenhuma concessão ao português como já é uma praxe entre os músicos gringos que aportam por terras brasileiras. “This is the only place called Brasíiiiiilia-Brazil”, it&#8217;s a great place if you can find it”, brinca ele, sem conseguir arrancar muitas risadas da plateia. Começava ali a série enorme de gracinhas que o mais sortudo dos Beatles faria ao longo das cerca de duas horas de show. Sortudo porque Ringo encontrou os Beatles, já Beatles em uma excursão que faziam a Hamburgo, Alemanha, no início da carreira. Pete Best, o primeiro baterista da banda formada por Paul e John, resolvera sair da banda. Estava mais interessado em uma namorada e na pintura, suas verdadeiras paixões. Ringo, na verdade Richard Starkey Jr., um músico apenas mediano, assumiu a batera. Não era um exímio baterista, mas quem disse que os outros Beatles o eram? Como instrumentistas, John e Paul eram ótimos, excepcionais eu diria, letristas e compositores de melodias. E George foi o responsável pela introdução das sonoridades asiáticas na música dos Beatles. Por uma verdadeira revolução na música do quarteto. É só ouvir o “Sgt. Peppers”, pra mim um divisor de águas na obra deles, pra perceber a influência da viagem à Índia à qual George Harrison levou os três colegas.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><strong>Beatles </strong></span></p>
<p>“<span style="font-size: medium;">Honey don&#8217;t” é a próxima música do show e a primeira dos Beatles. Uma canção gravada no álbum “Beatles for Sale” de 1964. É uma verdadeira volta àquele ano: feche os olhos e você verá o quarteto de Liverpool vestido em terninhos, com os famosos cabelos em forma de cuia. </span></p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/beatles.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-full wp-image-744" title="beatles" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/beatles.jpg" alt="" width="480" height="480" /></a><span style="font-size: medium;">“So, are you ready to have a good time?” pergunta Ringo. Quando o público aplaude animadíssimo, ele solta: “Yes, I am the greatest!”. Provavelmente uma brincadeira com a máxima de John Lennon que um dia disse que os Beatles eram mais populares que Jesus Cristo. “I love you, I love you, I love you”, diz o baterista apontando para uma, outra e outra pessoa da plateia. Na terceira música, um presságio de outra fase dos Beatles, ele cita “The long and winding road”, tocando um trecho dela no meio da canção.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Finalmente, Ringo abandona os passinhos New Wave e vai para a bateria where he belongs. Começa “Super hang out”, o clássico do The McCoys, conhecido no Brasil pela versão da Jovem Guarda “Pobre Menina (não tem ninguém)”. Muuuito legal! É que um dos McCoys , Rick Derringer,faz parte da All Star Band. O mais sessentista de seus integrantes. “Everybody is a star tonight”, diz Ringo, acrescentando que todos os colegas de palco vieram de alguma banda importante. </span></p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/all-star-band.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-full wp-image-743" title="all star band" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/all-star-band.jpg" alt="" width="450" height="137" /></a></p>
<p> “<span style="font-size: medium;">Talking in your sleep” dá início ao outro lado do show daquela noite: o lado oitentista. Ingleses de bandas dos anos oitenta, em sua maior parte responsáveis por um hit e nada mais conhecido (as one hit bands), estão em profusão na All Star. Wally Palmar era do The Romantics. </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">E chega mais um momento super aguardado. “Vou fazer agora um número para as moças, para alguns rapazes também”, anuncia o maroto Ringo. E começa “I wanna be your man”. Esqueça os solos de guitarra que dão uma roupagem “moderna” à música e você se sentirá um beatlemaníaco. Senti isto há pouco mais de vinte anos no Maracanã, com Paul McCartney, e voltei a sentir na semana passada. É inútil tentar descrever a emoção de ouvir um Beatle tocando Beatles na sua frente. Para qualquer fã de rock. E foi por isso que não pensei duas vezes em pagar R$ 450 para ver Ringo Star em um teatro a vinte metros de mim. </span></p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/ringo-na-bateria.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-full wp-image-745" title="SHOW/RINGO STARR/RS" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/ringo-na-bateria.jpg" alt="" width="900" height="598" /></a></p>
<p> <span style="font-size: medium;">Enquanto o bruxo com cara de Papai Noel Edgar Winter se reveza entre o sax, o teclado, o sintetizador e a percussão, Gary Wright começa o seu solo. “Boa Noite, amigos de Brasília! Tudo bem?”. E começa a tocar “Dream River”, uma balada escrita após uma viagem que fez com George Harrison para a Índia. Wright participou do álbum “All things must pass” do ex-guitarrista dos Beatles. </span></p>
<p> <span style="font-size: medium;"><strong>Miscelânea<br />
</strong></span><span style="font-size: medium;">O show é uma mélange total. Tem estilos completamente diferentes entre si, parece mais uma série de shows solo de cada um dos integrantes, mostrando músicas de suas carreiras passadas. O bom é que as canções não são ruins e a banda, além de qualidade musical, tem intensidade, são muitos instrumentos tocando juntos. Um dos pontos altos é “Broken Wings”, uma bela balada da segunda metade dos anos 80 do grupo Mr. Mister. Richard Page é o representante da banda na All Star. Nada a ver com o que se espera de uma apresentação de Ringo, mas este é um bom momento do show. Na verdade tem algo de surreal. Quem imaginaria que Ringo Starr um dia tocaria bateria para o cara do Mr. Mister, típica one hit band, enquanto ele canta seu único sucesso? </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Ringo nos lembra que, apesar da miscelânea, está no comando, ao cantar uma canção do disco lançado no ano passado, “Why Not?”. É a sugestiva “The Other Side of Liverpool”, em que ele começa, em tom confessional: “minha mãe era uma enfermeira&#8230;”. Boa música! </span></p>
<p> <span style="font-size: medium;">Um soul separa a lembrança da Liverpool que nos deu os Beatles do momento mais esperado da noite. É aquela música que John e Paul compuseram pensando no vozeirão de Ringo. A canção que embalou a infância de muitos quarentões como eu e que embala até hoje. “Are you ready to sing?”, pergunta ele. “I like to play this song every night, everybody enjoys it”, diz Ringo. “É um momento musical incrível e eu sou o outro incrível momento”, diz ele, brincando com a própria fama. Começa “Yellow Submarine”, gravada originalmente no álbum Revolver, em 1966, e eu me chateio por não ter levado meu filho de três anos ao show, especialmente para aquele “magical moment”. Yellow Submarine foi a primeira música cujo refrão João cantou em inglês, aos dois anos. Mostrei a ele parte do filme homônimo no youtube, mas só a parte desta música, não o longa-metragem inteiro, que tem partes violentas. Recomendo aos pais, com esta parcimônia, porque os desenhos são muito bem feitos e coloridíssimos. </span></p>
<p> <a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/yellow-submarine1.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-full wp-image-746" title="yellow-submarine1" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/yellow-submarine1.jpg" alt="" width="810" height="708" /></a></p>
<p><span style="font-size: medium;">Após longos solos dos stars da banda, Ringo volta ao palco. É impressionante como todo o público se levanta quando ele reaparece, quase uma reverência. “Boys”, uma canção menos famosa dos Beatles, é a escolhida por Ringo. “One of my favourites”, diz ele. </span></p>
<p>“<span style="font-size: medium;">Umas pessoas estão pedindo: &#8216;please, Ringo, sing “Photograph””, diz o músico, se referindo a outra canção da antiga banda. E eles tocam a linda “Photograph” que, na verdade, já estava no roteiro. “Act Naturally”, outra do quarteto, do álbum “Help!”, de 1965, vem em seguida. É um country e todos cantam. E o momento Beatle não terminou. “Do you need anybody? I want somebody to love!”, canta Ringo, no momento mais emocionante de todo o show, mais ainda do que o submarino amarelo. “A little help from my friends” me remete diretamente à São Paulo de 1982, em que morávamos, e quando os Beatles começaram a tocar fundo os nossos corações, meu e da minha irmã. Naquela época, compramos a coletânea vermelha, a que tem os sucessos mais antigos, que se completa com a coletânea azul, com as músicas mais viajantes da segunda metade da carreira do grupo, no fim dos anos 60. Durante aquela música, Ringo ria e eu chorava. </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">E pra aumentar a emoção, no finzinho do show, o pacifista Ringo Starr, com sua banda formada por alguns ex-hippies, cita o mais pacifista de todos: John Lennon. “All we are saying, is give peace a chance&#8230;”. E os músicos saem do palco deixando a velha mensagem de Paz e Amor, mostrando que um idealista pode ser sempre um idealista. Ringo levanta a mão e faz o sinal de paz e amor com o indicador e o dedo do meio, uma marca registrada sua desde os primórdios. O sinal que havia sido repetido por ele e pelos fãs durante todo o show. Um pouco do espírito hippie nos individualistas dias atuais nunca é demais!</span></p>
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		<title>O dia em que falei com David Lynch sobre meditação</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Nov 2011 17:18:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mariana</dc:creator>
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		<description><![CDATA[“Sim! Claro! As crianças brasileiras das escolas públicas regulares podem, sim, se beneficiar da meditação em sala de aula. Elas são seres humanos, todo ser humano se beneficia”. Assim respondeu David Lynch a uma pergunta que fiz a ele ontem sobre a viabilidade da meditação na rede pública brasileira. O cineasta, ganhador de três Oscar, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>“Sim! Claro! As crianças brasileiras das escolas públicas regulares podem, sim, se beneficiar da meditação em sala de aula. Elas são seres humanos, todo ser humano se beneficia”. Assim respondeu David Lynch a uma pergunta que fiz a ele ontem sobre a viabilidade da meditação na rede pública brasileira. O cineasta, ganhador de três Oscar, participava ao vivo, por vídeo-conferência, de Hollywood, onde mora, do Seminário Internacional sobre a Meditação Transcendental e a Educação. O encontro foi promovido pela Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados e pela Frente Parlamentar Mista da Educação do Congresso Nacional, bem ali, pertinho do meu local de trabalho, no Auditório da TV Câmara.</p>
<p>Quando vi as informações na segunda-feira, corri para transformá-las em pauta antes que alguém a apagasse por achá-la “idiota”. É, tem gente no meu trabalho que acha meditação idiota, se for pra melhorar o aprendizado, então&#8230; Uma colega, estagiária, a Marcela Picanço, pediu a uma chefe de bom senso para cobrir o evento, que seria fora do meu horário de trabalho, se não, eu mesma teria me oferecido. Imagine, o criador da obra prima “O Homem-Elefante”, de viagens interessantíssimas como “Coração Selvagem” (nossa, ele dirigiu Nicolas Cage quando este só fazia filmes que prestavam! Ou seja, há muuuito tempo! Vejam foto do filme abaixo), “Veludo Azul” (pelo qual me interessei mais há algumas semanas, revendo vinte anos depois da primeira vez), e o fantástico e surrealista “Cidade dos sonhos”! Claro que seria uma bela oportunidade! Cinema encontra meditação, outra de minhas paixões. Melhor ainda!</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/wildatheart2.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-full wp-image-732" title="wildatheart2" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/wildatheart2.jpg" alt="" width="460" height="320" /></a></p>
<p>Pois é, este autor de obras meio loucas, com fortes doses de violência física e, principalmente, psicológica, e com personagens tirados do universo onírico também se interessa por meditação, mais especificamente, pela meditação transcendental. Esta linha é aquela que foi introduzida em 1958 pelo guia espiritual indiano Maharishi Mahesh Yogi (foto abaixo), envolvendo o uso mental de sons específicos, com propriedades psicoativas, os chamados mantras.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/Maharishi2.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-full wp-image-733" title="Maharishi2" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/Maharishi2.jpg" alt="" width="580" height="285" /></a></p>
<p>Eu que pratico canto e meditação da linhagem de Syddha Yoga há quase dez anos, sei que a meditação com base em mantras já existia na Índia, porém, há milênios, claro. A repetição infindável de mantras faz com que a pessoa consiga ir se desligando dos pensamentos que inundam sua mente o tempo todo e passe a um nível de relaxamento crescente.</p>
<p>Mais importante do que as características específicas da meditação transcendental em relação a outras linhas como a que eu pratico, é que a linha iniciada por Maharishi está sendo utilizada na educação, e melhor, na educação pública, para meninos e meninas a partir de 10 anos. David Lynch criou uma Fundação especificamente para divulgar o uso da Meditação Transcendental nas escolas do mundo todo. Mais de 250 mil crianças já têm acesso à meditação transcendental em suas escolas. O criador da intrincada trama do seriado Twin Peaks é, quem diria, um dos grandes divulgadores desta prática no mundo.</p>
<p>“É fácil perceber a diferença entre os alunos que praticaram a meditação e os de outras escolas”, continuou Lynch.  “As crianças estão cheias de estresse, cansadas, não dormem direito. Aí são inundadas por um oceano de energia. Elas vão poder dormir, a capacidade de se concentrar aumenta, a motivação volta”, disse um entusiasmado Lynch.</p>
<p><strong>Inteligência criativa<br />
</strong>Duas outras pessoas fizeram perguntas depois de mim. Não tive tempo de pensar e estava muito focada na questão das crianças, mas não teria sido óbvio perguntar se Bobby Peru de “Coração Selvagem” ou os anões, vilões (como o conturbado personagem de Dennis Hopper em “Veludo Azul) e detetives intrigantes de outros dos filmes de David Lynch foram imaginados enquanto ele meditava?  Eu mesmo, quando entro em meditação, o momento de maior tranquilidade mental que se pode alcançar, tenho, às vezes, ideias mais inteligentes do que no dia a dia agitado. Elementar: a mente está descansada.</p>
<p>“É a inteligência criativa”, já tinha dito Lynch, dando pistas de que minhas suspeitas sobre a meditação e o seu processo criativo estavam certas. “É sempre assim, as pessoas dizem: ‘estou mais criativo e aumentou minha capacidade de resolver problemas’”.</p>
<p><strong>“Onde está toda aquela raiva?”<br />
</strong>Para ele, a técnica, além da diminuir a violência entre os estudantes, deixando-os mais calmos, tem como consequência levar as pessoas ficarem mais felizes e com maior capacidade de se focarem em algo, distinguindo problemas pequenos dos grandes. “Eu tinha muita raiva, dentro de mim, tensão e preocupação, como todo mundo”, confidenciou Lynch (foto abaixo). “Depois da meditação, minha mulher me perguntava: ‘onde está toda aquela raiva, o que aconteceu?’”, contou o cineasta. “Ora, minha raiva foi embora naturalmente, é isto que acontece. Foi lindo”, contou ele, da mesma forma que fez no documentário 2012, a que assisti há cerca de um mês na mostra de filmes do CCBB passados no Cine Brasília. A negatividade não traz criatividade”, concluiu.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/david-lynch.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-full wp-image-734" title="david-lynch" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/david-lynch.jpg" alt="" width="470" height="341" /></a></p>
<p><strong>Os melhores desempenhos escolares</strong><br />
Antes de David Lynch, havia falado no Seminário o diretor de Expansão da Maharishi Free School, da Inglaterra, Richard Scott. Sua explanação foi surpreendente. Mostrando gráficos, ele explicou que a instituição, que tem como cultura aplicar a meditação transcendental para alunos e professores, está entre os 2% melhores escolas do Reino Unido, onde os alunos têm  melhor desempenho. A meditação faz toda a diferença na capacidade dos alunos para apreender o conteúdo das matérias. “Os alunos são mais criativos, têm maior capacidade de trabalhar em grupo e de resolver problemas por causa da técnica praticada duas vezes ao dia, por 20 minutos”, afirmou Scott, ele mesmo muito calmo. “Uma vez implantada a prática da meditação transcendental, a educação em qualquer país pode ser mais efetiva”, concluiu Scott.</p>
<p>O deputado Alex Canziani (PTB-PR), que tomou a iniciativa de promover o seminário, e ele mesmo um <em>meditante</em>, pretende expandir a cultura da meditação transcendental nas escolas brasileiras, como uma contribuição de aprendizagem para os estudantes e para as futuras gerações, como apurou Marcela para sua matéria.</p>
<p>O diretor da Fundação David Lynch no Brasil, Joan Roura, primeiro a falar no seminário, comparou a mente humana com o oceano. A superfície do mar, com toda a sua agitação, seria a parte consciente; o subconsciente corresponderia à parte central do Oceano e, por meio da meditação, as pessoas iriam chegar à quietude da mente, como no calmo fundo do mar. Segundo ele, a meditação reduz a substância cortisonoplasma, diminuindo, assim, o estresse. “A meditação diminui o estresse, a ansiedade e a depressão. Funciona muito bem na melhora do déficit de atenção e ajuda a prevenir o uso das drogas”, acrescentou ainda Roura.</p>
<p>Alguém ainda tem dúvida dos benefícios que esta prática pode trazer para as crianças brasileiras? Imagine a meditação universalizada no ensino público do nosso País. “Seria o melhor presente que vocês poderiam dar a suas crianças”, garante David Lynch.</p>
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