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	<description>Frutos de momentos de ócio</description>
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		<title>Um Grammy para não esquecer</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Feb 2012 16:25:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mariana</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Há programas que fazem valer a pena ficar acordada até tarde mesmo tendo que estar de pé no dia seguinte às 7 da manhã. A entrega dos Grammys de ontem com certeza foi um deles. Se assistir à volta de Adèle aos palcos depois de um ano emudecida pela operação nas cordas vocais já não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há programas que fazem valer a pena ficar acordada até tarde mesmo tendo que estar de pé no dia seguinte às 7 da manhã. A entrega dos Grammys de ontem com certeza foi um deles. Se assistir à volta de Adèle aos palcos depois de um ano emudecida pela operação nas cordas vocais já não fosse motivo suficiente, haveria as apresentações de Bruce Springsteen, Foo Fighters, Coldplay- com e sem Rihana-, Paul McCartney&#8230; Mas o que me levou a fazer o esforço foi mesmo a reunião dos Beach Boys 20 anos depois de sua última apresentação como grupo.</p>
<p>Como já fizeram com outras bandas anteriormente, como o Police, os organizadores do Grammy foram felizes ao promover a reunião dos cantores californianos, legítimos representantes da chamada <em>surf music</em>, marcando os 50 anos do início da banda. Coincidentemente presente ao evento, Paul McCartney um dia considerou o álbum “Pet Sounds”, de 1966, como o melhor do rock e disse que ele influenciou parte sua produção da época com os Beatles. A crítica especializada já considerou o álbum como uma das maiores obras primas da música pop.</p>
<p>E havia ainda a emoção das homenagens a Whitney Houston, ela mesma ganhadora de seis Grammys e indicada a 26 ao todo, e que morrera no dia anterior, aparentemente afogada após misturar um forte calmante a bebida alcoólica. Cheguei a ver o grande Steve Wonder tocando um trecho de “I will always love you” na gaita, antes de anunciar o número de Paul McCartney.  Jennifer Hudson cantaria uma das canções de Whitney, tida como uma de suas referências musicais.</p>
<p>Paul McCartney mostrou o lado grave da voz em uma balada em que foi acompanhado por uma orquestra. O Foo Fighters cantou “Walk”, a canção de rock and roll com ares de anos 80 que ganharia o prêmio de melhor música de rock de 2011 alguns minutos depois. O encontro da banda de Chris Martin com a popstar Rihana, que parecia inusitado, funcionou bem. Antes do dueto, ela cantou sozinha e o Coldplay também se apresentou separadamente. Mas, como eu esperava, foi ver os velhinhos dos Beach Boys cantando “Good Vibrations” que fez valer cada hora de sono perdida. O grupo Maroon 5 foi escalado para “abrir” para os Beach Boys cantando uma música deles, mas não convenceu. Foi estranho ouvir vozes tão diferentes interpretando aquelas canções tão conhecidas nas vozes de Brian Wilson e companhia. Mesmo com as vozes um tanto cansadas, o grupo original emocionou mesmo as gerações mais novas, que o conheceram depois que já haviam se separado. Chris Martin mesmo assistiu em pé à apresentação, super atento.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/02/beachboys.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-full wp-image-872" title="beachboys" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/02/beachboys.jpg" alt="" width="625" height="417" /></a></p>
<p>Só no ano passado, resolvi comprar o “Pet Sounds” pra ouvir as músicas na ordem proposta pela banda. Há mais de vinte anos tenho uma coletânea dos Beach Boys que resolvi comprar por causa da versão para “California Girls” feita por&#8230; quem diria, David Lee Roth, que havia abandonado a posição de vocalista do Van Halen e se lançado em carreira solo em 1985. Adoro a música e, adolescente, quis conhecer melhor a banda que a compôs e a tornou famosa. Pois bem, “Pet Sounds” é mesmo um daqueles álbuns perfeitos. Daqueles sem <em>fill ins</em>, aquelas músicas menos brilhantes que são colocadas no disco meio que para encher linguiça, pra fazer a ligação entre as canções realmente boas. Todas as músicas são belas, uma após a outra: “Wouldn’t it be nice?”, “God only knows”, “Sloop John B.”, a própria “Pet Sounds”&#8230; Na mesma compra, levei outra destas pérolas perfeitas, aquela brasileira: “Acabou chorare” dos Novos Bahianos (ver mais em “Os novos bahianos em filme e lembranças da Salvador dos anos 70”, aqui no blog).</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/02/pet-sounds1.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-full wp-image-873" title="pet-sounds" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/02/pet-sounds1.jpg" alt="" width="600" height="600" /></a></p>
<p>Fiquei tão feliz em assistir ao vivo pela primeira (e única) aos Beach Boys cantando que fui dormir lá pela uma hora da manhã. Deixei pra ouvir a apresentação de Adèle outro dia. Afinal, com certeza o culto à juventude existente nos meios de comunicação me garantirão a reprise da apresentação dela, mas não a deles. E, claro, o grande número de prêmios arrebatados com justiça por esta fantástica cantora ontem.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/02/Adèle-grammy.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-full wp-image-874" title="Adèle grammy" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/02/Adèle-grammy.jpg" alt="" width="768" height="397" /></a></p>
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		<title>Historietas e conclusões de um menino de três anos</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Jan 2012 13:07:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mariana</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Quando publiquei “Constatações de um menino de dois anos” aqui no blog, com as frases de meu filho nesta idade, minha tia Tereza me contou que minha avó já fazia a mesma coisa muito antes da internet: anotava em um caderninho especial as falas da minha mãe, a mais velha de cinco irmãos, e do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando publiquei “Constatações de um menino de dois anos” aqui no blog, com as frases de meu filho nesta idade, minha tia Tereza me contou que minha avó já fazia a mesma coisa muito antes da internet: anotava em um caderninho especial as falas da minha mãe, a mais velha de cinco irmãos, e do meu tio Plinio, o segundo a nascer. Há pouco tempo, li uma entrevista em que Arnaldo Antunes dizia que fez uma música com os dizeres de seu filho de três anos. Registrar o que dizem nossos pequenos quando estão aprendendo a lidar com a fala é, portanto, algo a que não conseguimos resistir. Se aos dois anos, achávamos inteligentíssimas as conclusões a que tão jovens pessoas chegavam, aos três, continuamos impressionados não só com suas constatações sobre o mundo que começam a observar, mas também com a forma como lidam cada vez melhor com o vocabulário que vão adquirindo. Registro a seguir, as falas de meu filho João, aos 3 anos que, quem sabe, possam divertir também os que não o conhecem.</p>
<p><strong>“Farofeira!”</strong>, João, olhando para a mãe que cantava , brincando: “Comprei um quilo de farinha pra fazer farofa, pra fazer farofa-fá”. Em 9-08-2011, aos 3 anos e 3 meses.</p>
<p><strong>“A lua fica brilhando no céu escuro”</strong>, contemplando a lua quase cheia. Em 26-08-2011, aos 3 anos e 3 meses.</p>
<p><strong>“Você só quer saber de avião”</strong>, para a mãe, que contava a história do avião, sendo que ele, sim, só queria saber de avião. Em 9-09-2011, aos 3 anos e 4 meses</p>
<p><strong>“Onde tem helicópteros e onde tem terremoto”</strong>, quando a mãe mostrava imagens de um avião em Nova Iorque, na época do terremoto que atingiu a cidade. Em 9-09-2011, aos 3 anos e 4 meses.</p>
<p><strong>“Vê se pode, mamãe?”</strong>, imitando algo que a mãe falou em outro momento.</p>
<p><strong>“Não tem ninguém nesse avião. Só os macaquinhos”</strong>, olhando para o avião de plástico de um livrinho e percebendo que só os macacos eram fixos. Os outros bichos só apareciam por trás das janelas, não estando verdadeiramente no avião.</p>
<p><strong>“Você resgatou?”</strong>, sobre o avião dele que estava na cama da mãe, que o trouxe para ele. As três mais ou menos aos 3 anos e 4 meses.</p>
<p><strong>“Eu nunca comi sorvete moído assim. Eu tomaria. Eu tomaria hoje”</strong>. Olhando a foto e desejando o sorvete com várias bolas e biscoito moído entre cada uma delas. Em 20-10-2011, aos 3 anos e 5 meses.</p>
<p><strong>“É a porta giratória”</strong>. Girando o guarda-chuva de Panda que ganhou dos pais e se lembrando da hora em que Clark Kent vira Superman em “Superman, o filme”, de 1978, que assistira semanas antes em DVD.</p>
<p><strong>&#8220;É a do Superman&#8221;</strong>, identificando a trilha sonora de &#8220;Superman, o filme&#8221;, de um CD com as melhores trilhas do mestre John Williams, respondendo à mãe, que tinha dificuldade de diferenciá-la da de &#8220;Caçadores da Arca Perdida&#8221;. As duas são bastante parecidas. Aos 3 anos e 8 meses.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/DSC05093.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-large wp-image-851" title="DSC05093" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/DSC05093-1024x768.jpg" alt="" width="1024" height="768" /></a></p>
<p><strong>“Tudo que a gente entende, a gente fala, sabia?”</strong>. Ensinando a mãe. Em 19-10-2011. Aos 3 anos e 5 meses.</p>
<p><span style="color: #008000;"><strong>De novo, as fantásticas máquinas voadoras</strong></span><br />
<strong>“O avião chegou. Ele está encantado pelo castelo”</strong>. Em 25-10-2011, aos 3 anos e cinco meses, humanizando um de seus queridos aviões feitos de Lego.</p>
<p><strong>“Esse avião é do universo, não é da TAM. Ele tem uma asa poderosa, sabia?”</strong>, ainda pensando em suas incríveis máquinas voadoras. Idem.</p>
<p><strong>“E depois o avião do universo vai decolar. Olha as turbinas dele”</strong>, mostrando seu vocabulário relativo a aviões. Idem.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/DSC04991.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-medium wp-image-849" title="DSC04991" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/DSC04991-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p><strong>“O helicóptero é assim: ele tem a hélice que gira assim e o motor, que faz voar”</strong>. Idem.</p>
<p><strong>“Esse é o avião da TAP que você vai fazer? Eu vou ensinar o avião da TAP”</strong>, pegando as peças verdes e vermelhas do Lego da mão da mãe. “Aí você tem que aprender a fazer o avião, sabia? O seu avião já tá terminado”, fazendo ele mesmo o avião.</p>
<p><strong>“Lá tinha tantos aviões! O Concorde você não consegue ver. Levanta, venha ver!”</strong>, variando as marcas das máquinas.</p>
<p><strong>“É a base da biruta pra ela se equilibrar”</strong>, terminando de construir uma biruta de aeroporto com legos. As três últimas falas aos três anos e cinco meses.</p>
<p><strong>“Sabia que os aviões mais novos são os que têm suportes nas duas asas?”</strong>, demonstrando cada vez mais especialização na área aeronáutica, sua preferida. Em 8-11-11, aos 3 anos e meio.</p>
<p><span style="color: #008000;"><strong>Contando histórias</strong></span><br />
<strong>“Era uma noite chuvosa&#8230; Uhhh! O gato caiu láaa embaixo e viu um fantasma. (&#8230;) E o lobo mordeu o gato”</strong>. Contando história de terror na véspera do Halloween, em parte inspirada no programete do Discovery Kids visto dias antes. Em 30-10-11, aos 3 anos e cinco meses.</p>
<p><strong>&#8220;Eu sabo dirigir avião, nave e navio&#8221;</strong>. <strong>&#8220;O que é mais difícil?&#8221;</strong>, pergunta a mãe.<strong> &#8220;O navio. O navio é o Titanic. Ele bateu num iceberg e afundou. Aí os homens consertaram ele. E ele voltou&#8221;</strong>. Em 11-01-2012, aos 3 anos e 8 meses, lembrando-se da exposição dos objetos do Titanic que visitou.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/DSC04872.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-large wp-image-850" title="DSC04872" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/DSC04872-1024x768.jpg" alt="" width="1024" height="768" /></a></p>
<p><strong>“O cachorro virou um bicho sanitário que fala?”</strong>, referindo-se a si mesmo e trocando de personagem na brincadeira pelo que ele próprio criou: o bicho sanitário. Em 8-11-11, aos 3 anos e meio.</p>
<p><strong>“Vou tirar porque tá muito adolescente”</strong>, se referindo ao próprio boné. Em 9-11-11, idem.</p>
<p><strong>No almoço</strong><br />
<strong>“Eu passei no meio do vegetal. Você sabia que esse é o vegetal, sabia?”</strong>, apontando para um arbusto na varanda do restaurante em que almoçávamos. Em 2-11-11, idem.</p>
<p><strong>“Eu se preparei pra comer o doce. Você viu? Eu fui naquela porta&#8230;”</strong>, se preparando para o momento especial de comer um petit gateau com sorvete só seu de sobremesa. Idem.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/DSC05309.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-large wp-image-846" title="DSC05309" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/DSC05309-1024x768.jpg" alt="" width="1024" height="768" /></a></p>
<p><strong>“Que gostoso esse recheio!”</strong>, elogiando o realmente especial petit gateau de chocolate amargo do Gero de Brasília. Idem.</p>
<p><strong>“Pronto, você já está produzida”</strong>. Para a mãe, no dia do natal, quando ela terminou de colocar biquini e short. Em 25-12-11, aos 3 anos e 7 meses.</p>
<p><span style="color: #008000;"><strong>Na casa de vovó e vovô</strong></span><br />
<strong>“Eles são violentos”</strong>, sobre os filhotes de cachorros que a avó comprou para os netos e, aos quatro meses, gostam de pular neles, quase derrubando os donos. Em dezembro de 2011, idem.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/DSC052971.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-full wp-image-845" title="DSC05297" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/DSC052971.jpg" alt="" width="640" height="425" /></a><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/DSC05297.jpg"></a></p>
<p><strong>“Eu coloquei água com xixi aqui”</strong>, de dentro da banheira onde tomava banho e fizera xixi, referindo-se a um frasco de creme da avó. <strong>“Mas, João, este creme é caro”</strong>, responde a mãe. <strong>“Mas tem muitos cremes ali”</strong>, apontando para a grande coleção de cremes da vaidosa avó materna.<br />
Idem.</p>
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		<title>Treze pratos e bebidas imperdíveis em Brasília</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Jan 2012 14:08:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mariana</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Não estava fácil escolher dez. Então, resolvi flexibilizar e aumentar para 13 a lista de pratos ou bebidas simplesmente deliciosos encontrados nos restaurantes de Brasília. Claro que são escolhas absolutamente pessoais, mas com certeza capazes de inspirar o pessoal que está trabalhando na capital nesta época em que ela está vazia, com poucas opções para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não estava fácil escolher dez. Então, resolvi flexibilizar e aumentar para 13 a lista de pratos ou bebidas simplesmente deliciosos encontrados nos restaurantes de Brasília. Claro que são escolhas absolutamente pessoais, mas com certeza capazes de inspirar o pessoal que está trabalhando na capital nesta época em que ela está vazia, com poucas opções para adultos- vide as salas de cinema, invadidas pelos blockbusters infantis e adolescentes das férias de verão. Então, segue a minha lista, que não está em nenhuma ordem, e aguardo os comentários.</p>
<p>1-   <strong> Fois gras do </strong><span style="color: #000000;"><strong>Toujours Bistrô</strong>. </span>Ele vem coberto por cristais de sal, é simples e gostoso. O do Zuu, com melado, queijo de coalho e salada de feijões, rivalizaria com ele se o restaurante não tivesse fechado as portas.</p>
<p>2-   <strong> Rabada agridoce do Versão Tupiniquim</strong>. É uma rabada com pouca gordura, envolta em uma fina massa folhada. O molho agridoce vai sendo colocado aos poucos (Ver foto do prato e detalhes sobre o local em “Restaurante brasiliense com um pé na alta cozinha espanhola”, aqui no blog). Se não come carne, opte pela Pescada amerela com pimentões vermelhos e amarelos. É leve e saborosa na medida certa! Bem espanhola.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/DSC05148.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-medium wp-image-835" title="DSC05148" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/DSC05148-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>3-    <strong>Filé mignon ao vinho Marsala com fois gras e trufas negras do  Gero. </strong>As batatas cortadas em fatias finas colocadas uma sobre a outra e,  principalmente, os aspargos frescos com bacon, complementam o prato  perfeitamente.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/Gero-filé1.jpeg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-full wp-image-838" title="Gero- filé" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/Gero-filé1.jpeg" alt="" width="190" height="265" /></a></p>
<p>4-    <strong>Sunset drink do El Paso Texas.</strong> Drink frozen com suco de laranja e amaretto. Consegue ser melhor que a Piña Colada que tomávamos na Cidade do México também com amaretto. É mais equilibrada por causa da acidez conferida pela laranja.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/El-Paso.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-medium wp-image-828" title="El Paso" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/El-Paso-300x196.jpg" alt="" width="300" height="196" /></a></p>
<p>5-   <strong> Risoto de camarão e manjericão do Bom Demais do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). </strong>Saboroso e cremoso no ponto.</p>
<p>6-    <strong>Café grego também do Bom Demais do CCBB. </strong>Uma mistura de grãos de café realmente provenientes da Grécia com limão, batidos e servidos gelados em um copo alto. Mistura improvável e surpreendente.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/Bomdemais-foto-geral.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-medium wp-image-829" title="Bomdemais foto geral" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/Bomdemais-foto-geral-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>7-   <strong> Lagostin da Trattoria da Rosário.</strong> Prato sazonal e especial.</p>
<p>8-    <strong>Filé a Severin do La Chaumière. </strong>No mais tradicional restaurante francês da cidade, o filé foi criado por seu ex-garçom e atual dono, Severino (na foto abaixo), à base de queijo gorgonzola e pimenta do reino em grãos, com deliciosas batatas sautés ou arroz branco. O impressionante é que não é pesado, apesar dos ingredientes. Dá vontade de comer uma vez por mês, pelo menos.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/Severino-La-Chaumière.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-medium wp-image-830" title="Severino La Chaumière" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/Severino-La-Chaumière-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>9-   <strong> Buffet do restaurante austríaco Servus.</strong> O buffet deste restaurante que fica em uma aconchegante e casa de madeira no caminho para a Papuda tem chucrute, salsichões, picadinho com páprica e todas as delícias que são também alemãs. Vá com tempo e harmonize com as cervejas de trigo importadas da Alemanha e outros países europeus. Lá você encontra desde motoqueiros com suas Harley Davidsons até embaixadores como o da Rússia, que estava lá quando fomos. Há ainda uma casinha de bonecas para as crianças no amplo gramado.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/Servus.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-medium wp-image-833" title="Servus" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/Servus-224x300.jpg" alt="" width="224" height="300" /></a></p>
<p>10-<strong>Lula grelhada da parte superior do Bar do Mercado.</strong> Trata-se da parte central do animal, cortada em fatias, acompanhada de farofa amarela e com a opção de um pouco de azeite com pimenta do reino rosa. De dar água na boca. Vai bem com os bons vinhos brancos a preço de mercado da Adega ou com a cerveja de trigo Bohêmia Confraria, que costuma estar no cardápio do Bar não se encontra em qualquer lugar.</p>
<p>11-<strong>Todos os pratos com peixes brasileiros, ostras, vieiras, lagostins e jambu do Aquavit. </strong>Difícil escolher o melhor deste que é o único restaurante com duas estrelas no Guia Quatro Rodas de Brasília e cujo cozinheiro e dono, Simon Lau Cederholm, foi considerado o chef do ano de 2010 do Brasil pelo guia (Ver detalhes em “O restaurante duas estrelas de Brasília”).</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/DSC04352-1.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-medium wp-image-836" title="DSC04352-1" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/DSC04352-1-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>12-<strong>Sexy Shrimp do Universal Diner. </strong>Um prato afrodisíaco levemente agridoce criado há tempos por Mara Alcamim e que combina com o ambiente do East Village nova-iorquino reproduzido pela chef que tinha apartamento naquele bairro descolado. Mas vá cedo se não quiser encarar a música sertaneja disfarçada de dance music que começa a tocar lá pelas 23 horas.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/fusca-universal.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-medium wp-image-832" title="fusca universal" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/fusca-universal-300x195.jpg" alt="" width="300" height="195" /></a></p>
<p>13- E pra completar, <strong>chocolate quente com macadâmia do Espaço Gourmet das lojas Kopenhagen. </strong>Simplesmente o melhor chocolate quente que já tomei na vida.</p>
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		<title>A culpa da mãe</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Jan 2012 14:18:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mariana</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Acordei hoje subitamente às 5h50, uma hora antes do despertador. Sim, as tensões do trabalho têm sua parcela de culpa, para não correr o risco de ser injusta, uma única pessoa do trabalho. Mas 80% da culpa é mesmo de um filme que parecia despretensioso e por isto me atraiu chamado “Não sei como ela [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acordei hoje subitamente às 5h50, uma hora antes do despertador. Sim, as tensões do trabalho têm sua parcela de culpa, para não correr o risco de ser injusta, uma única pessoa do trabalho. Mas 80% da culpa é mesmo de um filme que parecia despretensioso e por isto me atraiu chamado “Não sei como ela consegue” (“I don’t know how she does it”, finalmente a distribuidora achou que não doeria ser fiel ao título original). O filme com Sarah Jessica Parker (a eterna Carrie Bradshaw de “Sex and the City”), o sempre fofo e eficiente Greg Kennear e o classudo e simpático (eu o entrevistei em 1997 e ele o é mesmo) Pierce Brosnan, tinha tudo para ser mais uma comédia hollywoodiana e esteticamente o é. Cheio de viradas absolutamente previsíveis, fim mais previsível ainda, lindas tomadas externas de Boston e Nova Iorque, alguns diálogos familiares óbvios. Mas ele é mais: tem aquela narração pontuando os acontecimentos mais típica de produções independentes americanas (acho que os grandes estúdios aprenderam a copiá-los!), alguns personagens estranhos como a assistente da personagem de Sarah e o principal: assuntos nada leves.</p>
<p>São dois. O primeiro é a culpa que a mãe dedicada e apaixonada por seu trabalho carrega em relação aos filhos. Eterna, forte, inconciliável. O segundo é o mundo tradicionalmente masculino do trabalho em que temos que nos inserir. Não é só o machismo, mas a forma de encarar o trabalho forjada por um capitalismo antigo, extremamente competitivo, em que é quase normal se passar a perna um no outro, em que o bom funcionário é aquele que dedica todo o seu tempo para o trabalho, mesmo aquele que deveria ser usado para os filhos, o marido, enfim, o cônjuge, qualquer que seja o sexo do funcionário.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/Sarah-no-trabalho.jpeg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-full wp-image-816" title="Sarah no trabalho" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2012/01/Sarah-no-trabalho.jpeg" alt="" width="275" height="183" /></a></p>
<p>Na minha insônia, que não acontecia há meses, fiquei pensando em como este filme poderia ser anacrônico, mas concluí que, infelizmente, não é. Existem, sim, aquelas empresas que incluem a diversão e o descanso em seu próprio ambiente, na rotina de seus trabalhadores, até como forma de aumentar a criatividade. Mas elas ainda são notícia, o que significa que são raridade.</p>
<p>Vivemos mesmo neste capitalismo antigo, onde sempre tem um chefe ou subchefe que acha que a correria e o estresse, às vezes turbinado pela gritaria, devem imperar no ambiente de trabalho. Se não são chefes homens, são mulheres que acham que devem mostrar que conseguem fazer o trabalho dos homens como os homens, deixando de lado a delicadeza e a famosa flexibilidade femininas. Não falo da positiva objetividade dos homens, mas das características maléficas que já citei anteriormente.</p>
<p>Nestes ambientes de trabalho, cobra-se o que não se precisaria cobrar, deixa-se de valorizar o que foi feito de bom verbalmente, se dá valor à puxa-saquice e à demonstração de superioridade em relação aos colegas. Infelizmente, andei trabalhando em lugares com algumas destas características, tanto em redações quanto em gabinetes de políticos. Atualmente não e foi por isto que minhas insônias praticamente sumiram. Injustiça deve ser a maior causa da insônia, junto com ansiedade.</p>
<p>O filme mostra esta angústia aliada a outra mais típica nas mulheres de hoje. Além de termos que provar que somos boas profissionais, ainda temos que demonstrar, inclusive a nós mesmas, que podemos sê-lo sem deixar de lado outra obrigação que nos consome: ser boas mães. Ser presentes na vida de nossos filhos.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/12/Sarah-com-filho.jpeg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-full wp-image-815" title="Sarah com filho" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/12/Sarah-com-filho.jpeg" alt="" width="275" height="183" /></a></p>
<p>Ontem foi um dia emblemático em relação a isto. Fui ao cinema sozinha depois de meses. Quando o filme começou, mandei uma mensagem de texto dizendo a meu marido que nosso filho estava com a babá e a avó. Quando contei a ele sobre o tema do filme, ele me disse, rindo: “Ah, então foi por isso que você mandou aquela mensagem de dentro do cinema?!”. É, a culpa da mãe nos faz contrariar até princípios sólidos como não atrapalhar os outros acendendo o celular dentro do cinema. E Hollywood, definitivamente, já não é mais tão água com açúcar.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>São Paulo comme il faut</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Dec 2011 12:56:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mariana</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Houve uma época, há uns quatro anos, que íamos pelo menos duas vezes por ano a São Paulo, por razões médicas, e ficávamos cerca de uma semana na cidade de cada vez. Fomos ganhando, ou reganhando, uma intimidade com a cidade. Eu já havia morado ali duas vezes, uma delas na infância e outra na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Houve uma época, há uns quatro anos, que íamos pelo menos duas vezes por ano a São Paulo, por razões médicas, e ficávamos cerca de uma semana na cidade de cada vez. Fomos ganhando, ou reganhando, uma intimidade com a cidade. Eu já havia morado ali duas vezes, uma delas na infância e outra na adolescência, meu marido morara 13 anos lá, inclusive tendo se formado e trabalhado no jornalismo da capital, após vir do interior do estado. Naquelas viagens de alguns anos atrás, entre uma ida e outra ao consultório médico, compensávamos a parte difícil conhecendo alguns restaurantes interessantes (conhecemos o Carlota, o Gero e o Dom, jantamos no Maní e no Felippa, na Rua Joaquim Antunes, fomos ao centro conhecer o tradicional francês La Casserole e à Vila Madalena jantar no aconchegante Alez, Alez!, repetimos o almoço indiano delicioso do Ganesh do Morumbi Shopping, viramos meio habitués do Boa Bistrô, nos Jardins) e visitando as lojas dos grandes estilistas brasileiros que não existem em Brasília (adoro o clima alegre da Adriana Barra, e gosto de ver as novidades das lojas da Bela Cintra e do Shopping Cidade Jardim da Cris Barros, da Glória Coelho e, principalmente de seu ex-marido, Reinaldo Lourenço. De vez em quando até faço uma extravagância e compro uma pecinha de um deles. Vale muito a pena, são pra sempre!). Chegamos a pegar um Festival Internacional de Cinema de São Paulo uma vez, e assistimos em primeira mão a um documentário muito bem estruturado sobre Kurt Cobain. De quebra, comemos uma deliciosa salada de rúcula, pêra e nozes no restaurante do Reserva Cultural, cuja receita repetimos em casa várias vezes.</p>
<p>Participamos da exposição interativa de Guimarães Rosa no Museu da Língua Portuguesa, vimos a dos corpos no Ibirapuera (esta específica, visitei de cadeira de rodas, após um tratamento) e até a exuberância de uma das maiores paradas gays da América Latina e, daquela vez, estávamos hospedados no Hotel Ibis da Av. Paulista, justamente onde se concentravam muitos participantes. Ah, e quando fomos ao Museu da Língua Portuguesa, bem ao lado da linda e restaurada Estação da Luz, aproveitamos para conhecer o Acrópoles, um restaurante simples e tradicional grego em pleno Bom Retiro, o bairro do centro velho onde moram muitos judeus, mas atualmente, não os ricos, que migraram para Higienópolis. Tínhamos normalmente a companhia de uma amiga médica de Brasília que mora em São Paulo há muitos anos e da minha irmã, publicitária, que também é radicada na cidade.</p>
<p>Eu adorava passear pelas três feirinhas de antiguidade mais conhecidas da cidade: a do Masp, de que gosto muito desde que moramos em São Paulo em 1982; a da Benedito Calixto, perto de onde minha irmã morou por anos; e a do Museu da Imagem e do Som (MIS), a mais sofisticada e cara de São Paulo, onde me apaixonei por uma peça art-nouveau, que até hoje me arrependo de não ter comprado. Outro programa bem bacana é conhecer as lojinhas de design de móveis e objetos para casa em torno da pracinha da Fnac (ali começou minha paixão pela linda Benedixt) e, com mais tempo, as lojas de designers brasileiros e estrangeiros da Avenida Gabriel Monteiro da Silva. Lá ou na Lorena, paralela à Oscar Freire, não deixe de almoçar na Z-Déli, um bistrô de comida judaica de tirar o quepá!</p>
<p>Houve uma vez em que até fomos ao show de David Lee Roth, o ex-vocalista do Van Halen, de quem eu admirava a carreira solo lá por volta de 1985. Em 2009, fui especialmente para o pocket show que Elton John fez para os convidados de um banco na linda Sala São Paulo, no centro. Ganhei o convite de um amigão! Imagine um show de Elton John em um teatro! Foi absolutamente emocionante.</p>
<p><strong>Vestindo crianças com criatividade<br />
</strong>Depois que nosso filho nasceu, em 2008, fomos três vezes com ele a São Paulo. Aí os programas mudavam: muito zoológico, Zoo Safari (ex-Simba Safari, em que os bichos ficam soltos e vêm até a janela do seu carro), Ibirapuera e pracinhas.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC02904.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-full wp-image-763" title="DSC02904" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC02904.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a></p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC028731.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-full wp-image-771" title="DSC02873" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC028731.jpg" alt="" width="480" height="640" /></a></p>
<p>Também não dava pra escapar do Shopping Iguatemi em tempos de decoração de natal. Com um ano e oito meses, João ficou absolutamente encantado com todos aqueles animais enormes da savana do Papai Noel que montam naquele vão central.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC02886.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-full wp-image-765" title="DSC02886" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC02886.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a></p>
<p>Outra coisa que chamava a atenção de seus olhinhos eram as luzes da Avenida Paulista nesta época natalina. Além de passeios e dos melhores encontros familiares do ano, São Paulo também significava a oportunidade de eu comprar roupinhas para meu filho do jeito que eu gosto: com cara de roupa de criança. Faço tudo pra não vestí-lo como um adulto pequeno, com aquelas camisetas de gola pólo listradas de branco que se vende em profusão nas lojas de Brasília e do Brasil todo, na verdade. Em São Paulo, anotem aí mães criativas, tem a Bebê Moderno (que agora só existe no Itaim Bibi), cheia de macacões, calças, shorts e camisetas coloridas e com apliques de bichos das matas brasileiras; a Balangandã, com desenhos super diferentes nas camisetas, bermudas e até sungas; e uma loja do Shopping Cidade Jardim, que tem até conjuntos de plush com bolas de futebol no bumbum e outras invenções legais. Há ainda a Green, onde fizemos um verdadeiro enxoval pro João nesta última vez, já que a loja do Park Shopping fechou as portas. (Nas três fotos abaixo, ele, ainda com um ano e dez meses, está vestido de Green, por coincidência).</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC02914.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-large wp-image-766" title="DSC02914" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC02914-1024x768.jpg" alt="" width="1024" height="768" /></a></p>
<p>Uma das vezes, caminhamos pelas lojinhas de novos estilistas da Vila Madalena. Algumas são tão lindas que parecem pequenos castelos coloridos feitos para crianças! Uma imperdível é a do Ronaldo Fraga, que tem um quintal de casa da vovó atrás, onde as crianças se divertem enquanto você escolhe roupas pra você e pra elas. Ali, a dica é comer no buffet cheio de saladas do Pitanga. Mas o Capim Santo, nos Jardins, com suas cortinas de miçangas e seu pátio ao ar livre cercado pelas mesas, é o melhor restaurante para levar a criançada.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC02882.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-full wp-image-767" title="DSC02882" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC02882.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a></p>
<p>Entre uma loja e outra, é necessário tomar um café, comer um sanduíche ou mesmo tomar uma taça de vinho. No nosso caso, era o Suplicy da Lorena para o café com jornais de manhã e o Oscar Café, na Oscar Freire, para um sanduíche de salmão ou filé com uma taça de vinho rosé, seguidos por um brigadeiro de pistache. João adorava subir e descer sua estreita ladeirona correndo.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC02918.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-large wp-image-768" title="DSC02918" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC02918-1024x768.jpg" alt="" width="1024" height="768" /></a></p>
<p>Para se chegar à Balangandã, uma das lojas infantis legais dos Jardins, se passa em frente ao Emiliano, um dos únicos hotéis da badalada e chique Oscar Freire, espécie de 5a Avenida ou Visconde de Pirajá paulistana, ou seja, a rua onde se concentram as lojas legais (e caras!). É um cinco estrelas cool, com uma decoração clean, bastante branca, mas sem abrir mão dos sofás de couro e das mesas de madeira pra dar um clima de aconchego. Uma vez entramos ali e ficamos imaginando como seria nos hospedar naquele hotel delicioso em plena Oscar Freire com diária de U$ 700.</p>
<p><strong>Férias de dois dias<br />
</strong>Pois bem, desta vez, há um mês mais ou menos, quando fomos assistir ao show do Duran Duran no Festival SWU (ver matéria aqui no blog em “Duran Duran 24 anos depois”), sabíamos que nos cansaríamos durante esta aventura. Então, inventei de descansar antes. Como não íamos levar nosso filho porque iríamos ao show em Paulínea, teríamos um momento para descansar sozinhos em São Paulo por duas noites antes de seguir, domingo, para Campinas. É a segunda vez que fazemos isto já que, desde o nascimento de João, não quisemos viajar para o exterior, ficando longe dele por muito tempo. Então, investimos em pequenas viagens, de um fim de semana, no Brasil mesmo. Mas em grande estilo. A primeira vez foi no moderno Fasano do Rio, durante o show do Coldplay no início do ano passado (ver “Luxo no Rio de Janeiro e uma comédia de erros”, aqui no blog).</p>
<p>Nesta segunda vez, não tivemos o prazer de conviver com a decoração super moderna de Phillip Stark, mas desfrutamos do fantástico serviço deste hotel, daqueles que nem conseguimos sentir, discretíssimo. O quarto com vista para os prédios (adoro esta vista! É a mesma em todos os hotéis de São Paulo e parecida com a de uptown Nova Iorque) tinha muito espaço, uma cadeira de Sérgio Rodrigues diferente da da varanda do Fasano do Rio, em frente da qual havia uma mesinha com o pêssego mais suculento que já comi na vida e uma tartelete de frutas vermelhas.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC05229.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-medium wp-image-796" title="DSC05229" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC05229-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>Em outra bancada, um vinho chileno também nos dava as boas vindas. O travesseiro podia ser escolhido entre uns 10 tipos existentes no Menu de Travesseiros. Pra não desperdiçar a oportunidade, meu marido escolheu um daqueles da Nasa pra ele e um de macela pra me ajudar a dormir. Até parece que isto seria necessário naquele ambiente de paz total! Adorei o closet cheio de compartimentos e o banheiro de ladrilhinhos brancos com grande pressão de água no chuveiro.</p>
<p>Os produtos da linha Santa Pele fizeram a diferença e foi a primeira vez que usei um vaso sanitário aquecido, com bidê embutido. Posso dizer que não achei um luxo desnecessário!</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC05267.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-medium wp-image-797" title="DSC05267" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC05267-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>O jornal também poderia ser escolhido. “Estadão, pra ler o Caderno 2 no domingo”, decretei. “Então, Estadão e Folha?” Perguntou o concierge. “Pode ser os dois?” “Quantos os senhores quiserem. Querem o Correio Braziliense?”, perguntou, vendo em nossa ficha que éramos de Brasília. “Não, o Correio não, por favor, já recebo este jornal todos os dias”, disse eu, querendo fugir das notícias de casa. Na Ilustrada de sábado, li tudo sobre o show do Lynird Skynird, a banda do sul dos Estados Unidos que fecharia a noite de domingo, após Duran e Peter Gabriel, enquanto tomávamos o café no quarto: café da cafeteira do próprio quarto e bagel com salmão defumado e cream cheese, bem americano. Mauro pediu um omelete que derretia na boca.</p>
<p>Na noite anterior, tínhamos desfrutado de outra das facilidades do hotel, por puro acaso. Sua localização. Minha amiga Daniela Mendes sugerira o Italy pra nos encontrarmos. Um italiano despretensioso, com ótimos preços, mas absolutamente delicioso e a dez metros do Emiliano, ali mesmo na Oscar Freire. Perfeito pra quem, como nós, enfrentara uma hora de engarrafamento desde Guarulhos (não desço em Congonhas desde o acidente com o avião da Tam, cuja culpa foi, claramente, do tamanho da pista do aeroporto central de São Paulo). E foi um jantar super agradável e divertido! Além deste casal de amigos da faculdade, outro casal formado por Eliane e Gabrielli (seu namorado siciliano que gosta de cozinhar e faria a crítica do Italy pra nós, segundo Eliane), além da minha irmã.</p>
<p>Embalado por minhas histórias pretéritas com o Duran Duran, Felipe (Patury), um dos meus melhores amigos no curso de Comunicação da UnB, relembrou histórias do arco-da-velha envolvendo nossa colega de curso Patrícia Melisa, que me acompanhara no primeiro show da banda em 1988 no Rio. As histórias daquela menina membro do Bacon (Barangas Americanizadas da Comunicação), que achava um absurdo os brasileiros não terem vídeo cassete em 1987, eram hilárias. Eu não me lembrava de nada daquilo e adorei ser lembrada por Felipe! Melhor ainda ficavam as histórias ao sabor de gigliotti com vôngoles dentro da concha (que por sua vez me remeteram à primeira vez que comi vôngole numa prainha abaixo de Palermo, como aproveitei pra tentar coltar em meu italiano macarrônico a Gabrielli) e talliateli nero com frutos do mar do Mauro a cerca de R$ 40 o prato. O amigo siciliano surpreendeu a todos pedindo um vinho brasileiro, Desejo, que ele descobrira há alguns anos na Bahia!</p>
<p><strong>Brunch de lua-de-mel<br />
</strong>A outra farra gastronômica comparecemos domingo, só nós dois, bem no clima de lua-de-mel que já nos envolvia. Foi o brunch perfeito do próprio Emiliano. Tínhamos apenas o tempo exato, não muito mais que isto, porque, depois do check out, teríamos que ir ao Shopping Butantã para pegar o carro alugado pra seguir para o SWU. Naquele salão delicioso rodeado por plantas nas paredes, um garçom super solícito que eu tive a sensação de conhecer de outro restaurante, começou nos trazendo blinis de salmão, palito de parmesão com fois gras e compota de maçã e tartare de atum com ratatuille de legumes. Uma explosão de sabores, tudo muito bom.</p>
<p>Como prato quente, Mauro pediu um omelete e eu um ravioli do dia com cogumelos e molho com manteiga trufada bem pronunciada. “Podem repetir o que quiserem até as 4 horas”, dizia animado o garçom. Não, infelizmente, era hora para a sobremesa. E não uma só: era um verdadeiro festival de doces: panacota diet ou normal com frutas vermelhas e chocolate branco (claro que optei pela normal), verrine de chocolate com morango (especial!); creme de manga com chocolate branco (soberbo!); mousse tricolor; macaroons de framboesa, chocolate e baunilhas e madeleines. Estes últimos perdemos devido à única falta de todo o serviço do hotel durante aqueles dois dias: o garçom boa praça se esqueceu de enviá-los ao quarto como nos havia prometido.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC05241.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-large wp-image-800" title="DSC05241" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC05241-1024x768.jpg" alt="" width="1024" height="768" /></a></p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC05240.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-large wp-image-801" title="DSC05240" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/12/DSC05240-1024x768.jpg" alt="" width="1024" height="768" /></a></p>
<p>O grande lance do serviço do Emiliano é sua invisibilidade: chegávamos da rua e havia um doce com um bilhetinho dizendo: espero que tenham gostado da estada. Nem sabíamos quem tinha deixado o mimo ali. Pedíamos pra trocar os tamanhos dos chinelos havaiana e, quando chegávamos, os novos números estavam ali, sem erro.</p>
<p>Pra completar o relaxamento antes de pegar a Bandeirantes em direção ao lamacento estacionamento do SWU, resolvemos desfrutar dos 15 minutos de massagem incluídos na diária do hotel. Acrescentamos 45 minutos por nossa conta. Depois da massagem, com uma moça que ficou conversando sobre rock comigo, afinal eu já estava totalmente no clima do festival, ficamos uma meia hora entre as duas Ufurôs- uma morna e uma quente- em uma sala envidraçada com vista para a Oscar Freire e os jardins em geral. Tudo muito lindo e nada de piscina naquele hotel super paulistano.</p>
<p><strong>Fernanda Montenegro e sua Simone de Beauvoir<br />
</strong>Sim, passeamos pela Oscar e dei uma passadinha na (sapataria) Sarah Shaforkian da Lorena em que costumo comprar um sapato a cada ano- além de conhecer a enorme loja da italiana Pucci no Shopping Cidade Jardim com minha irmã e minha fofa sobrinha Anita. Mas não comprei nada mais que um batom vermelho na Channel (o mesmo que a própria Coco usava, me garantiu o vendedor, falando francês a cada fim de frase). Já havia estourado meu orçamento em Brasília no último mês.</p>
<p>Resolvera, sim, ainda em casa, fazer uma coisa que terminamos adiando em nossas outras idas a São Paulo e que seria óbvia: ir ao teatro. Escolhi a peça em que Fernanda Montenegro interpreta, sozinha no palco, ninguém menos que a feminista Simone de Beauvoir, um dos grandes ídolos de minha mãe. Não poderia ter sido uma escolha mais feliz. Nos adiantamos e, quando chegamos ao teatro, eu, meu marido e minha irmã, percebi como o público é diversificado. Muitas pessoas com a cara das pessoas que conheci em 82, os intelectuais paulistas de classe média. Só perto do começo da peça, chegaram os ricos e peruas.</p>
<p>Num texto super intimista, confessional mesmo, uma Fernanda muito em forma começou contando a juventude de Simone na Paris da Segunda Guerra Mundial, suas primeiras experiências sexuais, como conheceu o escritor existencialista Jean Paul Sartre e como ele seria seu companheiro pelo resto da vida, de uma forma ou de outra. Lembrei-me muito de Fernanda Torres, filha de Montenegro, interpretando o texto de João Ubaldo Ribeiro sobre a Luxúria. Era como se a mãe tivesse querido fazer algo parecido com o que a filha fizera dez anos antes, só que a seu estilo, bem menos histriônico, e ainda assim com humor. Estava ali uma mulher de 80 anos falando das aventuras sexuais de outra mulher, absolutamente à frente do seu tempo. E não só das ideias libertárias que levaram ela e Sartre a experimentar o sexo grupal quando o filósofo já não sentia mais atração sexual pela esposa. Mas também de como o existencialismo -que depois se tornaria uma corrente filosófica- permeava o relacionamento dos dois com outro grande escritor, o argelino Albert Camus.</p>
<p>No fim da peça, quando Sartre morre, Simone/ Fernanda passa a contar a dificuldade que era viver sem a pessoa com quem dividiu toda uma vida. Era como se Fernanda falasse dela própria, que perdeu o marido, Fernando Torres, há alguns anos. Uma emoção genuína tomou conta do fim da peça, ao mesmo tempo em que uma sensação de completude em relação a tudo que São Paulo pode nos dar tomou conta do meu coração.</p>
<p><span style="color: #008000;"><strong>Serviço:</strong></span></p>
<p><span style="color: #008000;"><strong>Acrópoles. Rua da Graça, 346, Bom Retiro. Tel.: 3223.4386.</strong></span></p>
<p><span style="color: #008000;"><strong>Allez, Allez! Rua Wisard, 288, Vila Madalena. Tel.: 3032.3325.</strong></span></p>
<p><span style="color: #008000;"><strong>La Casserole. Largo do Arouche, 346, Vila Buarque. Tel.: 3221.2899.</strong></span></p>
<p><span style="color: #008000;"><strong>Maní. Rua Joaquim Antunes, 210. Jardim Paulistano. Tel.: 3085.4148.</strong></span></p>
<p><span style="color: #008000;"><strong>Boa Bistrô. Rua Padre João Manuel, 950, Cerqueira César. Tel.: 3082.5709.</strong></span></p>
<p><span style="color: #008000;"><strong>Carlota. Rua Sergipe, 753, Higienópolis. Tel.: 3661.8670.</strong></span></p>
<p><span style="color: #008000;"><strong>D.O.M., Rua Barão de Capanema, 549, Cerqueira César. Tel.: 3088.0761.</strong></span></p>
<p><span style="color: #008000;"><strong>Ganesh, Avenida Roque Petrone Júnior, 1089, Morumbi (Shopping Morumbi). Tel.: 5181.4748.</strong></span></p>
<p><span style="color: #008000;"><strong>Hotel Emiliano. Rua Oscar Freire, 384, esquina com Rua Cerqueira César. Tel.: 3069-4369.</strong></span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>O bom cinema está de volta a Brasília, enfim!</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Nov 2011 17:24:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mariana</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Oito salas abrem nesta sexta. Outras 50 estão a caminho.

Na sexta-feira, dia 9 de dezembro, os cinéfilos brasilienses vão finalmente poder parar de reclamar da falta de bons filmes nas telas da capital. Será aberto ao público o primeiro complexo de cinema do grupo Estação, o Espaço Itaú de cinema. As oito salas novinhas em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Oito salas abrem nesta sexta. Outras 50 estão a caminho.<br />
</em></strong></p>
<p>Na sexta-feira, dia 9 de dezembro, os cinéfilos brasilienses vão finalmente poder parar de reclamar da falta de bons filmes nas telas da capital. Será aberto ao público o primeiro complexo de cinema do grupo Estação, o Espaço Itaú de cinema. As oito salas novinhas em folha ocuparão o espaço onde antes existia a Rede Embracine, no Shopping Casa Park. A rede fechou as portas no ano passado, deixando o público órfão de produções cinematográficas mais artísticas, que não viessem de Hollywood ou do atual cinema comercial brasileiro.</p>
<p>Na terça-feira (29), convidados, especialmente do meio cinematográfico de Brasília, puderam conferir de perto as salas e o enorme e chiquérrimo hall que abrigará um lindo Café. “Nosso princípio é juntar cinema e arte na sua excelência”, garantiu o diretor-executivo do banco Itaú, Fernando Chacon, no único e rápido discurso da noite. “Este vai ser o piloto para as 58 salas que pretendemos abrir em Brasília”, informou ainda Chacon para o deleite de todos e a surpresa de alguns. Sabe-se que as três salas do Shopping Liberty Mall também estão sendo reformadas para ser ocupadas pelo grupo.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/001.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-large wp-image-752" title="001" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/001-1024x764.jpg" alt="" width="1024" height="764" /></a></p>
<p>Na festa de apresentação, a que Escritos do Ócio teve o prazer de estar presente, os convidados puderem assistir a um entre três dos filmes que entrarão em cartaz na semana que vem: “O Garoto da bicicleta”, dos irmãos franceses Luc e Jean-Pierre Dardernne, e vencedor do Grande Prêmio do Júri do Festival de Cannes 2011; “Minhas Tardes com Margeritte”, de Jean Becker, com Gérard Depardieu; e “Um Conto Chinês”, de Sebastián Borenstein, com Ricardo Darín. Mas antes, o grupo sinfônico Tocata interpretava trilhas sonoras clássicas, enquanto os convidados podiam se preparar para provar as salas tomando espumante e comendo blinis diversos, cappuccino de salmão, bolinhos de camarão, carnes de boi e carneiro. Isso num ambiente que já prometeria ser um sucesso só pelo seu visual super clean e moderno, intercalando vidro com mármore, mas ainda assim aconchegante. As grandes luzes embutidas no teto remetiam ao próprio cinema. Tudo bem mais arrojado do que as salas do Estação construídas nos anos 90 no Rio, em São Paulo e em Belo Horizonte.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/004.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-large wp-image-753" title="004" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/004-1024x764.jpg" alt="" width="1024" height="764" /></a></p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/005.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-large wp-image-754" title="005" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/005-1024x764.jpg" alt="" width="1024" height="764" /></a></p>
<p><strong>História<br />
</strong>Patrícia Durães, uma das sócias do empreendimento, tem longo know how no ramo dos cinemas alternativos no Brasil. Presente à festa de ontem, Patrícia é sócia-fundadora do Espaço Unibanco, está no grupo desde que foram abertas as primeiras salas, em uma galeria da Avenida Voluntários da Pátria, em Botafogo, nos idos de 1985. As três salinhas do Estação, que existem até hoje, <em>pegaram</em> de uma forma que, uma década depois os sócios tinham fôlego para abrir outras três, criando, assim o Espaço Unibanco de Cinema, ainda com o nome de Espaço Banco Nacional de Cinema. Maior e mais moderno, ele ficava logo ali, do outro lado da avenida, após a estação de metrô.</p>
<p>Em 1993, o Espaço chegou a São Paulo, me relembrou ontem Cláudia. E em 1998, Estação e Espaço resolveram se separar. Ademar Oliveira, o grande idealizador de tudo desde o início ficou à frente do Espaço e outras componentes do grupo inicial assumiram o Estação. Este último continuou responsável pela realização do Festival de Cinema do Rio, que rivaliza até hoje com o Festival Internacional de Cinema de São Paulo, aumentando o número de produções mostradas a cada ano. Um sucesso crescente que eu mesma cobri por três anos pelas TVs Bandeirantes e Educativa e a que assisti por outros quatro, comprando bolos de ingressos com antecedência para conseguir ver os inéditos de Woody Allen, Almodóvar (naquela época valia a pena!), Godard, Antonioni&#8230; e os ganhadores de Cannes e Berlim do mesmo ano, e Veneza do ano anterior. Nos anos em que fui redatora do programa Cineview, da Rede Telecine (2000 a 2002), fazíamos as matérias dos filmes passados em Cannes, coberto por nossos repórteres anualmente in loco e, meses depois, podíamos assistí-los  na íntegra no Festival do Rio. Era especial!</p>
<p><strong>Um belo conto chinês<br />
</strong>É com toda esta aura de sucesso e realizações que o grupo Estação chega a Brasília. Na sexta-feira, serão anunciados os primeiros filmes a estrear nas novas telas. Já posso indicar o que escolhemos para ver ontem: “Um Conto Chinês”, uma história sensível sobre o relacionamento entre um argentino solitário e cheio de manias e um jovem chinês que resolve se exilar no País sul-americano após passar por um trauma.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/007.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-large wp-image-757" title="007" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/007-1024x764.jpg" alt="" width="1024" height="764" /></a></p>
<p>Ricardo Darín dá show novamente, em um papel bem diferente daqueles em que estamos acostumados a vê-lo. Seu vendedor é quase bronco e vai sendo surpreendido pela capacidade de se envolver por aquele rapaz que chegou para atrapalhar sua repetitiva rotina. No começo, podemos até nos enganar confundindo o filme com uma comédia hollywoodiana. Há até uma virada totalmente previsível. Mas é nos detalhes que “Um conto chinês” mostra suas cores e sua beleza.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/0161.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-medium wp-image-759" title="016" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/0161-300x224.jpg" alt="" width="300" height="224" /></a></p>
<p>Nada mal assistir a um ótimo argentino sentada naquela sala de cinema cheirando a nova, com um bom espaço para as pernas, comendo pipoca e tomando espumante. Com o lencinho de avião distribuído pela produção pra limpar o couro da poltrona e não estragar a festa do público na semana que vem.</p>
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		<title>Um Beatle em Brasília</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Nov 2011 12:07:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mariana</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Um Beatle está em Brasília, e pela primeira vez! Paul McCartney já passou com turnês pelo Brasil duas vezes, inclusive neste ano, como o ex-companheiro de banda, e nos anos 80, quando o assisti no Maracanã, emocionadíssima. Pois há uma semana, os brasilienses poderiam ver um Beatle, um integrante da banda que mudou o rock [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: medium;">Um Beatle está em Brasília, e pela primeira vez! Paul McCartney já passou com turnês pelo Brasil duas vezes, inclusive neste ano, como o ex-companheiro de banda, e nos anos 80, quando o assisti no Maracanã, emocionadíssima. Pois há uma semana, os brasilienses poderiam ver um Beatle, um integrante da banda que mudou o rock and roll, sem cuja existência muitos grupos que vieram depois não teriam sido os mesmos. Era só nisso que eu pensava. </span></p>
<p> <span style="font-size: medium;">O clima no foyer do Centro de Convenções Ulysses Guimarães era diferentes do de todos os outros shows a que eu havia ido ali- e olha que fui a muitos do ano passado pra cá. Era um clima de reencontro e celebração entre cinquentões e, principalmente, sessentões e setentões. A alegria entre os amigos que se encontravam por acaso chegava a ser contagiante. Tapinhas nas costas se misturavam com gritos e fotos dos grupos vestidos de camisas de botão e jeans, mas também com camisetas pretas, algumas com a inscrição estilizada <em>Beatles</em>. Via-se que eram pessoas que não frequentavam concertos de rock regularmente. Aquele era um momento especial. </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Dentro da sala de concertos, muita gente, inclusive os mais jovens, tirava fotos com o palco atrás, sem ninguém em cima. Seria uma lembrança para se guardar pra sempre. Minha companhia durante a espera, já que a amiga que iria comigo estava atrasada, não era das mais agradáveis: o ex-senador cassado Luís Estêvam, sua mulher e uma penca de filhos, aguardavam na maior alegria pelo show. Já estou acostumada a esbarrar com esta figura de Brasília, ele frequenta a mesma pizzaria a que costumávamos ir e, como nós, todos os domingos por volta das 20 horas. Uma praga!</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Com apenas dez minutos de atraso, a All Star Band sobe ao palco seguida por Ringo Starr. O público vai ao delírio enquanto o baterista dos Beatles, em pé e sem instrumento, começa a cantar “It don&#8217;t come easy”, uma parceria dele com George Harrison, feita já durante a carreira solo de ambos. Dançando como na época da New Wave, pra um lado e pro outro, Ringo não parece nem de perto ter os 71 anos que tem, no máximo uns 56. Super magro e de barba, mistura calça preta com uma listra de cetim ao longo das pernas com camiseta escura e um blazer com golas brilhantes. A All Star Band, formada por ele desde o final dos Beatles, é uma mistura de músicos americanos e ingleses, a maioria da mesma geração de Ringo, e muitos deles saídos de bandas que foram famosas nas décadas passadas. Não tanto quanto os Beatles, claro, mas famosas. Desta vez a formação é a seguinte: Wally Palmer, Rick Derringer, Edgar Winter, Gary Wright, Richar Page, Mark Rivera e Gregg Bissonette. Baixo, duas baterias (sim, Ringo Star divide a bateria com outro músico!), duas guitarras, um teclado e um saxofone. </span></p>
<p> <a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/ringo.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-full wp-image-742" title="ringo" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/ringo.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p>“<span style="font-size: medium;">Thank you, how great to be here”, diz Ringo, sem fazer nenhuma concessão ao português como já é uma praxe entre os músicos gringos que aportam por terras brasileiras. “This is the only place called Brasíiiiiilia-Brazil”, it&#8217;s a great place if you can find it”, brinca ele, sem conseguir arrancar muitas risadas da plateia. Começava ali a série enorme de gracinhas que o mais sortudo dos Beatles faria ao longo das cerca de duas horas de show. Sortudo porque Ringo encontrou os Beatles, já Beatles em uma excursão que faziam a Hamburgo, Alemanha, no início da carreira. Pete Best, o primeiro baterista da banda formada por Paul e John, resolvera sair da banda. Estava mais interessado em uma namorada e na pintura, suas verdadeiras paixões. Ringo, na verdade Richard Starkey Jr., um músico apenas mediano, assumiu a batera. Não era um exímio baterista, mas quem disse que os outros Beatles o eram? Como instrumentistas, John e Paul eram ótimos, excepcionais eu diria, letristas e compositores de melodias. E George foi o responsável pela introdução das sonoridades asiáticas na música dos Beatles. Por uma verdadeira revolução na música do quarteto. É só ouvir o “Sgt. Peppers”, pra mim um divisor de águas na obra deles, pra perceber a influência da viagem à Índia à qual George Harrison levou os três colegas.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><strong>Beatles </strong></span></p>
<p>“<span style="font-size: medium;">Honey don&#8217;t” é a próxima música do show e a primeira dos Beatles. Uma canção gravada no álbum “Beatles for Sale” de 1964. É uma verdadeira volta àquele ano: feche os olhos e você verá o quarteto de Liverpool vestido em terninhos, com os famosos cabelos em forma de cuia. </span></p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/beatles.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-full wp-image-744" title="beatles" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/beatles.jpg" alt="" width="480" height="480" /></a><span style="font-size: medium;">“So, are you ready to have a good time?” pergunta Ringo. Quando o público aplaude animadíssimo, ele solta: “Yes, I am the greatest!”. Provavelmente uma brincadeira com a máxima de John Lennon que um dia disse que os Beatles eram mais populares que Jesus Cristo. “I love you, I love you, I love you”, diz o baterista apontando para uma, outra e outra pessoa da plateia. Na terceira música, um presságio de outra fase dos Beatles, ele cita “The long and winding road”, tocando um trecho dela no meio da canção.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Finalmente, Ringo abandona os passinhos New Wave e vai para a bateria where he belongs. Começa “Super hang out”, o clássico do The McCoys, conhecido no Brasil pela versão da Jovem Guarda “Pobre Menina (não tem ninguém)”. Muuuito legal! É que um dos McCoys , Rick Derringer,faz parte da All Star Band. O mais sessentista de seus integrantes. “Everybody is a star tonight”, diz Ringo, acrescentando que todos os colegas de palco vieram de alguma banda importante. </span></p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/all-star-band.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-full wp-image-743" title="all star band" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/all-star-band.jpg" alt="" width="450" height="137" /></a></p>
<p> “<span style="font-size: medium;">Talking in your sleep” dá início ao outro lado do show daquela noite: o lado oitentista. Ingleses de bandas dos anos oitenta, em sua maior parte responsáveis por um hit e nada mais conhecido (as one hit bands), estão em profusão na All Star. Wally Palmar era do The Romantics. </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">E chega mais um momento super aguardado. “Vou fazer agora um número para as moças, para alguns rapazes também”, anuncia o maroto Ringo. E começa “I wanna be your man”. Esqueça os solos de guitarra que dão uma roupagem “moderna” à música e você se sentirá um beatlemaníaco. Senti isto há pouco mais de vinte anos no Maracanã, com Paul McCartney, e voltei a sentir na semana passada. É inútil tentar descrever a emoção de ouvir um Beatle tocando Beatles na sua frente. Para qualquer fã de rock. E foi por isso que não pensei duas vezes em pagar R$ 450 para ver Ringo Star em um teatro a vinte metros de mim. </span></p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/ringo-na-bateria.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-full wp-image-745" title="SHOW/RINGO STARR/RS" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/ringo-na-bateria.jpg" alt="" width="900" height="598" /></a></p>
<p> <span style="font-size: medium;">Enquanto o bruxo com cara de Papai Noel Edgar Winter se reveza entre o sax, o teclado, o sintetizador e a percussão, Gary Wright começa o seu solo. “Boa Noite, amigos de Brasília! Tudo bem?”. E começa a tocar “Dream River”, uma balada escrita após uma viagem que fez com George Harrison para a Índia. Wright participou do álbum “All things must pass” do ex-guitarrista dos Beatles. </span></p>
<p> <span style="font-size: medium;"><strong>Miscelânea<br />
</strong></span><span style="font-size: medium;">O show é uma mélange total. Tem estilos completamente diferentes entre si, parece mais uma série de shows solo de cada um dos integrantes, mostrando músicas de suas carreiras passadas. O bom é que as canções não são ruins e a banda, além de qualidade musical, tem intensidade, são muitos instrumentos tocando juntos. Um dos pontos altos é “Broken Wings”, uma bela balada da segunda metade dos anos 80 do grupo Mr. Mister. Richard Page é o representante da banda na All Star. Nada a ver com o que se espera de uma apresentação de Ringo, mas este é um bom momento do show. Na verdade tem algo de surreal. Quem imaginaria que Ringo Starr um dia tocaria bateria para o cara do Mr. Mister, típica one hit band, enquanto ele canta seu único sucesso? </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Ringo nos lembra que, apesar da miscelânea, está no comando, ao cantar uma canção do disco lançado no ano passado, “Why Not?”. É a sugestiva “The Other Side of Liverpool”, em que ele começa, em tom confessional: “minha mãe era uma enfermeira&#8230;”. Boa música! </span></p>
<p> <span style="font-size: medium;">Um soul separa a lembrança da Liverpool que nos deu os Beatles do momento mais esperado da noite. É aquela música que John e Paul compuseram pensando no vozeirão de Ringo. A canção que embalou a infância de muitos quarentões como eu e que embala até hoje. “Are you ready to sing?”, pergunta ele. “I like to play this song every night, everybody enjoys it”, diz Ringo. “É um momento musical incrível e eu sou o outro incrível momento”, diz ele, brincando com a própria fama. Começa “Yellow Submarine”, gravada originalmente no álbum Revolver, em 1966, e eu me chateio por não ter levado meu filho de três anos ao show, especialmente para aquele “magical moment”. Yellow Submarine foi a primeira música cujo refrão João cantou em inglês, aos dois anos. Mostrei a ele parte do filme homônimo no youtube, mas só a parte desta música, não o longa-metragem inteiro, que tem partes violentas. Recomendo aos pais, com esta parcimônia, porque os desenhos são muito bem feitos e coloridíssimos. </span></p>
<p> <a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/yellow-submarine1.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-full wp-image-746" title="yellow-submarine1" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/yellow-submarine1.jpg" alt="" width="810" height="708" /></a></p>
<p><span style="font-size: medium;">Após longos solos dos stars da banda, Ringo volta ao palco. É impressionante como todo o público se levanta quando ele reaparece, quase uma reverência. “Boys”, uma canção menos famosa dos Beatles, é a escolhida por Ringo. “One of my favourites”, diz ele. </span></p>
<p>“<span style="font-size: medium;">Umas pessoas estão pedindo: &#8216;please, Ringo, sing “Photograph””, diz o músico, se referindo a outra canção da antiga banda. E eles tocam a linda “Photograph” que, na verdade, já estava no roteiro. “Act Naturally”, outra do quarteto, do álbum “Help!”, de 1965, vem em seguida. É um country e todos cantam. E o momento Beatle não terminou. “Do you need anybody? I want somebody to love!”, canta Ringo, no momento mais emocionante de todo o show, mais ainda do que o submarino amarelo. “A little help from my friends” me remete diretamente à São Paulo de 1982, em que morávamos, e quando os Beatles começaram a tocar fundo os nossos corações, meu e da minha irmã. Naquela época, compramos a coletânea vermelha, a que tem os sucessos mais antigos, que se completa com a coletânea azul, com as músicas mais viajantes da segunda metade da carreira do grupo, no fim dos anos 60. Durante aquela música, Ringo ria e eu chorava. </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">E pra aumentar a emoção, no finzinho do show, o pacifista Ringo Starr, com sua banda formada por alguns ex-hippies, cita o mais pacifista de todos: John Lennon. “All we are saying, is give peace a chance&#8230;”. E os músicos saem do palco deixando a velha mensagem de Paz e Amor, mostrando que um idealista pode ser sempre um idealista. Ringo levanta a mão e faz o sinal de paz e amor com o indicador e o dedo do meio, uma marca registrada sua desde os primórdios. O sinal que havia sido repetido por ele e pelos fãs durante todo o show. Um pouco do espírito hippie nos individualistas dias atuais nunca é demais!</span></p>
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		<title>O dia em que falei com David Lynch sobre meditação</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Nov 2011 17:18:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mariana</dc:creator>
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		<description><![CDATA[“Sim! Claro! As crianças brasileiras das escolas públicas regulares podem, sim, se beneficiar da meditação em sala de aula. Elas são seres humanos, todo ser humano se beneficia”. Assim respondeu David Lynch a uma pergunta que fiz a ele ontem sobre a viabilidade da meditação na rede pública brasileira. O cineasta, ganhador de três Oscar, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>“Sim! Claro! As crianças brasileiras das escolas públicas regulares podem, sim, se beneficiar da meditação em sala de aula. Elas são seres humanos, todo ser humano se beneficia”. Assim respondeu David Lynch a uma pergunta que fiz a ele ontem sobre a viabilidade da meditação na rede pública brasileira. O cineasta, ganhador de três Oscar, participava ao vivo, por vídeo-conferência, de Hollywood, onde mora, do Seminário Internacional sobre a Meditação Transcendental e a Educação. O encontro foi promovido pela Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados e pela Frente Parlamentar Mista da Educação do Congresso Nacional, bem ali, pertinho do meu local de trabalho, no Auditório da TV Câmara.</p>
<p>Quando vi as informações na segunda-feira, corri para transformá-las em pauta antes que alguém a apagasse por achá-la “idiota”. É, tem gente no meu trabalho que acha meditação idiota, se for pra melhorar o aprendizado, então&#8230; Uma colega, estagiária, a Marcela Picanço, pediu a uma chefe de bom senso para cobrir o evento, que seria fora do meu horário de trabalho, se não, eu mesma teria me oferecido. Imagine, o criador da obra prima “O Homem-Elefante”, de viagens interessantíssimas como “Coração Selvagem” (nossa, ele dirigiu Nicolas Cage quando este só fazia filmes que prestavam! Ou seja, há muuuito tempo! Vejam foto do filme abaixo), “Veludo Azul” (pelo qual me interessei mais há algumas semanas, revendo vinte anos depois da primeira vez), e o fantástico e surrealista “Cidade dos sonhos”! Claro que seria uma bela oportunidade! Cinema encontra meditação, outra de minhas paixões. Melhor ainda!</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/wildatheart2.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-full wp-image-732" title="wildatheart2" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/wildatheart2.jpg" alt="" width="460" height="320" /></a></p>
<p>Pois é, este autor de obras meio loucas, com fortes doses de violência física e, principalmente, psicológica, e com personagens tirados do universo onírico também se interessa por meditação, mais especificamente, pela meditação transcendental. Esta linha é aquela que foi introduzida em 1958 pelo guia espiritual indiano Maharishi Mahesh Yogi (foto abaixo), envolvendo o uso mental de sons específicos, com propriedades psicoativas, os chamados mantras.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/Maharishi2.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-full wp-image-733" title="Maharishi2" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/Maharishi2.jpg" alt="" width="580" height="285" /></a></p>
<p>Eu que pratico canto e meditação da linhagem de Syddha Yoga há quase dez anos, sei que a meditação com base em mantras já existia na Índia, porém, há milênios, claro. A repetição infindável de mantras faz com que a pessoa consiga ir se desligando dos pensamentos que inundam sua mente o tempo todo e passe a um nível de relaxamento crescente.</p>
<p>Mais importante do que as características específicas da meditação transcendental em relação a outras linhas como a que eu pratico, é que a linha iniciada por Maharishi está sendo utilizada na educação, e melhor, na educação pública, para meninos e meninas a partir de 10 anos. David Lynch criou uma Fundação especificamente para divulgar o uso da Meditação Transcendental nas escolas do mundo todo. Mais de 250 mil crianças já têm acesso à meditação transcendental em suas escolas. O criador da intrincada trama do seriado Twin Peaks é, quem diria, um dos grandes divulgadores desta prática no mundo.</p>
<p>“É fácil perceber a diferença entre os alunos que praticaram a meditação e os de outras escolas”, continuou Lynch.  “As crianças estão cheias de estresse, cansadas, não dormem direito. Aí são inundadas por um oceano de energia. Elas vão poder dormir, a capacidade de se concentrar aumenta, a motivação volta”, disse um entusiasmado Lynch.</p>
<p><strong>Inteligência criativa<br />
</strong>Duas outras pessoas fizeram perguntas depois de mim. Não tive tempo de pensar e estava muito focada na questão das crianças, mas não teria sido óbvio perguntar se Bobby Peru de “Coração Selvagem” ou os anões, vilões (como o conturbado personagem de Dennis Hopper em “Veludo Azul) e detetives intrigantes de outros dos filmes de David Lynch foram imaginados enquanto ele meditava?  Eu mesmo, quando entro em meditação, o momento de maior tranquilidade mental que se pode alcançar, tenho, às vezes, ideias mais inteligentes do que no dia a dia agitado. Elementar: a mente está descansada.</p>
<p>“É a inteligência criativa”, já tinha dito Lynch, dando pistas de que minhas suspeitas sobre a meditação e o seu processo criativo estavam certas. “É sempre assim, as pessoas dizem: ‘estou mais criativo e aumentou minha capacidade de resolver problemas’”.</p>
<p><strong>“Onde está toda aquela raiva?”<br />
</strong>Para ele, a técnica, além da diminuir a violência entre os estudantes, deixando-os mais calmos, tem como consequência levar as pessoas ficarem mais felizes e com maior capacidade de se focarem em algo, distinguindo problemas pequenos dos grandes. “Eu tinha muita raiva, dentro de mim, tensão e preocupação, como todo mundo”, confidenciou Lynch (foto abaixo). “Depois da meditação, minha mulher me perguntava: ‘onde está toda aquela raiva, o que aconteceu?’”, contou o cineasta. “Ora, minha raiva foi embora naturalmente, é isto que acontece. Foi lindo”, contou ele, da mesma forma que fez no documentário 2012, a que assisti há cerca de um mês na mostra de filmes do CCBB passados no Cine Brasília. A negatividade não traz criatividade”, concluiu.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/david-lynch.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-full wp-image-734" title="david-lynch" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/david-lynch.jpg" alt="" width="470" height="341" /></a></p>
<p><strong>Os melhores desempenhos escolares</strong><br />
Antes de David Lynch, havia falado no Seminário o diretor de Expansão da Maharishi Free School, da Inglaterra, Richard Scott. Sua explanação foi surpreendente. Mostrando gráficos, ele explicou que a instituição, que tem como cultura aplicar a meditação transcendental para alunos e professores, está entre os 2% melhores escolas do Reino Unido, onde os alunos têm  melhor desempenho. A meditação faz toda a diferença na capacidade dos alunos para apreender o conteúdo das matérias. “Os alunos são mais criativos, têm maior capacidade de trabalhar em grupo e de resolver problemas por causa da técnica praticada duas vezes ao dia, por 20 minutos”, afirmou Scott, ele mesmo muito calmo. “Uma vez implantada a prática da meditação transcendental, a educação em qualquer país pode ser mais efetiva”, concluiu Scott.</p>
<p>O deputado Alex Canziani (PTB-PR), que tomou a iniciativa de promover o seminário, e ele mesmo um <em>meditante</em>, pretende expandir a cultura da meditação transcendental nas escolas brasileiras, como uma contribuição de aprendizagem para os estudantes e para as futuras gerações, como apurou Marcela para sua matéria.</p>
<p>O diretor da Fundação David Lynch no Brasil, Joan Roura, primeiro a falar no seminário, comparou a mente humana com o oceano. A superfície do mar, com toda a sua agitação, seria a parte consciente; o subconsciente corresponderia à parte central do Oceano e, por meio da meditação, as pessoas iriam chegar à quietude da mente, como no calmo fundo do mar. Segundo ele, a meditação reduz a substância cortisonoplasma, diminuindo, assim, o estresse. “A meditação diminui o estresse, a ansiedade e a depressão. Funciona muito bem na melhora do déficit de atenção e ajuda a prevenir o uso das drogas”, acrescentou ainda Roura.</p>
<p>Alguém ainda tem dúvida dos benefícios que esta prática pode trazer para as crianças brasileiras? Imagine a meditação universalizada no ensino público do nosso País. “Seria o melhor presente que vocês poderiam dar a suas crianças”, garante David Lynch.</p>
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		<title>Duran Duran 24 anos depois! E SWU, Woodstock ao avesso.</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Nov 2011 14:22:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mariana</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Depois de andar um quilômetro desde o estacionamento de R$ 100, eu e meu marido fomos barrados na entrada no Festival SWU por causa do meu guarda-chuva. “O guarda-chuva pode ser usado como uma arma”, disse um dos organizadores da entrada, acrescentando para aumentar o meu ódio: “Acho que a senhora não costuma frequentar shows”. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Depois de andar um quilômetro desde o estacionamento de R$ 100, eu e meu marido fomos barrados na entrada no Festival SWU por causa do meu guarda-chuva. “O guarda-chuva pode ser usado como uma arma”, disse um dos organizadores da entrada, acrescentando para aumentar o meu ódio: “Acho que a senhora não costuma frequentar shows”. Logo pra mim que vou a shows desde os 16 anos, 7 anos se contar um do Gilberto Gil a que fomos levados por nossos pais na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, em Salvador, em 1975. Bem, depois de muito choro, Mauro teve que voltar para o carro, pra guardar o objeto (que afinal é italiano e custava R$ 80) andando mais dois quilômetros, inda e volta. Meu desespero veio quase uma hora depois quando, mesmo ouvindo e vendo de longe o show do Ultraje a Rigor (taí o primeiro show a que fui aos 16 anos), e sem celular, não conseguia encontrar meu marido novamente.</p>
<p>Fui salva por um dos organizadores, este com boa vontade, que ligou pra Mauro do celular dele e, diante da minha revolta, nos deu duas pulseirinhas para o enorme espaço Vip, com vista privilegiada para os dois palcos principais, fora whisky, cerveja, entradinhas e até alguns pratos de massa. Vips mesmo não vi nenhum, a não ser a Cristiana Oliveira e aquela Cíntia Benini. Também quem era o vip que iria topar tamanha aventura? Pros mortais ricos, o ingresso Vip custava R$ 900. Finalmente Mauro apareceu. Estava esperando entre a tenda vip (local marcado pro encontro) e o palco. Fiquei na entrada da tenda, oras! Eu, na TPM, jurava que ele tinha sofrido algum colapso de tanto andar. Descobri depois que o tal anjo salvador era Eduardo Fischer, o publicitário ban ban ban responsável pelo evento. Um cara fino.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/SWU-estrutura.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-full wp-image-716" title="SWU- estrutura" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/SWU-estrutura.jpg" alt="" width="615" height="300" /></a></p>
<p>Instalado numa área rural, nos arredores da cidade de Paulínea (a 20 kms de Campinas, SP), o SWU me pareceu uma espécie de Woodstock às avessas. Os ingressos têm preços de shows nas capitais, o estacionamento é extorsivo (se houver mais de três pessoas no carro se paga a metade a pretexto de se estar emitindo menos CO2). Chris Cornel, os caras do Duran, Peter Gabriel, todos deixaram claro que estavam ali por causa da mensagem ecológica do festival. Mas a classe média paulista e o público que lotou os hotéis vindo de outras cidades como nós, não parecia estar nem aí pras preocupações com a futura falta d&#8217;água pros seus filhos e netos: queriam era ver seus ídolos, queriam a aventura de um festival no meio do nada. Ou quase. É exatamente naquele espaço, aliás bonito e bem planejado, que acontece um dos festivais de cinema mais importantes do País, o Festival de Paulínea.</p>
<p><strong>Autógrafos e John Taylor na piscina</strong><br />
Enfim eu poderia, após 24 anos, rever a banda pop de que mais gosto no mundo: o Duran Duran. Ainda estávamos no espaço Vip quando ouvimos as primeiras notas de teclado, aquele teclado tão marcante nas bandas pop dos anos 80. Era Nick Rhodes, mais louro do que nunca e com um longo casaco de paetês pretos, seríssimo como nos velhos tempos! Simon Le Bon entrou em seguida cantando a linda “Planet Earth”, bem no espírito do SWU, do primeiro disco da banda (Duran Duran, 1981)e que nem sempre faz parte das set lists da banda. Logo vi John Taylor, um dos rostos mais lindos do planeta Terra nos idos de 1983, e até o baterista Roger Taylor, o primeiro a deixar a banda, ainda nos anos 90. Começava ali uma autêntica e absolutamente emocionante volta no tempo.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/Com-John.bmp" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-full wp-image-717" title="Com John" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/Com-John.bmp" alt="" /></a></p>
<p>Em 1988, eu viajara para o Rio, 18 horas de ônibus sozinha, para vê-la e algumas outras bandas como Supertramp e Simple Minds, na primeira edição da retomada do Hollywood Rock (ver post Tears for Fears, aqui no blog). E conseguimos mais que isso: eu e minha colega de faculdade Patrícia Melisa lançamos mão de um plano para tentar conseguir falar de perto com nossos ídolos. Eu gostava do Duran desde Save a Prayer, de 82, como todo fã que se preze, e a admiração aumentou quando morei nos Estados Unidos em 1985 e minha “irmã americana” Jenny era absolutamente apaixonada pela banda e, especialmente, pelo baixista, John Taylor. Recortes dele em revistas dividiam as paredes de seu quarto com Rob Lowe e um dos integrantes do Mötley Crue, Nikki Six ou Tommy Lee, não tenho certeza.</p>
<p>Patrícia e eu nos arrumamos bem e chegamos à recepção do Copacabana Palace nervosas, mas confiantes. Ultrapassamos uma horda de fãs que gritavam desesperadamente os nomes de John, Simon e companhia (na época havia também Andy Taylor, guitarrista, o único da formação original que não está na banda no momento). Da banda mais charmosa dos anos 80. Dissemos, em inglês, que iríamos tomar um café na pérgola do hotel, bem em frente à enorme e famosa piscina. Lembro-me que eu mesma, aos 19 anos, não acreditada que os funcionários iriam comprar que aquelas duas meninas de 19 anos, travestidas de adultas americanas, estavam ali realmente pra tomar um café. Mas acreditaram. Jenny tinha que estar ali conosco, eu pensava. Ela merecia. Havia inclusive escrito a letra de Save a prayer pra mim quando meu inglês ainda era muito fraco pra entender sem ler. É uma linda letra. De repente, vemos um homem altíssimo, branco quase transparente, magérrimo, de sunga preta, andando pela borda da piscina. Custamos a acreditar, mas era John Taylor. Ali, na nossa frente, andando seminu, um dos maiores ídolos de nossa adolescência!</p>
<p>Deve ter se passado uma hora do início do desfile de John, que me decepcionara levemente por ser tão desengonçado, até toda a banda aparecer no corredor que leva ao lobby do hotel. Não me lembro como descobrimos que eles estavam descendo. Mas, café de R$ 20 (naquela época uma fortuna!) tomado e agendas da Cantão na mão, fomos ao encontro deles. E os encontramos. Fingindo que não estávamos nem aí, perguntamos o que eles estavam achando do Rio de Janeiro. Simon, muito simpático como sempre, respondeu que estava gostando, para a alegria total de Patrícia que era quase tão apaixonada por ele quanto eu era por Sting. Enfim, travamos um pequeno diálogo com eles enquanto os cinco nos davam seus autógrafos (foto deles naquela época, abaixo). Antes de eles enfrentarem a horda de fãs gritantes lá fora (que não tinham a nossa esperteza, pensávamos orgulhosas) para pegar o carro que os levaria para dar uma volta pela Cidade Maravilhosa.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/Duran-antigamente.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-full wp-image-718" title="Duran antigamente" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/Duran-antigamente.jpg" alt="" width="454" height="307" /></a></p>
<p>Tudo isso me vinha à mente enquanto eu ouvia Planet Earth há dois dias. Ao ver o velho vocalista do Duran, pensava em como ele melhorou com o passar dos anos. Os cabelos estão castanhos, o cavanhaque disfarça o rosto redondo. Ainda estão lá os olhos super azuis, claro. Estes comentários são necessários quando se fala em uma banda dândi. Nick e Simon, principalmente, sempre se vestiram muito elegantemente. Ingleses. John com sobretudos. Roger mais esportivo como com a jaqueta de couro com listras vermelhas que vestia anteontem.</p>
<p><strong>Paris<br />
</strong>Com calça jeans e uma camisa com estampa de cobra brilhante, Simon começa a tocar uma (boa) música nova, “Safe”. Aliás, depois eu descobriria como é bom o novo disco do Duran, &#8220;All you need is now&#8221;, de 2011, que recebeu críticas muito boas. São ótimas faixas pop que não nos saem da cabeça e baladas que lembram &#8220;Save a Prayer&#8221; tamanha a beleza das melodias.</p>
<p>Voltando ao show, além de um guitarrista de uns 30 anos substituindo Andy, há ainda uma cantora negra e também uma mulher na percussão. As músicas novas e mesmo algumas antigas têm uma roupagem bastante dance, algumas até eletrônicas. Eles podem, sempre foram pop, sempre abusaram dos teclados. Depois veio “A view to a kill”, que me remete exatamente à Paris de 1985. O vídeo clip da música, tema daquele 007 que tem Grace Jones, foi filmado na Torre Eifel. Como minha mãe fazia doutorado em Paris, eu fui direto pra lá do meu intercâmbio em Michigan, passar o resto do verão europeu que me cabia. E, na Torre Eifel, minha maior referência era o vídeo, eu ficava imitando os Durans atirando com os visores que miravam a capital francesa. É, o Duran me traz lembranças muito diversas&#8230;</p>
<p>“Notorious” vem em seguida, esquentando a plateia. Simon, animadíssimo, pergunta ao baixista: “Johnny (adoreeei Johnny! Kkk!), what are we gonna do to get everybody singing?” John faz aquela cara de concordância, abre o famoso sorriso e continua sua dança ao tocar baixo, igualzinha à que enlouquecia todas nós 30 anos atrás. Simon desce pra plateia, uma plateia muito menor do que à que eles estão acostumados, inclusive no Brasil. Ele escolhe um menino da plateia que cantará o marcante “Na na na na, na na na na”, e começa “The Reflex”, com certeza a música mais conhecida do Duran após  &#8220;Save a Prayer&#8221;. A blast! A esta altura já estamos a 30 metros do palco e eu agradeço por ter ido a este show longínquo porque só ali, a mais de 150 quilômetros de São Paulo, se poderia ver uma banda desta dimensão tão de perto!</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/Simon-Le-bon-show.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-full wp-image-719" title="Simon Le bon- show" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/Simon-Le-bon-show.jpg" alt="" width="619" height="464" /></a></p>
<p><strong>Público jovem<br />
</strong>Começa “Ordinary World”, uma balada já dos anos 90 e percebo como o público que está ali é em sua maioria formado de jovens entre 25 e 35 anos. “Hungry like the wolf!”, grita uma menina que não deve ter mais de 24. “Não sei não&#8230;”, digo eu, descrente. Mas sim, após mais uma canção do disco novo, super elogiado pela crítica, vem uma série de sucessos do segundo disco da banda, Rio, de 1982, que tem &#8220;Save a Prayer&#8221;, &#8220;Rio&#8221; e &#8220;Hungry like the wolf&#8221;, que seria reeditada no ao vivo &#8220;Arena&#8221;, de 1984. “Hungry like the wolf” sim! “Wild Boys”, uhhh!, já é o primeiro bizz.</p>
<p>Karina, professora de inglês de 31 anos, que sabe várias letras, tira minha dúvida. Ela não é da geração dos 80, então por que gosta tanto do Duran, a ponto de gritar? “Meus irmãos mais velhos gostam e minha mãe ouvia quando eu era pequena. Ensino algumas das músicas (mais as baladas) a meus alunos. Eles acham meio estranho”, me diz, afirmando orgulhosa que veio de Taubaté com a amiga da mesma idade, especialmente para ver o Duran. A amiga diz que gostaria de ouvir “Rio”. Eu concordo, se tocarem “Rio”, pra mim também, o show estará completo.</p>
<p>E em poucos segundos começa&#8230; “Rio”. Aquela melodia linda, aquele saxofone- sim, há também um saxofonista no palco- que lembra o vídeo em que os músicos do Duran estão em um barco e John finge tocar o sax ali mesmo. No show, John ri olhando para o saxofonista, parecendo se lembrar que aquela função um dia foi sua. “Tchu, tchu, tchu, ru, tchu, ru. Tchu, tchu, tchu ru tchu ru&#8230;”. “Her name is Rio and she dances on the sand, just like that river twisting through the dusty land”. Me apercebo do quanto sei as letras das canções do Duran. Será que tanto quanto as do Police? Talvez. Pronto, Rio estava tocada. Minha alma estava lavada!</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/Simon-e-John-cantando.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-full wp-image-720" title="Simon e John- cantando" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/Simon-e-John-cantando.jpg" alt="" width="490" height="320" /></a></p>
<p>O público esperou “Save a Prayer”. Eu acreditava em um novo bizz, afinal é um hit tão importante que tem gente quem nem sabe o que é Duran Duran, mas o ouve no rádio até hoje. Mas eles foram ousados. Fizeram um show de sucessos excluindo o maior deles. Bem, eu? Eu estava satisfeitíssima! Claro que amo “Save&#8230;”, me lembra momentos ainda mais longínquos, dançado de rosto colado com meu namorado de adolescência&#8230; Mas eu já a havia ouvido em 1988. Estava feliz, muuuuito feliz! Era hora de descansar no espaço Vip.</p>
<p><strong>Peter Gabriel<br />
</strong>No outro palco, alguns minutos depois Peter Gabriel começou seu show. O que esperar de Peter Gabriel? Eu já o havia visto também em 1988, no segundo semestre, no Parque Antártica, São Paulo, no Concerto da Anistia Internacional, do qual tive a sorte de participar da entrevista coletiva inclusive. Afora “Sledge Hummer”, não tinha gostado do show. A voz dele é linda, mas era do Genesis que eu gostava e acho que o culpava um pouco pelo fim daquele maravilhoso representante do Rock Progressivo. O show deste domingo, porém, foi muito interessante. Gabriel tocou com uma orquestra, a mesma que o acompanha no seu último disco, elogiadíssimo pela crítica especializada. Era jazz meets progressivo, Gabriel misturado com erudito. Tudo muito bonito. No longuíssimo show, que assistimos do camarote mesmo, sem descer, houve pelo menos duas músicas menos conhecidas do Genesis (não reconheci, me disse uma fã, Elga, que havia ido ao show da banda em 1976 no Pacaembú!), a da trilha sonora da minissérie “O sorriso do Lagarto”, da Globo, baseada no livro de João Ubaldo Ribeiro e “Biko”, canção protesto sobre o líder africano Stephen Biko.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/Peter-Gabriel-com-orquestra.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-full wp-image-721" title="Peter Gabriel- com orquestra" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/Peter-Gabriel-com-orquestra.jpg" alt="" width="652" height="408" /></a></p>
<p><strong>Lynyrd Skynyrd<br />
</strong>O último show da noite, ao qual a mídia deu muito mais importância do que aos anteriores, foi do Lynyrd Skynyrd, banda sessentista/setentista do chamado southern rock, surgida na Flórida. Mais conhecida pela balada “Sweet Home Alabama”, os cabeludos cantam de baladas tipo cancioneiro americano até rock pesado. O público é fiel, como frisou um dos integrantes, explicando à Folha de São Paulo que a mídia internacional não liga pra eles. “É o público que nos mantém vivos”.</p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/Lynyrd-Skynyrd.bmp" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-full wp-image-722" title="Lynyrd Skynyrd" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/Lynyrd-Skynyrd.bmp" alt="" /></a> E assim, próximo às 2 horas da manhã, pegamos a estrada pra mais uma caminhada de 1 quilômetro até o carro e meia hora até Campinas pra dormir no hotel (Ibis) lotado de roqueiros de todas as idades e tribos. Até Marcelo D 2, que tinha aberto a noite do rap (Black Eyed Peas e companhia), estava lá, perguntou a mim se aquela era a fila do check out e entrou na fila como qualquer mortal. Na manhã de segunda-feira, que seria a noite do grunge, com Sonic Youth, Stone Temple Pilot, Faith no More e Hole, de Courtney Love, a louca viúva de Kurth Cobain, ainda havia resquícios da importância que o pop rock anos 80 tem até hoje. Um menino de uns 20 e poucos anos usava uma camiseta com a foto de uma fita K-7, onde se lia: “80&#8217;s mix tape”. Uma referência ao costume que nossa geração tinha de gravar fitas para os amigos e que é citado em filmes como “Alta Fidelidade”. E um sinal claro de como a música dos anos 80 empolga corações e mentes muito mais jovens que a minha. “A música daquela época era muito melhor que a de hoje, né?”, perguntara Karina no show, logo a mim. Talvez a música dos 80 seja para os jovens de hoje o que a dos 60 era para a minha geração, uma grande referência musical.</p>
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		<title>Restaurante brasiliense com um pé na alta cozinha espanhola</title>
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		<pubDate>Sun, 06 Nov 2011 12:53:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mariana</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Numa segunda-feira do fim de outubro, mais um restaurante de alta gastronomia abriu as portas em Brasília. Foi o Versão Tupiniquim, na 302 sul- em frente à 303, não a quadra das farmácias. Trata-se do estabelecimento idealizado pela arquiteta brasiliense nascida no Guará Fabiana Pinheiro, uma apaixonada pela cozinha desde muito cedo.

A gourmande de 38 [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: medium;"><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/DSC051491.jpg"></a>Numa segunda-feira do fim de outubro, mais um restaurante de alta gastronomia abriu as portas em Brasília. Foi o Versão Tupiniquim, na 302 sul- em frente à 303, não a quadra das farmácias. Trata-se do estabelecimento idealizado pela arquiteta brasiliense nascida no Guará Fabiana Pinheiro, uma apaixonada pela cozinha desde muito cedo.</span></p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/DSC051492.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-large wp-image-696" title="DSC05149" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/DSC051492-1024x768.jpg" alt="" width="1024" height="768" /></a><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/DSC05149.jpg"></a></p>
<p><span style="font-size: medium;">A gourmande de 38 anos retornou a Brasília no fim de 2009 pronta para transformar em realidade o sonho de abrir um restaurante com uma filosofia específica: servir a preços razoáveis pratos elaborados e pensados por ela com produtos brasileiros e inspirações que ela angariou ao longo dos dez anos que passou na Espanha conhecendo de perto das cozinhas dos restaurantes com duas, três estrelas (cotação máxima) do Guia Michelin e outros guias importantes. Isto especialmente no País Basco, onde fica a linda San Sebastián, e Barcelona, onde ela morou por boa parte do que começou apenas como um período sabático. Cozinha literalmente, porque a curiosidade a levou não só a experimentar os pratos dos restaurantes como comensal mas, aos poucos, depois de ganhar a confiança dos Chefs, a ir entrando nas cozinhas para conhecer de perto o preparo das comidas. Em Madri, ela fez cursos na Cátedra do grande Ferran Adrià, Chef considerado o melhor do mundo pela primeira vez em 2006 no Top 50 da revista Restaurant, o mais importante ranking do mundo. Em 2008, ascendeu ao topo deste mesmo ranking o catalão Martín Berasategui, cujo restaurante também foi visitado por Fabiana. A cozinha espanhola só foi desbancada, se é que podemos usar este termo forte, em 2010, pelo cozinheiro do dinamarquês Noma. Por falar no País escandinavo, nesta segunda-feira de abertura do Versão Tupiniquim, a que Escritos do Ócio esteve presente, Fabiana recebeu amigos e amantes da cozinha como o também dinamarquês Simon Lau Cederholm, do Aquavit, o único restaurante de Brasília a deter duas estrelas no Guia Quatro Rodas e também Chef do ano eleito pelo mesmo guia (Ver post “O restaurante duas estrelas de Brasília”, aqui no blog).</span></p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/DSC05157.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-large wp-image-697" title="DSC05157" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/DSC05157-1024x768.jpg" alt="" width="1024" height="768" /></a></p>
<p>“<span style="font-size: medium;">Precisamos incentivar iniciativas como esta, que colaboram para aumentar a qualidade da gastronomia de Brasília”, me disse Simon na inauguração. Como o Versão Tupiniquim pretende ter vocação artística, a pintora Yara Tupynambá (foto abaixo) abriu também ali exposição de uma série que pintou no Vale do Rio Doce, em Minas Gerais. Um imponente díptico da floresta com uma bela luz entremeando as árvores chamava a atenção em meio aos garçons servindo salada de polvo, torta de cebola sobre remescú, afogadinho de camarão (delicioso!) e, de sobremesa sanduíche de chocolate (especialíssimo!). </span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/DSC05161.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-large wp-image-698" title="DSC05161" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/DSC05161-1024x768.jpg" alt="" width="1024" height="768" /></a></span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Algumas semanas antes da estreia, o restaurante já mostrava ao público que o foi descobrindo aos poucos vários de seus pratos distribuídos em dois Menus degustação, criados por Fabiana, pelo Chef espanhol trazido por ela, Juan Fran Robles, e pela empresa de consultoria do famoso Chef de San Sebastián Juan Mari Arzak, a Arzak Instruction. Arzak foi o pai do movimento de renovação da cozinha espanhola, ainda na vanguarda da culinária mundial. Ele foi o primeiro Chef espanhol a alcançar, em 1989, as cobiçadas três estrelas do Guia Michelin. O Versão é o primeiro estabelecimento brasileiro a contar com a consultoria da Arzak Instruction, que cuida da logística do restaurante, faz pesquisa sobre o gosto do público da cidade e ajuda a elaborar os próprios pratos. O catalão Mikel Sorazu (foto abaixo), representante do instituto, esteve presente à inauguração, mais precisamente à cozinha do restaurante. </span></p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/DSC05165.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-large wp-image-699" title="DSC05165" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/DSC05165-1024x768.jpg" alt="" width="1024" height="768" /></a></p>
<p><span style="font-size: medium;">A antenada e simpática Fabiana Pinheiro concedeu a Escritos do Ócio a seguinte entrevista sobre suas influências gastronômicas, sua estada na Espanha e a filosofia que quer empregar no Versão Tupiniquim. </span></p>
<p>-<span style="font-size: medium;"> <strong>Como tudo começou pra você e a gastronomia?</strong></span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Eu não sou chefe de cozinha, eu sou uma aprenciadora da alta cozinha, me considero uma dona de casa. E tudo começou quando eu fui passar um ano sabático na Espanha, eu sou arquiteta de profissão, estava muito cansada aqui em Brasília, trabalhava muito e fui passar um ano fora, dedicado a mim. Escolhi Barcelona pra passar esse ano, com passagem de volta comprada. Comecei desenhando, pintando, fazendo mil cursos de idioma, viajando pela Europa e descobri a alta cozinha em Barcelona, o primeiro restaurante que eu visitei foi o (El Racó de) <strong>Can Fables, Santi Santa Maria (primeiro catalão a ganhar três estrelas no Guia Michelin, em 1994)</strong>, é uma cozinha tradicional também como fazem os grandes chefes espanhóis. E me apaixonei pela alta cozinha e comecei a fazer os típicos cursinhos ou visitar os restaurantes, fazer fotos de alguns pratos, anotações. Eu morava num apartamento com outras garotas de várias nacionalidades, eu alugava um quarto e cozinhava. Meu maior prazer era ir ao supermercado e pensar: “O quê que eu vou comer hoje?”. E poder escolher minha própria comida e saber como prepará-la. Como eram ingredientes novos, por exemplo, aqui em Brasília os champinhons são todos em conversa. Lá não, eu comprava champinhom fresco e não champinhom branco, tinha vários tipos de cepas.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">-<strong>Ía àquele mercado em Barcelona?</strong></span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Eu fazia curso de idiomas na Drassanes, a Escola Oficial de Idiomas de Barcelona, e passava todos os dias em frente à <strong>Boqueria</strong> e sempre parava, até inseto eu comia. Sim, comprava pequenas coisas, engordei 18 quilos por isso porque realmente comer pra mim passou a ser uma coisa muito importante, não era só comer, era descobrir<strong> ingredientes novos</strong>, ir aos restaurantes e tentar <strong>identificar os sabores</strong>. E começou assim, como um hobby, e recebia as pessoas em casa. Era uma coisa que eu sempre gostei de fazer no Brasil. Era uma tradição, no dia 20 de outubro, meu aniversário, eu sempre recebia as pessoas. E fazia questão de cozinhar e pra 300 pessoas. E elas perguntavam: “Por que você não abre nada?”. Eu não vou abrir, eu sou arquiteta, apaixonada pela minha profissão, nunca achei que eu fosse ter uma segunda ocupação. </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">- <strong>Por que a Espanha?</strong></span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Por acaso. Uma amiga filha de um cônsul do Brasil em Barcelona me chamou. Eu pensava em ir para o Japão ou a Austrália que me fascinam até hoje e onde precisavam de profissionais da área de arquitetura. Quando ela me falou Barcelona, eu pensei: “Eu vou, pelo menos pra passar um ano”. Então eu vendi meu carro, que era caro na época, vendi mil coisas, perfumes, eu queria me desprender destes bens materiais que aqui em Brasília a gente só faz acumular e fiz um brechó na minha casa, arrecadei um montante considerável de dinheiro, suficiente pra viver um ano na Europa, mais de 30 mil euros, que na época não era euro, era pesetas, e fui pra Espanha. Na verdade, foi uma etapa de autoconhecimento.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">-<strong>Como é que era o aprendizado lá? Me fala um pouco das escolas em que você estudou.</strong></span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Na verdade, as experiências gastronômicas não foram em nenhuma escola, foram nas <strong>cozinhas dos restaurantes</strong> que eu fui conhecendo. O único curso que eu fiz foi de Gestão Hostelera, que é um curso de restaurantes, onde se estuda o conjunto: saber receber as pessoas, a <strong>qualidade dos alimentos</strong>, a que temperatura a que eles devem ser conservados, como deve ser servida uma mesa, como deve ser preparado um produto, isso me fascinou. Porque eu sempre fui muito detalhista em tudo na minha vida. E vi que a <strong>gastronomia é tratada com todo respeito </strong>que talvez aqui no Brasil muitos não tenham. Aqui em Brasília, por exemplo, nós temos um problema muito sério com serviços. Garçons, sommeliers&#8230; sommeliers já têm um grau melhor, mas a parte de serviço, digamos que 50% do trabalho são eles que fazem, que é dar a cara pelo produto que oferecemos, é a cara da nossa Casa. É muito difícil porque não tem um comprometimento, essas pessoas não recebem a formação necessária pro que elas vão exercer. Eu agora tô tendo um problema muito sério pra conseguir pessoas pra trabalhar, tô investindo, tô pagando cursos, professores e mesmo assim, quando a pessoa parece que aprende um pouquinho, ela vai embora por 50 reais, ou porque não quer trabalhar tantas horas&#8230; A gente tem uma proposta aqui que é alta cozinha a preços moderados. Eu poderia cobrar mais? Poderia. É a proposta? Não é a proposta.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">-<strong>Como é que você conheceu o chefe daqui do Versão Tupiniquim?</strong></span></p>
<p><span style="font-size: medium;">É o Juan Fran Robles. É um rapaz jovem, mas que sempre trabalhou em cozinha, desde os 16 anos. Já morou em vários países. O encontrei através da assessoria que eu tenho do Mikel Sorazu.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">-<strong>Me fala dessa assessoria.</strong></span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Meu <strong>assessor gastronômico</strong> é Mikel Sorazu, é um nome basco que em português seria Miguel. Ele é uma das cabeças do <strong>Arzak Instruction</strong>, uma empresa que presta assessoria pra vários restaurantes em todo o mundo, voltado a melhorar o serviço de cozinha. O que eu achei interessante é que eles não vêm fazer cozinha espanhola ou basca aqui, é impossível. Eles se preocupam em conhecer a realidade brasileira, a necessidade, o que o público deseja. O que você quer oferecer e se é possível com os produtos disponíveis na cidade. É um projeto que já tenho há mais de dois anos, o primeiro contato que eu tive com o Arzak Instruction foi com o Igor (Zelakian, um dos dois integrantes do Laboratório Arzak, que funciona no segundo andar do restaurante, numa antiga taberna da família de Juan Mari Arzak, em San Sebastián. O laboratório cria pratos que não necessariamente serão incorporados ao cardápio) que também é do <strong>Laboratório Arzak</strong> e nós conversamos sobre a filosofia que nós queríamos, que é um pouco isso, é trazer <strong>sabores tradicionais</strong> apresentados de outra maneira e preparados de outra maneira, outras texturas&#8230; É <strong>surpreender o comensal</strong>. Como um prato que nós temos aqui que é considerado o prato estrela, a rabada (na foto abaixo), é um rabo bovino, um prato que nós vamos ter sempre em cardápio porque é um produto disponível.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">-<strong>É uma rabada meio agridoce, não é isso?</strong></span></p>
<p><span style="font-size: medium;">É, ela é preparada à base de vinhos tintos, com um <strong>fundo de vinho do porto, </strong>e ela é preparada de outra maneira, mas não deixa de ser uma rabada, não deixa de ser um sabor conhecido pelo paladar brasileiro. Ela tem a <strong>crocância </strong>da massa filo, é <strong>suculenta</strong> como todos os pratos de rabada porque o próprio produto nos oferece essa <strong>gelatinosidade</strong>, né? E é bastante rica em nutrientes, é baixa em gordura&#8230;</span></p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/DSC05147.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-large wp-image-700" title="DSC05147" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/DSC05147-1024x768.jpg" alt="" width="1024" height="768" /></a></p>
<p><span style="font-size: medium;">-<strong>Ah, é? Rabada baixa em gordura?</strong></span></p>
<p><span style="font-size: medium;">É. Então a gente aportou algo ao prato tradicional e esta é nossa intenção: aportar algo, trazer alto diferente, surpreender. Servir um arroz-doce, mas um <strong>arroz-doce com abacaxi</strong>, como um prato de sobremesa que nós temos. Ou fazer um pequeno drinque com espuma, mas isso como cozinha tradicional, com sabores tradicionais brasileiros, produtos de mercado, porque nossa proposta é trabalhar com <strong>produtos frescos</strong>, <strong>produtos de temporada</strong>, que é quando o produto tá melhor no seu sabor, na sua textura, no seu preço&#8230; do que a gente trabalhar com produtos fora de temporada ou que nem são brasileiros, que podem ser maravilhosos, estar no seu auge mas, se a gente tem tanto produto bom aqui&#8230; Este País é tão grande, de norte a sul a gente tem uma variedade incrível, não só de <strong>ecossistemas</strong>, mas também de temperaturas, de produtos mesmo. A gente encontra <strong>frutas na Amazônia</strong> que a gente não encontra no nordeste que está ao lado, ou no sul.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">-<strong>Você caracterizaria a sua cozinha, que você está implantando aqui no restaurante, com todas as suas influências e tudo mais, como uma cozinha brasileira com sotaque espanhol?</strong></span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Não, é uma cozinha brasileira&#8230; sei lá, não tem sotaque. Acho que é um pouco uma <strong>cozinha brasiliense</strong>. Brasília não tem sotaque, já percebeu isso? A gente vai pro Rio, perguntam se a gente é mineiro, vai pra São Paulo, perguntam se é carioca&#8230; A cozinha que a gente faz aqui eu considero que é uma cozinha de autor, de autoria própria, não é nem espanhola, nem tailandesa, nem italiana. A gente usa pratos e sabores de determinadas cozinhas internacionais&#8230;</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">-<strong>É, porque tem fois-gras também&#8230;</strong></span></p>
<p><span style="font-size: medium;">É. Nós preparamos o nosso próprio <strong>fois gras (com cajú, como na foto abaixo)</strong>, de maneira diferente ao que é preparado em outros países. </span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/DSC05142.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-large wp-image-705" title="DSC05142" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/DSC05142-1024x768.jpg" alt="" width="1024" height="768" /></a></span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Porque o paladar do brasiliense é outro. De repente, você adicionar um determinado prato armagnac, conhaque, não seria apropriado. Então, tem todo um estudo. O <strong>estudo do prato</strong> ele não é só <strong>nutricional</strong>, é também de composição de sabores, a própria composição estética, nós fazemos <strong>croquis dos pratos</strong>, montagens. A princípio na composição do prato apresentamos ele de uma maneira e de repente pela própria estabilidade do prato ou demanda do cliente, a gente altera a composição dele, coloca mais ou menos farofa, mais ou menos molho, a carne de uma maneira ou de outra. Começamos a servir, por exemplo, o magret, inteiro, mas algumas pessoas diziam: “O <strong>magret</strong> tá duro”. Não é isso, é que a textura do pato, o próprio pato é mais difícil de ser cortado, então, a partir deste momento, nós começamos a servir o magret fatiado. Então, os clientes já falam: “Nossa, <strong>derrete na boca</strong>!”. Então, são pequenos truques que a experiência desses senhores, desses nossos consultores, aportaram pra gente. Eu não sou do ramo, então eu precisava de uma pessoa me assessorando. Eu busquei o melhor, na minha opinião. Não o melhor, digamos que o meu ídolo gastronômico, que seria a <strong>cozinha tradicional hoje feita no País Basco.</strong></span></p>
<p><span style="font-size: medium;">-<strong>Eu queria que você falasse um pouco mais sobre suas incursões nos grandes restaurantes.</strong></span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Eu estava trabalhando em uma empresa de projetos de arquitetura que me demandava viajar muito. Então, se eu tenho que engordar, <strong>se eu tenho que pecar, eu vou pecar num bom, né?</strong> Então, eu procurava pela <strong>Guia Michelin</strong> ou qualquer outra guia importante, pelos principais restaurantes da cidade. E visitava. Num primeiro momento eu nem sabia quem era quem. E procurava conhecer, anotava na agendinha ou no telefone o que eu tinha gostado. Daí que estas viagens que a princípio eram a trabalho começaram a ser exclusivas pra conhecer os restaurantes. Porque eu comecei a ver que se eu chegava de tarde na cidade, por exemplo, <strong>San Sebastián</strong>, e queria jantar à noite no <strong>Bulgari, </strong>que é um restaurante de primeira linha como o <strong>Arzak</strong>, era impossível. Você tinha que <strong>reservar dois, três meses antes</strong>. Então, eu comecei a programar minhas viagens gastronômicas. Ligava, reservava, como se planeja umas férias. E comecei a conhecer os grandes restaurantes. Comecei a ir, a ir, sem saber qual era a dimensão disso. Descobri que existia uma escala dos melhores do mundo&#8230; Descobri uma <strong>alta cozinha muito mais alta do que eu podia imaginar</strong>. Na <strong>França</strong>, estive nos grandes restaurantes também do mundo, como (Alain) <strong>Ducasse</strong>. E, claro, é também uma cozinha de autor, a <strong>cozinha francesa</strong> também evoluiu, não no sentido só de melhora, no sentido de novas tendências. Mas a cozinha espanhola de repente me surpreendia. Grandes restaurantes que eu ía, não só bascos, mas também catalães, e madrilhenhos, me surpreendiam. Uma amiga minha tem um restaurante em Vale de Penãs, na região perto de Madri, no Castilla La Mancha (Castela La Mancha, em português), onde <strong>Cervantes</strong> escreveu muito, o próprio <strong>Don Quixote de La Mancha</strong>. Então, o que eu vi na Espanha é que até mesmo os pequenos restaurantes se preocupam, os das pequenas cidades, dos <em>pueblos</em>, se preocupam com a apresentação dos pratos, em inovar. Então eu pensava: “Eu quero isso também!”. De repente eu aprendi que um camarão, se você jogar um pouquinho de whisky na cabeça dele, ele fica muito mais saboroso, ele solta muito mais líquidos&#8230; O que eu mais gostei da cozinha mediterrânea é que ela é <strong>pouco condimentada</strong>, então, eu comecei a conhecer o <strong>sabor real dos alimentos</strong>, como é o sabor de uma carne de pato, de uma carne de ovelha. Porque aqui a gente tinha um costume, na minha casa, de botar molho em tudo, muito sal, e isso acaba uniformizando todos os sabores. </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">-<strong>A gente vê que aqui vocês tão usando pouco sal e molho só em alguns pratos.</strong></span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Claro, na verdade o molho não tem a função de cobrir o sabor, ele é uma guarnição, acompanha os sabores, ele em si já é um prato, é feito à base do sugo da própria carne, ele enriquece sem tampar o sabor do prato principal. Nossa intenção é que o peixe me mar tenha sabor de mar, que você possa sentir os aromas, reconhecer um peixe que é de mar. As pessoas falam que o peixe de água doce é rançoso. Gente, a coisa maravilhosa que nós temos no Brasil são os peixes de rio, fantásticos. Cê vai na maioria dos restaurantes aqui em Brasília e tem sempre atum ou salmão. Salmão é um peixe extremamente gorduroso e que não é um peixe nosso. Por que no lugar do salmão não são servidos outros peixes de couro, digamos assim? Eu sempre conheci muitos sabores brasileiros, minha mãe trabalhou no Projeto Rondon então fui a Santarém, Belém, Manaus, e comia os peixes. Estava em aldeia indígena, brincando com crianças indígenas, enfim, comendo em cumbuca de coco, com colher de madeira. Então, tudo isso eu tenho na minha cultura familiar. Então, isto aqui foi concebido como um projeto de fusão gastronômica, não só de sabores, mas também de experiências vividas. E a minha experiência lá fora foi de chegar nos restaurantes&#8230;</span></p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/DSC05145.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-medium wp-image-701" title="DSC05145" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/DSC05145-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<p><span style="font-size: medium;"><strong><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/DSC051431.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-medium wp-image-703" title="DSC05143" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/DSC051431-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></strong></span></p>
<p>-<span style="font-size: medium;"><strong>Como curiosa?</strong></span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Como curiosa, e quando eu conheci a gastronomia de <strong>Ferran Adrià </strong>e <strong>Juli Soler</strong>, o sócio de Ferrán, uma pessoa extremamente acessível, Ferrán também, são dois grandes gênios, seria impossível falar de um sem falar no outro. Existe uma parceria muito grande hoje na Europa. Não só os espanhóis, os grandes chefes hoje se unem. Nosso querido <strong>Alex Atala</strong> é amigo íntimo desses grandes cozinheiros, de Ferrán, do Arzak, esteve com os dois na Amazônia mostrando sabores. Então, os grandes profissionais da restauração temos que nos unir pra fortalecer o grêmio e melhorar o serviço. Não somos concorrentes.</span><span style="font-size: medium;">Em poucas palavras, o que você diria que aprendeu na Cátedra que fez no Instituto de Ferran Adrià?</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">A cátedra são cursos curtos, a <strong>Cátedra Ferran Adrià</strong> hoje em Madri está dentro da Universidade José Camilo Cela, que é uma pós-graduação voltada para gastronomia, você tem que ser aceita nela. Cursos teóricos e práticos. Os de curta duração são muito interessantes porque não é o Ferrán em si, são convidadas outras pessoas, foi dado um curso com pessoas da Galícia que nos mostraram as algas, a variedade de algas que existe hoje no Mar Cantábrico, por exemplo, no Atlântico. Então, você pode servir um prato que parece um espaguete e é alga porque existem várias formas e você pode aproveitar e brincar com isso. Eu fiz degustações de champanhe pra saber apreciá-lo, por que a região de Champanhe é tão famosa, o que ela tem que as outras não têm? Então, isso a Cátedra me aportou muito. O que é um fois gras? Como identificar um bom fois gras? Um fígado de oca, que seria um marreco aqui, bom existe toda uma polêmica&#8230; Como fazer a cozinha de ir pro mercado com grandes chefes e saber como ele escolhe as verduras e frutos do mar. Temos em Madri o segundo maior mercado do mundo, acho que o maior tá em Tóquio. Na Espanha se costuma dizer que o peixe mais fresco tá em Madri, onde não tem mar. Porque ele chega muito rápido. O MercaMadri abre 5 horas da manhã. Fomos comprando pequenos pedaços. Isso não foi pela Cátedra, mas por outro grande cozinheiro, Santi Santamaria. E depois a cozinha botânica, do cozinheiro <strong>Rodrigo de la Calle</strong>, que trabalha maravilhosamente bem com fusão de tâmaras maduras do sul da Espanha da região de Valência, faz chás de tâmaras que põe nos pratos. Ele é um dos grandes cozinheiros, muito jovem também, trabalhou com Martín Berasategui, tem um restaurante em Aranjuez. Tô citando alguns grandes cozinheiros. Ou o próprio Martín Berassategui em San Sebastián, a família Roca em Barcelona, <strong>Paco Roncero</strong> (especialista na cozinha em miniatura) em Madri ou Sevilha; <strong>Rafa Morales</strong>, que durante muito tempo foi chefe de cozinha do<strong> el Bulli</strong> (de Ferran Adrià), excelente cozinheiro e pessoa. </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">-<strong>A todos estes você foi?</strong></span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Fui. Então, eu fui conhecendo estes grandes cozinheiros, fui me aproximando deles, <strong>alguns se tornaram grandes amigos</strong> e nós optamos por, antes de vir para o Brasil, conhecer mais profundamente a cozinha de Juan Mari Arzak e contratar os serviços de uma empresa sua que é a Arzak Instruction. Eu tô junto em todos os pratos que são criados, mas eles têm uma visão de mundo e a experiência de anos que só tem a enriquecer o nosso trabalho. E no Brasil nós somos o único restaurante assessorados por Arzak Instruction. Eu estou maravilhada com tudo o que a gente está fazendo. </span></p>
<p><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/DSC051391.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-large wp-image-704" title="DSC05139" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/DSC051391-1024x768.jpg" alt="" width="1024" height="768" /></a></p>
<p><span style="font-size: medium;"><strong>-Por que resolveram apresentar os menus degustação aos clientes antes mesmo de abrir o restaurante?</strong></span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Pra treinamento de pessoal e pra ver a receptividade, como seríamos aceitos e o que estaria faltando.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;"><a href="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/DSC05141.jpg" rel="lightbox"><img class="aligncenter size-large wp-image-706" title="DSC05141" src="http://escritosdoocio.com.br/wp-content/uploads/2011/11/DSC05141-1024x768.jpg" alt="" width="1024" height="768" /></a></span></p>
<p><span style="font-size: medium;">É como se eu te chamasse pra comer na minha casa e perguntasse: “ Mariana, o que você achou deste cardápio?”. Aí você vai falar: “Poderia ter um pouco mais&#8230;</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">-<strong>De sal (risos)</strong></span></p>
<p><span style="font-size: medium;">De sal, então eu vou começar a trazer o seu com o sal que eu imagino, se não eu começo a corromper nossa filosofia. Mas eu trago sempre um potinho de sal. O cliente é o que manda. Então, se quer a carne mais ao ponto, a gente tenta colocar da maneira como ele quer, mas sempre lembrando a ele que a maneira que nós servimos é a que nós consideramos que é ideal. </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Endereço: </span>SCLS 302-B, Bloco C, loja 2 -<br />
Telefone: 3322 0555</p>
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